Thaddeus Stevens

Jacobino Americano
Harrison W. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Thaddeus Stevens (by Mathew Brady, Public Domain)
Thaddeus Stevens Mathew Brady (Public Domain)

Thaddeus Stevens (1792-1868) foi um político e abolicionista norte-americano, que ganhou destaque na década de 1860, durante a Guerra Civil Americana e o período da Reconstrução. Líder da ala abolicionista do Partido Republicano — conhecida como os «Republicanos Radicais» —, Stevens defendeu vigorosamente o fim da escravatura, recorrendo à sua personalidade enérgica e à sua oratória mordaz para promover a sua agenda igualitária.

Após a aprovação da Décima Terceira Emenda, que pôs fim à escravatura, trabalhou incansavelmente para garantir os direitos e as liberdades dos ex-escravos, ao mesmo tempo que insistia em requisitos rigorosos para que os antigos Estados Confederados voltassem a integrar a União. Manteve-se politicamente ativo mesmo no crepúsculo da sua vida, ajudando a liderar a campanha pela destituição (impeachment) de Andrew Johnson apenas alguns meses antes da sua morte, em agosto de 1868.

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Os Primeiros Anos de Vida

Thaddeus Stevens nasceu a 4 de abril de 1792 em Danville, Vermont. Era o segundo de quatro filhos de Joshua Stevens, um agricultor e sapateiro que «tinha reputação local como lutador e pouco mais do que um talento especial para permanecer pobre», e da sua esposa Sarah Morrill Stevens (Brodie, pág. 23). Dois anos antes, o irmão mais velho de Thaddeus tinha nascido com dois pés tortos — os vizinhos, todos batistas devotos, interpretaram isto como um castigo divino por algum pecado secreto cometido pelos pais. Quando Thaddeus também nasceu com um pé torto, deve ter parecido aos vizinhos supersticiosos da Nova Inglaterra que a família Stevens estava, de facto, amaldiçoada.

Por volta da mesma altura, a quinta de Joshua Stevens começou a ir à falência. Incapaz de lidar com o seu próprio fracasso, fugiu, regressando periodicamente para ter mais dois filhos com Sarah antes de abandonar a família de vez. Thaddeus Stevens nunca mais voltou a ver o pai, embora mais tarde viesse a ouvir rumores de que Joshua tinha sido morto na Guerra de 1812. «Durante toda a sua vida», escreve a biógrafa Fawn McKay Brodie, «Thaddeus Stevens foi agressivo e implacável nos seus ódios. É fácil especular que ele odiou o pai em primeiro lugar, e que todas as suas aversões subsequentes tiveram origem na hostilidade corrosiva da sua infância» (pág. 24).

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Se Thaddeus realmente odiava o pai, certamente não sentia o mesmo em relação à mãe. Batista devota, Sarah Stevens adorava o filho e incutiu nele um sentido calvinista de trabalho árduo e dever, ensinando-o a ler a Bíblia. Uma mulher de «grande energia, vontade forte e profunda piedade», estava determinada a garantir que os seus filhos frequentassem a escola a qualquer custo; em 1807, mudou-se com a família para Peacham, no Vermont, e matriculou os rapazes na Caledonia Grammar School, cujos estudos pagou trabalhando em vários empregos como enfermeira e empregada doméstica (Idem).

SteveNs abriu o seu próprio escritório de advocacia em Gettysburg, na Pensilvânia.

Os seus sacrifícios valeram a pena, pois o jovem Thaddeus revelou-se um aluno diligente que devorava livros «com avidez». Após a escola primária, frequentou brevemente a Universidade de Vermont — abandonando-a depois de o governo federal ter requisitado os edifícios do campus para uso durante a Guerra de 1812 — e formou-se na Universidade de Dartmouth em 1814, proferindo o discurso de formatura.

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No ano seguinte, Stevens viajou para York, na Pensilvânia, onde trabalhou como professor e estudou Direito nos seus tempos livres. Em agosto de 1816, passou no exame da Ordem dos Advogados, ganhando a simpatia da comissão ao oferecer-lhes quatro garrafas de vinho de Madeira. No mês seguinte, abriu o seu próprio escritório de advocacia em Gettysburg, na Pensilvânia. Inicialmente, Stevens não tinha contactos em Gettysburg e teve dificuldade em angariar clientes.

No entanto, teve o seu caso decisivo no verão de 1817, quando defendeu um homem chamado James Hunter num julgamento. Hunter era um agricultor que, após ter sido preso por dívidas, atacou e matou o agente que o tinha detido. Stevens defendeu Hunter de forma eloquente, invocando a alegação de insanidade mental, o que era invulgar na época. Embora tenha perdido o caso e Hunter tenha sido enforcado, a atuação de Stevens deixou uma forte impressão, e nunca mais teve dificuldade em atrair clientes.

America Before Independence 1637/1776
A América Antes da Independência 1637/1776 Nicha Sursock (CC BY-NC-SA)

A Ascensão Política

Em 1822, apesar de exercer a advocacia há apenas seis anos, Stevens já se tinha tornado um dos advogados mais proeminentes da Pensilvânia e chegara mesmo a defender um caso perante o Supremo Tribunal do estado. Estava bastante bem de finanças — era proprietário da sua própria casa em Gettysburg, bem como de várias outras propriedades, tinha investido fortemente na siderurgia nos arredores da cidade e até tinha poupado o suficiente para comprar à sua mãe um aconchegante terreno em Vermont.

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Stevens defendia veementemente um sistema de ensino público gratuito na Pensilvânia.

Fazia sentido, portanto, que o passo seguinte na carreira de Stevens fosse a sua entrada na política. Desempenhou seis mandatos de um ano no conselho municipal de Gettysburg entre 1822 e 1831, tendo-sequer chegado a presidi-lo. Embora a sua estrela estivesse, sem dúvida, em ascensão, Stevens não estava isento de escândalos. A partir de meados da década de 1820, começaram a circular cartas anónimas que o implicavam no homicídio de uma criada negra livre. Stevens, claro, negou as acusações e processou com sucesso o impressor de uma das cartas por difamação criminal.

Em setembro de 1833, Stevens foi eleito para a Câmara dos Representantes da Pensilvânia. Tinha-se candidatado pelo Partido Antimaçónico. Na altura, a Maçonaria era alvo de suspeitas nos Estados Unidos por ser considerada uma sociedade elitista e secreta; tinha também vindo a ser associada ao então presidente Andrew Jackson e ao seu Partido Democrata, o que levou muitos dos opositores de Jackson a procurar uma causa comum com os antimasones.

Stevens abraçou vigorosamente a causa antimasonic, determinado a expulsar os maçons da Pensilvânia. De facto, das 116 lojas maçónicas que existiam no estado quando assumiu o cargo, em 1838 restavam apenas 46. A dedicação de Stevens à causa valeu-lhe a admiração de John Quincy Adams, que se referiu a ele como «o grande líder antimasonico da Pensilvânia» (citado em Brodie, pág. 57). Da mesma forma, granjeou-lhe o carinho e o apoio dos menonitas, morávios e presbiterianos escoceses-irlandeses da zona rural da Pensilvânia, todos eles que condenavam os maçons elitistas.

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Law Office & Home of Thaddeus Stevens
Escritório de Advocacia e Residência de Thaddeus Stevens Zeete (CC BY-SA)

A outra causa à qual Stevens se dedicou durante este período foi a da educação pública gratuita. Na década de 1830, não havia escolas gratuitas nos Estados Unidos, exceto na Nova Inglaterra e em algumas cidades maiores; em todos os outros locais, os pais que não tinham meios para pagar as propinas simplesmente mantinham os filhos em casa. Stevens apoiou veementemente um sistema de ensino público gratuito na Pensilvânia, mesmo que isso significasse impostos mais elevados. «Que a venda seja retirada dos olhos da Pensilvânia», disse ele, «e que ela aprenda a temer a ignorância mais do que os impostos» (citado em Brodie, pág. 59).

Em abril de 1834, colaborou com o governador democrata da Pensilvânia para fazer aprovar na Assembleia Legislativa estadual um projeto de lei sobre a educação gratuita, que permitiria aos distritos individuais escolher se queriam escolas públicas financiadas pelos contribuintes.

Isto causou um alvoroço entre os contribuintes, alguns dos quais assinaram uma petição exigindo a revogação do projeto de lei. Stevens defendeu o novo sistema educativo num brilhante discurso a 11 de abril de 1835, no qual demonstrou que este iria, na verdade, poupar dinheiro, e acusou os ricos de tentarem alargar o fosso entre ricos e pobres, acumulando todos os privilégios educativos para si próprios. «Não construam os vossos monumentos de bronze ou mármore», implorou ele, «mas façam-nos de espírito eterno» (citado em Brodie, pág. 61). Graças ao seu discurso, o projeto de lei sobre a educação não foi revogado.

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O Abolicionista

Ao defender as causas da antimasonaria e da educação pública gratuita, Stevens assumira o papel de defensor dos desfavorecidos e marginalizados. Em 1837, tinha-se também identificado com a cláusula antiescravagista. Nesse ano, Stevens desempenhava funções como delegado numa convenção para redigir uma nova constituição estadual para a Pensilvânia. Recusou-se, no entanto, a assinar a constituição finalizada, porque esta apenas concedia o direito de voto a «homens livres brancos» e negava o voto aos afro-americanos livres.

Lydia Hamilton Smith
Lydia Hamilton Smith Unknown Photographer (Public Domain)

A partir desse momento, Stevens seria um feroz opositor da escravatura pelo resto da vida. Estudiosos e historiadores debatem há muito tempo a razão exata pela qual Stevens se voltou tão decididamente para a causa antiescravagista — alguns acusam-no cinicamente de abraçar a causa para promover as suas próprias ambições políticas, enquanto outros (como Brodie) acreditam que o seu pé torto o deixava mais predisposto a simpatizar com os oprimidos.

Seja como for, Stevens abandonou a política estadual em 1838, quando os democratas assumiram o controlo da legislatura estadual após uma campanha política suja conhecida como a «Guerra dos Chumbos». Profundamente endividado — Stevens tinha perdido mais de 200 000 dólares nos seus investimentos em siderurgia —, mudou-se para Lancaster, na Pensilvânia, em 1842, onde abriu um novo escritório de advocacia e trabalhou incansavelmente para recuperar as suas perdas financeiras.

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Durante este período, contratou Lydia Hamilton Smith, uma mulher afro-americana viúva, como sua governanta. Smith viria a trabalhar para Stevens até ao fim da vida deste. Os dois tornaram-se bastante próximos, e Stevens chegou mesmo a ajudar a criar os dois filhos de Smith. Não se sabe se a relação entre ambos tinha uma vertente romântica ou sexual — vale a pena referir aqui que Stevens nunca se casou — e, na altura, circularam certamente rumores de um caso entre ambos.

Enquanto vivia em Lancaster, Stevens tornou-se mais fervoroso nas suas opiniões antiescravistas. De facto, a sua casa tornou-se um ponto de paragem da «Underground Railroad», onde dava abrigo e ajuda a escravos fugitivos que estavam a tentar escapar para o norte, em busca da liberdade.

Em 1848, Stevens foi eleito para a Câmara dos Representantes dos EUA como membro do Partido Whig. Quando entrou na política nacional, os Estados Unidos estavam divididos em blocos regionais em torno da questão da escravatura — as «escravocracias» dos estados do Sul desejavam ver a sua «instituição peculiar» expandir-se para o Oeste, enquanto os estados do Norte, defensores do «solo livre», pretendiam impedir a propagação da escravatura.

Anti-Slavery Almanac, 1840
Almanaque Antiescravagista, 1840 Anti-Slavery Almanac (Public Domain)

Embora Stevens ainda não fosse a favor de uma emancipação total, pretendia conter a escravatura aos locais onde já existia, na esperança de que, ao fazê-lo, a instituição definhasse e morresse por si própria. Opôs-se ao Compromisso de 1850, que permitiu à Califórnia entrar na União como um «estado livre» em troca de leis mais rigorosas relativas à escravatura, tais como a Lei dos Escravos Fugitivos de 1850.

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Ao pronunciar-se contra a legislação, Stevens proferiu a famosa frase: «abomino esta palavra "compromisso" quando aplicada aos direitos humanos e aos direitos constitucionais» (citado em Trefousse, pág. 87). Devido aos seus princípios inabaláveis, Stevens entrava frequentemente em conflito com a liderança do Partido Whig, o que o levou a perder a sua candidatura à renomeação em 1852.

O Dictador da Câmara

Ao deixar o Congresso no final do seu mandato, em 1853, Stevens regressou a Lancaster para retomar a sua prática jurídica. Recusou-se, no entanto, a renunciar às suas convicções antiescravistas e, em 1855, filiou-se no novo Partido Republicano, que tinha sido fundado com base em princípios antiescravistas. Em 1858, com o Partido Democrata a gozar de pouca popularidade no Norte após a decisão do caso Dred Scott, Stevens viu uma oportunidade de regressar à política nacional e foi eleito para a Câmara dos Representantes dos EUA como republicano.

Nessa altura, a crise regional só tinha-se agravado e a nação encontrava-se à beira da guerra civil. De facto, apenas dois anos após a eleição de Stevens, a crise que se fazia sentir há mais de uma década acabou por concretizar-se — a vitória do candidato republicano Abraham Lincoln nas eleições presidenciais dos EUA de 1860 levou onze estados sulistas escravistas a separar-se da União e a formar os Estados Confederados da América. Em abril de 1861, as hostilidades tiveram início na Batalha de Fort Sumter; a Guerra Civil Americana tinha começado.

Stevens, nessa altura, tinha quase 70 anos e estava constantemente doente. Poucos poderiam ter previsto que, ao longo dos anos seguintes, ele se tornaria um dos políticos mais proeminentes e enérgicos do Congresso. Não perdeu tempo a dar a conhecer as suas opiniões — pouco depois da queda do Forte Sumter, Stevens anunciou que os confederados rebeldes se tinham colocado fora da proteção dos Estados Unidos e mereciam ser esmagados sem piedade.

Foi um dos primeiros a perceber que os EUA não poderiam vencer a guerra a menos que estivessem dispostos a abolir totalmente a escravatura, e trabalhou incansavelmente para que isso acontecesse. Em julho de 1861, apresentou um projeto de lei que previa a confiscação dos bens dos simpatizantes confederados, incluindo os escravos. Quando este foi aprovado, deu o passo ousado seguinte ao apresentar legislação que emanciparia todos os escravos. Nesta fase inicial da guerra, no entanto, tal medida ainda era demasiado radical, e a legislação foi rejeitada.

Map of the American Civil War, 1861-1865
Mapa da Guerra Civil Americana, 1861-1865 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Stevens recusou-se a desistir. Nos primeiros anos da guerra, o principal objetivo dos republicanos moderados era simplesmente preservar a União; embora muitos republicanos tivessem opiniões antiescravistas, poucos estavam dispostos a abolir totalmente a instituição, acreditando que seria necessário fazer concessões. Stevens — que já tinha proclamado a sua relutância em ceder em matéria de direitos humanos — rapidamente se afirmou como líder dos republicanos radicais, a ala de extrema-esquerda do Partido Republicano que procurava orientar a plataforma do partido para a abolição.

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Fez pressão constante sobre o presidente Lincoln, argumentando que a máquina de guerra confederada nunca poderia ser travada enquanto a escravatura permanecesse intacta. Lincoln acabou por dar ouvidos, emitindo a Proclamação de Emancipação a 1 de janeiro de 1863, que libertou todos os escravos da Confederação. Para Stevens, isto não foi suficientemente longe, e passou os meses seguintes a fazer campanha a favor da Décima Terceira Emenda, que poria fim à escravatura em todo o país. Com o apoio de Lincoln — que se tinha tornado mais radical nas suas próprias opiniões antiescravistas à medida que a guerra avançava —, a emenda foi aprovada pelo Congresso a 31 de janeiro de 1865.

Embora o principal objetivo de Stevens fosse promover a causa antiescravagista, ele também foi indispensável para garantir o financiamento do esforço de guerra da União. Na qualidade de presidente da Comissão de Finanças da Câmara dos Representantes, garantiu empréstimos de guerra e promoveu legislação para remunerar os soldados federais. Teve um papel fundamental na aprovação da Lei da Moeda de Curso Legal de 1862, que autorizou a emissão de 150 000 000 de dólares em notas bancárias dos EUA — popularmente conhecidas como greenbacks —, moeda que era garantida pelo crédito dos EUA em vez de ouro ou prata.

Stevens perseguiu vigorosamente os seus objetivos, utilizando toda a força da sua personalidade dinâmica; os seus discursos inflamados, famosos pelo seu humor mordaz e sarcasmo venenoso, eram utilizados como arma contra os seus adversários. Devido ao seu estilo de liderança enérgico, Stevens ficou conhecido como o «Ditador da Câmara»; a sua retórica inflamatória e o seu radicalismo incansável valeram-lhe comparações com os líderes jacobinos da Revolução Francesa e, de facto, chegou a ser referido como «o Robespierre, o Danton e o Marat da América, todos reunidos numa única figura» (citado em Foner, pág. 331).

O que Lincoln e outros republicanos viram inicialmente como uma guerra civil para salvar a União, Stevens viu como uma luta revolucionária — a sua visão contribuiu, sem dúvida, para inclinar as mentes e os corações dos unionistas para a emancipação total.

Thaddeus Stevens at Johnson's Impeachment
Thaddeus Stevens no Julgamento de destituição de Johnson Theodore Russel Davis (Public Domain)

A Reconstrução e a Morte

A 9 de abril de 1865, a rendição de Robert E. Lee em Appomattox pôs efetivamente fim à Guerra Civil. No entanto, para Stevens e outros republicanos radicais, o trabalho estava longe de estar concluído — agora que a guerra tinha sido ganha, os antigos escravos precisavam de ser ajudados na sua transição para a liberdade, e os antigos Estados Confederados precisavam de ser punidos.

A princípio, parecia que as coisas estavam a avançar na direção certa. O Gabinete dos Homens Libertos foi criado para ajudar os antigos escravos a ter acesso a alimentos e educação, e estavam a ser postos em prática planos para atribuir a cada homem libertado 40 acres de terra confiscada aos ex-confederados. No entanto, esta visão da Reconstrução foi complicada pela ascensão de Andrew Johnson, que assumiu abruptamente a presidência após o assassinato de Abraham Lincoln, a 15 de abril de 1865.

Democrata sulista do Tennessee, Johnson não partilhava da visão dos republicanos radicais de uma América reconstruída e equitativa. Na verdade, acreditava que, para se curar, a nação precisava de concluir o processo de Reconstrução o mais rapidamente possível. No verão de 1865, enquanto o Congresso, controlado pelos republicanos, estava em recesso, Johnson contrariou as políticas de reforma agrária do Freedmen's Bureau e concedeu amnistia a muitos ex-confederados.

Stevens e outros republicanos radicais ficaram indignados, acreditando que Johnson estava a trair o espírito da Reconstrução e a custar-lhes os ganhos que tinham acabado de conquistar com tanto esforço na guerra. Quando o Congresso voltou a reunir-se em dezembro de 1865, eles ripostaram. Stevens foi nomeado copresidente da Comissão Mista para a Reconstrução e teve um papel fundamental na aprovação tanto da Décima Quarta Emenda como da Lei dos Direitos Civis de 1866. Johnson vetou ambas as medidas, mas o Congresso anulou o seu veto.

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Thaddeus Stevens Lying in State in the Capitol Rotunda
haddeus Stevens em Câmara Ardente na Rotunda do Capitólio Mathew Brady (Public Domain)

Em janeiro de 1867, Stevens apresentou uma proposta de lei para impor a lei marcial no Sul — os antigos Estados Confederados seriam divididos em cinco distritos militares, cada um supervisionado por um general, até que as condições para o reingresso na União fossem cumpridas. Embora isto fosse considerado excessivo por muitos moderados e democratas, o Congresso aprovou esta legislação, que ficou conhecida como as Leis da Reconstrução.

Em fevereiro de 1868, o conflito entre o presidente e o Congresso atingiu o seu clímax, quando Johnson foi alvo de um processo de destituição por ter cometido «crimes graves e delitos». Stevens ajudou a liderar as acusações contra o presidente, redigindo onze artigos de acusação. Oficialmente, Johnson era acusado de violar a Lei da Estabilidade dos Cargos Públicos, que o impedia de demitir membros do gabinete sem a aprovação do Congresso. No entanto, todos sabiam que o processo de acusação era, na verdade, uma condenação das ações de Johnson durante a Reconstrução. A Câmara votou 126 a 47 a favor da acusação, e o caso foi preparado para ser levado ao Senado para julgamento.

Embora Stevens tivesse sido escolhido como um dos acusadores, a sua saúde estava a deteriorar-se rapidamente, e teve de ser transportado para a câmara do Senado numa cadeira. O jornal New York Herald registou a sua aparência doentia, descrevendo o seu «rosto com cor de cadáver… uma aparição estranha e sobrenatural — uma protesto solitário vindo da sepultura» (citado em Trefousse, pág. 228). Devido ao seu estado de saúde, Stevens não conseguiu participar de forma muito ativa no julgamento. Quando Johnson foi absolvido, o velho radical culpou-se a si próprio e considerou que o episódio tinha marcado um fim decepcionante para a sua carreira. «Não tenho história», lamentou. «O meu arrependimento de toda a vida é ter vivido tanto tempo e de forma tão inútil» (citado em Brodie, pág. 22).

Stevens faleceu alguns meses depois, a 11 de agosto de 1868, aos 76 anos, com a sua governanta, Lydia Hamilton Smith, ao seu leito. O seu funeral, realizado no Capitólio, em Washington, D.C., contou com a presença de milhares de pessoas, e a sua guarda de honra era composta por soldados negros. No seu leito de morte, Stevens recusou ser sepultado num cemitério exclusivamente para brancos, tendo sido, em vez disso, sepultado num dos poucos cemitérios inter-raciais de Lancaster.

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Perguntas & Respostas

Quem foi Thaddeus Stevens?

Thaddeus Stevens foi um líder dos republicanos radicais, que desempenhou um papel fundamental na política dos EUA durante a Guerra Civil e o período da Reconstrução.

Por que é que Thaddeus Stevens é conhecido?

Thaddeus Stevens é conhecido por ter sido um político ferrenho na luta contra a escravatura no Congresso, tendo ajudado a liderar os esforços para a aprovação da Décima Terceira e da Décima Quarta Emendas. Liderou também os Republicanos Radicais durante a Reconstrução e esteve na vanguarda do processo de destituição de Andrew Johnson.

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Estilo APA

Mark, H. W. (2026, setembro 21). Thaddeus Stevens: Jacobino Americano. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26501/thaddeus-stevens/

Estilo Chicago

Mark, Harrison W.. "Thaddeus Stevens: Jacobino Americano." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, setembro 21, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26501/thaddeus-stevens/.

Estilo MLA

Mark, Harrison W.. "Thaddeus Stevens: Jacobino Americano." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 21 set 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26501/thaddeus-stevens/.

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