Dólmen

Salvatore Piccolo
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Poulnabrone Dolmen (by pdphoto.org, Public Domain)
Dólmen de Poulnabrone pdphoto.org (Public Domain)

Um dólmen é uma estrutura megalítica tipicamente formada por uma grande laje de pedra horizontal assente sobre duas ou mais lajes verticais. Os exemplares europeus mais antigos encontram-se na Bretanha, no norte de França, e datam do quinto milénio a.C. Os dólmens também estão presentes no Médio Oriente, no Norte de África, na Ásia, existindo em número particularmente elevado na Coreia, onde há exemplares que datam de c. 1000 a.C. Estas estruturas funcionavam como câmaras funerárias ou como locais de culto ancestral, por exemplo, dedicados a uma divindade da terra ou da fertilidade.

A Denominação

A arquitetura megalítica, especificamente a construção de santuários e túmulos utilizando enormes blocos de pedra, ocupa um lugar importante na experiência cultural da Pré-história. A palavra «dólmen», que deriva do bretão «t(d)aol» — que significa «mesa» — e «men» ou «min» — que significa «pedra» —, surge no debate científico por volta do final do século XVIII d.C. Até então, o estudo destes monumentos «estranhos», espalhados aqui e ali, dava azo a suposições que eram, no mínimo, fantasiosas. Pensava-se que fossem obras construídas por gigantes ou, na verdade, obra do diabo. As primeiras investigações visaram, portanto, compreender a utilização destas estruturas e determinar a sua idade, embora a ausência de objetos de metal indicasse o período a que poderiam pertencer.

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As Investigações Preliminares

Na segunda metade do século XIX, a publicação do primeiro mapa europeu das localidades megalíticas conhecidas revelou tantas coincidências que levou à crença de que eram obra de um único povo. Por isso, parecia justificável considerar o «fenómeno megalítico» uma manifestação cultural invulgar do Próximo Oriente e os dólmenes, por definição, a reprodução não natural da gruta funerária mediterrânica.

Kermario Dolmen, Carnac
Dólmen de Kermario, Carnac Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

O arqueólogo australiano V. Gordon Childe reforçou esta hipótese no seu último livro, The Prehistory of European Society (A Pré-história da Sociedade Europeia), onde afirmou que a construção dos enormes mausoléus foi levada a cabo por míticos missionários megalíticos, membros de algumas tribos do início do período egeu do Mediterrâneo oriental, que divulgaram uma fé religiosa conhecida por pertencer aos cultos de Gaia, a Deusa Mãe, deusa da terra.

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A Datação

O aperfeiçoamento dos sistemas de datação absoluta, graças ao método do radiocarbono 14C, pôs fim a esta tese de uma vez por todas. Ficou provado que os túmulos megalíticos mais antigos tiveram origem na Europa central e setentrional. Os dólmens bretões remontam a 4500 a.C. (sendo, portanto, anteriores às pirâmides egípcias, aos zigurates da Mesopotâmia e aos grandes sítios de Creta e Micenas). Espalharam-se mais para sul, para a França central e meridional, para sudoeste, para Espanha e Portugal, e para nordeste, para as planícies centrais da Europa, Suécia e assim por diante. Concluíram a sua fase com as construções mais recentes em Malta, por volta de 2400 a.C., e em Itália, no início do II milénio a.C.

Foi necessário enfrentar problemas inestimáveis, tais como encontrar pedras adequadas e, DEPOIS, transportá-las.

O período de tempo acima referido foi suficiente para que cada região desenvolvesse uma tipologia local, mantendo, no entanto, uma característica comum: a utilização de blocos ou lajes de pedra, por vezes de dimensões colossais, o que fez com que fossem fenómenos ligados a uma cultura bastante difundida.

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Os dólmenes mediterrânicos remontam a uma época mais próxima da nossa. Podem encontrar-se cerca de 100 em toda a Sardenha, alguns dos quais, os chamados «cistos de dólmen», constituídos por lajes de pedra montadas de forma cuboidal, datam da Idade do Cobre, por volta de 3000-2100 a.C. Os dólmens do sul de Itália, que são mais recentes, datam da primeira metade do segundo milénio a.C., período que corresponde à fase final da Idade do Bronze.

Dolmen, Gochang, Korea
Dólmen de Gochang, Coreia Kussy (CC BY-SA)

Fora da Europa, a maior concentração de dólmens encontra-se na península coreana, onde existem cerca de 200 000 estruturas megalíticas. Os dólmens coreanos são notavelmente semelhantes aos encontrados na Europa. Os achados recuperados no interior de muitos dos dólmenes demonstram que estes eram normalmente utilizados para sepulturas da elite. Curiosamente, os dólmenes coreanos eram, por vezes, construídos muito próximos uns dos outros, criando áreas semelhantes a cemitérios, compostas por entre 30 e 100 estruturas.

As Principais Características

A configuração mais elementar do dólmen é a trilítica: uma laje horizontal de pedra colocada sobre duas pedras posicionadas verticalmente, de modo a formar uma construção em que os elementos estruturais delimitam um espaço quadrangular. Estas formas podem ser encontradas praticamente em qualquer lugar: na Islândia, Escócia, Inglaterra, norte da Alemanha, França, Espanha, Escandinávia, Dinamarca, Holanda, Córsega, Sardenha, Apúlia, Sicília, Malta, Norte de África, Marrocos, Trípoli, Egito, Síria, Palestina, Bulgária, Crimeia, Cáucaso, Irão, Índia e Coreia.

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Seguiram-se formas mais complexas, constituídas por uma sucessão longa ou ainda mais longa de trilitos, dando origem a dois tipos específicos: o túmulo de corredor e o túmulo de galeria (allée couverte). Os túmulos em corredor, constituídos por grandes lajes de pedra fixadas verticalmente no solo (ortostatos), possuem corredores de comprimento variável que conduzem a uma câmara ou a várias câmaras de forma poligonal. Os túmulos em galeria, por sua vez, têm apenas um espaço de forma retangular utilizado inteiramente como câmara sepulcral.

Elementary Configuration of a Dolmen
Dólmen de Poulnabrone Salvatore Piccolo (CC BY-NC-SA)

Algumas destas estruturas evoluíram para construções bastante complexas, como no caso dos dólmenes de falsa cúpula, em que o telhado convexo era obtido através da diminuição gradual da distância entre as lajes da construção. Outro exemplo é o dos dólmenes com câmaras laterais, caracterizados por uma série de câmaras em torno da câmara central. Cada sepulcro, ou série de sepulcros, era concluído com uma cobertura de terra misturada com pedras.

Foram necessárias soluções para problemas inestimáveis, independentemente da região em que fossem construídos, tais como a procura de pedras adequadas e o transporte do material de construção. Nas áreas onde a pedra era extremamente dura e difícil de lascar, erigiram-se monumentos enormes; por outro lado, noutros locais onde a pedra era fácil de lascar, construíram-se estruturas com o método de pedra seca, em vez de se utilizar a verdadeira técnica megalítica. É o caso dos pequenos dólmens sicilianos.

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A sul, as ilhas de Malta e Gozo albergam os sítios pré-históricos mais extraordinários do Mediterrâneo, os «templos megalíticos». Foram construídos entre cerca de 4000 e 2500 a.C. Eram dedicados a um culto que venerava uma deusa da fertilidade. Os dólmens, como devem ser corretamente chamados (cerca de 20 no total), datam de um período posterior (a segunda metade do 3.º milénio a.C.). Na maioria dos casos, trata-se de pequenas câmaras, com a cobertura constituída por uma grande laje assente sobre pedras verticais. Considera-se que pertencem a uma população certamente diferente daquela que construiu os templos megalíticos anteriores.

Monte Bubbonia Dolmen, Sicily
Dólmen de Monte Bubbonia, Sicília Salvatore Piccolo (CC BY-NC-SA)

Nem todas as estruturas megalíticas em pedra eram monumentos funerários: os cromeleques de Stonehenge em Inglaterra e os menires de Carnac em França, para citar alguns, teriam servido outros propósitos extraordinários, talvez ligados à prática de um culto astronómico. Poderiam ter representado o produto de uma cultura que procurava captar o centro de irradiação da energia positiva absoluta no universo. O «protótipo» desta arquitetura teve, quase certamente, as suas origens numa série de fatores fortuitos — a ocorrência natural de pedras caídas ou algum «cenário» natural sugestivo deve ter despertado a imaginação religiosa de certas comunidades pré-históricas. A tal ponto que foi atribuído às pedras um significado místico excecional.

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Bibliografia

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Piccolo, S. (2026, setembro 23). Dólmen. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-612/dolmen/

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Piccolo, Salvatore. "Dólmen." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, setembro 23, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-612/dolmen/.

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Piccolo, Salvatore. "Dólmen." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 23 set 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-612/dolmen/.

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