O Período das Migrações na Europa, por voltas dos séculos IV–VI, marca uma era prolongada de movimentos, conflitos e transformações políticas, mais do que um momento único de colapso. Após a morte do imperador Teodósio I (reinou 379–395) e a divisão permanente do Império Romano em 395, intensificam-se as pressões ao longo das fronteiras de Roma: uma combinação de fraqueza interna; desgaste económico; e deslocações externas (com particular destaque para o avanço para ocidente dos povos das estepes) empurrou grupos como os godos, vândalos, francos, saxões, entre outros, para o interior do território imperial. Estes movimentos não se limitaram a "invadir" Roma, mas interagiram com as estruturas romanas existentes, acelerando a erosão da autoridade centralizada no Império Romano do Ocidente.
No final do século V, o poder imperial no Ocidente tinha-se fragmentado numa colcha de retalhos de reinos sucessores, estabelecidos em antigas terras romanas. A deposição de Rómulo Augústulo em 476 por Odoacro é tradicionalmente utilizada para marcar o fim do Império Romano do Ocidente, embora muitas instituições romanas tenham persistido sob os novos governantes. O breve domínio do Império Húnico sob o comando de Átila (reinou 434–453) reconfigurou o equilíbrio de poder em toda a Europa Central antes do seu rápido colapso. Em contraste, o Império Romano do Oriente (Bizantino), governado a partir de Constantinopla, sobreviveu e adaptou-se, mantendo a continuidade imperial durante séculos. O Período das Migrações representa, assim, uma transição do domínio imperial romano para as ordens políticas da Alta Idade Média, lançando as bases para novas identidades, reinos e para a longa transformação da Europa, em vez de uma "queda" repentina no caos.

