Biblioteca de Assurbanípal

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Library of Ashurbanipal (by Gary Todd, Public Domain)
A Biblioteca de Assurbanípal Gary Todd (Public Domain)

A Biblioteca de Assurbanípal (século VII a.C.) é a biblioteca sistematicamente organizada mais antiga conhecida no mundo, estabelecida em Nínive pelo rei neoassírio Assurbanípal (reinou de 668 a 627 a.C.) para preservar a história e a cultura da Mesopotâmia. Em meados do século XIX, foram descobertos em Nínive mais de 30.000 textos mas acredita-se que a coleção original tenha sido muito maior.

Ao contrário das afirmações frequentemente repetidas, a Biblioteca de Assurbanípal não foi a primeira biblioteca do mundo. Já existiam bibliotecas na Suméria, anexadas a casas de escribas, templos e palácios no Período Dinástico Primitivo (2900-2334 a.C.). Os Impérios Acádio e Babilónico (Babilônico) também tinham bibliotecas, assim como os reis assírios anteriores. Os escribas na antiga Mesopotâmia também mantinham bibliotecas particulares, além daquelas a que se teriam referido no palácio, escola ou templo. A Biblioteca de Assurbanípal é apenas a mais antiga que foi sistematicamente organizada para preservar uma coleção abrangente do conhecimento (não limitada a um assunto ou a um tipo de obra) e, devido à importância das tabuinhas encontradas, a mais significativa. O estudioso Paul Kriwaczek escreve:

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[A Biblioteca de Assurbanípal] estava longe de ser a primeira ou a única grande coleção de documentos já estabelecida na antiga Mesopotâmia, mas parece ter sido um arquivo fundado especificamente para preservar a herança do passado. A preocupação do rei em conservar as riquezas literárias da sua cultura cuneiforme, para que pudessem ser lidas por estudiosos do futuro distante, é evidenciada pelo colofão associado a muitas das tabuinhas arquivadas: 'Pelo Bem dos Dias Distantes'. (pág. 250)

É incerto quando Assurbanípal estabeleceu a biblioteca, mas, de acordo com Kriwaczek e outros estudiosos, foi provavelmente no final do seu reinado, algum tempo depois da segunda campanha de Elão de 647 a.C., embora seja claro que os textos estavam a ser adquiridos antes. Se assim for, a biblioteca permaneceu de pé por apenas cerca de 30 anos. À medida que o Império Neoassírio decaía, foi incendiada no saque de Nínive em 612 a.C. por uma coalizão de babilónios, medos e persas.

Os inimigos dos assírios procuraram apagá-los de toda a memória da história, mas, ironicamente, quando a biblioteca caiu, as paredes destruidas enterraram as tabuinhas de argila cuneiforme que eram os livros, e os incêndios cozinharam-nas preservando-as. Estas tabuinhas foram descobertas mais de 2.000 anos depois pelos arqueólogos Sir Austen Henry Layard e Hormuzd Rassam numa descoberta que foi caracterizada por muitos estudiosos desde então como uma das mais importantes da era moderna.

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Alfabetização e Ascensão ao Poder

Quando subiu ao trono após a morte de Esar-Hadom, Assurbanípal não enfrentou resistência e podia fazer o que desejasse.

Assurbanípal era o filho do meio do rei neoassírio Esar-Hadom (que reinou de 681 a 669 a.C.) que tinha escolhido o filho mais velho, Sin-iddina-apla, para sucedê-lo. Assurbanípal foi enviado para o edubba ("Casa das Tabuinhas"), a escola de escribas, e recebeu a educação padrão necessária para se tornar um escriba. O irmão mais novo, Samassum-ukin, provavelmente também foi educado, pois sabe-se que a irmã, Serua-eterat (c. 652 a.C.), era alfabetizada, como evidenciado por uma carta existente na qual ela repreende a cunhada (esposa de Assurbanípal) por preguiça nos seus hábitos de estudo.

Serua-eterat observa como o descaso da sua cunhada em relação à educação poderia trazer vergonha para a família, sugerindo que os irmãos também eram alfabetizados. Também é improvável, por mais progressista que Esar-Hadom pudesse ter sido em educar as filhas, que negligenciasse o mesmo para os filhos, embora desconheça-se que tipo de educação recebeu Sin-iddina-apla em relação aos irmãos Assurbanípal ou Serua-eterat.

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Sin-iddina-apla morreu em 672 a.C., e Esar-Hadom escolheu Assurbanípal como sucessor. Para evitar os mesmos problemas que teve que enfrentar quando chegou ao poder, tendo que lutar contra os irmãos pelo trono do pai, Senaqueribe (reinou 705-681 a.C.), forçou os estados vassalos a jurar lealdade a Assurbanípal com antecedência. A mãe de Esar-Hadom, Zakutu (cerca de 728 a c. 668 a.C.), uma mulher poderosa na corte, apoiou o filho e o neto na emissão do Tratado de Zakutu, obrigando todos os territórios sob o domínio assírio, bem como os membros da corte, a aceitar Assurbanípal como o sucessor incontestável de Esar-Hadom. Quando chegou ao trono após a morte de Esar-Hadom em 669 a.C., Assurbanípal não enfrentou resistência e podia fazer o que desejasse.

King Ashurbanipal (Artist's Impression)
Rei Assurbanípal (Representação Artística) Mohawk Games (Copyright)

Reinado e Campanhas Militares

Esar-Hadom já havia designado Samassum-ukin como o futuro rei da Babilónia, mas Assurbanípal, de acordo com as próprias inscrições, deu ao irmão mais novo ainda mais responsabilidade e presentes maiores do que era obrigado. Depois de garantir as regiões do sul do império, terminou o que o pai tinha começado e conquistou o Egito, por volta de 667-666 a.C. Em seguida, reprimiu as rebeliões em Tiro, subjugou Urartu e reconquistou a Anatólia entre 665 e 657 a.C.

Embora Assurbanípal claramente sentisse que tratava bem o irmão mais novo, Samassum-ukin secretamente ressentia-o e queria ser rei do Império Assírio. Em 653 a.C., iniciou negociações com Elão, prometendo apoio se invadissem e derrubassem o irmão. Quando a notícia chegou a Assurbanípal de que os elamitas estavam a mobilizar os exércitos, atacou, derrotou-os e saqueou as cidades. Decapitou o rei elamita Teumann e os outros nobres e trouxe-os para Nínive, onde os pendurou em árvores no seu jardim como troféus.

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Não sabia que o irmão tinha instigado a agressão elamita, mas tal ficou claro no ano seguinte, quando, em 652 a.C., Samassum-ukin declarou a independência babilónica e abertamente tomou os territórios assírios. Assurbanípal marchou sobre a cidade, sitiou-a por quatro anos e, quando caiu, massacrou os habitantes. Samassum-ukin autoimolou-se para escapar à captura.

Map of  the Neo-Assyrian Empire
Mapa do Império Noe-Assírio Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Em 648/647 a.C., os elamitas travavam uma guerra civil, e Assurbanípal aproveitou a oportunidade para atacar enquanto estavam divididos. Incendiou as cidades, incluindo Susa, massacrou ou deportou grandes populações e, de acordo com as próprias inscrições, semeou o terreno com sal depois de profanar os túmulos dos reis. Elão foi transformada numa terra devastada, e Assurbanípal regressou a Nínive triunfante e, muito provavelmente, seguro do conhecimento de que havia preservado o império para os seus filhos e descendência.

Bibliotecas Assírias e Adivinhação

Parece que foi nesta época, cerca de 647/646 a.C., que Assurbanípal primeiro concebeu uma biblioteca universal que abrigaria o conhecimento coletivo do passado. A literatura mesopotâmica foi composta pela primeira vez cerca de 2600 a.C. na Suméria, e os textos sumérios foram então preservados em escrita acádia após 2334 a.C. com os acádios, hititas, babilónicos, cassitas e assírios continuando esta tradição até a sua época.

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Assurbanípal decidiu expandir a própria biblioteca, que incluiria obras de todos os tipos de todos os lugares do império.

Como escriba treinado, Assurbanípal estaria ciente disto, e talvez, tendo recentemente destruído a Babilónia e Elão, considerou que o que lhes havia acontecido também lhe poderia acontecer, ou com os seus filhos e suas descendências. Uma biblioteca, contendo todo o conhecimento dos últimos 2.000 anos preservaria a cultura, no entanto, bem como a própria história pessoal. Além disso, o estabelecimento de um recurso que incluiria uma coleção abrangente de textos de adivinhação poderia ajudá-lo a antecipar e responder a quaisquer ameaças ao império.

Já existiam nesta época bibliotecas assírias– assim como bibliotecas sumérias, acádias e babilónicas – mas estas continham, em grande parte, textos administrativos e de adivinhação, cópias de decretos e tratados reais, registros de terras e impostos e acordos comerciais. Dos documentos abrigados nas bibliotecas reais assírias, os textos de adivinhação eram os mais importantes, como explica o estudioso Stephen Bertman:

A adivinhação era baseada na ideia de que a associação é equivalente à causalidade: ou seja, se dois eventos incomuns ocorrem em proximidade, um é responsável pelo outro. Assim, se um rei morresse após um eclipse, a conclusão era de que o eclipse pressagiava a sua morte. Da mesma forma, se uma estrela cadente fosse avistada na noite anterior a uma vitória militar, um avistamento posterior prenunciaria outro sucesso militar.

Durante a maior parte da história da Mesopotâmia, a adivinhação era usada para guiar os assuntos de estado. Poucos governantes tomariam ou agiriam com base numa decisão importante sem antes consultar os adivinhos reais. Para prever o futuro, os videntes mesopotâmicos estudavam os fenómenos celestes e meteorológicos e examinavam os órgãos e entranhas dos animais sacrificiais... Na verdade, o antigo vidente era como o meteorologista moderno que usa a experiência profissional para prever o que o futuro nos reserva. (pág. 169)

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As conclusões destes videntes foram escritas em textos de adivinhação para que pudessem ser consultadas por outros. O pai de Assurbanípal tinha uma biblioteca de textos de adivinhação, assim como o avô, Senaqueribe, e o bisavô, Sargão II (reinou 722-705 a.C.), e assim por diante no passado. Assurbanípal decidiu expandir a própria biblioteca, que manteria os textos essenciais de adivinhação e os outros, mas incluiria obras de todos os tipos de todos os lugares do império. As quais, uma vez aninhadas com segurança nas prateleiras, seriam preservadas para sempre, cercadas pelas paredes seguras da grande cidade de Nínive.

A Biblioteca

Como o pai antes dele, Assurbanípal tinha um interesse especialmente aguçado em adivinhação e estava ansioso para adquirir quaisquer textos sobre o assunto que ainda não tivesse. A sua correspondência com escribas e videntes após cerca de 647 a.C. mostra uma crescente preocupação com o futuro e com a própria saúde e bem-estar pessoal. Ele enviou grupos, que é claro incluíam escribas, por todo o império para garantir estes e quaisquer outros textos, que seriam então copiados e guardados na biblioteca. Numa carta ao escriba Shadunu, Assurbanípal (ou um representante do rei) escreve:

Deve procurar e enviar-me... rituais, orações, inscrições em pedra e o que quer que seja útil para a realeza, como textos de expiação para cidades, para afastar o mau-olhado num momento de pânico, e qualquer outra coisa que seja necessária no palácio, tudo o que estiver disponível, e também tabuinhas raras das quais não existam cópias. Eu escrevi para o supervisor do templo e para o magistrado-chefe que lhe devem colocar as tabuinhas na casa de armazenamento e que ninguém lhe deve reter nenhuma tabuinha. E no caso de ver alguma tabuinha ou texto ritual que eu não mencionei, e que seja adequado para o palácio, examine-o, tome posse e envio-mo. (Kriwaczek, págs. 251-252)

A aquisição de textos de adivinhação impulsionou toda a empreitada. Assurbanípal queria tudo o que já havia sido escrito, mas especialmente aquelas obras que poderiam guiá-lo na tomada das decisões certas em relação ao seu futuro. O estudioso Marc Van De Mieroop comenta sobre o processo de escrita das aquisições:

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Os manuscritos não foram apenas reunidos, mas foram copiados de acordo com um formato padrão para a biblioteca. A escrita cuneiforme e a configuração da tabuinha eram uniformes, e no final de cada tabuinha fornecia-se uma identificação, afirmando que pertencia à biblioteca de Assurbanípal. Estas subscrições ou colofões podiam ser carimbos simples com o texto "palácio de Assurbanípal, rei do universo, rei da Assíria", mas muitas vezes indicavam longamente que os textos anteriores foram copiados cuidadosamente de uma tabuinha original, e que a cópia foi revisada e verificada. De fato, os escribas eram cuidadosos no seu trabalho. Indicavam na suas cópias quando encontravam uma quebra na tabuinha original e quando restauravam uma lacuna. Corrigiam erros e, muito raramente, indicavam as variantes que encontravam em diferentes manuscritos originais.

O propósito da biblioteca é indicado pelos colofões, ou seja, uma declaração no final que dá informações sobre a natureza e o local de preservação da tabuinha. Os textos foram mantidos para fornecer versões autorizadas que adivinhos e exorcistas pudessem usar. Muitos dos manuscritos continham presságios, e era importante que estivesse registrada a versão correcta. Além disso, mantinham-se os textos literários e académicos, pois os especialistas cuja tarefa era proteger o rei e o estado por vezes precisavam citá-los nos seus relatórios, e era importante a precisão destas citações. (págs. 261-262)

Os escribas aprendizes assinavam o trabalho depois de ter sido verificado por um superior. Por vezes, também, adicionavam avisos contra a retirada de uma tabuinha da biblioteca e a não devolução. Um fragmento do poema babilónico O Pobre de Nipur, encontrado nas ruínas da biblioteca de Assurbanípal, termina com tal aviso nas linhas, "Quem quer que leve esta tabuinha, que [os deuses] o levem embora! Que ele não tenha descendentes, nem prole... Não levem as tabuinhas! Não dispersem a biblioteca!"

Demand for Tablets for the Libary of Ashurbanipal
Demanda por Tablets para a Biblioteca de Assurbanipal Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Cada tabuinha, uma vez copiada e verificada, era colocada numa prateleira ou num nicho ao longo das paredes da biblioteca. Os textos não eram apenas copiados em tabuinhas de argila, mas também em tábuas de escrita – painéis de marfim ou madeira cobertos de cera nos quais a escrita cuneiforme podia ser inscrita. Muitos destes textos – tanto tabuinhas quanto tábuas de escrita – foram retirados da Babilónia depois da tomada de poder por Assurbanípal em 649/648 a.C. De acordo com Van De Mieroop, um registro destes textos indica 2000 tabuinhas e 300 tábuas de escrita "confiscadas principalmente das bibliotecas particulares de sacerdotes ou exorcistas babilónicos" adquiridas para a biblioteca no ano de 648 a.C. (pág. 261).

À medida que a coleção da biblioteca crescia, era responsabilidade do bibliotecário-chefe (guardião da biblioteca) mantê-la e substituir as tabuinhas desgastadas ou partidas. A coleção era abrigada no edifício designado como a biblioteca real, bem como no Palácio do Norte, e incluía obras sobre assuntos administrativos, astronomia, astrologia, botânica, correspondência pessoal e real, correspondência estrangeira, decretos reais, textos de adivinhação, textos religiosos e hinos, inscrições históricas, literatura e textos médicos. Entre as obras mais famosas da coleção estavam o Mito de Adapa, o Mito de Etana, o Enuma Elish e a Epopeia de Gilgamesh, todas histórias originais sobre a 'Criação do Mundo', a 'Queda do Homem' e o 'Grande Dilúvio' que, até à descoberta da biblioteca no século XIX, se pensava serem originais da Bíblia.

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Destruição da Biblioteca

Assurbanípal orgulhava-se da sua educação e estava igualmente satisfeito com a sua biblioteca. Nas suas inscrições, escreve:

Eu, Assurbanípal, dentro do palácio, compreendi a sabedoria de Nabu [o deus do aprendizado]. Fiz-me mestre de toda a arte da escrita... de todos os tipos... Eu li as tabuinhas astutas da Suméria, e a obscura língua acádia que é difícil de usar corretamente; tive o prazer de ler pedras inscritas antes do [Grande] dilúvio... O melhor da arte da escrita, tais obras que nenhum dos reis que me precederam jamais aprendeu, remédios do topo da cabeça até as unhas dos pés, seleções não canónicas, ensinamentos inteligentes, tudo o que pertence ao domínio médico dos [deuses] Ninurta e Gula, eu escrevi em tabuinhas, verifiquei e anotei, e depositei no meu palácio para folhear e ler. (Kriwaczek, págs. 250-251)

Infelizmente, embora seja lembrado como o mais altamente educado e alfabetizado dos reis neoassírios, Assurbanípal também é conhecido como o mais brutal. Os reis assírios, especialmente os do Período Neoassírio (912-612 a.C.), têm a reputação de usar políticas duras ao lidar com os inimigos, mas, mesmo entre eles, Assurbanípal destaca-se como sendo o excessivamente mais cruel. As suas políticas impiedosas, no entanto, acabariam por contribuir para a queda do Império Assírio.

King Ashurbanipal
Rei Assurbanípal Artaxiad (GNU FDL)

Embora as inscrições e relevos deixem claro que se orgulhava da destruição de Elão, ao fazê-lo, removeu um estado-tampão entre o seu império e a terra do Império Medos e os persas que, com o desaparecimento de Elão, mudaram-se e estabeleceram comunidades. Assurbanípal morreu de causas naturais em 627 a.C., mas, ao contrário do pai, não previu a sucessão de forma equitativa para os filhos. O seu filho Assur-etel-ilani sucedeu-o, mas logo após assumir o trono foi desafiado pelo seu irmão gémeo, Sin-sar-iskun, dividindo o Império Assírio numa guerra civil.

Enquanto os dois irmãos lutavam, os inimigos dos assírios – incluindo babilónios, cimérios, medos, persas e citas – reconheceram a oportunidade, assim como Assurbanípal tinha feito anos antes ao lançar a campanha contra Elão. Uma coligação liderada pelos medos e babilónios desceu sobre as cidades assírias em 612 a.C., saqueando-as e destruindo-as. A grande biblioteca em Nínive caiu quando a cidade queimou, e com o tempo, as ruínas foram reivindicadas pela terra, e permaneceu enterrada pelos próximos 2000 anos.

Conclusão

No século XIX, foram financiadas expedições arqueológicas por instituições ocidentais com o propósito de encontrar provas físicas para corroborar as narrativas bíblicas. Na época, a Bíblia era entendida como uma obra totalmente original e o livro mais antigo do mundo. Ninguém sabia que a civilização suméria sequer existia e quase tudo o que se sabia sobre os babilónios e assírios vinha da Bíblia. O que os arqueólogos encontraram, em vez disso, foram as diversas civilizações da Mesopotâmia, cuja história foi desvendada com a decifração da escrita cuneiforme.

Flood Tablet of the Epic of Gilgamesh
Tabuinha do Dilúvio da Epopeia de Gilgamesh Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Entre cerca de 1850 e 1853, Layard e Rassam descobriram as tabuinhas da Biblioteca de Assurbanípal enterradas nas ruínas de Nínive (na moderna Kouyunjik, Iraque), e em 1872, o estudioso George Smith traduziu a Epopeia de Gilgamesh e estabeleceu que a história bíblica do Grande Dilúvio não era um relato original, mas uma reformulação de um antigo mito sumério e babilónico.

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À medida que os textos da biblioteca de Assurbanípal foram sendo traduzidos, o conhecimento do passado foi consideravelmente expandido, e por esta razão, a descoberta da Biblioteca de Assurbanípal é considerada por alguns estudiosos a mais significativa do século XIX e uma das mais importantes de todos os tempos. Mais de 2.000 anos depois, desde que Assurbanípal concebeu a biblioteca e a esperança de que a cultura fosse lembrada "em dias distantes", o desejo foi concedido e para sempre mudou a forma como as pessoas entendiam a história do mundo.

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Perguntas e respostas

A Biblioteca de Assurbanípal foi a primeira do mundo?

Não. As bibliotecas foram criadas na Mesopotâmia entre 2900 e 2334 a.C. A Biblioteca de Assurbanípal (século VII a.C.) foi a primeira coleção abrangente de textos sistematicamente organizada para preservação.

Onde e quando foi fundada a Biblioteca de Assurbanípal?

A Biblioteca de Assurbanípal foi fundada na cidade de Nínive no século VII a.C.

Como foi destruída a Biblioteca de Assurbanipal?

A Biblioteca de Assurbanipal foi destruída por uma coligação liderada pelos Impérios Medos e Babilónicos, que saquearam as cidades assírias em 612 a.C.

Por que é que a Biblioteca de Assurbanípal é importante?

A Biblioteca de Assurbanípal é importante devido à descoberta, no século XIX, de mais de 30.000 textos, que, uma vez decifrados os textos cuneiformes, conduziram a uma melhor compreensão da história mundial.

Sobre o tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite este trabalho

Estilo APA

Mark, J. J. (2025, outubro 27). Biblioteca de Assurbanípal. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21476/biblioteca-de-assurbanipal/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Biblioteca de Assurbanípal." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 27, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21476/biblioteca-de-assurbanipal/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Biblioteca de Assurbanípal." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 27 out 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21476/biblioteca-de-assurbanipal/.

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