Quederico I

Harrison W. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
Translations
Versão Áudio Imprimir PDF
Childeric I (by Jean Dassier, Public Domain)
Quederico I Jean Dassier (Public Domain)

Quederico I (reinou por volta de 458-481) foi um rei da antiguidade tardia dos francos sálios durante o período da queda do Império Romano do Ocidente. O reinado de Quederico consolidou os sálios como uma tribo franca dominante e ajudou a abrir caminho para a unificação dos francos sob o comando do seu filho e sucessor, Clóvis I (reinou 481-511), fundador da dinastia merovíngia.

Quederico governou um território que correspondia, grosso modo, à antiga província romana da Belgica Secunda, uma região que se estendia de Tournai e Cambrai, no norte, até ao Somme, no sul. Os detalhes do seu governo permanecem obscuros, mas ele está intimamente associado às campanhas militares romanas ao longo do rio Loire e ao general romano Egídio, que derrotou os visigodos na Batalha de Orleães no ano de 463. A natureza exata da relação de Quederico com os romanos permanece desconhecida; ele poderia ter sido um cliente romano, um aliado, ou poderá nunca ter estado alinhado com eles.

Remover Publicidades
Publicidade

Quederico I reinou como um dos primeiros reis merovíngios a fazer a ponte entre duas eras: o período de domínio romano na Gália, quando os francos atuavam alternadamente como aliados e inimigos de Roma, e o período de unidade e expansão franca, um processo que foi iniciado por Clóvis.

O Contexto: Romanos e Francos

A relação entre o Império Romano e as tribos francas era complicada e estava em constante mutação. Os francos entraram nos anais romanos como inimigos durante o final do século III, participando em incursões violentas e destrutivas em território romano. Tornaram-se uma pedra no sapato de Roma ao ponto de exigirem a atenção dos imperadores, tendo o final do século III e o início do século IV testemunhado várias campanhas bem-sucedidas contra os francos, conduzidas primeiro pelo imperador romano Maximiano (reinou 286-305) e, mais tarde, por Constâncio Cloro (reinou 305-306). Este último decidiu estabelecer prisioneiros de guerra francos em território romano como laeti, ou estrangeiros a quem eram concedidas terras em troca de serviço militar.

Remover Publicidades
Publicidade
Por volta dos anos 400, um grande número de francos tinha-se estabelecido na Gália como foederati.

Devido à presença dos laeti e de certas tribos estabelecidas em solo romano sob tratados semelhantes de foederati, vários francos, a título individual, embarcaram em longas e bem-sucedidas carreiras no exército romano. Começando provavelmente durante o reinado de Constantino, o Grande (reinou 306-337), homens de ascendência franca começaram a alcançar altos cargos no seio do Império Romano. Merobaudes, por exemplo, foi um franco que se tornou cônsul pelo menos duas vezes no Ocidente, enquanto Silvano foi um general franco que apoiou Constantino na guerra civil contra Licínio, mas que acabou por ser morto mais tarde após tentar usurpar o trono. Arbogasto, que tinha pai franco, chegou a governar o Império Romano do Ocidente em tudo menos no nome, supervisionando tarefas administrativas e prestando poucas contas ao imperador Valentiniano II (reinou 375-392) — o qual, curiosamente, morreu pouco tempo depois de tentar, sem sucesso, afastar Arbogasto do poder. O próprio Arbogasto foi morto na Batalha do Rio Frígido, em 394, enquanto combatia um exército romano do Oriente comandado por Estilicão, outro general bárbaro.

O sucesso destes francos individuais pouco fez pelo povo franco como um todo. Homens como Merobaudes e Arbogasto tinham-se tornado demasiado romanizados para se importarem com os interesses do seu povo, que consideravam bárbaro. No entanto, a incursão de soldados francos na estrutura de poder romana refletia a prevalência de tribos francas em solo romano; os francos sálios fizeram as pazes com Roma em 358 e receberam, subsequentemente, terras para se fixarem a oeste do curso inferior do Reno. Da mesma forma, os francos ripuários (ou renanos) poderão ter celebrado um acordo semelhante com Roma para defender o curso médio do Reno em troca de terras nessa região, centrando o seu território em torno de Colónia.

Remover Publicidades
Publicidade
Mapa do Período das Migrações na Europa nos Séculos IV–VI
Período de Migração na Europa Durante os séculos IV e V Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Estes acordos tinham, sem dúvida, vantagens para Roma; em 451, os francos combateram ao lado do general romano Flávio Écio contra os hunos na Batalha dos Campos Cataláunicos e ajudaram a pôr fim à ameaça huna na Europa Ocidental. Mas o efeito secundário não intencional foi que o Império Romano do Ocidente se estava a tornar menos romano, à medida que a linha sagrada entre a "civilização" e o "bárbaro" ficava cada vez mais esbatida. Descobertas de cemitérios francos sugerem que, por volta dos anos 400, um grande número de francos se tinha estabelecido na Gália romana como foederati, trazendo consigo as suas mulheres e filhos. À medida que o controlo romano sobre a Gália se afrouxava, tornava-se mais claro que os francos tinham vindo para ficar.

Os Sálios

Antes da época de Clóvis I, os francos não eram um povo unificado, mas sim uma confederação de tribos. Algumas tribos aliavam-se a Roma, combatendo nos exércitos romanos como foederati, enquanto outras continuavam a saquear as fronteiras do império; tais divisões eram motivadas tanto por rivalidades intertribais como pelo desejo de terras ou de pilhagem. Uma tribo, os sálios (ou salii), tinha sido estabelecida no Império Romano pelo imperador Juliano em 358 e concordou em defender o território romano contra incursões bárbaras, o que significava que os sálios pegavam frequentemente em armas contra os seus companheiros francos.

Durante este período, os sálios expandiram o seu controlo, tomando as cidades de Cambrai e Tournai e aumentando o seu território para sul até ao Somme. Liderados pelo semimítico Clódio, os sálios desafiaram descaradamente o poder dos seus benfeitores romanos e saquearam a civitas de Arras, forçando Écio a travar as suas ambições ao derrotá-los em batalha em 450. No ano seguinte, os sálios combatiam uma vez mais ao lado dos romanos, tendo respondido ao apelo às armas de Écio na batalha contra os hunos. Após o assassinato de Écio em 454, a autoridade romana do Ocidente na Gália desmoronou-se rapidamente e tribos como os sálios ficaram cada vez mais por sua conta. Os cidadãos galo-romanos, necessitados de proteção e emprego, começaram a olhar para as nações foederati locais em vez de olharem para o instável e distante império como base de autoridade.

Remover Publicidades
Publicidade
Army of Attila the Hun
Exército de Átila, o Huno The Creative Assembly (Copyright)

Esta era a condição da Gália romana durante a vida de Meroveu, um líder dos francos sálios que tinha combatido os hunos nos Campos Cataláunicos. O seu filho, Quederico, poderá também ter participado na batalha. Quando Meroveu morreu, provavelmente por volta de 458, Quederico ascendeu ao trono sálio. Nesta altura, os sálios já eram a tribo franca mais dominante, ocupando as terras entre o Somme e a costa flamenga. No entanto, os inimigos estavam por todo o lado, à medida que tribos rivais e pequenos reinos lutavam para arrebatar os fragmentos do estilhaçado Império Romano.

O Exílio de Quederico

Quederico I nasceu por volta de 436 e sucedeu ao trono em aproximadamente 458. De acordo com os cronistas Gregório de Tours e Fredegário, o seu reinado não começou da melhor forma. Gregório descreve Quederico como um homem dissoluto cuja vida privada era "uma longa devassidão" (128). Quederico conseguiu ofender os seus súbditos ao fazer pouco mais do que seduzir as filhas destes, o que os levou a revoltar-se contra ele e a expulsá-lo do reino. Antes de partir para o exílio, Quederico encarregou um dos seus seguidores mais leais, Viomado, de permanecer no reino e acalmar os ânimos dos sálios com as suas "palavras melosas". Quederico e Viomado partiram uma moeda ao meio e cada um ficou com uma parte; Viomado deveria enviar a Quederico a sua metade da moeda assim que fosse seguro para ele regressar.

Quederico exilou-se na Turíngia como convidado do rei Bisino, onde permaneceria durante oito anos. Entretanto, os francos sálios elegeram o general romano Egídio como seu rei. Contudo, Viomado, fiel à sua promessa, usou as suas capacidades de persuasão para virar os sálios contra Egídio e fazê-los lembrar-se com saudade do seu antigo rei Quederico. Eventualmente, os francos passaram não só a perdoar Quederico, mas também a exigir o seu regresso ao trono. Ao saber disto, Viomado enviou a Quederico a outra metade da moeda, e o rei regressou do seu exílio para reivindicar o seu reino.

Remover Publicidades
Publicidade
Childeric and Basina
Quederico e Basina Charles Moench (Public Domain)

Após a restauração de Quederico, este foi abordado por Basina, rainha dos turíngios e esposa do seu antigo anfitrião Bisino. Basina proclamou que tinha seguido Quederico até Tournai porque ficara impressionada com a sua audácia e poder, e que o queria como seu novo marido. Quederico e Basina casaram-se pouco tempo depois. O cronista Fredegário regista que, na noite de núpcias, Basina enviou Quederico a olhar lá fora, onde ele viu uma procissão de animais: primeiro surgiram bestas poderosas como leões e unicórnios, depois vieram ursos e lobos e, finalmente, cães sarnentos. Isto destinava-se a simbolizar a degeneração contínua dos descendentes de Quederico, os reis merovíngios, de governantes semelhantes a leões para cães impotentes.

Quederico e Egídio

A história do exílio parece estar mais enraizada no mito do que na realidade e é categoricamente rejeitada por alguns académicos como ficção. No entanto, como sugere o historiador Edward James, podem encontrar-se fragmentos de verdade histórica dentro deste "conto de fadas" (pág. 68), particularmente no que diz respeito aos laços de Quederico com Roma. A eleição do general romano Egídio como rei dos francos pode sugerir uma relação contínua entre os francos e o moribundo Império Romano do Ocidente, mesmo já na década de 460. Egídio tinha sido nomeado magister militum (mestre dos soldados) da Gália pelo imperador romano do Ocidente Maioriano (reinou 457-461) e, como tal, teria representado o minguante poder de Roma na Gália. Talvez, sob o comando do rei Quederico, os francos estivessem submetidos ou fossem aliados de Roma, embora não existam provas concretas disso.

Os historiadores que apoiam a teoria da relação de Quederico com Roma citam fontes que alegam a participação franca nas campanhas de Egídio. Estas campanhas começaram quando o imperador Maioriano foi assassinado em 461; o culpado, um general germânico romanizado chamado Ricimero, instalou o senador Líbio Severo para ser o seu imperador marioneta. Contudo, os antigos generais de Maioriano recusaram-se a reconhecer o governo de Severo, tendo o próprio Egídio prometido marchar sobre a Itália para vingar a morte de Maioriano. Ele foi impedido de o fazer pelos visigodos, que invadiram a Gália, talvez instigados por Ricimero. Em 463, Egídio enfrentou os visigodos em batalha perto de Orleães, o que resultou numa dispendiosa vitória romana e na morte do comandante visigodo, Frederico. Algumas fontes afirmam que o exército de Egídio foi reforçado por soldados francos, que poderão ter sido liderados pelo próprio rei Quederico. Gregório de Tours refere, em termos vagos, que Quederico travou "uma batalha em Orleães", o que é interpretado por alguns historiadores como uma referência à batalha de 463 (pág. 132).

Remover Publicidades
Publicidade
Signet Ring of Childeric I
Anel Sinete de Quederico I Unknown (Public Domain)

Gregório de Tours também refere, novamente em termos vagos, que Quederico esteve envolvido numa batalha com um certo conde Paulo, que comandava romanos e francos. O conde Paulo foi morto e Quederico tomou a cidade de Angers. O cronista Fredegário, que se baseou na obra de Gregório, assumiu que isto significava que Quederico tinha morto o conde Paulo — algo que os académicos modernos rejeitaram com base no argumento de que Quederico era um aliado romano e, por conseguinte, estaria do mesmo lado que o conde Paulo. Mais uma vez, não existem provas concretas de que Quederico fosse um aliado romano; mas, como observa James, mesmo que o fosse, esta interpretação não é incoerente. A fação de romanos de Egídio e a fação de romanos de Ricimero estavam em conflito, o que significa que, se Quederico fosse de facto um aliado de Egídio, poderá ainda assim ter combatido romanos aliados a Ricimero (James, pág. 69).

Em todo o caso, Egídio morreu em 465, ou numa emboscada ou enquanto estava na prisão. De acordo com Gregório de Tours, ele deixou um filho, Siágrio, que governou o Reino de Soissons. A natureza exata do "reino" de Siágrio é desconhecida, mas tratava-se provavelmente de um Estado remanescente galo-romano que se fragmentou durante o colapso do Império Romano do Ocidente. Fosse o que fosse o Reino de Soissons, parece ter ajudado a travar a expansão do poder de Quederico, impedindo-o de se expandir para sul da antiga província da Belgica Secunda. Siágrio seria mais tarde derrotado e morto pelo filho de Quederico, Clóvis.

O Reinado Posterior

Quederico teve pelo menos quatro filhos identificados nos registos históricos. Clóvis I foi o seu único filho homem (de que se tem conhecimento) e era também filho da rainha Basina. Audofleda, nascida por volta de 467, tornou-se rainha dos ostrogodos quando se casou com Teodorico, o Grande (reinou 493-526) por volta de 493. Mais duas filhas, Lantequilda e Albofleda, são também mencionadas por Gregório de Tours como tendo-se convertido ao cristianismo niceno na mesma altura em que o seu irmão Clóvis foi batizado.

Remover Publicidades
Publicidade
Baptism of Clovis I
Batismo de Clovis I Pethrus (Public Domain)

No Livro II da sua Historiarum Libri Decem (História dos Francos), Gregório de Tours refere que, algum tempo após a morte de Egídio, um grupo de saxões sob o comando de um certo Odoacro penetrou na Gália até Angers, de onde levou cativos. Enquanto os romanos repeliam os saxões, os francos (aparecendo, mais uma vez, a agir como aliados dos romanos) capturaram ilhas controladas pelos saxões no rio Loire. No capítulo seguinte, Gregório mostra Quederico a celebrar um tratado de aliança com um Odoacro (não sendo claro se se trata do mesmo homem que liderou os saxões) contra os alanos, que tinham invadido parte da Itália. Juntos, Quederico e Odoacro derrotaram os alanos e expulsaram-nos de Itália.

Alguns historiadores especularam que Gregório se estaria a referir ao mesmo Odoacro que derrubou Rómulo Augustulo e se tornou rei da Itália em 476; o que Odoacro, de possível ascendência huna e escira, estaria a fazer à frente de um bando de saxões permanece um mistério. Foi sugerido que o Odoacro que liderou os saxões contra Angers e o Odoacro que se aliou a Quederico contra los alanos eram, na verdade, duas pessoas diferentes. Em todo o caso, James observa que estas negociações com Odoacro apoiam a conclusão de que:

Quederico e os seus francos estavam, de facto, a desempenhar um papel importante no Império nas décadas de 460 e 470, e não, como a maioria dos historiadores tem defendido, a gastar o seu tempo em escaramuças sem importância perto do Loire

(pág.70).

O poder de Quederico é exemplificado pelo hagiógrafo da Vita Sanctae Genovefae Virginis Parisiorum (Vida de Santa Genoveva), escrita no século VI, que afirma que Quederico cercou Paris ao longo de um período de dez anos. Embora James mencione que este "cerco" poderá ter sido nada mais do que a ocupação, por parte dos soldados de Quederico, das terras que circundavam Paris, ele demonstra ainda assim o crescimento do poder franco sob o governo de Quederico e a expansão da influência sália.

Quederico tinha construído igrejas e concedido-lhes imunidades, provavelmente por razões puramente políticas, de modo a apaziguar os súbditos galo-romanos dos francos.

A Vida de Santa Genoveva prossegue mencionando que o "pagão Quederico" amava Santa Genoveva "com uma veneração que não consigo exprimir" (James, 66). Embora possa parecer estranho que um rei pagão tivesse venerado uma santa cristã, existem indícios que sugerem que Quederico era um político suficientemente pragmático para se manter em bons termos com os cristãos. Numa famosa carta escrita pelo bispo Remígio de Reims a um jovem Clóvis I aquando da sua coroação, Remígio aconselha Clóvis a ouvir sempre o conselho dos "vossos bispos", tal como o seu pai fizera, sugerindo que Quederico tinha atendido aos conselhos do clero cristão local. Num texto jurídico escrito durante o reinado do neto de Quederico, Clotário I, afirmava-se que Quederico tinha inclusivamente construído igrejas e concedido-lhes imunidades. Como escreve James, isto foi provavelmente feito por razões puramente políticas, para apaziguar os súbditos galo-romanos os francos; os próprios francos não se converteriam ao cristianismo até ao reinado do rei Clóvis.

Remover Publicidades
Publicidade

Outra suposição que se pode fazer a partir da carta do bispo Remígio é que o reinado de Quederico foi longo. O bispo escreve ao jovem Clóvis:

Chegou até nós um forte rumor de que assumistes a administração da Segunda Província Bélgica. Não há nada de novo no facto de começardes agora a ser o que os vossos pais sempre foram.

(James, pág. 65).

James acredita que o uso da palavra "sempre" implica que Quederico tinha governado a Belgica Secunda durante muito tempo. O rei Quederico I morreu em 481 e deixou o seu reino a Clóvis, que utilizaria as bases lançadas pelo seu pai para unificar todos os francos sob a sua bandeira.

O Tesouro de Quederico

O túmulo do rei Quederico foi descoberto em 1653, perto de Tournai, na atual Bélgica. A sepultura é uma das mais ricas sepulturas reais do início do período medieval, contendo armas, joias e grandes quantidades de moedas romanas. Destacavam-se várias abelhas, ou cigarras, de ouro, que tinham talvez sido usadas para adornar um manto; muito mais tarde, durante o Primeiro Império Francês (1804-1814, 1815), as abelhas de Quederico foram adotadas como símbolos heráldicos pelo imperador Napoleão I para substituir a flor-de-lis capetiana. Uma pequena cabeça de touro em ouro também foi descoberta no túmulo de Quederico, bem como o anel de sinete do rei e um broche romano no estilo dos usados pelos altos funcionários romanos. A descoberta deste broche confere credibilidade à alegação de que Quederico terá, de facto, atuado como funcionário romano em alguma qualidade.

Childeric's Bees
As Abelhas de Quederico Bibliothèque nationale de France (Public Domain)

O tesouro do túmulo de Quederico foi guardado na biblioteca real francesa, mas fez parte dos cerca de 80 quilos de tesouro roubados da biblioteca em novembro de 1831. Algumas peças do tesouro, incluindo duas das abelhas, foram recuperadas do local onde tinham sido escondidas no rio Sena. Mas, infelizmente, o resto do tesouro de Quederico perdeu-se e é hoje conhecido apenas através dos registos meticulosos que foram feitos aquando da descoberta do túmulo.

Conclusão

A natureza exata do reinado do rei Quederico I é difícil de analisar, obscurecida como está pelo nevoeiro da história. Quer Quederico tenha atuado como um rei cliente romano, quer como um governante autónomo por direito próprio, ou quer se situasse num ponto intermédio, é claro que o seu reinado marcou uma ponte entre duas eras: o período do minguante domínio romano, quando os francos e os romanos lutavam alternadamente entre si e uns ao lado dos outros, e o período do domínio merovíngio, quando os francos se tornaram o mais poderoso dos reinos sucessores bárbaros.

Remover Publicidades
Publicidade

Perguntas & Respostas

Quem foi o rei Quederico I ?

O rei Quederico I (cerca de 436-481) foi um dos primeiros reis merovíngios e um líder dos francos sálios, e pai de Clóvis I.

O que fez o rei Quederico I ?

O rei Quederico I expandiu o poder e a influência dos francos sálios em meados e no final do século V. É possível que tenha atuado como aliado dos romanos durante as últimas décadas do Império Romano do Ocidente.

Quem era a rainha Basina?

A rainha Basina, originalmente rainha da Turíngia, era consorte do rei Quederico I e mãe do rei Clóvis I, sendo, por isso, membro da dinastia merovíngia por casamento. Abandonou o seu primeiro marido para se casar com Quederico, que a impressionou pela sua ousadia e poder.

Sobre o Tradutor

Sobre o Autor

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, H. W. (2026, julho 04). Quederico I. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17547/quederico-i/

Estilo Chicago

Mark, Harrison W.. "Quederico I." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 04, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17547/quederico-i/.

Estilo MLA

Mark, Harrison W.. "Quederico I." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 04 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17547/quederico-i/.

Remover Publicidades