A Guerra dos Camponeses Alemães (1524-1525) foi um conflito que opôs as classes baixas da região germânica do Sacro Império Romano-Germânico à nobreza, motivado pelo sistema feudal de servidão, pela liberdade religiosa e pela disparidade económica. Mais tarde, Karl Marx e Friedrich Engels caracterizaram este conflito como o epítome da luta entre a classe operária e os seus senhores.
As causas da revolta dos camponeses continuam a ser debatidas, mas, essencialmente, a ascensão da filosofia humanista, aliada ao movimento de reforma religiosa de Martinho Lutero (1483-1546), desafiou o status quo e levou as classes baixas a esperar uma mudança radical na hierarquia social. A Revolta dos Cavaleiros (1522-1523) é também citada como um factor contributivo, na medida em que os cavaleiros, sob a liderança de Franz von Sickingen (1481-1523) e encorajados pelo cavaleiro-poeta Ulrich von Hutten (1488-1523), se recusaram a pagar os impostos ou dízimos e incentivaram os camponeses a fazer o mesmo. Nesta altura, a Igreja Católica Romana retirava 10% dos rendimentos dos camponeses a título de dízimo, e a nobreza reivindicava outras percentagens baseadas nos seus próprios sistemas fiscais, forçando a população camponesa a viver na pobreza.
Após Lutero ter desafiado a autoridade da Igreja entre 1517 e 1521, desencadeando a Reforma Protestante, outros membros do clero seguiram o seu exemplo, como Thomas Müntzer (cerca de 1489-1525), que inicialmente esperava que Lutero defendesse os direitos dos camponeses e que, ao ver que este não o fazia, o denunciou por trair a causa. O nobre e cavaleiro Florian Geyer (cerca de 1490-1525), outro admirador de Lutero, juntou-se a Müntzer, ao líder camponês Hans Müller († 1525), ao nobre Wendel Hipler († 1526) e a outros na organização de uma revolta contra o que consideravam ser políticas anticristãs e injustas da Igreja e da nobreza.
Os camponeses estavam mal armados em comparação com os exércitos da nobreza, careciam de uma liderança experiente e não conseguiram apresentar uma frente unida, o que levou à sua derrota em 1525, após uma série de confrontos que, frequentemente, eram mais massacres do que batalhas. Estima-se que aproximadamente 100 000 camponeses alemães tenham sido mortos no conflito, tendo morrido ainda mais devido à fome que se seguiu à destruição das terras de cultivo.
Em certos aspetos, o conflito espelhava as anteriores Guerras Hussitas (1419 a cerca de 1434), ao colocar uma classe camponesa contra os exércitos profissionais da nobreza; contudo, não existia um líder forte como Jan Žižka (cerca de 1360-1424) para os camponeses germânicos, que não estavam à altura das táticas e do armamento superiores da nobreza. Marx e Engels, os filósofos alemães que formularam o sistema do marxismo e coescreveram O Manifesto Comunista em 1848, caracterizaram o conflito como o epítome da luta de classes e os líderes camponeses como heróis protocomunistas.
O Contexto Social e Religioso
A sociedade europeia nesta época ainda operava de acordo com a estrutura da Idade Média, com a nobreza no topo da hierarquia e o campesinato na base. Entre ambos, encontravam-se os pequenos nobres, que presidiam a feudos menores, o clero (alguns de cujos membros eram mais poderosos do que a pequena nobreza) e a classe mercantil, muitos dos quais reivindicavam um estatuto de isenção fiscal semelhante ao do clero. A Igreja, reconhecida como a única autoridade espiritual, exigia aos fiéis um dízimo de 10%, além de outras taxas por diversos serviços. Estas quatro classes dependiam todas dos fundos da classe mais baixa, que era continuamente asfixiada por impostos até à pobreza.
A classe camponesa tinha conquistado uma maior autonomia e segurança financeira durante a Idade Média, quando a combinação das Cruzadas e da Peste Negra dizimou uma grande percentagem da população, permitindo aos camponeses afirmarem-se e cobrarem mais aos senhores pelo seu trabalho. Contudo, tudo o que ganhavam não era suficiente para acompanhar os impostos lançados pelas classes altas e a exigência de mais tempo de trabalho. Quando as 95 Teses de Martinho Lutero se popularizaram entre 1517 e 1519, muitos camponeses interpretaram-nas como um desafio à ordem estabelecida e apoiaram Lutero como um paladino do povo comum contra a aristocracia e a Igreja; simultaneamente, vários membros do clero de classe média e baixa apoiaram Lutero na esperança de uma revolução religiosa completa que pusesse fim à corrupção eclesiástica.
Um dos clérigos era Thomas Müntzer, que começou a questionar os ensinamentos e as políticas da Igreja logo em 1514. Em 1517, encontrava-se em Wittenberg quando Lutero afixou as 95 Teses; em 1519, viajou para Leipzig para apoiar Lutero na sua disputa com a Igreja e parece ter continuado a considerar-se um seguidor do reformador em 1521, quando chegou a Praga para pregar. Contudo, por esta altura tornara-se cada vez mais interessado no misticismo germânico e na validade dos sonhos e visões como mensagens de Deus.
Müntzer estava também convencido de que vivia nos últimos dias e de que o regresso de Jesus Cristo era iminente. De acordo com a Escritura, que ele colocava em pé de igualdade com as revelações em sonhos e sinais, sentia que precisava de se preparar para o Dia do Senhor. Neste ponto, rompeu com os ensinamentos de Lutero e começou a encorajar uma reforma mais radical. Foi demitido do seu cargo em Praga e viajou para Allstedt, na Saxónia, onde continuou a pregar como anteriormente. Por esta altura, Lutero já se apercebera do radicalismo de Müntzer e, temendo que este pusesse em risco o movimento da Reforma, ordenou-lhe que se deslocasse a Wittenberg para se explicar, mas Müntzer recusou.
Da mesma forma que o reformador Ulrico Zuílingo (1484-1531), na Suíça, inspirara o movimento mais radical dos Anabatistas, o movimento de Lutero na Alemanha incentivou a visão de Müntzer duma reforma social e religiosa completa. Lutero considerava a Escritura a autoridade final em matéria religiosa, a qual deveria então informar a sociedade, e denunciou o ataque de Müntzer à ordem social, fundamentando-se em passagens bíblicas como Efésios 6:5-9, que inclui a linha: 'Servos, obedecei aos vossos senhores temporais, com temor e respeito,na simplicidade de vosso coração, como a Cristo'(Villapadierna, Carlos de (†) et al.. Bíblia Sagrada. 3.ª Ed. Lx: Dif Bíblica (MC), 1968, pág. 1997). Müntzer rejeitou esta crítica, pois acreditava que a Bíblia era apenas um dos meios pelos quais Deus falava à humanidade.
A Insurreição e os Doze Artigos
A visão de Müntzer apelava a um vasto segmento da população camponesa, exausta da pesada carga fiscal, da quase total ausência de direitos de propriedade e sem autonomia. Os camponeses estavam proibidos de pescar e caçar nas terras que ocupavam, porque as terras pertenciam, tecnicamente, aos seus senhores, e estes eram livres de cavalgar sobre as suas plantações durante as caçadas sempre que lhes aprouvesse. Quando o chefe de uma família camponesa falecia, as suas ferramentas e qualquer outro objeto de valor podiam ser confiscados pelo senhor, em vez de serem transmitidos aos filhos do falecido; somando-se a estas afrontas, existiam ainda os impostos exorbitantes, maiores exigências de trabalho e restrições adicionais às liberdades pessoais.
Embora Müntzer não possa ser creditado como a única inspiração para a Guerra dos Camponeses Alemães, a sua visão apocalíptica de uma nova ordem incentivou uma esperança real entre o campesinato de que estaria próxima a hora de derrubar a nobreza e de afirmar os seus direitos como povo livre, capaz de dirigir a sua própria vida. Por volta de 1524, os camponeses tinham-se organizado em grupos democráticos territoriais (conhecidos como Haufen – bandos), cada um com o seu próprio órgão de governo (o Ring), que acordava leis, mantinha a ordem e dirigia as ações dos restantes membros. Estes grupos variavam em tamanho, entre os 2 000 e os 8 000 elementos ou mais, dependendo da população de um determinado território. No final do verão ou outono de 1524, um grupo de camponeses rebelou-se nas regiões germânicas do sul, depois de uma condessa ter exigido que abandonassem o trabalho da colheita para recolherem cascas de caracol, que ela pretendia usar como bobinas de linha.
A insurreição espalhou-se rapidamente, uma vez que os bandos de camponeses já estavam formados e organizados. Estes grupos conseguiram apresentar as suas queixas por escrito perante os magistrados locais, e as principais reclamações foram finalmente articuladas na íntegra nos Doze Artigos, em março de 1525. Tratava-se de um documento que afirmava os direitos dos camponeses e apelava à reparação de injustiças, sendo submetido à Liga Suábia (1488-1534), uma aliança da nobreza que mantinha a estrutura social.
Pensa-se que Sebastian Lotzer (cerca de 1490 – cerca de 1525), um peleteiro que se tornou secretário de um contingente do exército camponês, terá escrito os Doze Artigos juntamente com o teólogo reformado Christoph Schappeler (1472-1551), embora Wendel Hipler e Müntzer possam também ter contribuído. Os Artigos abordavam vários pontos, incluindo uma maior autonomia, o alívio da carga fiscal, leis mais equitativas e a abolição do imposto sobre as heranças. Os Doze Artigos são considerados o primeiro documento relativo aos direitos humanos na Europa na Idade Moderna, mas foram rejeitados pela nobreza, decisão apoiada por Martinho Lutero.
Luther & Müntzer
Lutero devia a sua vida à nobreza, especificamente ao Eleitor Frederico III (o Sábio, 1463-1425), que o acolhera sob custódia protetora depois de este ter sido condenado como herético e proscrito na sequência da sua comparência na Dieta de Worms. O discurso de Lutero na Dieta de Worms cortara os seus laços com a Igreja e estabelecera a sua visão reformista, aumentando a sua popularidade entre a classe camponesa; contudo, ele teria sido impedido de continuar os seus esforços se não fosse a proteção oferecida por Frederico III.
Quando a insurreição começou, Lutero saiu do esconderijo para pregar contra ela, citando passagens bíblicas que defendiam a manutenção da ordem social. Müntzer sentiu que ele tinha traído a sua visão inicial e o povo, e começou a escrever uma série de cartas atacando Lutero como o "Doutor Mentira", condenando-o como um peão da nobreza. Para Müntzer, os nobres luteranos não possuíam uma verdadeira convicção religiosa ao apoiar o movimento de Lutero; estavam apenas interessados no que poderiam ganhar financeiramente ao romper com a poderosa Igreja, que possuía muitas extensões de terras férteis, não pagava impostos e lhes exigia um dízimo, tal como de todas as outras classes e, nisto, ele tinha razão.
Lutero condenou Müntzer como um radical perigoso que incitava à agitação civil e a pôr em perigo o movimento da Reforma, mas Müntzer rejeitou as acusações e apelou diretamente ao povo, escrevendo na sua Vindicação e Refutação (Schutzrede) de 1524:
Abri os olhos! Qual é a poção maligna de onde brota toda a usura, o furto e o roubo, senão a presunção dos nossos senhores e príncipes de que todas as criaturas são sua propriedade? O peixe na água, as aves no ar, as plantas sobre a face da terra — tudo tem de lhes pertencer!... E o Doutor Mentira responde: Ámen. São os próprios senhores que fazem do homem pobre o seu inimigo. Se eles se recusam a eliminar as causas da insurreição, como poderá o conflito ser evitado a longo prazo? Se dizer isto faz de mim um incitador à insurreição, que assim seja!
(Janz, pág. 165)
Os argumentos de Müntzer tocaram uma corda sensível entre o campesinato, naturalmente, e também entre parte da pequena nobreza que tinha perdido terras, prestígio e rendimentos para os mais poderosos príncipes luteranos. Entre estes encontrava-se Florian Geyer que, tal como Müntzer, fora um dos primeiros apoiantes de Lutero, mas que, por volta de 1524, se aliou à visão reformista mais radical defendida por Müntzer e pelos seus companheiros revolucionários.
A Guerra dos Camponeses Alemães
As insurreições de 1524 tornaram-se mais generalizadas até que, no início de 1525, os camponeses estavam em revolta total e tinham-se organizado em exércitos, apoiados e encorajados pelo clero anabatista que, embora pacifista, via a causa dos camponeses como justa. Ocorreram vários pequenos conflitos entre janeiro e abril de 1525, nos quais os camponeses utilizaram táticas aprendidas nas Guerras Hussitas, nomeadamente o forte de carroças (Wagenburg) — uma fortificação móvel guarnecida por arqueiros e piqueiros — mas o primeiro confronto em grande escala foi a Batalha de Leipheim, a 4 de abril de 1525, que opôs aproximadamente 5 000 camponeses a mais de 8 000 tropas profissionais da Liga Suábia. Os camponeses foram massacrados durante a retirada, com perdas estimadas em mais de 3 000 mortos.
O exército camponês sob o comando de Jakob Rohrbach retaliou tomando a aldeia de Weinsberg, capturando o castelo, massacrando os soldados e forçando os nobres capturados a passar por um corredor de picas e porretes, espancando-os até à morte à medida que avançavam pela fileira. Entretanto, Müntzer liderava os seus próprios exércitos contra as forças da Liga Suábia, com o apoio de Geyer e da Companhia Negra — uma formação de cavaleiros focada na destruição de castelos e mosteiros que pudessem servir de fortificações para o inimigo.
Embora cada exército camponês tivesse o mesmo objetivo, poucos trabalhavam num esforço concertado de apoio mútuo. Os líderes camponeses, como referido, tomavam decisões numa assembleia de não mais de doze homens e, em seguida, punham os seus planos em prática sem consultar outros bandos. Hans Müller parece ter operado sem consultar Müntzer e, embora se diga que Geyer apoiou as tropas sob o comando de Müntzer, desconhece-se a forma que este apoio assumiu nem se se tratou de um esforço concertado e organizado ou se, talvez, Geyer prestou auxílio apenas por se encontrar na mesma área que Müntzer num determinado momento.
Os exércitos camponeses foram combatidos por vários nobres poderosos, mas principalmente por Georg III, Truchsess von Waldburg ("Truchseß" significando mordomo ou senescal, 1488-1531), um soldado experiente e comandante militar que, após a sua vitória em Leipheim, venceu consistentemente todos os confrontos, torturando os cativos antes de os executar e queimando aldeias durante a sua marcha. A 12 de maio de 1525, Georg III enfrentou um grande exército camponês na Batalha de Böblingen, rompeu as linhas facilmente com a cavalaria e massacrou-os durante a retirada. Os camponeses perderam pelo menos 3 000 soldados, enquanto as baixas de Georg III não chegaram a 40.
A batalha decisiva da guerra ocorreu apenas alguns dias depois, a 15 de maio de 1525, quando as forças da Liga Suábia de Filipe I de Hesse (1504-1567), outro apoiante de Lutero, e as de Jorge, Duque da Saxónia (1471-1539), que se opunha à Reforma de Lutero, enfrentaram o exército camponês sob o comando de Müntzer perto da cidade de Frankenhausen. Müntzer tinha executado recentemente três servos do nobre Conde Ernst, alegando que a "justiça divina" exigira as suas mortes, e usava agora a mesma justificação para mobilizar as suas tropas na defesa da cidade. A académica Lyndal Roper escreve:
De acordo com o conselheiro de Mansfeld, Johan Ruhel, que escreveu a Lutero sobre o que aconteceu, Müntzer cavalgou pelo acampamento no dia da batalha, a 15 de maio de 1525, gritando que os camponeses deviam confiar no poder de Deus, que as próprias pedras lhes abririam caminho e que os tiros não os feririam. Mas os camponeses tinham sido cercados e, sendo maioritariamente soldados de infantaria, não eram rivais para a cavalaria de Hesse e Brunswick, nem para as tropas do Duque Jorge da Saxónia. Talvez tenham sido massacrados cerca de seis mil; seiscentos foram feitos prisioneiros. A maior parte da população de Frankenhausen morreu ou foi capturada.
(pág. 254)
Müntzer fugiu do campo de batalha e escondeu-se num quarto de uma casa na cidade. Quando foi descoberto, afirmou ser um pobre inválido que nada tinha a ver com a guerra, mas um saco que transportava continha várias cartas e documentos que o identificavam. Foi torturado durante os dias que se seguiram e, depois, executado a 27 de maio de 1525; o mesmo destino recaiu sobre Rohrbach pelo seu comando do exército em Weinsberg. Geyer, tendo ouvido dizer que Frankenhausen fora uma vitória camponesa, cavalgou para se juntar a Müntzer, mas foi emboscado, e a Companhia Negra foi aniquilada na Batalha de Ingolstadt.
Geyer poderá ter fugido da batalha ou poderá nem sequer ter estado presente; foi mais tarde assassinado por dois criados que alegavam estar a escoltá-lo para um local seguro. O conflito continuou ao longo do verão de 1525, período durante o qual as forças de Hans Müller foram derrotadas e este foi executado após tortura. Wendel Hipler sobreviveu à guerra e morreu no ano seguinte. As hostilidades terminaram finalmente em setembro de 1525, com mais de 100 000 baixas entre os camponeses e o restabelecimento do ordem estabelecida.
Conclusão
Lutero publicou a sua famosa condenação do levantamento camponês, Contra as Hordas de Camponeses Ladrões e Assassinos, em maio de 1525, encorajando a nobreza a esmagar a insurreição e instando todos os que favoreciam a paz e a estabilidade a ajudarem na causa:
Portanto, que todo aquele que puder, esmague, mate e transpasse, secreta ou abertamente, lembrando-se de que nada pode ser mais venenoso, prejudicial ou diabólico do que um rebelde. É tal como quando se tem de abater um cão raivoso; se não o golpeares, ele golpear-te-á a ti, e com toda uma terra contigo.
(Janz, pág. 177)
Curiosamente, esta é a mesma posição que a Igreja tomou contra o próprio Lutero, que fora condenado pelo Édito de Worms como um padre rebelde e proscrito em 1521, encorajando qualquer pessoa que pudesse a matá-lo, mas que era agora reconhecido por príncipes protestantes, como Filipe I de Hesse, como um paladino da verdade cristã. Muitos dos camponeses e, como referido, os seus líderes, esperavam que Lutero apoiasse a causa e sentiram-se traídos quando ele se aliou à nobreza. Após a guerra, Lutero perdeu o apoio de muitos camponeses e, a certa altura, chegou a ser apedrejado por uma multidão de camponeses enfurecidos.
Müntzer, Geyer e os outros líderes da Grande Guerra dos Camponeses Alemães foram retratados como vilões, tanto por escritores católicos como protestantes, até ao século XIX, altura em que Marx e Engels os apresentaram como revolucionários protocomunistas que desferiram um golpe contra os opressores capitalistas. Os líderes da Guerra dos Camponeses Alemães, especialmente Müntzer, ainda são compreendidos desta forma na história de alguns países (certamente pelos regimes comunistas do passado e do presente) e por um segmento da comunidade académica que reconhece a revolta como uma resposta razoável às exigências desajustadas impostas àqueles que tinham menos condições de as cumprir.
