Micenas

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Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Lions Gate Detail (Mycenae) (by Jan van der Crabben (Photographer), Copyright)
Detalhe do Portão dos Leões (Micenas) Jan van der Crabben (Photographer) (Copyright)

Micenas era uma cidade fortificada do final da Idade do Bronze, situada entre duas colinas na planície da Argólida, no Peloponeso, na Grécia. A acrópole atual data dos séculos XIV e XIII a.C., época em que a civilização micénica se encontrava no auge do seu poder, influência e expressão artística. Os sítios arqueológicos de Micenas e da vizinha Tirinto estão classificados pela UNESCO como Património Mundial.

Na Mitologia

Na mitologia grega, a cidade foi fundada por Perseu, que deu o nome ao local quer porque a bainha da sua espada (mykes) caiu no chão e foi considerada um bom presságio, quer porque encontrou uma nascente de água perto de um cogumelo (mykes). Perseu foi o primeiro rei da dinastia dos Perseidas, que terminou com Euriteu (instigador dos famosos doze trabalhos de Hércules). A dinastia seguinte foi a dos Atreidas, cujo primeiro rei, Atreu, acredita-se tradicionalmente ter reinado por volta de 1250 a.C. Acredita-se que Agamenon, filho de Atreu, tenha sido não só rei de Micenas, mas também de todos os gregos aqueus da Idade do Bronze e líder da sua expedição a Tróia para recuperar Helena. No relato de Homero sobre a Guerra de Tróia, na Ilíada, Micenas (ou Mykene) é descrita como uma «cidadela bem fortificada», como «de ruas largas» e como «a dourada Micenas», sendo esta última designação corroborada pela descoberta de mais de 15 quilogramas de objetos de ouro recuperados das sepulturas de poço na acrópole.

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A Panorâmica Histórica

Situado numa colina rochosa (com 40-50 m de altura) que domina a planície circundante até ao mar, a 15 km de distância, o sítio de Micenas abrangia 30 000 metros quadrados e sempre foi conhecido ao longo da história, embora a surpreendente ausência de referências literárias ao local sugira que possa ter estado, pelo menos parcialmente, coberto. As primeiras escavações foram iniciadas pela Sociedade Arqueológica de Atenas em 1841 e, posteriormente, continuadas de forma célebre por Heinrich Schliemann em 1876, que descobriu os magníficos tesouros do Círculo Funerário A. As escavações arqueológicas revelaram que a cidade possui uma história muito mais antiga do que a descrita pela tradição literária grega.

Artist's Impression of Mycenaean Warriors
Representação Artística de Guerreiros Micênicos Amplitude Studios (Copyright)
Acredita-se que Agamenon, filho de Atreu, tenha sido não só rei de Micenas, mas também de todos os gregos aqueus e líder da sua expedição a Tróia.

Habitada desde o Neolítico, só por volta de 2100 a.C. é que surgem as primeiras muralhas, achados de cerâmica (incluindo importações das ilhas das Cíclades) e sepulturas em fossa e poço com ofrendas funerárias de maior qualidade. Estes elementos, considerados em conjunto, sugerem uma maior importância e prosperidade do povoado, bem como o papel de Micenas como uma cidade importante da civilização grega primitiva.

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A partir de cerca de 1600 a.C., há indícios da presença de uma elite na acrópole: cerâmica de alta qualidade, pinturas murais, sepulturas com poço e um aumento do povoamento circundante com a construção de grandes túmulos tholos. A partir do século XIV a.C. e do período micénico, é construído o primeiro complexo palaciano de grande escala (em três terraços artificiais), assim como o célebre túmulo tholos, o Tesouro de Atreu, um edifício circular monumental com telhado em saliência que atinge uma altura de 13,5 m e 14,6 m de diâmetro, ao qual se acede por um longo corredor murado e sem cobertura, com 36 m de comprimento e 6 m de largura. Muralhas de fortificação, constituídas por grandes blocos de pedra de acabamento rudimentar, que rodeavam a acrópole (da qual a parede norte ainda hoje é visível), estruturas de gestão de cheias, tais como barragens, estradas, tabuinhas em Linear B e um aumento das importações de cerâmica (o que se coaduna bem com as teorias da expansão micénica contemporânea no Egeu) ilustram que a cultura se encontrava no seu apogeu.

Lion's Gate at Mycenae
Portão dos Leões em Micenas Andreas Trepte, www.photo-natur.de (CC BY-SA)

A Arquitetura

A grande estrutura do palácio, construída em torno de um salão central ou Megaron, é típica dos palácios micénicos. Outras características incluíam um salão secundário, muitas salas privadas e um complexo de oficinas. A alvenaria decorada e os afrescos, as muralhas da cidade e uma entrada monumental, o Portão dos Leões (uma porta quadrada de 3 m x 3 m com um lintel de 18 toneladas encimado por dois leões heráldicos de 3 m de altura e um altar em forma de coluna), contribuíam para o esplendor geral do complexo. A relação entre o palácio e o povoado circundante, bem como entre Micenas e outras cidades do Peloponeso, é amplamente debatida pelos estudiosos. Faltam provas arqueológicas concretas, mas parece provável que o palácio fosse um centro de poder político, religioso e comercial. Certamente, os objetos funerários de elevado valor, as tabuinhas administrativas, as importações de cerâmica e a presença de depósitos de materiais preciosos, como bronze, ouro e marfim, sugerem que o palácio era, no mínimo, o centro de uma próspera rede comercial.

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O primeiro palácio foi destruído no final do século XIII a.C., provavelmente por um terramoto, tendo sido posteriormente reparado (de forma bastante precária). Uma escadaria monumental, o Portão Norte e uma rampa foram acrescentados à acrópole, e as muralhas foram alargadas para incluir a nascente de Perseia dentro das fortificações. A nascente recebeu o nome do fundador mitológico da cidade e era acessível através de um impressionante túnel em saliência (ou syrinx) com 86 degraus que desciam 18 m até à fonte de água. Alguns estudiosos defendem que estas adições arquitetónicas são prova de uma preocupação com a segurança e de uma possível invasão. Este segundo palácio foi também destruído, desta vez com sinais de incêndio. Verificaram-se algumas reconstruções e os achados de cerâmica sugerem que se restabeleceu, por breves momentos, um certo grau de prosperidade, antes de outro incêndio pôr fim à ocupação do local, até a um breve renascimento na época helenística. Com o declínio de Micenas, Argos tornou-se a potência dominante na região. As razões para o declínio de Micenas a partir do século XII a.C. e da civilização micénica em geral são muito debatidas, com sugestões que incluem catástrofes naturais, sobrepopulação, agitação social e política interna ou invasão por tribos estrangeiras.

Death Mask of Agamemnon
Máscara da Morte de Agamemnon Xuan Che (CC BY)

Os Artefactos

Entre os artefactos mais famosos de Micenas, um dos grandes sítios arqueológicos da Grécia, contam-se cinco magníficas máscaras funerárias de ouro martelado (uma das quais foi incorretamente atribuída a Agamenon por Schliemann), diademas de ouro, anéis esculpidos, taças e um rhyton com cabeça de leão. Um magnífico rhyton de bronze e ouro em forma de cabeça de touro, grandes espadas e punhais de bronze com cenas ricamente incrustadas nas lâminas, esculturas em marfim e fragmentos de afrescos também atestam a qualidade do artesanato e a riqueza da «Micenas dourada».

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Bibliografia

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Cartwright, M. (2026, agosto 27). Micenas. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-160/micenas/

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Cartwright, Mark. "Micenas." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 27, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-160/micenas/.

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Cartwright, Mark. "Micenas." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 27 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-160/micenas/.

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