Sabratha foi uma antiga cidade portuária na costa do Norte de África (na atual Líbia). O local foi originalmente habitado pela tribo berbere Zwagha no século VIII a.C. (de acordo com o historiador Al-Bakari do século XI d.C.), que a nomeou. Tornou-se uma colónia cartaginesa por volta de 500 a.C., conhecida como Tsabatan, e parte de uma rede comercial de três cidades conhecida pelos Gregos como a Emporia. Foi tomada pelos Númidas sob o reinado do rei Masinissa (igualmente Massinassa) (cerca de 202-148 a.C.) após a derrota de Cartago na Segunda Guerra Púnica (218-202 a.C.) e foi mais tarde reclamada como parte do seu reino pelo neto de Masinissa, Jugurta (governou de 118-105 a.C.).
Após a morte de Jugurta em 105 a.C., foi conquistada por Roma e, durante o reinado de Júlio César (48-44 a.C.), foi incluída como parte da província de África Nova. Manteve o papel como um importante centro de comércio juntamente com as cidades que tinham constituído a anterior Emporia – Leptis Magna e Oea (a moderna Trípoli) – e a área era conhecida no século III d.C. como a 'Regio Tripolitania' ("região das três cidades"). Sabratha foi o local do julgamento do famoso poeta berbere-romano Lúcio Apuleio (viveu de cerca de 124 – a cerca de 170, autor de O Asno de Ouro) por bruxaria em 158, que produziu a brilhante defesa, a Apologia, ainda estudada nos dias de hoje.
Sabratha fornecia a Roma muitos dos seus animais e mercadorias mais exóticos através de uma rota comercial direta para o interior de África: para o Oásis de Ghadames, uma tribo hábil de caçadores e artesãos. Roma recompensou a cidade com um desenvolvimento crescente na forma de um teatro, anfiteatro, templos e monumentos ao longo dos séculos II e III. Nos últimos 50 anos, as ruínas destas estruturas tornaram Sabratha um popular destino turístico, e o local é considerado o mais bem preservado fora de Itália. Foi declarado Património Mundial da UNESCO em 1982.
Sabratha Cartaginesa
A evidência da antiga habitação berbere provém principalmente de historiadores árabes como al-Bakari, que citam tribos como os Zwagha, Zwara e outras como nativas da região. A atual cidade de Zwara, a oeste de Sabratha, é apenas uma prova desta afirmação. Não resta nada das primeiras estruturas que os Zwagha possam ter construído, mas, sabendo da dependência das tribos costeiras berberes do Norte de África do mar para subsistência e comércio, alguma forma de comunidade teria existido no local antes da chegada dos Cartagineses.
Cartago, a leste na costa (na atual Tunísia), era a maior potência do Mediterrâneo antes da ascensão de Roma após a Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.) e tinha a maior frota de embarcações. Fundaram colónias como Sabratha para estender o seu alcance comercial, após terem fundado Oea e Leptis (conhecida pelos romanos como Leptis Magna para a diferenciar de uma cidade menor com o mesmo nome). Estes três portos floresceram sob o domínio cartaginês, que incentivou o comércio com as tribos do interior do país para fornecer mercadorias exóticas a outras nações.
A Sabratha cartaginesa foi um dos portos mais lucrativos, principalmente graças à rota direta entre a cidade na costa e o Oásis de Ghadames, no interior; a cidade desenvolveu-se de forma constante à medida que aumentava a procura pelos produtos dos Ghadames. Sabratha começou com estruturas de tijolos de barro, maioritariamente residenciais, sobre fundações de pedra, antes dos construtores começarem a trabalhar, principalmente, em pedra. A população aumentou e a cidade cresceu, adicionando um mercado, templos e um cemitério, incluindo um tofete (cemitério de crianças). Um testemunho da riqueza de Sabratha sob Cartago, ainda existente, é o Mausoléu de Bes, provavelmente a estrutura mais famosa no local hoje em dia, depois das ruínas do teatro.
O Mausoléu de Bes foi encomendado por um cidadão púnico e construído segundo a arquitetura púnica, mas incorpora aspetos de diferentes culturas. O mausoléu recebe o nome moderno de Bes, o deus egípcio da fertilidade e proteção, cuja imagem se destaca na estrutura. O nome do cidadão para quem foi construído é desconhecido. Motivos egípcios aparecem na estrutura (como uma falsa porta e discos solares alados), bem como o herói grego Hércules (que, tal como Bes, é visto a derrotar leões – no seu caso, o famoso Leão da Nemeia) e estátuas de kouroi (jovens), assim como colunas jónicas. Há capitéis das colunas de estilo feníco-cipriota, e o monumento inteiro é coroado com uma pirâmide. O académico Richard Miles descreve o efeito que o monumento teria tido num visitante grego à cidade:
"Para qualquer grego da época, o mausoléu de Sabratha teria conseguido parecer ao mesmo tempo familiar e estranho. Muitos dos elementos artísticos e arquitetónicos do mausoléu - incluindo os capitéis, colunas, kouroi e metopas - provinham do cânone artístico e arquitetónico grego. Além disso, as metopas eram cobertas com estuque pintado de forma brilhante, da mesma forma que os seus equivalentes gregos. Estas cores foram usadas para um efeito particularmente marcante no painel central. A pele nua de Bes era de um rosa profundo. O branco brilhante da saia e dentes realçava o vermelho dos seus lábios taciturnos e o azul cobalto da sua barba. A cor também acrescentava muito à expressividade dos leões, com as suas jubas azuis a repousar sobre corpos amarelo-profundo. O turquesa dos seus olhos sem vida e o vermelho das suas línguas penduradas contrastavam com o branco brilhante dos seus dentes e com a flacidez da morte." (págs. 19-20)
Igualmente segundo Miles, o monumento desconsidera a composição clássica para uma apresentação completamente inovadora de um simbolismo poderoso das tradições religiosas e culturais gregas, púnicas e egípcias. O mausoléu representa a diversidade da população de Sabratha na época, mas é também uma das poucas criações genuinamente púnicas que restam. A arte púnica baseava-se regularmente no simbolismo de outras culturas, mas isso é frequentemente negligenciado porque muito pouco sobreviveu (Cartago tendo sido destruída por Roma no final das Guerras Púnicas em 146 a.C.). O monumento de Sabratha é considerado tão importante precisamente por esta razão; está entre as poucas representações existentes da genuína arte púnica e do que a arte significava para aquela cultura. Miles comenta:
O mausoléu de Sabratha é um monumento impressionante não à natureza derivada da cultura púnica tardia, mas à extensão em que o mundo púnico fazia parte de uma comunidade economicamente e culturalmente ligada que se estendia por grande parte do sudoeste da Europa e Norte de África, muito antes de ser politicamente unida sob a égide imperial de Roma. Não era um mundo fundado na supremacia política ou militar avassaladora de uma determinada potência, mas sim uma rede muito mais solta, composta por povos diversos – púnicos, gregos, etruscos e outros – que viviam ao longo das suas costas. Estes diferentes grupos étnicos foram inicialmente ligados pelo comércio marítimo – o motor através do qual bens, pessoas, técnicas e ideias fluíam pelo antigo Mediterrâneo. (pá. 21)
Sabratha, sob o domínio dos Cartagineses, era uma cidade metropolitana cuja prosperidade parecia ilimitada até ser interrompida pela guerra. Em 264 a.C., Roma ainda era uma pequena cidade a estabelecer-se em Itália, sem uma frota digna de menção, e Cartago dominava os mares. Roma e Cartago tinham ambas pretensões sobre a ilha da Sicília e, quando os dois reinos sicilianos entraram em guerra um com o outro, Cartago e Roma foram arrastadas para o conflito e declararam guerra uma à outra. Roma rapidamente desenvolveu uma frota naval e aprendeu a lutar no mar. A Primeira Guerra Púnica deixou Cartago derrotada e a dever enormes reparações de guerra a Roma, que se tornou a superpotência do Mediterrâneo. Sabratha teria sofrido, juntamente com outras colónias cartaginesas e a própria Cartago, no rescaldo da guerra.
Roma Conquista Sabratha
O ponto de viragem para a cidade foi a Segunda Guerra Púnica (218-202 a.C.), a mais conhecida das três, na qual Aníbal Barca aterrorizou Roma e Cipião Africano a salvou. Embora Sabratha em si não tenha estado envolvida no conflito, a cidade mudou de mãos depois, quando Masinissa da Numídia a adicionou ao seu reino. Apesar de ter sido originalmente um aliado de Cartago, ao ver que Roma ia vencer, mudou de lado, e como recompensa pela ajuda, Roma permitiu-lhe fazer o que desejasse no Norte de África, e Masinissa estabeleceu o seu grande Reino da Numídia.
Este reino declinou após a sua morte, mas foi reunido e revigorado sob o seu neto Jugurta, que, após assassinar os seus dois irmãos adotivos como pretendentes, tomou o poder. Jugurta, mantendo a tradição das relações númidas-romanas, deveria ter permanecido amigo de Roma, mas, em vez disso, agiu como bem lhe aprouve, provocando Roma a declarar-lhe guerra em 112 a.C. Após a sua derrota e execução em 105 a.C., Roma dividiu o Norte de África e tomou Sabratha e os outros portos de comércio.
Há poucas evidências físicas da primeira Sabratha romana, mas não há dúvida de que a cidade se tornou novamente próspera e deve ter tido muitas estruturas impressionantes, porque mais de 50 anos depois, Júlio César incorporou-a na sua província de África Nova e ordenou renovações para melhorar a infraestrutura da cidade. Foi adicionado um fórum à cidade perto do antigo mercado e uma basílica para resolver questões legais, bem como o primeiro Templo de Ísis na cidade durante o reinado de Augusto César (27 a.C. - 14 d.C.), e estes seriam mais tarde renovados sob Antonino Pio (governou de 138-161). De facto, o período Antonino foi o auge da fama e prosperidade de Sabratha, pois foi durante este tempo que a cidade foi completamente renovada para se tornar uma joia da costa do Norte de África.
Sabratha Romana
Antonino Pio iniciou os projetos de construção cujas impressionantes ruínas se veem no local hoje em dia. Houve um novo templo para Ísis (a deusa "estrangeira" mais popular do Império Romano), Serápis (o deus híbrido de origem egípcia-grega e mais tarde romana, que combinava aspetos de Osíris, Zeus e Júpiter), e a divindade Liber Pater (literalmente "pai livre"), que presidia sobre a fertilidade, a liberdade pessoal, o vinho e a viticultura. Durante o reinado de Antonino e dos seus sucessores Marco Aurélio (governou de 161-180 d.C.) e Cómodo (governou de 180-192 d.C.) foram construídos banhos romanos, um teatro e anfiteatro, e muitas outras estruturas. Um terramoto nalgum momento do reinado de Antonino danificou a cidade, que foi então reparada por Aurélio.
No ano de 158, o poeta, filósofo e autor Lúcio Apuleio foi julgado em Sabratha sob a acusação de que tinha usado bruxaria para seduzir uma viúva rica para casamento. Apuleio estava a viajar pelo Norte de África quando parou na casa de um velho amigo de escola do seu tempo em Atenas, um certo Pontiano, cuja mãe, Pudentila, era uma viúva rica. Pontiano encorajou Apuleio a cortejar e casar-se com a sua mãe porque ela parecia gostar dele e Apuleio concordou em fazê-lo. Enquanto esta relação progredia, Pontiano ia casar-se com a filha de um tal Herénio Rufino, que ficou indignado quando soube que Pudentila ia casar-se novamente. Provavelmente tinha arranjado o casamento porque ela se ia tornar a rica sogra da sua filha, mas agora, num segundo casamento, as decisões financeiras seriam do novo marido dela, Apuleio.
Tentando encontrar uma maneira de dissolver o casamento e livrar-se de Apuleio, Rufino acusou-o de bruxaria. Apuleio, hábil em retórica e direito, entre os seus outros atributos, defendeu-se e humilhou os seus acusadores na sua Apologia (Um Discurso Sobre Magia), uma obra que continua a ser estudada hoje por estudantes de direito, filosofia, oratória e literatura pela sua brilhante composição e eficaz refutação das acusações.
A basílica judicial onde o julgamento de Apuleio ocorreu foi uma das muitas estruturas renovadas por Antonino e Aurélio e as suas ruínas ainda podem ser vistas hoje. Antonino também conferiu a Sabratha o estatuto de colónia e os seus cidadãos receberam direitos romanos sob a lei. Uma vez colónia, Sabratha estabeleceu um escritório comercial no porto de Óstia, perto de Roma, e aumentou o seu alcance comercial. O imperador Septímio Severo (governou de 193-211), nativo de Leptis Magna, continuou as políticas de melhorias de Antonino e Aurélio em Sabratha, bem como na sua cidade natal.
A riqueza resultante levou a uma nova renovação da cidade, desta vez liderada pelos principais cidadãos de Sabratha, que incluiu a importação de quantidades significativas de mármore grego como material de construção. As estruturas em Sabratha foram todas construídas com arenito local, mas foram agora revestidas com mármore, e colunas de mármore apoiariam um telhado ou ergueriam uma estátua. O teatro, uma das ruínas romanas mais impressionantes em qualquer lugar, que podia acomodar 5.000 espetadores, foi renovado nesta altura e inclui detalhados baixo-relevos na parte de trás do palco, uma fossa para a orquestra, latrinas. Peças de teatro gregas tornaram-se cada vez mais populares no teatro, enquanto espetáculos desportivos e de gladiadores eram produzidos do outro lado da cidade, no anfiteatro.
Havia banhos junto ao Mar Mediterrâneo (os "banhos do mar") e na cidade ("banhos de Oceano"), bem como lagares de azeite, vinhas e negócios que produziam produtos ou processavam os que vinham do interior. A prosperidade de Sabratha ainda dependia do seu acesso direto ao Oásis de Ghadames, mas, com base em escavações arqueológicas de Kathleen Kenyon entre 1948-1951, parece que as pessoas da cidade produziam muitos bens.
Declínio e Queda
A prosperidade da cidade atraiu a atenção de saqueadores tribais e, entre 363-365, Sabratha sofreu inúmeras incursões da tribo dos Austuriani, que destruíram edifícios e derrubaram muralhas. Durante a era Antonina, Sabratha tinha-se expandido com muitas habitações residenciais nos arredores, mas agora as pessoas mudaram-se para mais perto do centro da cidade (evidenciado pelas ruínas de estruturas residenciais construídas por volta desta época), e os saqueadores podem também ter perturbado a vital rota comercial do interior.
Em 21 de julho de 365, um terramoto estimado em 8.0 por académicos modernos atingiu Creta (conhecido como o Terramoto de Creta de 365), destruindo todas as estruturas em Creta e enviando um tsunami através do Mediterrâneo. Os efeitos do terramoto foram sentidos até no Egito e em Espanha, enquanto Sabratha, consideravelmente mais perto do epicentro e localizada diretamente na costa, sofreu imensamente. As embarcações no porto foram atirados para o interior e os edifícios do lado do mar caíram, incluindo o Mausoléu de Bes. Depois disto, muitas pessoas deixaram a cidade, e os que ficaram descobriram que Sabratha agora estava sujeita a tempestades de vento que enchiam o ar com areia.
Quando o Império Romano caiu em 476, Sabratha perdeu o porto de Óstia, bem como a proteção de Roma. A cidade tinha encolhido a essa altura, com os edifícios exteriores abandonados aos elementos e as pessoas a viver no centro da cidade. Os Vândalos ocuparam a cidade por um tempo e depois, no século VI, o Império Bizantino retomou Sabratha e construíram-se várias igrejas nos locais de templos em ruínas ou templos foram convertidos em igrejas. Os bizantinos tentaram ressuscitar a cidade e protegê-la dos elementos e invasões, erguendo muralhas; usaram as ruínas do Mausoléu de Bes para obter pedras, mas as muralhas nada fizeram para parar a areia que soprava. Quando os exércitos muçulmanos chegaram para tomar a cidade em 643, estava quase abandonada, e encontraram-na em tão mau estado que a abandonaram e direcionaram os seus esforços para Oea. Leptis Magna tinha sofrido uma trajetória descendente semelhante à de Sabratha, razão pela qual, das três grandes cidades da Regio Tripolitania, apenas Oea sobreviveu para se desenvolver na moderna cidade de Trípoli.
Descoberta e Escavação
Sabratha ficou enterrada pelas areias e esquecida até ao início do século XX. Os italianos tinham tomado o Norte de África do Império Otomano em 1911 e enviaram arqueólogos para iniciar escavações para os museus italianos. Estas expedições começaram em 1912, com foco na recuperação de artefactos romanos, e centraram-se em Trípoli e Cirene. O académico Stephen L. Dyson comenta:
A Tripolitânia a oeste tinha uma origem púnica, mas esta fase da história tinha relativamente pouco interesse para os italianos, especialmente à medida que o antissemitismo político se tornava mais abrangente. (pág. 182)
Os arqueólogos que trabalharam em locais como Trípoli, Leptis Magna e Sabratha ignoraram as evidências físicas das suas histórias iniciais em favor do período romano e, desta forma, perdeu-se grande parte dos períodos berbere, cartaginês e númida. O trabalho arqueológico foi interrompido pela Primeira Guerra Mundial, mas recomeçou a sério na década de 1920. Entre 1923-1929, Sabratha foi escavada e restaurada. Como observa Dyson, "A ênfase foi colocada em projetos espetaculares que limparam grandes sítios como Leptis e Sabratha para o turismo arqueológico" (pág. 183). O teatro foi reconstruído nesta época, assim como muitos dos outros edifícios que se veem agora no local, incluindo o Mausoléu de Bes.
O governo italiano recusou-se a permitir a entrada de outros arqueólogos que não os italianos no Norte de África, ou em qualquer um dos outros territórios que tinham tomado aos Turcos, e por isso não se sabe que artefactos de origem berbere, númida ou púnica podem ter sido encontrados em Sabratha e descartados como sem valor, nem que considerações entraram na reconstrução da cidade. O trabalho arqueológico em Sabratha foi novamente interrompido com a Segunda Guerra Mundial e só foi retomado com as escavações de Kenyon em 1948-1951.
O trabalho tem continuado, esporadicamente, desde então e, hoje, Sabratha é um dos sítios arqueológicos mais conhecidos do mundo e uma das atrações turísticas mais populares da Líbia. Os edifícios existentes e os excelentes guias turísticos multilingues contam bem a história da Sabratha romana, e há um museu no local que exibe artefactos e mantém os grandes mosaicos a salvo dos elementos. É um sítio impressionante, mas ficamos a pensar no que se perdeu devido à ideologia política dos arqueólogos que primeiro restauraram a cidade e como teriam sido as encarnações anteriores de Sabratha antes da chegada de Roma.
