A ascensão e a disseminação do cristianismo (séculos I–V) traça a transformação de um pequeno movimento religioso descentralizado na Judeia romana numa fé que reformulou os alicerces políticos, sociais e culturais do mundo romano. Emergindo em meados do século I num contexto judaico, o cristianismo primitivo espalhou-se essencialmente através das redes urbanas do Mediterrâneo Oriental, auxiliado pelas estradas romanas, por línguas partilhadas e pelas comunidades da diáspora. Períodos de perseguição alternaram com períodos de tolerância, mas a ênfase da religião na salvação universal, na comunidade e na ordem moral permitiu que esta se enraizasse em diversos grupos sociais, desde pessoas escravizadas até às elites imperiais.
Uma mudança decisiva ocorreu sob Constantino, o Grande (reinou 306–337), cujo patrocínio culminou no Concílio de Niceia (325), um esforço para impor a unidade doutrinária através do Credo Niceno. A autoridade institucional do cristianismo foi reforçada sob Teodósio I, o Grande (reinou 379–395), quando o Édito de Tessalónica (380) estabeleceu o cristianismo niceno como a religião oficial do império. No entanto, este processo também intensificou os conflitos teológicos. Concílios como o de Calcedónia (451) procuraram definir a natureza de Cristo, enquanto interpretações divergentes, mais tarde rotuladas como heréticas, incluindo o arianismo, o nestorianismo e o monofisismo, se espalharam amplamente pelo império e para além dele. Em vez de uma simples história de triunfo, a expansão do cristianismo primitivo revela uma complexa interação de crença, poder, debate e autoridade imperial que moldou tanto a ortodoxia religiosa como as divisões duradouras no seio do mundo cristão.

