Tebas é uma cidade na Grécia central que tem sido habitada ininterruptamente ao longo de cinco milénios. Foi um importante centro micénico durante o período médio e final da Idade do Bronze e uma poderosa cidade-estado no Período Clássico, participando tanto nas Guerras Médicas como na Guerra do Peloponneso. Atingiu o seu auge de influência no início do século IV a.C., altura em que foi a cidade mais poderosa da Grécia.
Tebas na Mitologia
Na mitologia, a cidade foi fundada por Cadmo, filho de Agenor, irmão de Europa e antepassado de Édipo. Após matar uma serpente gigante (ou dragão) que Ares enviara para proteger a Fonte Areia, Atena instruiu Cadmo a semear os dentes da serpente na terra, de onde brotaram os guerreiros que viriam a fundar a cidade de Tebas. O mito de Cadmo poderá aludir às origens orientais da cidade, uma vez que o seu nome poderá derivar da palavra semítica qedem, que significa "oriente". Além disso, de acordo com Heródoto, foi Cadmo quem introduziu o alfabeto fenício na Grécia.
Reza a lenda que Tebas foi o local de nascimento do herói mitológico pan-helénico Hércules. Foi também o local onde surgiu a Esfinge — uma criatura mítica com cabeça de mulher e corpo de leão alado — para aterrorizar a região até que o seu enigma fosse decifrado; nele questionava os transeuntes sobre a identidade da criatura que pode ter dois, três ou quatro pés, que se move no ar, na água e em terra, e que se desloca tanto mais lentamente quanto mais pés possui. Édipo decifrou o enigma — o Homem — e, num acesso de fúria, a Esfinge lançou-se para a morte do alto da acrópole tebana.
Outro relato mitológico ligado à cidade é a lendária expedição dos 'Sete contra Tebas' (tema da peça homónima do tragediógrafo do século V a.C., Ésquilo). Esta expedição foi tradicionalmente datada de uma geração antes da Guerra de Troia. Tinha eclodido uma guerra entre os dois filhos de Édipo: Polínices fora exilado pelo seu irmão, Etéocles, e o primeiro recrutou a ajuda dos aqueus do Peloponeso para regressar a cidade. Contudo, ao escalarem as muralhas de Tebas, foram mortos seis dos sete campeões, incluindo Polínices. Apesar disso, os atacantes foram bem-sucedidos e os Cadmeus de Tebas fugiram para o norte. Assim, uma força menos civilizada apoderou-se da cidadela. O mito foi, talvez, uma metáfora simbólica da situação geral na Grécia após o fim da civilização micénica.
A Visão Geral Histórica
Estrategicamente situada num baixo planalto que domina as planícies circundantes da Beócia, Tebas (também conhecida como Cadmeia) foi habitada pela primeira vez por volta de 3000 a.C. Dado a cidade moderna se situar diretamente sobre o sítio histórico cria dificuldades na reconstrução de uma história precisa da cidade antiga. No início e meados do terceiro milénio, existem evidências de edifícios fortificados com fundações talhadas na rocha, pátios pavimentados a pedra, paredes de tijolos de lama (adobe) e sistemas de drenagem.
A partir de 2500 a.C., existem evidências de produção e armazenamento de alimentos e lã — mós de moagem, pesos de tear e bobinas de terracota, e ferramentas de carpintaria em bronze. O comércio, tanto local como de longa distância, é sugerido pela presença de bens preciosos como ouro, prata, marfim e vasos de pedra de influência cicládica. A partir de 2000 a.C., o sítio expandiu-se com a primeira presença de cistas de pedra e fossas para os sepultamentos, bem como túmulos de poço que continham objetos preciosos.
A partir de 1700 a.C., o colonato tornou-se mais denso e, durante o século XIV a.C., o sítio atingiu o seu apogeu na Idade do Bronze, durante o período micénico. Existem evidências de edifícios palacianos de dois pisos com pinturas murais, fortificações de maior envergadura (provavelmente de natureza ciclópica e referidas na Ilíada de Homero), oficinas (especialmente de joalharia) e aquedutos construídos em pedra com tubagens de terracota. As tabuinhas de argila em Linear B e os selos sugerem que o sítio era um importante centro comercial de azeite, madeira, gado, lã e artigos de couro. Os achados de ânforas de estribo cretenses sugerem que os contactos se estendiam por todo o Egeu. A partir do século XIII a.C., surgem também túmulos de câmara com bancos e drenagens, alguns com pinturas murais e objetos funerários preciosos, tais como joias de ouro e armas de bronze. O fim deste período é marcado por evidências de danos causados por sismos e incêndios.
Após a Idade das Trevas na Grécia (cerca de 1100 a 700 a.C.), Tebas ressurgiu como uma influente cidade-estado grega e, durante os quatro séculos seguintes, a cidade seria uma rival constante de Atenas e de Esparta pela dominância regional. Em 480 a.C., Tebas aliou-se à Pérsia quando Xerxes invadiu a Grécia, e a cidade foi uma das principais protagonistas na Guerra do Peloponeso, de 431 a 404 a.C., combatendo ao lado de Esparta contra Atenas.
No século IV a.C., dois líderes tebanos alcançaram uma fama duradoura: Pelópidas, que foi o tema de uma das Vidas Paralelas de Plutarco, e o brilhante estratega militar e estudioso de filosofia, Epaminondas. Estes dois generais — Pelópidas em campanha na Grécia central e setentrional, e Epaminondas no Peloponeso — foram os grandes responsáveis pelo período de maior domínio regional de Tebas.
Uma característica invulgar do exército tebano era o Batalhão Sagrado. Tratava-se de um corpo militar fundado por Górgidas, composto por 300 infantes unidos em pares homoeróticos; a ideia era que os soldados lutariam melhor se tivessem o seu amado ao lado. O Batalhão Sagrado, utilizado pela primeira vez como unidade independente por Pelópidas, derrotou os espartanos na Batalha de Tegira em 375 a.C. Ainda mais decisiva foi a Batalha de Leuctra em 371 a.C., onde os espartanos foram redondamente derrotados e onde o monumento da vitória, erguido pelos tebanos, é ainda hoje visível. Esta foi uma doce vingança pela imposição de uma guarnição espartana em Tebas entre 379 e 376 a.C. Vitoriosa, Tebas fundou uma nova capital arcádia em Megalópolis, estabelecendo-se firmemente como a cidade-estado mais poderosa da Grécia.
Em 364 a.C., Pelópidas foi morto (embora vitorioso) na Batalha de Cinoscéfalas, o que forçou a Macedónia a juntar-se à Liga Beócia, liderada por Tebas. Pouco depois, em 362 a.C., Epaminondas tombou na indecisiva Batalha de Mantineia contra uma aliança liderada por espartanos e atenienses. Com a perda dos seus dois grandes generais, o domínio tebano começou a diminuir, e Esparta e Atenas voltariam a tornar-se os dois principais intervenientes na Grécia.
