João Calvino

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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John Calvin (by Unknown Artist, Public Domain)
João Calvino Unknown Artist (Public Domain)

João Calvino (1509-1564) foi um reformador, pastor e teólogo francês, considerado um dos maiores nomes da Reforma Protestante, a par de Martinho Lutero (1483-1546) e Ulrico Zuínglio (1484-1531). Calvino sintetizou as diferentes visões das seitas protestantes com a sua própria obra As Institutas da Religião Cristã (ou A Instituição da Religião Cristã.; tít. original: Christianae Religionis Institutio - 1536; traduzida para o francês pelo próprio autor: Institution de la religion chretienne - 1541), considerada uma das obras mais importantes da teologia protestante.

Calvino é reconhecido como um dos reformadores mais influentes porque As Institutas da Religião Cristã sistematizaram a visão protestante, baseando-se nas crenças de diferentes seitas fundadas por Lutero, Zuínglio e outros. Após a morte de Zuínglio em 1531, Heinrich Bullinger (1504-1575) assumiu a liderança da Igreja Reformada e atuou como uma espécie de ponte entre o movimento de Zuínglio e Calvino, enquanto, ao mesmo tempo, Calvino foi diretamente influenciado por Lutero e Filipe Melâncton (1497-1560), bem como pelos reformadores Guillaume Farel (Guilherme Farel, 1489-1565) e Martin Bucer (1491-1551). O resultado foi uma visão abrangente das primeiras manifestações do cristianismo protestante, sintetizada de forma clara por Calvino e esclarecida pela sua própria teologia.

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Embora Calvino seja hoje mais conhecido, Bullinger foi, na verdade, mais popular e influente na sua época e contribuiu com vários conceitos associados à obra posterior de Calvino, incluindo a teologia da aliança, enquanto o conceito de predestinação, também intimamente associado a Calvino, foi sugerido pela primeira vez por Lutero. Ainda assim, foi Calvino quem acabaria por se tornar o mais influente, ao ponto de os protestantes serem frequentemente referidos como calvinistas. Os calvinistas da Inglaterra tornaram-se os separatistas, que se opuseram à Igreja Anglicana e levaram o calvinismo através do Oceano Atlântico, fundando a Colónia de Plymouth em 1621. Posteriormente, o calvinismo tornou-se a doutrina cristã dominante da Nova Inglaterra, na América do Norte, e continuou a exercer uma influência significativa durante os primeiros anos dos Estados Unidos e até aos dias de hoje.

A Infância, a Educação e a Conversão

Calvino nasceu em Noyon, na Picardia, no Reino da França, a 10 de julho de 1509, e recebeu o nome de Jehan Cauvin. O pai, Gérard Cauvin, era notário no tribunal eclesiástico e a mãe, Jeanne le Franc, faleceu antes de Calvino completar doze anos. Tinha pelo menos três irmãos, a todos os quais Gérard encorajou a seguir a vocação sacerdotal. Aos 12 anos, Calvino recebeu uma bolsa para estudar em Paris (tal como o seu irmão mais velho) e aprendeu latim antes de se matricular no Colégio de Montaigu para estudar filosofia.

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Calvino obteve a sua licença de advogado em 1532, mas começou então a perder o interesse pelo direito e sentiu-se cada vez mais atraído pela teologia.

Por volta de 1525, Gerard teve um desentendimento com a catedral de Noyon e desencorajou Calvino de prosseguir os estudos eclesiásticos, matriculando-o na Universidade de Orléans como estudante de Direito. No decorrer dos seus estudos, foi apresentado aos conceitos do teólogo, erudito e filósofo humanista Desidério Erasmo de Roterdão (1466-1536), bem como a outros pensadores e escritores humanistas, incluindo o jurista Andrea Alciato (1492-1550), fundador da escola humanista jurídica francesa.

O humanismo enfatizava os direitos e as responsabilidades do indivíduo e centrava-se no presente, em contraste com os ensinamentos da Igreja, que enfatizavam o divino e a vida após a morte. Embora Erasmo tenha permanecido sempre membro da Igreja Católica, ele encorajava a visão humanista, que incluía a imersão nos clássicos da literatura grega e romana. Calvino obteve a sua licença de advogado em 1532, mas começou então a perder o interesse pelo direito e sentiu-se cada vez mais atraído pela teologia, mudando-se para Paris para continuar os seus estudos de latim, grego e obras clássicas. Parece ter aplicado conceitos humanistas aos ensinamentos da Igreja e, possivelmente, isso causou a crise espiritual que mais tarde afirmou ter vivido antes da sua conversão às crenças protestantes. O académico Mack P. Holt comenta:

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Em determinada altura [em 1533], Calvino passou por uma conversão à Reforma e abandonou a Igreja Católica. Os detalhes da sua conversão são escassos, uma vez que Calvino optou por comentá-la apenas muito brevemente, muito tempo depois do acontecimento em questão. Ao mesmo tempo, abandonou qualquer ideia de exercer a advocacia para o resto da vida e voltou-se para a teologia, embora não para a teologia escolástica da Igreja medieval.

(Rublack, pág. 217)

Embora Holt indique o ano de 1533, pode ter sido em 1530 ou antes. Os ensinamentos de Lutero tinham sido traduzidos e chegavam a Paris já em 1521, altura em que foram denunciados como heréticos e os seus livros foram queimados. Pode ter sido nessa altura que Calvino leu Lutero pela primeira vez, mas isso não é claro. Calvino optou por centrar as suas obras escritas quase exclusivamente no cristianismo, sem fornecer muitas informações biográficas.

Parece ter passado por uma crise existencial durante a qual questionou o valor de tudo o que tinha feito até aquele momento da sua vida, bem como a veracidade da visão da Igreja. Em 1533, o amigo íntimo de Calvino, Nicholas Cop (1501-1540), proferiu um discurso inaugural na Universidade de Paris defendendo a reforma e foi acusado da heresia do luteranismo. Calvino parece ter sido igualmente implicado e fugiu para Basileia, na Suíça, para evitar a perseguição.

Estrasburgo e Genebra

O argumento central de Lutero era que apenas as Escrituras constituíam a fonte da verdade e que o indivíduo era justificado apenas pela fé em Deus, não pelas obras nem pelo seguimento dos ensinamentos da Igreja Católica. Calvino respondeu a esta mensagem enquanto estava em Basileia, escrevendo a primeira versão de As Institutas da Religião Cristã (viria a rever a obra várias vezes ao longo da sua vida), que aprofunda a visão de Lutero, ao mesmo tempo que contradiz várias das suas afirmações. Publicou a obra em 1536, antes de partir para Itália e, posteriormente, regressar a França, onde descobriu que as forças pró-católicas dominavam o panorama espiritual e que os ensinamentos protestantes não eram bem-vindos.

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Partiu de Paris rumo a Estrasburgo, mas foi desviado para Genebra, onde planeava ficar apenas uma noite. O reformador francês Guillaume Farel, que tentava promover a Reforma na cidade, convenceu-o de que Deus o tinha chamado até ali para ajudar na obra, e Calvino concordou em ficar. Holt escreve:

Embora Calvino fosse totalmente autodidata em teologia e não tivesse qualquer formação eclesiástica formal, Farel conseguiu que fosse nomeado «professor de Sagradas Escrituras» em Genebra. Para ser justo, a educação humanista de Calvino, bem como os seus estudos bíblicos em Paris, tinham-lhe proporcionado uma base muito sólida para as suas ideias teológicas. E não há dúvida de que tanto Farel como Bucer, os seus mentores mais velhos, consideravam o jovem Calvino como seu superior no que diz respeito ao conhecimento das Escrituras. (Rublack, pág. 217)

Farel e Calvino, a princípio, fizeram progressos consideráveis em Genebra, mas a sua insistência em fazer as coisas à sua maneira, sem concessões, levou o conselho municipal a pedir-lhes que deixassem a cidade em 1538. O reformador Martin Bucer convidou-o para ir pregar em Estrasburgo, onde se tornou pastor de uma igreja de refugiados protestantes franceses. Em Estrasburgo, reviu As Institutas da Religião Cristã, completando-a de 6 para 17 capítulos, escreveu o seu primeiro comentário bíblico sobre a Epístola aos Romanos (acabaria por escrever sobre quase todos os livros da Bíblia) e lecionava na academia todos os dias, ao mesmo tempo que pregava dois sermões todos os domingos.

William Farel
Guillaume Farel Unknown Artist (Public Domain)

Em 1540, casou-se com a viúva Idelette de Bure (cerca de 1500-1549), que tinha dois filhos de um casamento anterior. Idelette apoiou o ministério de Calvino, e o seu casamento foi feliz. O período que Calvino passou em Estrasburgo foi decisivo na formação das suas opiniões, uma vez que foi diretamente influenciado por Bucer quanto à forma como o cristianismo deveria ser praticado, em vez de se dar ênfase aos pormenores da teologia. Em vez do abstrato, Bucer centrou-se na aplicação prática dos ensinamentos de Jesus Cristo na vida quotidiana das pessoas. A ênfase de Bucer na «reforma dos leigos» é claramente visível nas obras de Calvino, tal como a influência de Bullinger, com quem Calvino tinha começado a manter correspondência.

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Em 1541, Genebra comunicou que gostaria de ter Calvino de volta, uma vez que o ímpeto da Reforma tinha abrandado e a frequência à igreja estava em baixa. Calvino recusou, mas, após lhe terem prometido que se tratava apenas de uma reafectação temporária de seis meses, cedeu e regressou a Genebra com a sua esposa e família. Idelette faleceu devido a uma doença em 1549, e Calvino nunca voltou a casar. Permaneceria em Genebra até ao fim da vida, publicaria os seus principais comentários, reviu As Institutas da Religião Cristã, tornaria-se conhecido como o defensor do cristianismo e desenvolveria plenamente a teologia que viria a ser conhecida como calvinismo.

Os Cinco Pontos do Calvinismo (Doutrinas da Graça - TULIP)

Calvino afirmava que Deus era a fonte e o sentido da vida de cada um, uma vez que ninguém simplesmente surgiu do nada; assim, ao reconhecer Deus como a fonte do próprio ser, a pessoa encontrava o verdadeiro propósito. Deus tinha proporcionado às pessoas os meios para conhecer esta verdade, e não havia necessidade das medidas intermediárias da Igreja Católica, pois tudo o que era necessário eram as Escrituras e a fé pessoal para comungar diretamente com o divino. No Capítulo 1.1 d'As Institutas da Religião Cristã, ele escreve:

A nossa sabedoria, na medida em que deva ser considerada verdadeira e sólida Sabedoria, consiste quase inteiramente em duas partes: o conhecimento de Deus e de nós próprios. Mas, como estas estão ligadas entre si por muitos laços, não é fácil determinar qual das duas precede e dá origem à outra. Pois, em primeiro lugar, nenhum homem pode examinar-se a si próprio sem, de imediato, voltar os seus pensamentos para o Deus em quem vive e se move; porque é perfeitamente óbvio que as dádivas que possuímos não podem, de modo algum, provir de nós mesmos; antes, que o nosso próprio ser não é senão subsistência exclusivamente em Deus. Em segundo lugar, essas bênçãos que incessantemente nos chegam do céu são como correntes que nos conduzem à fonte. Aqui, mais uma vez, a infinitude do bem que reside em Deus torna-se mais evidente a partir da nossa pobreza. Em particular, a miserável ruína em que a revolta do primeiro homem nos mergulhou obriga-nos a voltar os olhos para cima; não só para que, enquanto famintos e esfomeados, possamos pedir ali o que nos falta, mas também para que, despertados pelo medo, possamos aprender a humildade…Assim, o nosso sentimento de ignorância, vaidade, carência, fraqueza — em suma, depravação e corrupção — lembra-nos que no Senhor, e em mais ninguém além d'Ele, habita a verdadeira luz da sabedoria, a virtude sólida, a bondade exuberante. Somos, portanto, impelidos pelas nossas próprias maldades a considerar as coisas boas de Deus; e, de facto, não podemos aspirar a Ele com sinceridade até começarmos a estar descontentes connosco próprios.

Nesta e noutras passagens, Calvino pode parecer sugerir que todas as pessoas são capazes de reconhecer a sua natureza pecaminosa e de se voltarem para Deus em arrependimento para assegurar a salvação, mas, na verdade, ele apenas acreditava que aqueles chamados por Deus ao arrependimento eram eleitos por Ele para serem salvos. Os cinco pontos do calvinismo foram popularizados na era moderna pela sigla inglesa TULIP (utilizando a letra inicial de cada ponto, e amplamente aceite pelos académicos de língua portuguesa), que significa:

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  • Depravação Total (Total Depravity)
  • Eleição Incondicional (Unconditional Election)
  • Expiação Limitada (Limited Atonement)
  • Graça Irresistível (Irresistible Grace)
  • Perseverança dos Santos (Perseverance of the Saints)

É importante referir que o próprio Calvino nunca utilizou a sigla TULIP; trata-se de um recurso mnemónico moderno, mas os conceitos têm origem em Calvino e estão na base dos ensinamentos calvinistas. A depravação total insiste na pecaminosidade inerente aos seres humanos, que são incapazes de se voltarem para Deus por si próprios porque, depois de Adão e Eva terem caído em desgraça no Jardim do Éden, o pecado entrou no mundo e governa todos os aspetos da vida de cada indivíduo.

A eleição incondicional defende que apenas aqueles escolhidos por Deus podem ser salvos, pois toda a humanidade está espiritualmente morta no pecado e só pode ser despertada para a vida pela vontade de Deus, não pela sua própria. Cada pessoa está predestinada por Deus para a salvação ou para a condenação, e não há nada que possa fazer para alterar isso. Sendo assim, a expiação limitada significa que nem todos serão salvos, apenas aqueles que Deus escolheu, e a graça irresistível refere-se ao poder do Espírito Santo, que se derrama sobre os eleitos de forma tão poderosa que estes não têm outra escolha senão abraçar uma relação com Deus.

A perseverança dos santos refere-se, na verdade, à perseverança de Deus — e não à dos eleitos — em manter aqueles que estão salvos. Uma vez que alguém tenha sido chamado por Deus, não pode perder a sua salvação, independentemente do seu comportamento, porque não é o espírito individual que atua numa pessoa que lhe garante a salvação, mas sim um dom que Deus escolheu conceder e que Ele não pode revogar.

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Os Libertinos e Servet

Este dom estabeleceu um pacto entre a humanidade e Deus — uma aliança — que as pessoas eram obrigadas a honrar, um conceito conhecido como teologia da aliança, desenvolvido pela primeira vez por Bullinger. Uma vez que não havia nada que se pudesse fazer para merecer a salvação, tudo o que se podia fazer era viver uma vida que refletisse gratidão por esse dom através das próprias obras. O que se fazia ou não fazia não tinha nada a ver com a salvação de cada um; as obras eram meramente a forma como se honrava a dádiva de Deus e, ao levar uma vida devota, anunciava-se a própria salvação, mesmo que não se pudesse saber se, de facto, se estava salvo.

A afirmação de Calvino de que a salvação não podia ser perdida deu origem ao movimento a que ele chamou de libertinos.

No entanto, nem todos compreendiam a perseverança dos santos da mesma forma. A afirmação de Calvino de que a salvação não podia ser perdida deu origem ao movimento que ele chamou de libertinos. O movimento era liderado por cidadãos da classe alta e poderosos da cidade, que afirmavam que, uma vez que tinham sido salvos pela graça de Deus, podiam fazer o que quisessem sem receio de consequências civis ou eclesiásticas. Quando Calvino os censurou, acusaram-no de falso ensinamento e, quando ele apresentou a sua demissão, recusaram-na porque achavam que podiam controlá-lo melhor na sua posição atual e não tinham apoio suficiente para o banir da cidade. Calvino lutou contra a oposição libertina durante algum tempo em questões políticas e eclesiásticas, até que um acontecimento inesperado os uniu.

Calvino reverteu o seu rumo através da perseguição ao polímata espanhol Miguel Servet (cerca de 1509-1553), um estudioso que mantivera correspondência com Calvino e que criticara severamente as Institutas da Religião Cristã, para grande consternação deste. Servet fora condenado como herético em França por negar a Trindade cristã e rejeitar o batismo infantil; encontrava-se em fuga para Itália quando parou em Genebra para visitar Calvino. Foi preso e encarcerado e, posteriormente, os libertinos e Calvino uniram forças para o condenar. Servet foi queimado na fogueira em Genebra em outubro de 1553.

Michael Servetus
Miguel Servet Christian Fritzsch (Public Domain)

O papel de Calvino no caso Servet elevou-o ao estatuto de «Defensor da Fé» e granjeou-lhe um maior apoio por parte da câmara municipal. Quando vários candidatos da facção de Calvino foram eleitos para a câmara em 1555, os libertinos perderam o seu poder político. Depois de terem organizado uma resistência, que as autoridades civis interpretaram como uma tentativa de golpe de Estado, foram denunciados e banidos. Calvino apoiou a proposta de executar todos aqueles que permanecessem em Genebra e, posteriormente, tornou-se a autoridade incontestável em assuntos eclesiásticos, os quais, naquela época, influenciavam os assuntos civis. De 1555 até à sua morte, em 1564, Calvino foi a figura política e religiosa mais poderosa de Genebra e o mais conhecido de todos os primeiros reformadores.

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Conclusão

Calvino morreu de doença aos 54 anos, a 27 de maio de 1564. De acordo com os seus últimos desejos, foi sepultado numa sepultura sem identificação para impedir que algum dos seus seguidores transformasse o seu túmulo num local de peregrinação, pois Calvino considerava que isso encorajaria a idolatria. Após a sua morte, as suas obras — já traduzidas para a língua vernácula de muitos outros países — espalharam-se ainda mais e tornaram-se mais populares. Enquanto viveu, as obras de Bullinger eram mais populares em Inglaterra, mas isso mudou, uma vez que a visão de Calvino, devendo muito a Lutero, Melâncton, Bullinger, Bucer e outros, passou a ser considerada como a expressão mais completa da visão protestante.

Reformation Wall
Muro dos Reformadores Henri Bouchard and Paul Landowski  (CC BY-SA)

A partir de Genebra, o calvinismo espalhou-se pelos Países Baixos, França, Inglaterra, Itália e Escócia, onde foi defendido e desenvolvido por John Knox (cerca de 1514-1572). Na Inglaterra, os calvinistas defenderam a utilização da Bíblia de Genebra, publicada em 1560 em Genebra sob a autoridade de Calvino. Após a morte de Calvino, a liderança passou para o teólogo e erudito francês Teodoro Beza (1519-1605), que manteve, entre outros aspetos do calvinismo, a afirmação de Calvino de que a Bíblia de Genebra era a tradução mais precisa. Como a obra tinha sido concluída e aprovada sob a autoridade de Calvino, apoiava naturalmente a sua teologia. A crença no calvinismo e na Bíblia de Genebra como a verdadeira expressão do cristianismo encorajou a dissidência religiosa dos puritanos e separatistas da Inglaterra, mesmo antes de a Bíblia de Genebra ter sido traduzida para inglês em 1576.

Os dissidentes rejeitaram os princípios da Igreja Anglicana e a Bíblia do Rei Jaime de 1611, alegando que, tal como a Igreja Católica, estes eram artifícios humanos, que separavam o crente da comunhão direta com Deus. Os separatistas acabariam por levar a Bíblia de Genebra consigo para a América do Norte em 1621, fundando a Colónia de Plymouth e abrindo o caminho para uma maior imigração de outros puritanos e separatistas que também aderiam à teologia de Calvino. De 1621 até cerca de 1700, o calvinismo foi o padrão pelo qual o «verdadeiro cristianismo» era avaliado no chamado Novo Mundo, e mesmo as seitas que rejeitavam a doutrina calvinista continuaram a ser influenciadas pela sua visão, tal como acontece na era moderna na sua aceitação ou rejeição dos princípios calvinistas.

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Perguntas & Respostas

Quem foi João Calvino?

João Calvino (1509-1564) foi um teólogo protestante que sistematizou a visão protestante e estabeleceu os seus princípios.

Por que é que João Calvino é importante?

João Calvino é importante porque reuniu as crenças das diversas seitas protestantes e as harmonizou na sua obra mais conhecida, «As Instituições da Religião Cristã».

O que é o TULIP no calvinismo?

TULIP é um acrónimo e um recurso mnemónico contemporâneo relacionado com os cinco pontos do calvinismo. Significa: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos.

João Calvino chegou a casar-se?

João Calvino era casado com a viúva Idelette de Bure (1500-1549), que tinha dois filhos do seu primeiro casamento. Ficou de coração partido com a morte dela e nunca mais se casou.

Como é que João Calvino morreu?

João Calvino faleceu devido a uma doença aos 54 anos, em 1564.

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Mark, J. J. (2026, setembro 27). João Calvino. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20202/joao-calvino/

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Mark, Joshua J.. "João Calvino." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, setembro 27, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20202/joao-calvino/.

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Mark, Joshua J.. "João Calvino." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 27 set 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20202/joao-calvino/.

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