Guerra dos Sete Anos

A Guerra Mundial do Século XVIII
Harrison W. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
Translations 1
bookmark_addbookmark_addedGuardar Artigo headphonesVersão Áudio printImprimir picture_as_pdfPDF
Map of the Seven Years' War in Europe, 1756-1763 (by Simeon Netchev, CC BY-NC-ND)
Mapa da Guerra dos Sete Anos na Europa, 1756-1763 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

A Guerra dos Sete Anos (1756-1763) foi um conflito global travado entre as grandes potências da Europa em meados do século XVIII. Resultado de várias décadas de conflitos, foi provocada tanto por rivalidades coloniais no estrangeiro como por disputas territoriais na própria Europa. Enfrentou a Grã-Bretanha, a Prússia, Hanôver e os seus aliados contra uma coligação que incluía a França, a Áustria e a Rússia, entre outros.

A guerra — que resultou em mais de um milhão de vítimas no total, bem como numa dívida avassaladora para a maioria das nações beligerantes — culminou na vitória da aliança anglo-prussiana; de facto, a Grã-Bretanha acabou por ganhar o controlo das colónias francesas na América do Norte, enquanto a Prússia emergiu como uma potência dominante na Europa Central. A guerra não se limitou apenas à Europa, tendo sido travada em vários teatros de operações por todo o mundo. É frequentemente associada à Guerra Franco-Indígena, que decorreu em simultâneo na América do Norte, bem como à Terceira Guerra Carnática, na Índia.

Remover Publicidades
Publicidade

O Contexto

Em 1748, uma paz instável instalou-se nos impérios da Europa. Após oito longos e sangrentos anos, a Guerra da Sucessão Austríaca tinha chegado ao fim. Mas a tinta do tratado de paz mal tinha secado quando as grandes potências começaram a preparar-se para a próxima guerra. Ninguém estava satisfeito com a paz. Na Europa Central, o Reino da Prússia tinha arrancado à Áustria o controlo da lucrativa província da Silésia; Maria Teresa, a imperatriz austríaca, esperava agora pelo momento certo e reforçava os seus exércitos, à espera da oportunidade de recuperar a Silésia e humilhar a Prússia excessivamente confiante. Ao mesmo tempo, a rivalidade colonial entre a Grã-Bretanha e a França ameaçava dividir o mundo, enquanto o poder crescente do Império Russo a leste não podia ser ignorado.

A faísca não iria acender-se na Europa, mas sim nas regiões remotas da América do Norte.

O final da década de 1740 e o início da década de 1750 assistiram a uma mudança no delicado equilíbrio de poder na Europa. Temendo a agressão prussiana, a Áustria e a Rússia tinham assinado uma aliança defensiva em 1746, comprometendo-se a prestar ajuda mútua em caso de ataque. Esta aliança incluía uma cláusula secreta que devolveria a Silésia ao controlo austríaco, em caso de guerra. Foi uma jogada sensata, pois o rei Frederico II da Prússia — agora cada vez mais conhecido pelo seu apelido, Frederico, o Grande — estava, de facto, empenhado na expansão, tendo em vista o Eleitorado da Saxónia como o seu próximo alvo. Ao mesmo tempo, o rei Jorge II da Grã-Bretanha estava determinado a proteger os seus domínios no continente, incluindo o Eleitorado alemão de Hanôver, do qual era príncipe-eleitor. O barril de pólvora estava preparado e só faltava a faísca.

Remover Publicidades
Publicidade

A faísca não iria surgir na Europa, mas sim nas regiões remotas da América do Norte. Em maio de 1754, uma disputa territorial entre a Nova França e a colónia britânica da Virgínia resultou em derramamento de sangue quando uma força da milícia da Virgínia, sob o comando do coronel George Washington, emboscou a milícia canadiana em Jumonville Glen. Os franceses retaliaram perseguindo a força heterogénea de Washington e forçando a sua rendição na Batalha de Fort Necessity (3 de julho de 1754). O conflito agravou-se ainda mais no ano seguinte, quando um exército britânico inteiro foi aniquilado por combatentes franceses e indígenas nas florestas da Pensilvânia. No início de 1756, a Grã-Bretanha e a França já estavam em guerra — era apenas uma questão de tempo até que o resto da Europa fosse arrastado, contra a sua vontade, para a sua disputa.

Ambush of Jumonville
A Emboscada de Jumonville Unknown Artist (Public Domain)

Percebendo que outra grande guerra era inevitável, as grandes potências apressaram-se a formar novas alianças que melhor se alinhassem com os seus interesses, um realinhamento político conhecido como a Revolução Diplomática. Em janeiro de 1756, a Grã-Bretanha e a Prússia formaram uma aliança, prometendo ajudar-se mutuamente em caso de guerra e trazer paz e estabilidade duradouras à Europa. Em resposta, a França juntou-se à aliança austro-russa já existente em maio.

Remover Publicidades
Publicidade

As alianças estavam agora estabelecidas e a Europa prendeu a respiração à medida que a guerra colonial entre a Grã-Bretanha e a França se intensificava — a 20 de maio de 1756, as frotas britânica e francesa enfrentaram-se na Batalha de Minorca, no Mediterrâneo, aproximando a guerra de forma inquietante das costas europeias. Não querendo esperar pelo inevitável, o rei Frederico, o Grande, da Prússia, decidiu tomar a iniciativa, na esperança de aproveitar o caos para se tornar senhor da Alemanha.

Em resumo, as várias alianças e os objetivos de cada uma das principais nações incluíam:

Aliança 1: Grã-Bretanha , Prússia, Hanôver (Portugal em 1762)

Objetivos de guerra:

  • Grã-Bretanha: proteger e expandir o seu império colonial na América do Norte às custas da França e defender Hanôver na Europa Central.
  • Prússia: defender a Silésia e assumir o controlo da Saxónia, para reforçar o seu estatuto como grande potência europeia.

Aliança 2: França , Áustria, Rússia, Suécia, Saxónia (Espanha em 1762)

Objetivos de guerra:

  • França: expandir o seu império colonial na América do Norte, ao mesmo tempo que contém o poder britânico e prussiano.
  • Áustria: derrotar a Prússia e recuperar o controlo da Silésia.
  • Rússia: Impedir que a Prússia se torne demasiado poderosa.

1756: A Blitzkrieg de Frederico

A 29 de agosto de 1756, a frágil paz europeia foi abalada quando Frederico invadiu a Saxónia com 63 000 homens. Avançando em três colunas, os prussianos ocuparam rapidamente a capital, Dresden, esmagando a resistência mínima que encontraram. O pequeno exército saxão, surpreendido pela Blitzkrieg (guerra-relâmpago) de Frederico, retirou-se para sudeste, para a cidade de Pirna, para aguardar reforços — 33 000 austríacos, sob o comando do general Maximiliano Ulisses von Browne, preparavam-se para atravessar a fronteira a partir da Boémia ocupada pela Áustria, a fim de os libertar do jugo prussiano.

Remover Publicidades
Publicidade

Frederico sabia que tinha de agir rapidamente antes que os seus inimigos pudessem unir forças. Deixando para trás uma parte do seu exército para manter os saxões encurralados, invadiu a Boémia e atacou as tropas de Browne na Batalha de Lobositz (1 de outubro). A batalha, que durou um dia inteiro, foi sangrenta e renhida — os prussianos, avançando através de um nevoeiro denso, foram varridos pelo fogo devastador dos austríacos, e Frederico, temendo que o dia estivesse perdido, quase fugiu do campo de batalha. No entanto, quando o anoitecer pôs fim aos combates, foi Browne quem vacilou primeiro — ao abrigo da escuridão, o exército austríaco, maltratado, retirou-se, deixando 2 900 mortos e feridos no campo de batalha.

Frederick the Great of Prussia
Frederico, o Grande, da Prússia Wilhelm Camphausen (Public Domain)

Frederico — que tinha sofrido um número semelhante de baixas — ficou abalado com a sua quase derrota. No entanto, foi politicamente astuto o suficiente para reivindicar a vitória antes de regressar à Saxónia, capturar Pirna e alistar os soldados saxões sobreviventes no seu exército. A sua rápida invasão e ocupação da Saxónia causou um choque em toda a Europa, desencadeando os vários sistemas de alianças. A leste, a Rússia começou a mobilizar os seus exércitos, preparando-se para marchar em auxílio da Áustria. A oeste, a Grã-Bretanha preparava-se para enviar um exército para o continente a fim de proteger Hanôver da invasão francesa. A Grã-Bretanha também começou a enviar provisões e dinheiro para a Prússia.

1757: A Escalada

Na primavera seguinte, enquanto os exércitos da Europa se preparavam para a guerra, Frederico voltou a dar o primeiro passo. Na esperança de outra campanha relâmpago, invadiu a Boémia com 64 000 homens. Na Batalha de Praga (6 de maio de 1757), atacou um exército austríaco de 60 000 homens sob o comando de Browne e do Príncipe Carlos de Lorena. Ambos os lados sofreram perdas terríveis — cerca de 14 300 prussianos e 13 200 austríacos —, mas Frederico saiu vitorioso. Browne ficou mortalmente ferido e os austríacos sobreviventes foram forçados a refugiar-se atrás das muralhas de Praga. Como tinha perdido tantos homens, Frederico decidiu sitiar a cidade em vez de arriscar um assalto.

Remover Publicidades
Publicidade

Mal Frederico se tinha preparado para o cerco, soube que um novo exército austríaco, sob o comando do Conde Leopold von Daun, marchava em socorro de Praga. Frederico partiu rapidamente ao encontro do exército de Daun, na esperança de o derrotar antes que as forças austríacas se pudessem unir. Mas, desta vez, a sorte não sorriu a Alte Fritz. Na Batalha de Kolín (18 de junho) que se seguiu, os prussianos foram derrotados de forma contundente, perdendo mais 14 000 homens, contra 8 000 baixas austríacas. Foi a primeira derrota da carreira de Frederico; de coração partido, viu-se obrigado a levantar o cerco a Praga e a retirar-se completamente da Boémia.

Count Leopold Joseph von Daun
Conde Leopold Joseph von Daun Martin van Meytens (Public Domain)

Para Frederico, a derrota surgiu no pior momento possível, uma vez que agora o território prussiano estava a ser ameaçado. A leste, a Rússia tinha concluído a mobilização e enviado um exército de 83 000 homens para a Prússia Oriental. Os russos capturaram a fortaleza prussiana de Memel em julho, antes de derrotarem uma força prussiana muito mais pequena na Batalha de Gross-Jägersdorf (30 de agosto). No entanto, o ímpeto dos invasores estagnou rapidamente — os russos estavam com pouca munição, tendo gasto a maior parte das suas balas de canhão durante o cerco de Memel. Derrotado não pelos prussianos, mas pela sua própria logística deficiente, o exército russo não teve outra escolha senão recuar.

Entretanto, a guerra intensificava-se a oeste. Em junho de 1757, o general francês Louis-Charles-César le Tellier, conde d'Estrées, invadiu o território hanôveriano com 60 000 homens. Ali deparou-se com o Exército de Observação, uma força anglo-hanôveriana de 35 000 homens sob o comando de William Augustus, duque de Cumberland, um dos filhos mais novos do rei Jorge II da Grã-Bretanha. Os dois exércitos enfrentaram-se na Batalha de Hastenbeck (26 de julho), que resultou numa vitória decisiva dos franceses. Cumberland foi forçado a retirar-se para Stade, na costa do Mar do Norte, e, a 10 de setembro, assinou a Convenção de Klosterzeven, na qual concordou em dissolver o seu exército e reconhecer a ocupação francesa de Hanôver. Para a Grã-Bretanha, foi uma derrota humilhante.

Remover Publicidades
Publicidade

Depois de ter esmagado o exército de Cumberland e ocupado Hanôver, o exército francês continuou a avançar para leste, em direção ao território prussiano. Frederico estava agora a ser pressionado por todos os lados, com os austríacos a avançarem para a Silésia ocupada pela Prússia. Como um animal enjaulado, ele contra-atacou. Na Batalha de Rossbach (5 de novembro), Frederico conduziu 21 000 prussianos à vitória contra um exército franco-austríaco de 41 000 homens. Em apenas 90 minutos, os prussianos infligiram mais de 7 000 baixas ao inimigo, sofrendo apenas 550 baixas próprias. Frederico avançou então para a Silésia e derrotou uma força austríaca muito superior na Batalha de Leuthen (5 de dezembro). Estas duas vitórias salvaram a Prússia da derrota e foram consideradas por Frederico como as maiores da sua carreira.

King Frederick and His Army After the Battle of Leuthen
O Rei Frederico e o Seu Exército Após a Batalha de Leuthen Wilhelm Camphausen (Public Domain)

1758: O Armagedão na Polónia

Encorajada pelas vitórias magistrais de Frederico, a Grã-Bretanha repudiou a Convenção de Klosterzeven e enviou outro exército para o continente. Sob o comando de Fernando, duque de Brunswick, este novo exército anglo-hanôveriano atravessou o Reno e esmagou uma força francesa na Batalha de Krefeld (23 de junho). A vitória permitiu a Brunswick assumir o controlo da maior parte do noroeste da Alemanha. Entretanto, Frederico tinha dado início à sua própria campanha, sitiando a fortaleza austríaca de Olmütz. No entanto, rapidamente interrompeu o cerco para deter um novo exército russo, que tinha avançado pelo rio Oder e se dirigia rapidamente para Berlim.

Os dois exércitos enfrentaram-se na Batalha de Zorndorf (25 de agosto), na atual Polónia, que viria a revelar-se a batalha mais sangrenta da guerra. Durante o intenso dia de combates, ambos os lados ficaram sem munições e viram-se reduzidos a um brutal combate corpo a corpo. Ao cair da noite, os prussianos tinham sofrido 12 000 baixas, em comparação com cerca de 18 000 baixas russas. Os prussianos recordariam por muito tempo a ferocidade dos soldados russos. «Os corpos dos russos cobriam o campo, fila após fila», recordaria um oficial prussiano, «beijavam os seus canhões enquanto os seus corpos eram cortados em pedaços pelas nossas sabres, mas mesmo assim não recuavam» (citado em Jarymowycz, pág. 238).

Remover Publicidades
Publicidade
Charge of the Prussian Cuirassiers at the Battle of Zorndorf
Carga dos Cuirassistas Prussianos na Batalha de Zorndorf Wojciech Kossak (Public Domain)

A batalha foi inconclusiva e, apesar de terem sofrido pesadas baixas, os russos recusaram-se inicialmente a recuar. No entanto, mais uma vez foram derrotados pela logística; tendo perdido demasiados homens e munições, os russos não puderam continuar a sua invasão e foram forçados a retirar-se. Tendo afastado os russos por pouco, Frederico correu para a Saxónia mesmo a tempo de enfrentar o seu velho inimigo Leopold von Daun, que liderava uma força austríaca revigorada contra Dresden. Mas, mais uma vez, a sorte de Frederico esgotar-se-ia — na Batalha de Hochkirch (14 de outubro), Daun surpreendeu e derrotou o exército prussiano. Nessa altura, a estação estava a mudar rapidamente e Daun foi obrigado a retirar-se para os quartéis de inverno, deixando a Saxónia nas mãos dos prussianos.

1759: O Annus Mirabilis

Em 1759, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Étienne-François de Choiseul, duque de Choiseul, optou por uma estratégia agressiva. Começou a reunir tropas perto da foz do rio Loire para uma invasão das Ilhas Britânicas. No entanto, os planos ambiciosos de Choiseul iriam em breve desmoronar-se. A 1 de agosto, um exército francês de 60 000 homens foi derrotado pelas forças anglo-hanôverianas de Brunswick na Batalha de Minden, na Alemanha.

Alguns meses mais tarde, a 20 de novembro, a frota francesa foi esmagada pela Marinha Real na Batalha da Baía de Quiberon. Os franceses perderam sete navios de linha no combate, pondo fim às suas esperanças de invadir a Grã-Bretanha. Estas vitórias — a par da conquista de Quebec, na América do Norte — fizeram parte do «Annus Mirabilis» ( «Ano dos Milagres») da Grã-Bretanha, em 1759.

Aftermath of the Battle of Quiberon Bay
Consequências da Batalha da Baía de Quiberon Richard Wright (Public Domain)

Enquanto a Grã-Bretanha triunfava, a sua aliada, a Prússia, não se saía tão bem. Os austríacos e os russos tinham lançado novas invasões, tendo como alvo a capital prussiana, Berlim. Na esperança de ganhar tempo, Frederico enviou um corpo de exército para conter os russos, mas as suas forças foram derrotadas na Batalha de Kay (23 de julho). Três semanas depois, Frederico enfrentou um exército conjunto austro-russo na Batalha de Kunersdorf (12 de agosto), a apenas 50 milhas de Berlim.

Remover Publicidades
Publicidade

Para Frederico, a batalha foi um desastre — em seis horas, perdeu 18 000 homens, cerca de metade de todo o seu exército. Durante a retirada, o rei prussiano entrou em depressão, chegando a considerar a abdicação e até mesmo o suicídio. A situação não melhorou quando Daun voltou a marchar para a Saxónia e assumiu o controlo de Dresden, libertando a cidade após três anos de ocupação prussiana. No entanto, para Frederico, o lado positivo foi que a própria Berlim permaneceu intocada pelos exércitos inimigos — pelo menos por enquanto.

1760-61: A Prússia em Perigo

Os austríacos e os russos, na esperança de capitalizar o sucesso do ano anterior, decidiram concentrar os seus esforços na reconquista da Silésia. Na Batalha de Landshut (23 de junho), os austríacos infligiram aos prussianos uma derrota dolorosa antes de capturarem o bastião de Glatz. Frederico marchou para a Silésia e enfrentou os austríacos na Batalha de Liegnitz (15 de agosto), obtendo uma vitória decisiva apesar de estar em desvantagem numérica de três para um. Foi um sucesso muito necessário, mas deixou o caminho para Berlim totalmente aberto; a 8 de outubro, um destacamento russo entrou na capital prussiana sem encontrar resistência.

Capture of Berlin, 1760
A Tomada de Berlim, 1760 Alexander von Kotzebue (Public Domain)

Os russos não conseguiram manter o controlo da cidade e evacuaram-na cinco dias depois, mas o simples facto de Berlim ter caído nas mãos do inimigo constituía uma humilhação que não podia repetir-se. Frederico, precisando de recuperar o seu prestígio militar, enfrentou o seu velho inimigo Daun na Batalha de Torgau (3 de novembro). Foi uma vitória prussiana decisiva, mas dispendiosa — Frederico perdeu 13 000 homens, em comparação com 11 000 baixas de Daun. Entretanto, na Alemanha, os franceses tentaram mais uma vez capturar Hanôver, mas foram derrotados pelo exército anglo-hanôveriano de Brunswick na Batalha de Warburg (31 de julho).

Os frutos desta vitória foram postos em causa no outono seguinte, quando, a 25 de outubro, o rei Jorge II faleceu. O seu neto e sucessor, Jorge III da Grã-Bretanha, estava muito menos preocupado em proteger Hanôver e não queria continuar a conceder subsídios à Prússia. Isto poderia revelar-se desastroso — sem o dinheiro britânico, a Prússia seria incapaz de continuar a lutar. O seu exército estava bastante enfraquecido e a maioria dos soldados prussianos eram agora recrutas inexperientes. Para Frederico, o tempo estava a esgotar-se. Felizmente para ele, os seus inimigos estavam igualmente exaustos.

No início de 1761, os prussianos lançaram vários ataques bem-sucedidos contra bases de abastecimento russas na Polónia, na esperança de diminuir a capacidade da Rússia para continuar a lutar. Esta estratégia, no entanto, não conseguiu impedir que os russos sitiaram a fortaleza prussiana de Kolberg, que caiu a 16 de dezembro; a perda de Kolberg privou os prussianos do acesso ao Mar Báltico.

Entretanto, a oeste, o exército anglo-hanôveriano de Brunswick obteve uma vitória gloriosa, derrotando 90 000 soldados franceses na Batalha de Villinghausen (15-16 de julho de 1761). No entanto, nem mesmo isto conseguiu influenciar o novo rei ou o Parlamento, que se mostrava cada vez mais cansado da guerra; com toda a Nova França agora nas mãos dos britânicos, viam poucas razões para continuar a lutar no continente e começaram a pressionar Frederico para que pusesse fim à guerra.

Remover Publicidades
Publicidade

1762: A Guerra Chega ao Fim

Em janeiro de 1762, ocorreram dois acontecimentos que alteraram o rumo de toda a guerra. O primeiro ocorreu a 4 de janeiro, quando a Grã-Bretanha declarou guerra à Espanha — os britânicos, eufóricos com a vitória no Novo Mundo, esperavam punir a Espanha pelo seu antigo apoio à França e desejavam também assumir o controlo das lucrativas colónias espanholas nas Caraíbas. Portugal, o mais antigo aliado da Grã-Bretanha, seguiu o exemplo e também declarou guerra à Espanha.

Embora Frederico não tenha conseguido expandir significativamente as fronteiras da Prússia, derrotou duas grandes potências europeias.

O outro acontecimento importante ocorreu no dia seguinte, 5 de janeiro, quando a imperatriz Isabel I da Rússia faleceu. O seu sucessor, Pedro III da Rússia, era um prussófilo que idolatrava Frederico e se tinha oposto à guerra. Em maio, Pedro III fez as pazes com a Prússia e retirou a Rússia da guerra. Foi um golpe de sorte tremenda para Frederico, que agora só tinha de enfrentar os austríacos.

Frederico concentrou todo o seu exército de 120 000 homens e avançou para a Silésia, decidido a expulsar os austríacos de uma vez por todas. Reconquistou a fortaleza de Schweidnitz em outubro, no mesmo mês em que o seu irmão, o príncipe Henrique, se cobriu de glória com uma vitória na Batalha de Freiberg (29 de outubro). Em novembro, os prussianos tinham recuperado o controlo da Silésia; nesse mesmo mês, a Áustria, exausta pela guerra, pediu finalmente um cessar-fogo.

Entretanto, na Península Ibérica, os espanhóis invadiram Portugal e tomaram a fortaleza de Almeida. Nos meses seguintes, Portugal tornou-se palco de uma violenta guerra de guerrilha. Enquanto os portugueses pagavam o preço com sangue, os britânicos colhiam os frutos, capturando a cidade espanhola de Havana, em Cuba.

1763: A Paz e as Consequências

No início de 1763, a guerra estava praticamente terminada. A Grã-Bretanha tinha vencido na América do Norte e na Alemanha, enquanto a Prússia tinha derrotado os seus inimigos a leste. Foram assinados dois importantes tratados de paz. A 10 de fevereiro de 1763, foi assinado o Tratado de Paris entre a Grã-Bretanha, a França, Hanôver e a Espanha. O principal resultado deste tratado foi que a França cedeu todo o seu território na América do Norte continental à Grã-Bretanha e concordou em evacuar Hanôver. A Grã-Bretanha, tendo alcançado todos os seus objetivos de guerra, emergiu, assim, como senhora da América do Norte.

Allegory of the Treaty of Hubertusburg
Alegoria do Tratado de Hubertusburgo Johann David Schleuen (Public Domain)

O Tratado de Hubertusburg, assinado entre a Áustria, a Prússia e a Saxónia, foi concluído cinco dias depois, a 15 de fevereiro. Este tratado limitou-se a confirmar o status quo anterior à guerra, o que significava que todos os territórios conquistados seriam devolvidos aos seus proprietários de antes da guerra. Na prática, isto significava que a Áustria renunciava às suas reivindicações sobre a cobiçada Silésia, que permaneceu nas mãos da Prússia. Embora Frederico não tenha conseguido expandir significativamente as fronteiras da Prússia, tinha sobrevivido a uma luta existencial e derrotado duas grandes potências europeias. A Prússia, assim, tinha finalmente completado a sua transformação de um lugar remoto de terceira categoria numa grande potência europeia.

A Guerra dos Sete Anos tinha sido, até então, o conflito mais sangrento e de maior alcance do século XVIII. Tinha resultado em mais de um milhão de mortos, tanto militares como civis, e acumulado uma dívida colossal para todos os principais beligerantes; esta dívida contribuiria diretamente tanto para a Revolução Americana como para a Revolução Francesa, mais tarde nesse século. Testemunhou a ascensão da Grã-Bretanha e da Prússia, alterando o equilíbrio de poder global e preparando o terreno para os conflitos ainda mais sangrentos que iriam assolar o continente nas décadas seguintes.

Remover Publicidades
Publicidade

Perguntas & Respostas

O que foi a Guerra dos Sete Anos?

A Guerra dos Sete Anos foi um grande conflito mundial que opôs a Grã-Bretanha e a Prússia à França, à Áustria e à Rússia. Conduziu à ascensão britânica na América do Norte e ao domínio prussiano na Europa Central.

A Guerra dos Sete Anos foi uma guerra mundial?

A Guerra dos Sete Anos é, por vezes, considerada uma guerra mundial, uma vez que foi um dos primeiros grandes conflitos a ser travado em quase todos os continentes.

Quem deu início à Guerra dos Sete Anos?

A Guerra dos Sete Anos remonta a 1754, quando George Washington emboscou os franceses em Jumonville Glen. No entanto, o seu início mais imediato ocorreu em agosto de 1756, quando Frederico, o Grande, invadiu a Saxónia.

Sobre o Tradutor

Sobre o Autor

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, H. W. (2026, novembro 02). Guerra dos Sete Anos: A Guerra Mundial do Século XVIII. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19622/guerra-dos-sete-anos/

Estilo Chicago

Mark, Harrison W.. "Guerra dos Sete Anos: A Guerra Mundial do Século XVIII." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, novembro 02, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19622/guerra-dos-sete-anos/.

Estilo MLA

Mark, Harrison W.. "Guerra dos Sete Anos: A Guerra Mundial do Século XVIII." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 02 nov 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19622/guerra-dos-sete-anos/.

Remover Publicidades