Andreas Karlstadt (também grafado como Carlstadt, 1486-1541) foi um reformador, teólogo e um dos primeiros apoiantes de Martinho Lutero (1483-1546) no movimento que ficou conhecido como a Reforma Protestante. Karlstadt foi um dos mais ardentes defensores de Lutero até 1522, altura em que Lutero denunciou as inovações de Karlstadt na liturgia em Wittenberg e o hostilizou.
Karlstadt, juntamente com outro dos primeiros apoiantes de Lutero, Thomas Müntzer (cerca de 1489-1525), foram publicamente culpabilizados por Lutero pela Guerra dos Camponeses Alemães (1524-1525), durante a qual as classes baixas se revoltaram contra a aristocracia e a Igreja. É provável que Lutero o tenha feito para desviar as culpas de si próprio, uma vez que muitos sentiam que os seus ensinamentos tinham encorajado as hostilidades. Karlstadt defendeu-se das acusações, mas estava associado tanto a Lutero como a Müntzer e, vendo-se ameaçado e, apesar das divergências, teve de procurar asilo na casa de Lutero.
Müntzer foi morto na guerra e Karlstadt foi proibido por Lutero de publicar. Sustentou-se como mercador e agricultor antes de deixar Wittenberg rumo à Suíça, em 1529, onde foi acolhido pelo reformador Ulrico Zuínglio (1484-1531) e, mais tarde, por Heinrich Bullinger (1504-1575), tendo continuado no seu posto em Basileia até morrer de peste em dezembro de 1541. Embora tenha sido tradicionalmente referenciado como uma personagem secundária na história de Lutero, Karlstadt contribuiu significativamente para os primeiros anos da Reforma por direito próprio e tem sido progressivamente reconhecido como uma voz importante no estabelecimento da interpretação do Cristianismo que veio a ser associada à Igreja Reformada.
A Educação e Lutero
O nome completo de Karlstadt era Andreas Rudolph Bodenstein von Karlstadt, visto pertencer à família Bodenstein da cidade de Karlstadt. Mais tarde, foi referido como Andreas Karlstadt (ou Andreas Carlstadt) na correspondência, que é como ele é mais conhecido. Nada se sabe sobre a sua juventude antes de Wittenberg, exceto que recebeu uma educação sólida entre 1499 e 1505 nas universidades de Erfurt e Colónia. Após chegar a Wittenberg, obteve o seu doutoramento em teologia em 1510 e foi nomeado arcediago do Departamento de Teologia.
Martinho Lutero chegou a Wittenberg por sugestão do seu mentor, Johann von Staupitz (cerca de 1460-1524), que recomendou que ele assumisse a cátedra de Bíblia de Staupitz na universidade. Karlstadt, como reitor de teologia, conferiu a Lutero o seu doutoramento em 1512, e os dois passaram a discutir, posteriormente, questões teológicas e filosóficas. Karlstadt era considerado o principal académico da universidade e era amplamente respeitado como intelectual, enquanto, nesta época, Lutero era um desconhecido.
Karlstadt reconhecia a sua importância e ultrapassava frequentemente a sua autoridade, o que o levava a entrar em conflito com o seu patrono, Frederico III (o Sábio, 1463-1525), o eleitor e governante da Saxónia que contribuía para os rendimentos da universidade e do seu corpo docente. Frederico III respeitava a posição de Karlstadt como o principal académico em Wittenberg e, embora a relação entre ambos fosse por vezes tensa, permitia-lhe fazer mais ou menos o que desejava. Em 1515, Karlstadt partiu para Roma para estudar Direito, permanecendo lá durante mais de um ano numa licença que Frederico III apenas autorizara por quatro meses. Quando regressou, estava extraordinariamente bem vestido e desenvolvera um gosto pela alta moda dispendiosa, o que o obrigou a pedir a Frederico III o estipêndio de clérigos que haviam morrido recentemente para manter o seu guarda-roupa. Isto poderá ter colocado uma pressão adicional na relação entre ambos e poderá ter contribuído significativamente para os problemas posteriores.
O tempo que passou em Roma e em Siena não foi, contudo, totalmente dedicado ao pavoneio, uma vez que ele era um académico sério que se empenhara no seu curso de Direito. Também observara em primeira mão os excessos da Igreja de Roma (tal como Lutero fizera) e, após o seu regresso, redigiu 151 teses para discussão com outros clérigos sobre as possibilidades de reforma. Entretanto, o próprio Lutero afastava-se dos ensinamentos ortodoxos e discutiu com Karlstadt, no início de 1517, os seus argumentos contra a política da Igreja relativa à teologia escolástica. Karlstadt alertou Lutero contra a heresia e consultou as obras de Santo Agostinho de Hipona (354-430) a fim de refutar os pontos de Lutero. Em vez disso, descobriu que Lutero tinha razão ao rejeitar a escolástica, que se baseava na razão e não na fé, e começou a questionar a sua própria relação com a Igreja.
Enquanto anteriormente tinha alertado Lutero contra as críticas à Igreja, ele próprio passou agora a pronunciar-se contra a teologia escolástica; alguns académicos, incluindo Lyndal Roper, afirmam que Karlstadt influenciou diretamente as 97 Teses de Lutero sobre o assunto. As 97 Teses foram publicadas em setembro de 1517, um mês antes de as 95 Teses de Martinho Lutero serem afixadas na porta da igreja em Wittenberg. Por esta altura, Karlstadt já argumentava contra a política da Igreja relativa à veneração dos santos e ao lugar dos ícones nas igrejas, mas, inicialmente, não apoiou as objeções de Lutero às indulgências.
Leipzig e Worms
As 95 Teses de Lutero contestavam a venda de indulgências — documentos adquiridos para reduzir o tempo de permanência de alguém, ou de um ente querido, no purgatório — e Karlstadt reconheceu que, sem a venda destes documentos, a estabilidade financeira da igreja de Wittenberg (e de muitas outras) seria posta em perigo. O seu próprio rendimento também sofreria, o que significaria, entre outros sacrifícios, que teria de abandonar o seu faustoso guarda-roupa. Ao mesmo tempo, compreendeu que Lutero tinha razão e que não havia base bíblica para as indulgências nem para o purgatório, aliás, o que o levou a renunciar aos seus apegos aos bens mundanos e a abraçar o conceito defendido por Lutero de que apenas a fé e apenas as Escrituras eram os meios para a comunhão com Deus e para uma vida plena.
Karlstadt começou a pregar a mensagem reformada em 1518, na mesma altura em que as 95 Teses de Lutero foram publicadas e amplamente distribuídas. O Papa Leão X enviou uma série de delegados para tentar silenciar Lutero e Karlstadt; entre eles encontrava-se Johann Eck (1486-1543), um teólogo católico e antigo amigo de Lutero, que pretendia debater com Karlstadt numa reunião convocada em Leipzig, em 1519. Originalmente, Lutero deveria desempenhar um papel secundário, mas a comparência de Karlstadt em Leipzig é geralmente negligenciada pelos historiadores, uma vez que Lutero assumiu o papel central e argumentou com maior eloquência. Quando a Bula papal que ameaçava Lutero com a excomunhão foi emitida em 1520, Karlstadt ficou chocado ao ver o seu próprio nome incluído nela, visto que Lutero fora claramente mais assertivo e controverso.
Karlstadt afastou-se então ainda mais dos ensinamentos da Igreja, e até da visão de Lutero, rumo a uma renúncia das coisas mundanas a fim de atingir "um estado de recetividade mística e de abertura onde as fronteiras entre o próprio e Deus desaparecem — como se se regressasse ao útero, onde não há separação entre mãe e filho" (Roper, págs. 211-212). Lutero rejeitou esta visão, alegando que Deus criara o mundo para o usufruto dos seres humanos, e que a rejeição dos prazeres terrenos era um repúdio ingrato das dádivas de Deus. Esta diferença nas suas visões causaria a primeira divisão entre ambos, a qual apenas viria a acentuar-se.
Lutero foi excomungado em janeiro de 1521, juntamente com Karlstadt, e recebeu ordens para comparecer na Dieta de Worms, uma assembleia convocada por Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, num esforço para unir os seus territórios contra uma possível invasão do Império Otomano. Uma vez que as obras de Lutero tinham causado divisões religiosas, esperava-se que ele se explicasse e, preferencialmente, se retractasse, o que restauraria a unidade de que Carlos V necessitava. Lutero, contudo, não o fez, e o seu discurso na Dieta de Worms, em abril de 1521, elevou-o ao estatuto de uma figura quase cristológica entre os seus apoiantes, que agora esperavam que ele terminasse o que começara: derrubar as instituições da Igreja medieval e da nobreza, e inaugurar uma nova era de igualdade e prosperidade para todos, independentemente da classe social.
Wartburg e Wittenberg
Para as autoridades católicas e para a nobreza, contudo, Lutero era uma ameaça perigosa e Carlos V declarou-o proscrito, o que significava que qualquer pessoa o poderia matar sem consequências. No entanto, no caminho de regresso a Wittenberg, Lutero foi levado sob custódia protetora por Frederico III e conduzido ao Castelo de Wartburg. Entretanto, Karlstadt fazia avançar a Reforma em Wittenberg. Pregava contra os ícones e em apoio à visão de Lutero e, no final do ano, oferecia a comunhão "sob ambas as espécies", significando que aos leigos eram dados tanto o pão como o vinho, ao passo que, segundo a política da Igreja, estes apenas deveriam receber o pão, sendo o vinho reservado ao clero. Roper comenta:
Enquanto anteriormente evitara pregar, agora Karlstadt pregava com frequência e paixão. As pessoas comentavam que ele se tornara um homem novo, "de tal modo requintadas eram as coisas que agora pregava". Quando se tornou claro que [Frederico III] seria hostil a quaisquer "inovações", Karlstadt ignorou-o e, no dia de Natal, convidou os presentes que desejassem comungar a fazê-lo, tivessem ou não feito confissão. Relata-se que compareceram mil pessoas. Para horror das [autoridades], muitos dos que comungaram não tinham guardado o jejum obrigatório, tendo comido e bebido antes; dizia-se mesmo que alguns tinham bebido aguardente. Vestido com roupas de leigo, Karlstadt oficiou a Missa na igreja paroquial e, quando as hóstias caíram por duas vezes — uma sobre o casaco de um homem, outra no chão — limitou-se a dizer aos paroquianos que as apanhassem. (pág. 212)
Tendo-se despojado dos seus próprios trajes elaborados, fez o mesmo com a liturgia e as diretrizes da Igreja, apelando à remoção dos ícones e celebrando a Missa em alemão em em detrimento do latim, vestido com roupas de rua como qualquer um dos seus paroquianos. Em Wartburg, Lutero escrevia incessantemente, enviando cartas de encorajamento aos seus companheiros reformadores, especialmente ao seu braço direito Filipe Melâncton (1497-1560), mas, significativamente, não a Karlstadt, que estava primordialmente empenhado nos esforços que Lutero inspirara e que chegara a escrever uma oração de louvor em sua honra. No dia a seguir ao Natal de 1521, Karlstadt casou-se com a jovem de 15 anos Anna von Mochau, desafiando a política da Igreja que proibia o casamento clerical, numa cerimónia que contou com a presença de Melâncton e outros, e com felicitações enviadas (mais tarde) por Lutero. Algumas semanas depois, Lutero enviou mais cartas encorajando as pessoas a apoiarem os esforços de Karlstadt em Wittenberg no estabelecimento de uma verdadeira cidade cristã baseada em princípios bíblicos.
Karlstadt e Müntzer
O povo de Wittenberg, especialmente a classe camponesa, não precisou de incentivo para desmantelar a hierarquia social e, a 10 de janeiro de 1522, muito provavelmente inspirada pelo amigo de Karlstadt e companheiro reformador, Gabriel Zwilling (cerca de 1487-1558), uma multidão despojou a igreja dos seus ícones e queimou-os. Roper descreve a cena:
[A multidão] fez uma fogueira no pátio do claustro, entrou na igreja, partiu os altares de madeira e levou-os, juntamente com todas as pinturas e estátuas, crucifixos, estandartes, velas, candelabros, etc., para o fogo, atirou-os para lá e queimou-os; cortaram as cabeças das estátuas de pedra de Cristo, de Maria e de outros santos, e destruíram todas as imagens na igreja.
(pág. 214)
Karlstadt não só aprovou como incentivou a continuação da iconoclastia noutros locais, notando que o primeiro mandamento proibia a adoração de ídolos e definindo a iconografia da igreja como idolatria. Enquanto Karlstadt fazia avançar a causa em Wittenberg, Thomas Müntzer fazia o mesmo noutros lugares, ao mesmo tempo que rejeitava Lutero como um hipócrita que traíra a reforma. Müntzer esteve em Wittenberg antes de Lutero afixar as suas 95 Teses e foi um dos primeiros apoiantes, fazendo parte do círculo íntimo de Lutero juntamente com Karlstadt, Melâncton e outros. Ele apoiou Lutero e Karlstadt em Leipzig, em 1519, e foi recompensado por Lutero com um cargo de pregador em Zwickau.
Enquanto lá esteve, Müntzer associou-se ao místico Nikolaus Storch († cerca de 1536) e aos seus colegas, os Profetas de Zwickau, que negavam a afirmação de Lutero de que se precisava apenas da fé e da Bíblia; os profetas alegavam que Deus podia comunicar com os crentes de qualquer forma que entendesse, incluindo sonhos e visões, e que a Bíblia era apenas um dos meios de comunhão com o divino. Müntzer já alimentava crenças semelhantes e, quando Lutero foi resgatado por Frederico III (em vez de ser martirizado, como parece que Müntzer pensou que ele seria), rompeu com a visão luterana e seguiu o seu próprio caminho, denunciando Lutero como uma marioneta da nobreza.
O Regresso de Lutero e o Exílio de Karlstadt
O Duque Jorge, primo de Frederico III e um católico devoto, apelou a Carlos V para que travasse a propagação da violência e da destruição incentivada pelos reformadores e, a 20 de janeiro de 1522, foi emitido um mandato imperial que condenava a Reforma e dava permissão às autoridades católicas para punirem os ativistas. Frederico III compreendeu que seria implicado no movimento se permitisse que este continuasse na sua trajetória atual, e Lutero também estava ciente da ameaça que pairava sobre o seu patrono. Ele contactou Frederico III, afirmando que regressaria a Wittenberg para travar a violência, embora devesse saber que isso significava também retirar o seu apoio a Karlstadt.
Lutero compreendeu as manipulações políticas em curso e como o Duque Jorge aguardava uma oportunidade para remover o primo e tomar as suas terras; por isso, disse a Frederico III para não o proteger nem reconhecer a relação entre ambos. Até esta altura, como observa Roper, "Lutero parecia ter estado muito satisfeito com a forma como a Reforma estava a progredir em Wittenberg" (pág. 221). Agora, porém, aquando do seu regresso, pregou oito sermões contra o levantamento, a iconoclastia e, essencialmente, contra tudo o que Karlstadt e Zwilling tinham vindo a defender.
Zwilling pediu desculpa pela sua participação nos motins, foi perdoado e enviado discretamente para um cargo de pastor em Altenburg; mas Karlstadt permaneceu em Wittenberg, ostracizado por Lutero, que agora o associava de forma subtil, e não tão subtil, ao diabo e o culpava por encorajar a rebelião contra as autoridades civis. Karlstadt era agora também rejeitado por aqueles que tinha liderado e foi repelido pela universidade quando tentou publicar as suas obras mais recentes. Quando recebeu um convite para pregar em Orlamünde, aceitou e abandonou Wittenberg.
Em Orlamünde, Karlstadt rompeu completamente com Lutero e manteve o mesmo rumo, agora condenado por Lutero como «radical», que seguira quando este se encontrava em Wartburg e que o próprio Lutero encorajara anteriormente, incluindo a remoção e destruição de ícones nas igrejas. Agora, contudo, ele rejeitava a interpretação de Lutero sobre a Eucaristia como a personificação de Cristo e aproximava-se da visão de Zwilling que via o ritual como um memorial do sacrifício de Cristo no qual Deus estava presente espiritualmente, e não fisicamente. Adotou também a rejeição anabatista do batismo infantil, alegando que um bebé não podia tomar a decisão consciente de aceitar Cristo. Lutero rejeitou ambos os conceitos e rotulou Karlstadt de herético.
Lutero continuou o seu ataque a Karlstadt através de cartas e proibindo-o de publicar o que quer que fosse, em qualquer lugar, sem a sua aprovação. Em agosto de 1524, Karlstadt encontrou-se com Lutero na cidade de Jena, na estalagem 'O Urso Negro', onde Lutero acusou Karlstadt de inclinações radicais e de estar coligado com Müntzer, que, por esta altura, estava associado à agitação social que se espalhava por todo o sul da Alemanha. Karlstadt defendeu-se, notando como tinha escrito a Müntzer em Allstedt, a sua base de operações, recusando apoiá-lo na resistência armada e rejeitando qualquer aliança entre Orlamünde e Allstedt. Lutero descartou as explicações e a defesa de Karlstadt e abandonou a reunião após, essencialmente, dizer ao seu antigo amigo que fizesse o seu melhor para tentar escrever algo contra ele e que visse o que daí resultava. Passado um mês, Karlstadt foi banido da Saxónia por Frederico III; que já não via utilidade no antigo académico, uma vez que se firmara como o patrono de Lutero.
Conclusão
A frustração das classes baixas devido ao tratamento que recebiam da nobreza e da Igreja, e a sua deceção pelo facto de os «novos ensinamentos» nada terem feito para aliviar o seu sofrimento, culminaram finalmente na Guerra dos Camponeses Alemães, que eclodiu pouco depois de Karlstadt ter sido exilado. Lutero pregou contra a insurreição, tal como fizera contra os distúrbios em Wittenberg, levando Müntzer a atacá-lo ainda mais por trair o povo comum e apoiar o status quo. Müntzer liderou um contingente de camponeses na guerra, enquanto Karlstadt, ameaçado por pessoas que o associavam a Lutero ou aos ataques de Lutero contra ele, regressou secretamente a Wittenberg. Sem mais nenhum lugar para onde ir, foi forçado a pedir santuário a Lutero e foi acolhido juntamente com a sua família, em troca da assinatura de uma retractação de quaisquer observações negativas que tivesse feito sobre Lutero.
Müntzer foi executado após a Batalha de Frankenhausen, em maio de 1525, pondo fim à guerra; e Lutero, que fora atacado por camponeses durante uma digressão de palestras nesse ano, publicou o seu Contra as Hordas de Camponeses Ladrões e Assassinos, defendendo a sua execução. Não existe registo da reação de Karlstadt a este panfleto, porque Lutero ainda o proibia de pregar, ensinar ou publicar, e ele sustentou-se a si e à sua família como agricultor e mercador até 1529, altura em que partiu para a Suíça, pregando em Zurique e associando-se primeiro a Zuílingo e, mais tarde, a Bullinger. Em 1534, encontrava-se em Basileia, onde permaneceu como reitor da Universidade de Basileia até falecer devido à peste, em dezembro de 1541.
Embora Lutero seja justamente reconhecido pelo seu papel fulcral no lançamento da Reforma Protestante, Andreas Karlstadt foi o primeiro ativista em Wittenberg a desafiar a autoridade da Igreja. Ele tanto inspirou como foi inspirado por Lutero, primeiro advertindo-o e depois encorajando-o a tomar a posição pela qual é famoso. Tal como Müntzer e, em menor grau, Melâncton — bem como outros que apoiaram os primeiros esforços de Lutero — Karlstadt foi rejeitado por Lutero quando tal pareceu conveniente e continua a ser referenciado principalmente como uma nota de rodapé na história de Lutero. No entanto, ele foi fundamental no estabelecimento da Reforma por mérito próprio, e a investigação académica recente está a trabalhar para o elevar à estatura e ao reconhecimento que deveria ter recebido há muito tempo.
