Época Baixa do Antigo Egipto

O Fim do Domínio Egípcio no Egipto
Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Head of King Nectanebo I or II (by Osama Shukir Muhammed Amin, Copyright)
Cabeça do Rei Nectanebo I ou II Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

A Época Baixa do Egipto (525–332 a.C.) constitui o período que sucede à Terceira Época Intermédia (1069–525 a.C.) e precede o breve período helenístico (332–323 a.C.), durante o qual o Egipto foi governado pelos oficiais argéadas instalados por Alexandre, o Grande, antes da ascensão da Dinastia ptolemaica de matriz macedónica-grega (323–30 a.C.). Esta era é frequentemente ignorada ou, por vezes, agregada à Terceira Época Intermédia, dado que, à semelhança daquela, é interpretada como o declínio final da cultura egípcia após a primeira invasão persa de 525 a.C. Embora seja um facto que os persas governaram o Egipto durante a XXVII e a XXXI dinastias, a cultura egípcia manteve-se muito viva, e a XXX Dinastia de governantes egípcios devolveu ao Egipto um breve período do seu esplendor anterior antes do regresso dos persas.

Esta era compreende as dinastias XXVII a XXXI do Egipto, embora esta designação seja contestada. Alguns investigadores datam o início da Época Baixa de meados da XXV Dinastia ou do início da XXVI, por razões diversas. Aqueles que optam por meados da XXV Dinastia sustentam a existência de uma semelhança distinta entre as condições sociais e políticas daquela época e a anterior Terceira Época Intermédia, ao passo que aqueles que apontam a XXVI Dinastia como o início da Época Baixa destacam Psamético I e a sua unificação do Egipto após a conquista assíria. A Terceira Época Intermédia foi uma era de desunião, marcada pela ausência de um governo central; por conseguinte, estes investigadores argumentam que o reinado de Psamético I encerra esse período e inicia o seguinte.

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Estas alegações, contudo, ignoram a clara demarcação do fim da XXVI Dinastia com a primeira invasão persa sob Cambises II (525–522 a.C.) e o papel significativo que os governantes persas desempenharam na história egípcia até ao momento em que o seu império foi conquistado e o Egipto tomado por Alexandre, o Grande. Datar o início da Época Baixa antes de 525 a.C. faz pouco sentido se considerarmos a uniformidade das outras designações da história egípcia.

A Natureza da Terceira Época Intermédia

As designações destas épocas (Período Pré-dinástico, Período Dinástico Inicial, Império Antigo, Primeira Época Intermédia, Império Médio, etc.) foram criadas por egiptólogos nos séculos XIX e XX para ajudar a clarificar o estudo da longa história do país e não foram escolhidas arbitrariamente. Existem razões claras pelas quais uma era de governo central forte ("Império") é separada de uma era de governação descentralizada e desunião ("Época Intermédia").

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Em cada caso, prevaleceu uma entidade política, social e cultural muito clara, que se distinguia da que a precedeu ou sucedeu. Este mesmo paradigma deveria ser observado ao considerar a Época Baixa; a única razão para tal não suceder é que a Terceira Época Intermédia é, com frequência, considerada o epílogo da história egípcia, sendo a Época Baixa meramente uma triste extensão de um longo declínio, que termina com a conquista da Pérsia por Alexandre.

A Época Baixa foi uma era de grandes realizações e assistiu a uma renovação do nacionalismo e orgulho egípcios, patentes nas suas tentativas de repelir o domínio persa e recuperar a autonomia.

A resistência egípcia ao domínio persa é, contudo, evidente ao longo de todo o período e, além disso, o Egipto prosperou sob o domínio persa, uma vez que os xás persas admiravam a cultura egípcia. Líderes egípcios como Amirteo (404–398 a.C.), da XXVIII Dinastia, Nectanebo I (380–362 a.C.) e Nectanebo II (360–343 a.C.) governaram o país, comandaram os seus exércitos e dedicaram-se a projetos de construção, em consonância com os grandes faraós do passado.

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A arquitetura egípcia da Época Baixa evocava deliberadamente a vasta história do Egipto e, tal como na Primeira Época Intermédia, permitiu a expressão individual do artista e da região específica, em vez de uma visão estatal da obra. Embora a Época Baixa não possa gabar-se do número de monumentos ou edifícios do passado egípcio, restam ainda algumas obras impressionantes, e os faraós da XXX Dinastia podiam ombrear com quase qualquer dinastia do passado egípcio, exceto, talvez, a IV, a XII e a XVIII.

A arte da Época Baixa inspirou-se em épocas anteriores, como o Império Antigo e o Império Médio, mas foi concedida aos artistas uma expressão mais livre. Criou-se uma estatuária mais realista e realizaram-se trabalhos de excelência em metais, ouro, prata e bronze. Os rituais funerários egípcios continuaram a ser observados de forma mais ou menos igual à que sempre fora, e as crenças religiosas do Egipto foram mantidas.

Mesmo sob o domínio persa, não houve qualquer interrupção na religião egípcia — ao contrário das afirmações feitas por Heródoto e outros escritores gregos — e os persas, na verdade, incentivaram a cultura e a religião egípcias. Longe de ser um período negro de opressão e declínio, a Época Baixa foi uma era de grandes realizações e assistiu a uma renovação do nacionalismo e orgulho egípcios, patentes nas suas tentativas de repelir o domínio persa e recuperar a autonomia.

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A Invasão Persa de 525 a.C.

Segundo Heródoto, Cambises II da Pérsia invadiu o Egipto devido a um insulto por parte do faraó egípcio Amásis, da XXVI Dinastia. Cambises escreveu a Amásis solicitando uma das suas filhas como esposa, mas Amásis, não desejando cumprir o pedido, enviou a filha do seu predecessor, Apries. A jovem sentiu-se insultada com esta decisão — especialmente porque a tradição ditava que as mulheres egípcias não eram entregues a reis estrangeiros — e, quando chegou à corte de Cambises, revelou a sua verdadeira identidade. Cambises acusou Amásis de lhe ter enviado uma "esposa falsa" e mobilizou as suas tropas para invadir o Egipto.

Independentemente da veracidade desta história, o Império Persa teria, eventualmente, atacado o Egipto de qualquer modo. Os assírios já tinham conquistado o país no final do século VII a.C., e o exército egípcio revelara-se incapaz de enfrentar o armamento e as táticas superiores das forças mesopotâmicas. Os persas, que estavam a expandir o seu império, teriam conhecimento da conquista anterior, conheciam a cultura egípcia e tiveram pouca hesitação em lançar um exército de conquista. Foi, na verdade, o conhecimento que Cambises tinha da cultura egípcia que lhe garantiu a vitória.

Os persas atacaram o ponto de entrada da cidade de Pelúsio em 525 a.C., tendo sido repelidos pelas forças sob o comando do faraó Psamético III (também conhecido como Psamtik III). Cambises, contudo, conhecedor do amor dos egípcios pelos animais e, em particular, pelo gato, ordenou a captura de animais vadios e gatos, que forçou a marchar à frente do seu exército em avanço. Além disso, ordenou que os seus soldados pintassem nos seus escudos a imagem da deusa egípcia Bastet, estreitamente associada aos gatos. Cambises exigiu a rendição de Pelúsio e os egípcios, não desejando que os animais fossem feridos ou incorrer na ira de Bastet, renderam-se.

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O Domínio Persa no Egipto

Cambises II é frequentemente retratado como um tirano semilouco por Heródoto, que afirma que destruiu templos egípcios, matou o touro sagrado Ápis e conduziu as suas tropas em campanhas fúteis e destrutivas. A autobiografia do almirante egípcio Wedjahor-Resne, que serviu sob as ordens de Cambises, traça um retrato muito diferente. Segundo Wedjahor-Resne, Cambises admirava a cultura egípcia, e o almirante auxiliou o seu novo rei na observância correta da tradição e no respeito pelas sensibilidades religiosas. Persuadiu Cambises, por exemplo, a retirar uma guarnição de soldados persas das proximidades do Templo de Neith, em Saís, por considerar a sua presença ofensiva para a deusa, e instruiu-o também noutras áreas.

Embora Cambises pareça ter aceite o conselho do seu almirante, Wedjahor-Resne relata também o sofrimento dos egípcios durante o reinado de Cambises. Muitos egípcios foram escravizados pela elite persa, e outros foram recrutados à força para o exército. Segundo Heródoto, Cambises enviou uma expedição em direção à Líbia, que foi totalmente engolida por uma tempestade de areia. Este evento, frequentemente referido na atualidade como o "Exército Perdido de Cambises", é muito provavelmente uma das ficções de Heródoto, destinada a demonstrar quão insignificante era o rei Cambises. Os escritores gregos, no geral, tendem a fazer retratos altamente desfavoráveis dos reis persas. A história, contudo, tem sido aceite há muito como factual, e expedições continuam a ser financiadas e lançadas na tentativa de encontrar os restos mortais do exército persa perdido.

Cambyses II of Persia
Cambises II da Pérsia Wikipedia (CC BY-SA)

Não restam dúvidas, contudo, de que Cambises lançou uma campanha contra a Núbia, tendo fundado um entreposto comercial na primeira catarata do Nilo, guarnecido com tropas, que se tornou um ponto importante de intercâmbio cultural entre comerciantes e soldados egípcios, núbios e persas. Parece que o objetivo de Cambises era conquistar a rica cidade núbia de Meroé, mas, ao chegar à Núbia, deu meia-volta e regressou ao Egipto.

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Heródoto relata que Cambises morreu devido a um ferimento acidental autoinfligido na coxa. Alegadamente, o rei feriu-se exatamente no mesmo local da perna onde tinha esfaqueado e morto o touro Ápis. Esta história é também considerada ficção pela maioria dos académicos contemporâneos, uma vez que Heródoto apreciava incluir apontamentos morais nas suas crónicas, e o tema da divindade que se vinga de um mortal presunçoso surge várias vezes nas suas obras. Isto não significa que Cambises tenha sido um faraó exemplar ou um governante benevolente, apenas que talvez não fosse o lunático que Heródoto retrata.

Cambises faleceu em 522 a.C., provavelmente enquanto viajava para reprimir uma rebelião no seu reino. Um pretendente ao trono alegou ser Esmerdis, irmão de Cambises, o que era, na realidade, impossível, uma vez que Cambises tinha secretamente assassinado Esmerdis anos antes. O pretendente, um mago chamado Gaumata, foi morto por um membro da corte chamado Dário, que tomou então o trono. É mais conhecido como Dário I, o Grande (522–486 a.C.), que lançou a Primeira Invasão Persa da Grécia em 490 a.C., a qual foi derrotada na Batalha de Maratona.

Ao contrário de Cambises, Dário preferiu governar o Egipto à distância. Subiu ao trono do Império Aqueménida em 522 a.C. e visitou o Egipto pelo menos duas vezes, mas preferia o Egipto à distância. Ainda assim, também admirava a cultura egípcia e destinou fundos para a reconstrução de templos danificados e para a consagração de outros novos. Em consonância com a tradição persa de tolerância religiosa, Dário honrou os deuses do Egipto com dádivas e monumentos. É geralmente considerado como tendo tido uma abordagem mais diplomática e suave em relação ao Egipto do que a que Cambises demonstrara.

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Darius I as Pharaoh of Egypt
Dário I como Faraó do Egipto Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

O seu filho, Xerxes I (486–465 a.C.), mobilizou todos os recursos do Império Aqueménida para a segunda invasão persa da Grécia em 480 a.C., e o Egipto não foi exceção. A fase inicial do reinado de Xerxes centrou-se quase inteiramente em vingar o insulto dos gregos em Maratona, através da subjugação completa do país. Quando os persas foram derrotados em Salamina, em 480 a.C., e em Plateia, em 479 a.C., Xerxes perdeu o interesse nos assuntos externos e concentrou-se em projetos de construção e em diversos assuntos com as mulheres da corte.

Sucedeu-lhe Artaxerxes I (465–424 a.C.), que lutou durante seis anos para reprimir a primeira grande revolta egípcia, encorajada e auxiliada por Atenas, entre 460 e 454 a.C. Esta revolta foi liderada por Inaros II (cerca de 460–454 a.C.), filho do príncipe líbio Psamético (Psamético IV), da antiga dinastia saíta. Psamético terá conspirado uma rebelião para retomar o controlo do Egipto, mas sem resultados práticos. Inaros II, com a ajuda dos atenienses e aliado a Amirteo de Saís, quase conseguiu expulsar os persas do país, mas acabou por ser derrotado. Foi levado acorrentado até Susa, onde foi executado.

As Invasões Persas e as XXVIII e XXIX Dinastias

A sua revolta inspirou o neto de Amirteo de Saís, também conhecido como Amirteo, a revoltar-se contra o domínio de Dário II (424–404 a.C.) em 411 a.C. Este Amirteo é o fundador e único rei da XXVIII Dinastia do Egipto e, embora seja lembrado como o rei egípcio que expulsou os persas do país, na verdade controlava apenas a região do Delta, no Baixo Egipto. O Alto Egipto permaneceu nas mãos dos persas.

A Dário II sucedeu Artaxerxes II (404–358 a.C.), que continuou a deter o Alto Egipto. Artaxerxes preocupou-se sobretudo em colocar as cidades-estado gregas umas contra as outras e ignorou o seu "problema egípcio" até 373 a.C., altura em que enviou um exército para recuperar o controlo, mas foi derrotado. Enquanto Artaxerxes estava envolvido com os gregos, Amirteo tinha sido morto em batalha por um rei rival da cidade de Mendes, chamado Neferites I (c. 398–393 a.C.), que tomou o controlo da região do Delta e fundou a XXIX Dinastia.

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A XXIX Dinastia é uma das mais curtas da história egípcia e, embora tenha lutado para redimir o passado e tornar o Egipto novamente numa grande potência, nunca teve os recursos para o conseguir. Neferites I, governando a partir da sua capital em Mendes, dedicou-se a vários projetos de construção no Baixo Egipto, mas nada tão impressionante como os dos faraós do passado. Sucedeu-lhe Psamute (cerca de 393–392 a.C.), sobre quem pouco se sabe, que foi sucedido por Acoris (392–379 a.C.).

Acoris alcançou o que os seus predecessores não tinham conseguido em termos de projetos de construção e acréscimos ao Templo de Amon, em Karnak. Em 385 a.C., os persas lançaram uma nova invasão para recapturar o Egipto, mas foram repelidos pelos generais de Acoris. Acoris regressou então aos seus projetos de construção e a várias negociações com potências estrangeiras. Após a sua morte, foi sucedido pelo seu filho Neferites II (cerca de 380 a.C.), que governou apenas durante quatro meses até ser morto pelo rei rival Kheperkare Nakhtnebef, mais conhecido como Nectanebo I (c. 379–363 a.C.), que fundou a XXX Dinastia.

A XXX Dinastia: Os Últimos Egípcios

Nectanebo I poderá ter tido laços de parentesco com Neferites I, mas, ainda assim, não hesitou em afastar Neferites II. Nectanebo I era um general poderoso da cidade de Sebenitos e, ao assumir o poder, transferiu a capital de Mendes para essa cidade. A sua dinastia teve uma duração relativamente curta e representou o último período em que egípcios nativos governaram o Egipto. Os seus projetos de construção foram impressionantes e incluem o famoso Templo de Ísis, em Filas, e o Primeiro Pílon do Templo de Amon, em Karnak.

Em todos os aspetos, Nectanebo I comportou-se como um grande faraó do Egipto. Honrou os deuses com dádivas, templos, obeliscos e outros monumentos; contribuiu para o desenvolvimento de Karnak; reforçou o exército egípcio e formou alianças com várias cidades-estado gregas. Por volta de 374 a.C., os persas tentaram novamente retomar o Egipto, mas Nectanebo I estava preparado e fortificou pesadamente Pelúsio e as margens do Nilo junto à cidade. Esta medida forçou a invasão persa a seguir pelo braço do rio de mais difícil navegação, próximo da cidade de Mendes.

O braço mendesiano do Nilo foi deixado propositadamente sem vigilância para permitir às forças persas um acesso fácil, sabendo-se que tal lhes demoraria mais tempo a chegar a Mênfis, o seu objetivo presumível. Embora Mênfis já não fosse a capital do Egipto, permanecia um importante centro religioso e cultural, e a sua captura teria desmoralizado os egípcios. Os persas eram comandados pelo general grego Ífícrates e pelo comandante persa Farnabazo, que tinham ideias distintas sobre como conduzir a campanha. A sua longa jornada pelo braço mendesiano do Nilo exacerbou as divergências entre ambos de tal forma que, assim que finalmente chegaram, estavam em conflito. Nectanebo I tinha, entretanto, fortificado Mênfis contra eles, e o próprio rio Nilo cooperou num momento oportuno ao inundar as terras, garantindo assim uma vitória total a Nectanebo I e forçando as forças persas a regressarem a casa.

Nectanebo I, emulando novamente os faraós do passado, instituiu a prática da corregência com o seu filho Djedhor, a fim de prevenir problemas de sucessão. Após a sua morte, Djedhor assumiu o nome de trono Teos (362–360 a.C.) e começou imediatamente a planear uma campanha para punir os persas. Nectanebo I tinha encorajado outras regiões a rebelarem-se contra o domínio persa, e Teos acreditava que os persas estavam suficientemente distraídos por essas rebeliões para que ele pudesse facilmente tomar a sua satrapia de Canaã para o Egipto.

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Screen Slab of King Nectanebo I
Placa Divisória do Rei Nectanebo I Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Teos aliou-se ao general ateniense Chábrias e ao rei espartano Agesilau II para esta campanha, mas, necessitando de mais fundos, aumentou os impostos sobre o povo egípcio e, de forma mais significativa, sobre o sacerdócio e os templos. Estes impostos foram extremamente impopulares, e o sacerdócio opôs-se à apropriação da sua riqueza para uma campanha militar que parecia desnecessária. O irmão de Teos, Tjahapimu, viu nesta dissidência uma oportunidade para elevar o seu próprio filho, Nakht-hor-heb, ao poder e encorajou-o a trair Teos. Nakht-hor-heb acedeu prontamente; a campanha fracassou quando Nakht-hor-heb criou uma clivagem entre Teos e Agesilau II, mobilizou o povo para a sua causa e proclamou-se faraó, adotando o nome de Nectanebo II (360–343 a.C.). Teos fugiu em busca de segurança para junto dos seus antigos inimigos em Susa, mas foi trazido de volta ao Egipto por ordem de Nectanebo II e, muito provavelmente, executado.

Nectanebo II, o último nativo do Antigo Egipto a governar o país, superou Nectanebo I em projetos de construção e demonstrações de piedade aos deuses, encomendando obras em mais de 100 locais durante o seu reinado. Manteve boas relações com Esparta e empregou mercenários gregos no seu exército. À semelhança do seu predecessor, fortaleceu o aparelho militar, assegurou as suas fronteiras e melhorou a economia através do comércio. Com mais tempo e circunstâncias mais favoráveis, Nectanebo II poderia ter sido um dos maiores faraós egípcios, mas não teve nem o tempo nem a sorte do seu lado.

Em 344 a.C., Artaxerxes III (358–338 a.C.) começou a angariar aliados e a reunir forças para reclamar o Egipto para o Império Aqueménida. A campanha foi lançada em 343 a.C. e Nectanebo II, à frente do seu exército, foi derrotado. Fugiu para sul, para a Núbia, e Artaxerxes III reclamou o Egipto para a Pérsia. Com o tempo, Nectanebo II tornou-se uma figura lendária que, nas histórias que eventualmente formaram parte do Romance de Alexandre, seria secretamente o pai de Alexandre, o Grande. Não existe, obviamente, qualquer fundamento histórico para tal alegação.

O Egipto Persa e a Revolta

A Artaxerxes III sucedeu Artaxerxes IV (338–336 a.C.), que apenas controlou o Baixo Egipto. A este sucedeu Dário III (336–332 a.C.), que conquistou o Alto Egipto, colocando a totalidade do país sob domínio persa. Tal como os reis persas anteriores, Artaxerxes III, Artaxerxes IV e Dário III incentivaram a cultura e as tradições egípcias. Sendo assim, a resistência egípcia pode parecer injustificada. O académico Marc van de Mieroop comenta:

Por que razão lutaram tanto os egípcios contra o domínio persa? Muitos historiadores escreveram que estas lutas foram 'movimentos nacionalistas' inspirados por uma aversão ao estrangeiro, até mesmo por xenofobia... Várias preocupações provavelmente inspiraram as revoltas, mas é provável que as classes altas que tinham governado o Egipto durante a Terceira Época Intermédia e a Época Baixa as tenham instigado.

Privadas dos seus cargos pela chegada de uma administração persa, algumas assimilaram-se nas fileiras persas, mas outras foram provavelmente impedidas de o fazer. Muitas delas tinham ascendência líbia e podem ter mantido ligações estreitas com aquela área. Alguns investigadores sugerem até que não foram os egípcios, mas sim pessoas do ocidente, que dirigiram as revoltas. Podem ter encontrado apoio porque os persas impuseram deveres opressivos aos egípcios.

(pág. 310)

É evidente que as revoltas da Época Baixa foram encorajadas ou abertamente apoiadas pelas cidades-estado gregas e, por esta altura, existia uma população considerável de gregos a viver no Egipto, em Náucratis. Náucratis era um importante entreposto comercial para os gregos, sendo fácil imaginar que não estariam satisfeitos por terem de lidar com o seu antigo inimigo, a Pérsia, quando estavam habituados a negociar diretamente com os egípcios.

Alexandre, o Grande

Independentemente de quem estivesse por trás das revoltas contra o domínio persa, a segunda ocupação do Egipto não durou muito tempo. Na Europa, Filipe II da Macedónia (359–336 a.C.) tinha conquistado as cidades-estado gregas e colocado-as sob domínio macedónico. Planeava uma grande campanha para conquistar a Pérsia quando foi assassinado, em 336 a.C. Tinha já reunido todos os recursos de que necessitaria para a conquista, os quais foram herdados pelo seu filho, Alexandre.

Alexander the Great & Bucephalus Mosaic
Mosaico de Alexandre, o Grande e Bucéfalo Ruthven (Public Domain)

Alexandre, o Grande, iniciou a sua campanha em 334 a.C., derrotou Dário III na Batalha de Isso em 333 a.C., tomou a Síria entre 333 e 332 a.C. e o Egipto em 332 a.C. Fundou a cidade de Alexandria na antiga cidade portuária de Racótis, no Mar Mediterrâneo, traçou os seus planos e deixou a sua concretização aos seus administradores.

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Após ter sido proclamado deus no Oásis de Siuá, Alexandre partiu para completar a sua conquista da Pérsia e deixou o Egipto nas mãos dos macedónios, que iniciaram a construção de Alexandria e melhoramentos noutras cidades do Delta. Após a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., o Egipto foi tomado pelo seu general Ptolomeu I Sóter (323–285 a.C.), que fundou a Dinastia ptolemaica, a última a governar o Egipto antes da chegada de Roma.

Conclusão

A Época Baixa marca o fim do domínio egípcio sobre o país, mas dificilmente o fim da cultura egípcia. Os persas, como referido, nunca tentaram suprimir as crenças egípcias, e a XXX Dinastia incentivou um renascimento das glórias passadas na arte e na arquitetura. Os Ptolomeus continuaram a observar os rituais e tradições ancestrais, e a cultura egípcia foi difundida por todo o mundo antigo através do comércio e das obras de escritores gregos e, mais tarde, romanos, que a admiravam.

Map of the Ptolemaic Kingdom of Egypt c. 240 BCE
Mapa do Reino Ptolemaico do Egito, cerca de 240 a.C. Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Os faraós da XXX Dinastia, inclusive o efémero Teos, mantiveram a dignidade da realeza egípcia em conformidade com o passado e deixaram os seus próprios monumentos impressionantes, na linha daqueles que os precederam. A Época Baixa, portanto, pode ser considerada o fim da autonomia egípcia, mas não deve ser encarada como o último suspiro da cultura egípcia. Ainda hoje, as realizações culturais do Egipto continuam a inspirar admiração, e até reverência, e permanecem entre as mais populares e fascinantes de todo o mundo antigo.

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Perguntas & Respostas

O que foi a Época Baixa do Antigo Egipto?

A Época Baixa do Antigo Egipto foi a era que se seguiu ao Terceiro Período Intermédio e que antecedeu a da Dinastia Ptolomaica. Foi a última era em que os egípcios governaram o seu próprio país.

Por que razão a Época Baixa do Antigo Egipto é considerado o fim da cultura egípcia?

A Época Baixa do Antigo Egipto tem sido frequentemente referido como o fim da cultura egípcia devido à invasão persa de 525 a.C. e à ocupação persa do país. Esta afirmação é incorreta. Os persas admiravam e incentivavam a cultura e as tradições religiosas egípcias.

A Época Baixa do Antigo Egipto foi uma era de trevas?

Não. A Época Baixa do Antigo Egipto manteve a cultura e as tradições do passado, e muitos monumentos e edifícios importantes, incluindo o Templo de Ísis em Filae, foram construídos durante esta época.

Como terminou o Terceiro Período Intermédio do antigo Egito?

O Terceiro Período Intermédio do antigo Egito terminou em 332 a.C., quando o país foi conquistado aos persas por Alexandre, o Grande. Após a morte de Alexandre, o Egito foi governado pela dinastia ptolomaica, de origem macedónio-grega.

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Mark, J. J. (2026, julho 16). Época Baixa do Antigo Egipto: O Fim do Domínio Egípcio no Egipto. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15280/epoca-baixa-do-antigo-egipto/

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Mark, Joshua J.. "Época Baixa do Antigo Egipto: O Fim do Domínio Egípcio no Egipto." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 16, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15280/epoca-baixa-do-antigo-egipto/.

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Mark, Joshua J.. "Época Baixa do Antigo Egipto: O Fim do Domínio Egípcio no Egipto." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 16 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15280/epoca-baixa-do-antigo-egipto/.

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