Marco Júnio Bruto

O Traidor Mais Notório de Roma
Harrison W. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Marcus Junius Brutus (by Panagiotis Constantinou, CC BY-NC-SA)
Marco Júnio Bruto Panagiotis Constantinou (CC BY-NC-SA)

Marco Júnio Bruto, o Jovem (85 a.C. a 42 a.C.) foi um Senador romano celebrizado pelo seu papel no assassínio de Júlio César nos Idos de Março (15 de março) de 44 a.C. Diz-se que era descendente do fundador semilendário da República Romana; Bruto passou a opor-se ao comportamento autocrático demonstrado por César após este se ter tornado ditador. Depois de matar César, Bruto fugiu para o oriente, onde ele e o seu companheiro de conspiração, Caio Cássio Longino, reuniram um exército. Bruto acabou por ser derrotado pelos sucessores de César na Batalha de Filipos, em 42 a.C., e suicidou-se pouco tempo depois. É alternadamente recordado como um homem nobre que agiu em oposição à tirania ou como um dos traidores mais notórios da história.

Família e Infância

Bruto nasceu no final de 85 a.C. na gens Junia, uma das famílias mais famosas de Roma. De acordo com a lenda, foi o seu antepassado, Lúcio Júnio Bruto, quem expulsou o último dos reis e estabeleceu a República Romana, servindo como um dos seus primeiros dois cônsules eleitos. O historiador romano Lívio escreve que este Júnio Bruto tinha feito um juramento sagrado de perseguir o rei e a sua família perversa para fora da cidade, e que nunca mais deixaria que 'eles ou qualquer outro homem fossem Rei em Roma' (1.58). E, durante séculos, o juramento de Bruto manteve-se firme. É certo que a República teve as suas crises e banhos de sangue, demagogos e ditadores. Mas não voltara a haver reis. A família Júnia orgulhava-se da sua tradição como defensora da liberdade romana. Na idade adulta, Marco Júnio Bruto ostentava uma árvore genealógica no tablinum (escritório) da sua casa.

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Em 59 a.C., Bruto foi implicado no caso Vettius, uma conspiração para assassinar Pompeu.

A Roma onde nasceu era um lugar turbulento. O seu pai, também chamado Marco Júnio Bruto, rebelou-se contra o Senado Romano em 77 a.C. Foi cercado por forças sob o comando de Pompeu, o Grande, e, após tornar-se claro que qualquer resistência adicional seria fútil, rendeu-se com a promesa de que uma amnistia. Mas isto era mentira – Bruto, o velho, foi capturado e executado, fosse por ordens de Pompeu ou sob o seu mando. A partir de então, a família de Bruto nutriu um ódio profundo por Pompeu. A sua mãe, Servília, estava entre as mulheres mais influentes de Roma, sendo uma operadora política astuta que arranjou casamentos vantajosos para todas as três filhas. Era um segredo aberto que ela era amante de Júlio César, muitas vezes actuando como sua confidente e agente nas suas negociações políticas. Na verdade, havia um boato generalizado de que Bruto era, na verdade, filho ilegítimo de César. Os estudiosos modernos consideram tal improvável, ja que César tinha apenas 15 anos quando Bruto nasceu.

Ao crescer, Bruto era um rapaz inteligente e bonito, com um profundo interesse pela filosofia, particularmente pelos platónicos. De cabelos cacheados e espessos, olhos penetrantes e profundos, nariz reto e pescoço musculoso; era, de acordo com o historiador Barry Strauss, "orgulhoso, talentoso, sóbrio, altruísta e provavelmente um pouco vaidoso" (pág. 15). Devido à reputação manchada do seu pai, não pôde iniciar uma carreira política até relativamente tarde na vida. Por isso, culpava Pompeu, um ódio que quase se tornou violento. Em 59 a.C., Bruto foi implicado no Caso Vécio (Vettius Index ou Indicium Vettii), uma conspiração para assassinar Pompeu. No entanto, Bruto foi salvo de enfrentar quaisquer consequências quando o seu nome foi retirado da lista de conspiradores. Dado que César exercia o cargo de cônsul nesse ano, é plausível que tenha resgatado Bruto como um favor a Servília.

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Ascensão Política

Por volta de 59 a.C., Bruto foi adoptado por um parente, Quinto Servílio Cepião. Não obstante ter continuado a usar o seu nome de nascimento, preterindo o novo nome adoptivo – Quinto Servílio Cepião Bruto –, a adopção serviu para expurgar o estigma da traição do pai, permitindo-lhe dar início à sua carreira política. O seu primeiro cargo oficial surgiu em 58 a.C., quando partiu para Chipre para servir como assistente do seu tio materno, Catão, o Jovem, então governador daquela província. De acordo com o historiador Plutarco, Bruto era bastante competente na sua função. Ele também aproveitou a oportunidade para aprender com o tio Catão, um homem que ele respeitava e que era frequentemente visto como o epítome dos ideais republicanos romanos.

Cato the Younger
Catão, o Jovem Carole Raddato (CC BY-SA)

Em 54 a.C., Bruto contraiu matrimónio com Cláudia, filha do cônsul em exercício Ápio Cláudio Pulcher. O enlace com a influente família Cláudia terá decerto impulsionado a sua carreira; no ano seguinte, foi eleito questor, ingressando assim no Senado Romano. Em 53 a.C., partiu para a Cilícia para servir sob as ordens do sogro como legado. À semelhança de muitos outros governadores romanos da época, aproveitou o cargo para enriquecer, extorquindo fundos às populações locais. Num caso particularmente escabroso, concedeu um empréstimo à cidade de Salamina, no Chipre, à taxa de juro anual exorbitante de 48%. Quando as figuras proeminentes da cidade não conseguiram liquidar a dívida, Bruto enviou cobradores armados para os encerrar no edifício do conselho, onde permaneceram retidos até que conseguissem reunir a verba. Quando o impasse finalmente terminou, cinco dos conselheiros tinham já morrido de fome.

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Quando Bruto regressou a Roma em 52 a.C., encontrou a cidade num estado de caos absoluto. O seu tio por afinidade, o demagogo e líder de facções Públio Clódio Pulcher, acabara de ser assassinado, e Pompeu fora eleito cônsul único para restaurar a ordem e a legalidade. Tratava-se de um passo sem precedentes que Bruto temia ser o prenúncio de uma ditadura. Escreveu um panfleto intitulado De Dictatura Pompei (Sobre a Ditadura de Pompeu), no qual se opunha virulentamente à concentração de tamanha dose de poder nas mãos de um só homem. «É preferível não governar ninguém a ser escravo de outrem», escreveu num dos poucos fragmentos que chegaram até aos nossos dias, «pois é possível viver honradamente sem poder, mas viver como escravo é impossível» (citado em Tempest, pág. 50).

Por volta de 51 a.C., Bruto foi eleito pontífice, um importante cargo sacerdotal que supervisionava a religião e a lei. É provável que tenha conseguido o cargo graças ao apoio de César, que estava ausente, travando a controversa guerra na Gália. Por esta altura, Pompeu e César eram os dois homens mais poderosos de Roma, e era claro que as relações entre ambos estava a azedar. Os Optimates – uma facção conservadora de senadores romanos – pretendiam que César abdicasse do comando das suas legiões e regressasse a Roma para responder por crimes que alegadamente teria cometido, tanto antes como durante as Guerras da Gália. Caso contrário, estavam dispostos a solicitar a Pompeu que liderasse um exército contra César, a fim de o submeter à justiça. À medida que as tensões escalavam, Bruto manteve-se em silêncio, recusando-se a tomar partido publicamente.

Caesar in Gaul
Júlio César na Gália The Creative Assembly / SEGA (Copyright)

Guerra Civil e Reconciliação com César

Mas então, quando César cruzou o Rubicão com as suas legiões em janeiro de 49 a.C., a neutralidade já não era mais uma opção. Na guerra civil que se seguiu, Bruto aliou-se a Pompeu e aos Optimates — apesar do seu ódio por Pompeu, agiu por lealdade à República, que César invadia, ou porque os homens que mais admirava, como o seu tio Catão e o orador Marco Túlio Cícero, já se tinham aliado aos pompeianos. Não se sabe se ele esteve presente na Batalha de Farsália em 48 a.C., quando Pompeu foi derrotado de forma decisiva por César (Pompeu foi assassinado no Egipto pouco tempo depois). No entanto, de acordo com Plutarco, antes da batalha, César ordenou que os seus homens prendessem Bruto se ele se rendesse, mas que não lhe fizessem mal se ele continuasse lutando.

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Após a Batalha de Farsália, Bruto escreveu a César implorando clemência. César acedeu com o maior agrado, concedendo-lhe um indulto pleno.

Após Farsália, Bruto escreveu a César pedindo clemência. César ficou muito feliz em atendê-lo e concedeu-lhe perdão total. Alguns estudiosos especulam que César perdoou Bruto por amor a Servília, enquanto outros afirmam que ele viu o valor propagandístico de ter alguém tão respeitado como Bruto desertando para o seu lado. De qualquer forma, César recompensou Bruto com o prestigioso cargo de governador da Gália Cisalpina em 46 a.C. Desta vez, Bruto não extorquiu a população local; muitos dos provincianos eram leais a César, que não teria permitido que fossem explorados. Devido a esta moderação, Bruto provou ser um governador popular e, no final do seu mandato de um ano, foi erguida uma estátua sua em Mediolanum (Milão). No final de 45 a.C., César nomeou Bruto pretor (praetor) urbano e prometeu-lhe futuros cargos, incluindo o de cônsul.

Conspiração

A carreira de Bruto sob a égide de César era, indubitavelmente, próspera, e é provável que ele nutrisse afeição pelo estadista mais velho. No entanto, não conseguia evitar uma profunda inquietação perante o rumo dos acontecimentos. César fora inicialmente nomeado ditador pouco após o eclodir da guerra civil, mas, em 44 a.C., foi designado ditador vitalício (dictator perpetuo). Por esta altura, passara a agir de forma cada vez mais monárquica; tomava decisões importantes sem consultar o Senado como: nomear os seus próprios funcionários, conceder terras a seus soldados veteranos e alterar o calendário. Ele começou a calçar botas vermelhas de cano alto e a participar das reuniões do Senado sentado numa cadeira dourada, ambos elementos que lembravam a realeza romana. Pareceu insultar o Senado ao não se levantar perante uma delegação de senadores, destituiu dois tribunos legitimamente eleitos e, durante o festival da Lupercália, foi-lhe repetidamente oferecida uma coroa pelo seu legado, Marco António (Marco Antônio).

Começaram a circular rumores de que César pretendia proclamar-se oficialmente rei antes de partir para uma expedição militar à Pártia, no final de março de 44 a.C. Bruto sentia sobre os seus ombros o peso esmagador do legado familiar. Surgiram grafitos no tribunal onde se sentava como pretor urbano e nas estátuas do seu lendário antepassado, incitando-o à acção com frases como «Desperta, Bruto!» e «Tu não és o verdadeiro Bruto» (citado em Strauss, pág. 80). O seu amigo Cícero endereçou-lhe cartas instando-o a reconsiderar a sua lealdade a César, tal como fez a sua mulher, Pórcia (Bruto divorciara-se de Cláudia em 45 a.C.). Filha de Catão, o Jovem – e, portanto, prima de Bruto –, Pórcia partilhava os ideais republicanos do falecido pai e, segundo algumas fontes antigas, terá sido determinante para convencer Bruto a agir. A gota de água surgiu na noite de 22 de fevereiro de 44 a.C., quando Bruto recebeu a visita do seu cunhado, Caio Cássio Longino. Cássio convenceu Bruto de que algo teria de ser feito para travar César e de que nenhuma conspiração seria bem-sucedida sem a sua presença.

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Gaius Cassius Longinus
Caio Cássio Longino Panagiotis Constantinou (CC BY-NC-SA)

Bruto não só se juntou à conspiração, como depressa se tornou um dos seus líderes. Juntamente com Cássio e o seu primo afastado, Décimo Bruto Albino, recrutou outros senadores descontentes que tinham motivos para se oporem ao ditador. No final, seriam provavelmente cerca de 60 os conspiradores, dos quais apenas cerca de 20 levariam a cabo o assassinato propriamente dito. Embora concordasse que César teria de morrer, Bruto foi intransigente na ideia de que agiam apenas para remover um único tirano, instando os restantes a absterem-se de qualquer acto que pudesse assemelhar-se a um golpe de Estado ou a uma mudança de regime. Com esse intuito, demoveu Cássio de mandar assassinar também Marco António e defendeu com sucesso que não deveriam tomar o controlo de quaisquer forças militares. Após ponderarem diversos planos, Bruto e os restantes conspiradores decidiram atacar César na sessão seguinte do Senado, a realizar-se no edifício do Senado, no Pórtico de Pompeu, nos Idos de Março.

Os Idos

Bruto e Cássio chegaram cedo ao pórtico no dia em que César haveria de morrer. Na qualidade de pretor urbano, competia a Bruto ouvir os suplicantes que apresentavam questões de justiça, pelo que passou essas horas de nervos à flor da pele em discussões serenas com homens que tinham assuntos a tratar consigo. Plutarco observa que «quem soubesse o que estava prestes a acontecer ficaria maravilhado com a inabalável calma e presença de espírito que [Bruto e Cássio] demonstraram à medida que o momento crítico se aproximava» (citado em Tempest, pág. 1). César chegou atrasado à sessão – inicialmente, decidira não comparecer, mas fora atraído ao local por Décimo Bruto, seu antigo camarada de armas. No momento em que César entrou no edifício, sozinho e desprovido de guarda-costas, os conspiradores cercaram-no e desembainharam os seus punhais.

Assassination of Julius Caesar
A Morte de Júlio César Vincenzo Cammuccini (Public Domain)

"Ora, isso é violência!", gritou o ditador, pouco antes de ser esfaqueado uma vez, depois duas vezes. Logo, ele foi cercado por uma multidão frenética de senadores. Enquanto cortavam e golpeavam cegamente — César acabaria sendo esfaqueado 23 vezes —, alguns dos assassinos acidentalmente se esfaquearam uns aos outros, com Bruto sofrendo um ferimento na mão na confusão. Inicialmente, César defendeu-se, empurrando os agressores — isto é, de acordo com Plutarco, até perceber Bruto parado ali, com a adaga na mão. Nesse momento, ele parece ter desistido, enterrando a cabeça nas vestes e rendendo-se aos golpes dos assassinos. William Shakespeare o fez gritar a famosa frase Et tu, Brute? (Até tu, Bruto?), mas tal não passou de uma invenção do Bardo. Algumas fontes antigas afirmam que César gritou: "E tu, meu filho?", ao ver Bruto, o que pode ter sido um reconhecimento de última hora de que Bruto era seu filho (improvável) ou uma maldição. Outras fontes afirmam que apenas permaneceu em silêncio. Em todo o caso, ele estaria morto pouco depois, com o seu sangue escuro a empoçar no augusto chão do Senado.

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A Última Luta pela República

Os assassinos – ou «Libertadores», como se autointitulavam – marcharam do Senado até à Colina do Capitolino, com as mãos e as togas literalmente manchadas pelo sangue de César. Protegidos por gladiadores contratados por Décimo Bruto, permaneceram refugiados no Capitolino durante dois dias de grande tensão, proferindo discursos que denunciavam a tirania de César e justificavam as suas ações em prol do bem da República. A 17 de março, foi alcançado um compromisso no Senado para evitar o derramamento de mais sangue: os Libertadores receberiam amnistia e, em troca, as reformas e as nomeações políticas de César seriam mantidas. Bruto e Cássio desceram a colina, mas, poucos dias depois, um motim no funeral de César – possivelmente instigado por Marco António – fê-los temer pelas próprias vidas. Em meados de abril, abandonaram Roma e fugiram para Antium (Âncio).

Mark Antony's Oration over the Body of Caesar
Discurso de Marco António sobre o Sorpo de César George Edward Robertson (Public Domain)

Bruto e Cássio aguardaram ali até ao início de agosto, altura em que rumaram a Oriente, uma vez que os sucessores de César estavam a consolidar o seu poder e a guerra civil parecia iminente. No sul de Itália, Bruto despediu-se em lágrimas de Pórcia; separaram-se diante de uma pintura de Heitor e Andrómaca, o malfadado casal heroico da Ilíada. Bruto seguiu então para a Grécia, onde colheu grande simpatia por parte dos jovens e abastados filhos da nobreza romana que estudavam em Atenas. Em parte devido ao apoio destes estudantes, mas sobretudo através do saque de cidades gregas, reuniu fundos suficientes para levantar um exército e, em janeiro de 43 a.C., marchou para norte, rumo à Macedónia. Ali, capturou o irmão de Marco António, Caio (que viria a executar mais tarde), e passou os meses seguintes a reforçar as suas forças, enquanto observava o desenrolar dos acontecimentos na Itália.

Por essa altura, o cenário não se afigurava favorável aos Libertadores. Após uma breve guerra civil para reclamar o lugar de herdeiro de César, os Cesarianos reconciliaram-se e formaram uma aliança de partilha de poder conhecida como o Segundo Triunvirato; estes novos triunviros incluíam Marco António, Marco Lépido e Octaviano, o sobrinho-neto de César, de apenas 19 anos, a quem o ditador adoptara postumamente no seu testamento. Os triunviros revogaram a amnistia que fora concedida aos Libertadores, e Bruto, Cássio e os restantes conspiradores foram todos condenados por homicídio in absentia. Bruto, tentando afastar a dor causada pela notícia da morte inesperada de Pórcia em Itália, sabia que tinha de agir com rapidez. Em janeiro de 42 a.C., uniu forças com Cássio, que estivera ocupado a recrutar 12 legiões na Síria. Com o seu exército combinado, decidiram aguardar que os triunviros fossem ao seu encontro para selar o destino da República de uma vez por todas.

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Augustus, Bronze Equestrian Statue
Estátua Equestre de Bronze de Augusto Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

A Caminho de Filipos

Os triunviros acabaram por chegar e, no início de outubro de 42 a.C., os exércitos adversários perfilaram-se nos arredores de Filipos, na Macedónia oriental. O exército do triunvirato, sob o comando de Octaviano e António, contava com cerca de 95 000 infantes e 13 000 cavaleiros, ao passo que Bruto e Cássio dispunham de aproximadamente 85 000 infantes e 20 000 cavaleiros. Inicialmente, as probabilidades pareciam favorecer os Libertadores – tinham acesso a mantimentos frescos e controlavam o terreno elevado. Contudo, Bruto não sentia que a sorte estivesse do seu lado. Vários meses antes, tivera a visão de um espírito que lhe dissera: «Ver-me-ás em Filipos» (citado em Strauss, pág. 221). Ainda assim, enfrentou audazmente o seu destino, escrevendo a um amigo que, ou libertariam o povo romano nos campos de Filipos, ou morreriam e seriam eles próprios libertados da escravatura

O primeiro confronto deu-se a 3 de outubro, quando António flanqueou o exército de Cássio e invadiu o seu acampamento. Nesse mesmo dia, os soldados de Bruto conseguiram tomar o acampamento de Octaviano, mas Cássio, temendo que tudo estivesse perdido, suicidou-se antes de ter conhecimento da vitória de Bruto. Após a batalha, ambos os lados regressaram às suas posições iniciais, com os homens de Bruto a ocuparem o acampamento de Cássio. Este impasse prolongou-se até 23 de outubro, data em que Bruto atacou e foi derrotado. Conseguiu escapar do campo de batalha e fugiu para as colinas com quatro legiões. À medida que o dia dava lugar à noite e as estrelas cintilavam num céu negro como tinta, Bruto passou o tempo a citar literatura grega, dizendo aos seus amigos que culpava a sorte pela sua derrota e que morreria satisfeito. Nessa noite, pôs fim à vida lançando-se sobre a sua própria espada. Segundo Plutarco, as suas últimas palavras foram: «Devemos fugir por todos os meios, mas com as mãos, não com os pés» (citado em Tempest, pág. 208). Nos milénios que se seguiram, seria recordado tanto como um dos maiores defensores da liberdade na História como um dos seus traidores mais infames.

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Perguntas & Respostas

Porque é que Marco Júnio Bruto assassinou César?

Muitos passaram a acreditar que César se estava a tornar mais uma figura divina do que um governante, afastando-se gradualmente dos valores tradicionais da República Romana que esperavam que ele restaurasse. Depois de César se ter tornado ditador vitalício, Bruto, que acreditava nos valores tradicionais da República Romana, juntou-se à conspiração contra César.

O que é que aconteceu com Bruto após matar César?

Após os Idos de Março, Bruto foi amnistiado, mas a guerra civil eclodiu novamente pouco depois. Bruto e Cássio foram derrotados pelas forças de Octaviano e Marco António na Batalha de Filipos, em 42 a.C. Para evitar a captura, Bruto suicidou-se.

Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
A tradução faz parte do meu ser, desde interpretar o mundo até dominar a arte da transferência linguística. Cursos em turismo, literatura e história culminaram no meu papel como autora independente e coautora de coleções de contos literários.

Sobre o Autor

Harrison W. Mark
Harrison Mark é pesquisador e escritor para a World History Encyclopedia. Ele é graduado pela SUNY Oswego, onde estudou História e Ciência Política.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, H. W. (2026, fevereiro 06). Marco Júnio Bruto: O Traidor Mais Notório de Roma. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22209/marco-junio-bruto/

Estilo Chicago

Mark, Harrison W.. "Marco Júnio Bruto: O Traidor Mais Notório de Roma." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, fevereiro 06, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22209/marco-junio-bruto/.

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Mark, Harrison W.. "Marco Júnio Bruto: O Traidor Mais Notório de Roma." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 06 fev 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22209/marco-junio-bruto/.

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