A Guerra de 1812 (1812-1815) travada entre os Estados Unidos e o Reino Unido, é considerada por alguns contemporâneos como a Segunda Revolução Americana. Frequentemente recordada apenas como um conflito secundário das Guerras Napoleónicas, a guerra teve impactos a longo prazo, tais como a redução do poder político dos nativos americanos e o fortalecimento das identidades nacionais dos Estados Unidos e do Canadá.
As Causas
Resumidamente, as principais causas da Guerra de 1812 incluem:
- Tensões não resolvidas entre os EUA e o Reino Unido, remanescentes da Revolução Americana.
- Apreensão de navios mercantes americanos e o recrutamento forçado de marinheiros dos EUA pela Marinha Real Britânica.
- A ascensão de uma confederação intertribal de nativos americanos liderada pelo chefe Shawnee, Tecumseh, apoiada por agentes britânicos.
- A influência dos 'War Hawks' (Falcões de Guerra), um grupo de congressistas do Partido Democrata-Republicano decididos a expulsar a Grã-Bretanha da América do Norte, com o desejo de anexar o Canadá Britânico.
Dentre as causas enunciadas, a questão do recrutamento forçado assumiu o papel preponderante. Desde 1793 que a Grã-Bretanha se encontrava em conflito com a França, o que levava a Marinha Real a intercetar e capturar, com recorrência, navios americanos sob o pretexto de manterem trocas comerciais com portos franceses. Embora os franceses também fossem culpados de atacar a marinha mercante americana, os britânicos eram vistos como mais ofensivos devido ao fator adicional do recrutamento forçado; alegando que muitos marinheiros americanos eram, na verdade, desertores da Marinha Real, os britânicos recrutavam rotineiramente estes marinheiros "de volta" ao serviço. Os Estados Unidos viam isto como um ataque à sua soberania, especialmente após a morte de marinheiros americanos no incidente Chesapeake-Leopard de 1807. Um grupo vocal de congressistas chamados 'War Hawks' — que incluía nomes notáveis como Henry Clay e John C. Calhoun — começou a apelar a uma "Segunda Guerra de Independência" e a exigir que a Grã-Bretanha fosse expulsa do continente norte-americano. Embora poucos pedissem abertamente a anexação do Canadá Britânico, este era certamente um desfecho desejado por muitos dos 'War Hawks'.
Os americanos acusavam também os britânicos de apoiarem uma confederação de nações nativas americanas que se estava a erguer no noroeste. Esta confederação foi, em grande parte, obra de dois irmãos Shawnee, Tecumseh e Tenskwatawa, que acreditavam que a cooperação intertribal era o único meio de resistir à usurpação das suas terras pelos EUA. Os agentes britânicos na região apoiavam Tecumseh; consideravam que um estado nativo americano independente seria um excelente "tampão" entre os EUA e o Canadá. Na esperança de esmagar esta ameaça crescente, o Governador William Henry Harrison, do Território do Indiana, partiu para destruir o quartel-general da confederação na aldeia de Prophetstown. Enquanto estava acampado nos arredores da povoação, Harrison foi atacado pelos guerreiros de Tecumseh na Batalha de Tippecanoe (7 de novembro de 1811). Harrison venceu a batalha e destruiu Prophetstown, levando a Confederação de Tecumseh a aliar-se ainda mais estreitamente aos britânicos.
Por volta de 1812, era evidente que os EUA e o Reino Unido estavam à beira de uma guerra que, na verdade, poucas pessoas desejavam. Em junho, a Grã-Bretanha decidiu recuar, revogando as "Ordens em Conselho" que permitiam o recrutamento forçado de marinheiros americanos. Mas era demasiado tarde — desconhecendo esse desenvolvimento, o Presidente dos EUA, James Madison, pediu ao Congresso uma declaração de guerra contra a Grã-Bretanha a 18 de junho de 1812, a qual foi concedida. Esta foi uma manobra arriscada, uma vez que o exército dos EUA era pequeno e sem treino, e a sua marinha dificilmente se igualava à poderosa Marinha Real. No entanto, muitos americanos não se mostravam preocupados, prevendo uma conquista rápida e fácil do Canadá; nas palavras do antigo presidente Thomas Jefferson, a invasão do Canadá não seria mais difícil do que "uma mera questão de marchar" (Wood, pág. 677).
As Manobras Iniciais: Junho-Novembro de 1812
Embora tivessem sido os americanos a declarar a guerra, seriam os britânicos a tomar a primeira ação decisiva. A 17 de julho de 1812, uma pequena força britânica surpreendeu o forte americano em Michilimackinac, uma ilha situada na junção estratégica entre o Lago Michigan e o Lago Huron. A guarnição americana, sem saber sequer que a guerra tinha sido declarada, foi apanhada completamente desprevenida e rendeu-se sem lutar — ao capturarem a ilha, os britânicos assumiram o controlo do lucrativo comércio regional de peles e convenceram muitas das nações nativas americanas neutras do noroeste a juntarem-se ao seu lado.
Ao mesmo tempo, o Brigadeiro-General dos EUA William Hull, governador do Território do Michigan, liderava um exército através do rio Detroit em direção ao Canadá. O seu objetivo era capturar Fort Amherstburg, o principal posto avançado britânico na região, antes de prosseguir com a invasão do resto do Alto Canadá. Hull conseguiu atravessar o rio e estabelecer o seu quartel-general na cidade canadiana de Sandwich por volta de 12 de julho, mas rapidamente hesitou. Sentindo-se subabastecido, Hull não quis atacar o forte britânico sem mais artilharia e, após saber da queda de Michilimackinac, ficou aterrorizado com a ideia de que uma "grande colmeia de índios" viesse "a enxamear em todas as direções" (Berton, pág. 140). Por fim, Hull decidiu abandonar a sua invasão e recuou através do rio, para a segurança de Detroit.
À medida que Hull recuava, o Major-General britânico Isaac Brock chegava para assumir o comando da defesa do Alto Canadá. Um soldado de carreira amado pelos seus homens, Brock estava determinado a conquistar a glória militar. A 13 de agosto, chegou a Amherstburg, onde lhe foi apresentado o grande Tecumseh. Os dois sentiram uma simpatia instantânea mútua e rapidamente traçaram um plano para capturar Detroit. A 15 de agosto, Brock e Tecumseh iniciaram o cerco a Detroit, utilizando vários métodos de diversão para convencer Hull de que possuíam um número de guerreiros nativos americanos muito superior ao real. Temendo que os nativos massacrassem as suas tropas caso resistisse, Hull concordou em render-se após apenas um dia, entregando tanto Detroit como todo o seu exército. De um só golpe, os britânicos tornaram-se senhores de todo o Território do Michigan, enquanto mais nativos americanos afluíam para se juntarem à confederação de Tecumseh. Por seu lado, Hull acabaria por ser julgado em tribunal marcial e condenado à morte, embora o Presidente Madison viesse a comutar essa sentença.
Pouco tempo durou o festejos de Brock; nas margens do rio Niágara, no estado de Nova Iorque, um segundo contingente americano organizava-se para desencadear uma nova ofensiva. Aproveitando um breve armistício, Brock conseguiu preparar os seus homens para o ataque americano, que finalmente ocorreu nas primeiras horas da manhã de 12 de outubro, na Batalha de Queenston Heights. Liderados pelo rico político nova-iorquino Stephen Van Rensselaer, os americanos atravessaram o rio em vagas de barcos, desembarcando sob fogo intenso. Ainda assim, conseguiram capturar os terrenos elevados acima de Queenston; o General Brock foi morto enquanto liderava uma contra-ofensiva para retomar as colinas. Apesar deste golpe devastador para o esforço de guerra britânico, os britânicos conseguiram forçar os americanos a recuar para o outro lado do rio, alcançando mais uma vitória. À medida que a época de campanha chegava ao fim, tornava-se claro que invadir o Canadá seria muito mais difícil do que uma "mera questão de marchar".
A Guerra de Fronteira: Janeiro-Novembro de 1813
Com o aproximar do fim de 1812, tornou-se imperativo para a administração Madison recuperar o Michigan e a região do comércio de peles das mãos dos britânicos. Esta tarefa foi confiada a ninguém menos que o próprio "Old Tippecanoe", William Henry Harrison, que marchou para norte com um exército composto principalmente por voluntários do Kentucky. A coluna de vanguarda do seu exército chegou a Frenchtown, uma pequena comunidade ao longo do rio Raisin, no Michigan, onde foi surpreendida e derrotada por uma força britânica e nativa americana a 22 de janeiro de 1813. As tropas sobreviventes dos EUA foram levadas para Amherstburg como prisioneiros, enquanto os feridos incapazes de caminhar foram deixados para trás. Nas horas seguintes, muitos destes homens foram massacrados pelos guerreiros nativos americanos, em retaliação pela destruição que os habitantes do Kentucky tinham causado às suas comunidades. O massacre que se seguiu à Batalha do Rio Raisin apenas radicalizou muitos americanos contra os britânicos, culpando-os pelo uso de guerreiros nativos americanos em batalha.
Harrison transferiu o restante do seu exército para o recém-construído Fort Meigs, ao longo do rio Maumee, onde aguardou o fim do inverno. Na primavera, resistiu ao cerco de Fort Meigs (28 de abril a 9 de maio), mantendo a posição contra uma força britânica e nativa americana liderada por Tecumseh e Sir Henry Procter. A frente do Michigan permaneceu num impasse durante todo o verão, até que o Comandante americano Oliver Hazard Perry venceu a duramente disputada Batalha do Lago Erie (10 de setembro), garantindo o controlo dos EUA sobre o lago. Abastecido pela frota de Perry no Lago Erie, Harrison conseguiu avançar mais profundamente no Michigan, forçando Procter e Tecumseh a retirar. Após recapturar Detroit, Harrison perseguiu os britânicos até ao Canadá, culminando na dramática Batalha do Tâmisa (5 de outubro). Tecumseh foi morto na batalha, levando muitas nações nativas americanas a abandonar a guerra após a sua morte.
Entretanto, os americanos renovavam os seus ataques através do rio Niágara. A 27 de abril, soldados dos EUA, sob o comando do Brigadeiro-General Zebulon Pike, atacaram York (a atual Toronto), a capital provincial do Alto Canadá. Embora Pike tenha sido morto, a Batalha de York resultou numa vitória americana, tendo as tropas dos EUA saqueado a cidade posteriormente; na confusão, vários edifícios públicos incendiaram-se, levando as autoridades canadianas a acusar os americanos de terem queimado York intencionalmente. Um mês depois, os americanos venceram a Batalha de Fort George (27 de maio), pretendendo utilizar o forte como base para uma invasão da Península do Niágara. Embora detivessem a vantagem numérica, os americanos sofreram várias derrotas frustrantes nas batalhas de Stoney Creek (6 de junho) e Beaver Dams (24 de junho). Flagelados por doenças, os americanos foram finalmente forçados a abandonar Fort George em dezembro, desistindo da sua posição estratégica no Niágara. Por volta da mesma altura, os britânicos aproveitaram a sua vantagem realizando incursões nas cidades nova-iorquinas de Lewiston e Buffalo, e capturando o forte americano de Fort Niagara.
As Invasões: Novembro de 1813 a Novembro de 1814
À medida que a guerra ao longo da fronteira entre Nova Iorque e o Canadá se tornava cada vez mais violenta, os EUA continuaram a procurar formas de levar o conflito mais profundamente para o território canadiano. No outono de 1813, o Major-General dos EUA James Wilkinson liderou um exército de 8.000 homens no Vale do Rio São Lourenço, com o objetivo de sitiar Montreal. A invasão de Wilkinson, no entanto, teve um início difícil. A disenteria assolava o exército, vitimando homens a um ritmo alarmante, enquanto os invasores americanos eram perseguidos por uma flotilha de canhoneiras britânicas que os fustigava de perto. Os americanos foram finalmente travados na Batalha de Crysler's Farm (11 de novembro de 1813), uma derrota que convenceu Wilkinson — que sofria ele próprio de disenteria — a abandonar a campanha antes do início do inverno.
No verão seguinte, os americanos renovaram os seus ataques ao longo da fronteira do Niágara. O Major-General dos EUA Jacob Brown surpreendeu e capturou o posto avançado britânico de Fort Erie, antes de avançar para enfrentar os soldados britânicos na Batalha de Chippawa (5 de julho de 1814). A batalha foi ganha pelo Brigadeiro-General Winfield Scott, cuja brigada de tropas regulares, bem disciplinada e vestindo uniformes cinzentos, manteve a sua posição contra as tropas profissionais britânicas. Durante as semanas seguintes, os campos do Niágara foram mergulhados em sangue e chamas, enquanto unidades de milícias americanas e canadianas se defrontavam em escaramuças, com os americanos a incendiarem várias cidades canadianas em retaliação pelas incursões em Lewiston e Buffalo. Tudo isto culminou a 25 de julho, quando os exércitos americano e britânico chocaram novamente na Batalha de Lundy's Lane. Embora a batalha em si tenha terminado num impasse, foi uma das ações mais sangrentas da guerra, resultando em cerca de 850 baixas em cada lado. O exército americano, dizimado, foi forçado a recuar para Fort Erie, onde se preparou para um cerco. Embora os americanos tenham acabado por vencer o subsequente cerco de Fort Erie (4 de agosto a 21 de setembro de 1814), perceberam que não conseguiriam manter o forte. Em novembro, fizeram-no explodir e retiraram-se de volta para o território dos EUA, do outro lado do rio.
Durante os primeiros dois anos da guerra, os britânicos tinham sido forçados a manter-se na defensiva; a maioria dos seus recursos militares estava a ser utilizada para combater Napoleão na Europa, e não tinham efetivos para fazer muito mais do que defender o Canadá. Tudo isto mudou com a derrota e abdicação de Napoleão em abril de 1814, o que permitiu à Grã-Bretanha transferir milhares de tropas regulares, experientes em combate, para a América do Norte. Na esperança de desviar a atenção americana do Canadá — e para se vingarem das cidades canadianas queimadas pelas tropas dos EUA — os britânicos desembarcaram uma força de 4.500 homens nas margens da Baía de Chesapeake a 19 de agosto. Lideradas pelo Major-General Robert Ross, estas tropas esmagaram a força de milícia americana na Batalha de Bladensburg (24 de agosto), antes de avançarem para capturar a capital dos EUA, Washington, D.C. Os britânicos queimaram vários edifícios públicos, incluindo a Casa do Presidente (Casa Branca) e o edifício do Capitólio.
Após o incêndio de Washington, os britânicos seguiram para Baltimore, Maryland, onde foram frustrados pela resistência obstinada da defesa americana em Fort McHenry. Após uma breve batalha, na qual Ross foi morto por um atirador de elite, os britânicos abandonaram Baltimore e partiram, tendo o seu objetivo principal sido cumprido. Os britânicos lançaram também uma invasão simultânea do estado de Nova Iorque, mas foram repelidos na Batalha do Lago Champlain (11 de setembro de 1814).
A Guerra no Mar
Embora as batalhas mais decisivas da guerra tenham ocorrido em terra, tiveram lugar várias ações notáveis no mar. A Marinha dos EUA estava ainda na sua infância e, no início da guerra, consistia em apenas oito fragatas, 14 chalupas e nenhum navio de linha. A Marinha Real Britânica, por outro lado, estava no auge do seu poder no rescaldo da Batalha de Trafalgar (21 de outubro de 1805) e era composta por mais de 600 navios. No entanto, ocorreram vários combates entre navios individuais no alto mar que encorajariam os EUA e embaraçariam a Grã-Bretanha. Um dos mais notáveis foi o momento em que o USS Constitution derrotou o HMS Guerriere a 19 de agosto de 1812; durante o combate, uma descarga lateral britânica fez ricochete no casco do Constitution, o que lhe valeu a alcunha de "Old Ironsides" (Velho Costas de Ferro). Dois meses depois, o herói naval americano Stephen Decatur, capitaneando o USS United States, derrotou e capturou o HMS Macedonian após um longo duelo, marcando a primeira vez que um navio de guerra britânico capturado foi levado para um porto dos EUA. Estas vitórias navais isoladas, embora de pouca importância estratégica, elevaram o moral dos EUA numa altura em que o seu exército se desacreditava no Canadá.
De maior importância foram as frotas nos Grandes Lagos. No início de 1813, ambos os lados tinham percebido que os lagos eram a chave para controlar o Canadá, levando-os a lançar-se em competições de construção naval no Lago Ontário. Durante grande parte da guerra, as frotas britânica e americana no Lago Ontário limitaram-se a navegar em torno uma da outra, não desejando nenhuma das partes forçar uma batalha decisiva que pudesse resultar na perda de controlo do lago. As frotas que patrulhavam o Lago Erie revelaram-se muito mais audazes; na Batalha do Lago Erie, Oliver Hazard Perry derrotou a frota britânica, garantindo o controlo do lago para os americanos. Esta seria a maior batalha naval da guerra até à Batalha do Lago Champlain, um ano mais tarde, onde outra frota americana travou a invasão britânica de Nova Iorque. Após a guerra, a maioria dos navios de guerra americanos e britânicos construídos nos Grandes Lagos seria desmantelada.
A Oposição Federalista
A Guerra de 1812 foi uma questão profundamente partidária. Enquanto o Partido Democrata-Republicano (Republicanos Jeffersonianos) apoiava a guerra como forma de livrar o seu continente da influência britânica, o Partido Federalista via-a como um erro. Os federalistas eram geralmente pró-britânicos, encarando o Império Britânico como um aliado natural e um parceiro comercial dos EUA. Além disso, o poder federalista era mais forte na Nova Inglaterra, uma região que dependia de um comércio que foi prejudicado pela guerra. Os federalistas opuseram-se ao conflito durante toda a sua duração, mas a sua resistência tornou-se mais acentuada após as derrotas humilhantes de 1813-14. De 15 de dezembro de 1814 a 5 de janeiro de 1815, vários delegados federalistas reuniram-se na Convenção de Hartford para expor as suas queixas sobre a guerra e discutir formas de limitar o poder dos jeffersonianos. O momento não poderia ter sido pior, uma vez que a guerra terminou pouco mais de um mês após a convenção. Os republicanos acusaram os federalistas de terem planeado a secessão da união e pintaram-nos como traidores; os federalistas nunca conseguiram recuperar politicamente da sua oposição à Guerra de 1812 e cedo desapareceram das páginas da história.
O Fim da Guerra
Em junho de 1814, após meses de negociações, abriram-se finalmente conversações de paz na cidade de Gante, no Reino Unido dos Países Baixos (atual Bélgica). Os comissários americanos eram todos diplomatas de alto nível, incluindo John Quincy Adams, Henry Clay e Albert Gallatin, enquanto os britânicos enviaram funcionários de menor relevância, dado que os seus melhores diplomatas se encontravam no Congresso de Viena. Após meses de avanços e recuos, foi forjado um acordo bastante generoso para os americanos: as fronteiras anteriores à guerra seriam restauradas (status quo ante bellum) e os britânicos abandonariam discretamente o seu apoio a um estado nativo americano, o Tratado de Gante foi assinado a 24 de dezembro de 1814.
Antes que as notícias da paz chegassem à América do Norte, os EUA obtiveram uma vitória deslumbrante na Batalha de Nova Orleães (8 de janeiro de 1815), onde um exército heterogéneo sob o comando do General Andrew Jackson derrotou uma força superior de tropas regulares britânicas. Embora a batalha não tenha tido efeito na paz, deu aos americanos a sensação de que tinham de facto vencido a guerra, ou pelo menos satisfeito a honra nacional ao terem a última palavra. O Congresso ratificou o Tratado de Gante a 17 de fevereiro de 1815, terminando oficialmente a guerra. O conflito resultou no fortalecimento das identidades nacionais americana e canadiana, tendo ambas se tornado mais unificadas na sua luta mútua. Ao mesmo tempo, corroeu o poder político dos nativos americanos no noroeste, pondo fim a qualquer possibilidade de formarem uma confederação para resistir à agressão da expansão dos EUA.

