Sardes

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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The Bath-Gymnasium Complex at Sardis (by Carole Raddato, CC BY-SA)
Complexo Banhos-Ginásio de Sardes Carole Raddato (CC BY-SA)

Sardes (próxima da atual Sart, na Turquia) foi a capital do antigo Reino da Lídia, fundado (segundo Heródoto) pelos Heráclidas, a dinastia heráclida descendente do herói Heracles (Hércules). A cidade era famosa na Antiguidade pela sua riqueza, cultura e posição favorável na rota comercial central que ligava o mar Egeu ao interior da Ásia Menor.

De acordo com Heródoto (cerca de 484 – 425/413 a.C.), a Lídia foi estabelecida por um certo Lido, filho de Átis, e foi depois entregue aos Heráclidas, que a governaram durante 505 anos até ao seu último rei, Candaules, ter sido assassinado por Giges. Este fundou a dinastia Mermnada, que terminou com Creso (reinou 560–546 a.C.), quando Sardes foi tomada pelo Império Persa Aqueménida sob o domínio de Ciro II (também conhecido como Ciro, o Grande, reinou por volta de 550–530 a.C.) em 547/546 a.C.

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Os persas mantiveram-na até à conquista de Alexandre, o Grande, em 334 a.C. e, após a sua morte, a cidade tornou-se parte do Império Selêucida (312 – 63 a.C.) antes de ser absorvida por Roma como uma importante cidade comercial na província romana da Ásia. Sardes foi saqueada pelo Império Persa Sassânida e gravemente danificada no século VII, época em que já se encontrava associada ao cristianismo como uma das Sete Igrejas da Ásia mencionadas no livro bíblico do Apocalipse. Continuou a ser um importante centro religioso, intelectual, cultural e comercial até ao início do século XV, altura em que foi abandonada.

Desde a sua fundação até à sua queda, Sardes está associada a várias personalidades e acontecimentos notáveis, incluindo, entre outros:

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  • a primeira cidade do mundo a cunhar moedas sob o reinado do rei Aliates (cerca de 635-585 a.C.)
  • capital do Reino da Lídia e terra natal de Creso, considerado o homem mais rico da sua época
  • o ponto terminal ocidental do comércio administrativo do Império Aqueménida (cerca de 550-330 a.C.)
  • local de onde partiu a invasão da Grécia por Xerxes I, em 480 a.C.
  • local onde se reuniram os mercenários gregos em 401 a.C., conforme descrito por Xenofonte na obra Anábase (tít. original: Ἀνάβασις; transliterado: Anábasis)
  • local do cerco de Sardes (215-213 a.C.), liderado por Antíoco III do Império Selêucida
  • local do Templo de Ártemis, o quarto maior templo jónico do mundo (cerca de 300 a.C.)
  • uma das maiores metrópoles da Ásia Menor; as línguas cariana, grega, hebraica, latina, lídia e outras aparecem nas inscrições locais até ao final do período romano
  • local da maior sinagoga da Ásia Menor
  • terra natal de Melito de Sardes († cerca de 180 a.C.), bispo e apologista cristão
  • uma das Sete Igrejas da Ásia mencionadas no Livro do Apocalipse
  • local do cemitério de Bin Tepe, que remonta desde a Lídia até ao período otomano

Uma das características mais frequentemente referidas de Sardes é a sua cidadela, que os escritores contemporâneos descrevem regularmente, citando o historiador Políbio, como «o lugar mais forte do mundo». A frase de Políbio, no entanto, é na verdade irónica no contexto e está relacionada com a captura de Aqueu († 213 a.C.), senhor de Sardes, por Antíoco III (o Grande, reinou 223-187 a.C.). Políbio (cerca de 200 a cerca de 118 a.C.) observa como, depois de Aqueu ter sido secretamente induzido a abandonar a cidadela e capturado, o seu povo, sem saber nada do seu rapto, pensava que ele estava a salvo no «lugar mais forte do mundo» (8.20.12); ele não está a afirmar que fosse realmente assim.

A cidade foi redescoberta por Howard Crosby Butler, da Universidade de Princeton, entre 1910 e 1914, mas os trabalhos foram interrompidos pela Primeira Guerra Mundial e por novas hostilidades na região. Embora as escavações tenham continuado no local na década de 1920, a próxima grande expedição ocorreu em 1958, liderada por George M. A. Hanfmann, da Universidade de Harvard, com os trabalhos a prosseguir até aos dias de hoje e agora supervisionados pelo Dr. Nicholas Cahill, da Universidade de Wisconsin-Madison.

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A História Antiga e a Localização

Sardes situava-se junto ao rio Hermus (atual rio Gediz), no sopé do Monte Tmolus, cujo nome deriva do mítico rei da Lídia que, segundo a lenda, foi morto a chifres por um touro como castigo por ter ofendido os deuses. A sua viúva, Omphale (segundo Diodoro Sículo), fundou a dinastia dos Heraclidas, enquanto, segundo Heródoto, foi o rei Agron (embora isto tenha sido contestado). Heródoto afirma que os antepassados dos Heracleídeos eram «Hércules e uma escrava» (Livro I.7), mas pode estar a confundir Omfale, que manteve Hércules como escravo durante um ano, com a Omfale de Tmolus. Também é possível que a mulher nas duas histórias seja a mesma personagem mítica.

Aliates foi o primeiro monarca do mundo a cunhar moedas feitas de elétrum.

Heródoto relata que os Heracleídeos governaram durante 505 anos, até que o rei Candaules foi assassinado pelo seu guarda-costas, Giges, que depois se casou com a viúva de Candaules e fundou a dinastia dos Mermnádios. Os seus sucessores lutaram contra os cimérios do norte, que repetidamente invadiam o reino, até que o rei Aliates, aliado aos citas, os derrotou e estabilizou o reino. Aliates foi o primeiro monarca do mundo a cunhar moedas (feitas de elétrum), enquanto o seu filho e sucessor, Creso, viria a ser o primeiro a cunhá-las em ouro.

Diz-se que a riqueza de Creso provinha do rio Pactolo, onde, segundo a lenda, o rei Midas, o «toque de ouro», tinha lavado as mãos para se livrar do «dom» de transformar em ouro tudo aquilo em que tocava. Ao fazê-lo, enriqueceu o leito do rio com depósitos de ouro. Na verdade, o ouro do rio era transportado dos depósitos no Monte Tmolus e isto, combinado com a fertilidade do Vale do Hermus, fez de Sardes uma cidade rica. As moedas cunhadas em Sardes eram de tal pureza que eram aceites em todas as transações comerciais, enriquecendo ainda mais Sardes e o seu rei.

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Red-Figure Depiction of Croesus
Representação de Creso em Figura Vermelha Marco Prins (Public Domain)

Creso subjugou as cidades jónicas e eólias, aliou-se às cidades-estado insulares e prosseguiu as suas campanhas militares para estabelecer o Reino da Lídia, com a Mísia a norte, a Frígia a leste e a Cária a sul. Os tributos das cidades conquistadas e o comércio com outras continuaram a enriquecer a cidade, e a sua localização num vale fértil ao longo da rota central que ligava o Mar Egeu ao interior da Ásia Menor (Anatólia) elevou ainda mais o estatuto da cidade. A acrópole e a cidadela na cordilheira do Tmolus, bem acima da cidade, também a tornavam facilmente defensável, e Creso, o rei mais rico da região, tinha todos os motivos para acreditar que era invencível e que podia fazer o que bem entendesse.

A Pérsia e Alexandre

Creso reconheceu que uma campanha bem-sucedida contra o crescente império de Ciro II da Pérsia só poderia enriquecê-lo ainda mais e, por isso, enviou emissários ao Oráculo de Delfos em busca de garantias. O Oráculo respondeu com a seguinte mensagem: «Se Creso entrar em guerra, destruirá um grande reino» (Heródoto, Livro I, 53). Creso, pensando que a previsão garantia a sua vitória, ficou encantado com esta notícia, lançou o seu ataque e foi derrotado na Batalha de Thymbra, em 547 a.C. Tendo-se retirado para Sardes após a Batalha de Pteria (547 a.C.), que terminou num empate entre Creso e Ciro II, desmobilizou as suas tropas para o inverno, esperando que Ciro II fizesse o mesmo, de acordo com o costume.

Ciro II, no entanto, perseguiu-o, derrotou-o na Batalha de Thymbra, nos arredores de Sardes, e, após um cerco de 14 dias, a cidade caiu. O «grande reino» que foi destruído acabou por ser o seu próprio. Heródoto, o historiador Ctesias (século V a.C.) e escritores posteriores afirmam que Creso foi recompensado por Ciro II depois de explicar como tinha interpretado mal a mensagem do oráculo, mas o mais provável é que tenha sido executado. Não há registos de como ou quando morreu, o que deu aos historiadores antigos a oportunidade de dar à sua história um desfecho condizente com o seu reinado bem-sucedido.

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Ciro II incorporou a Lídia no seu Império Aqueménida e, devido à sua localização, esta tornou-se uma das satrapias mais importantes na administração das regiões ocidentais do território da Pérsia e na condução do comércio. Sob o reinado de Dário I (o Grande, reinou 522-486 a.C.), a Estrada Real estendia-se desde Susa, uma das capitais do império, diretamente até Sardes. Durante a Revolta Jónica (499-493 a.C.), quando os gregos jónicos se rebelaram contra o domínio persa, uma força liderada por Atenas incendiou Sardes em 498 a.C., enfurecendo Dário I de tal forma que este jurou vingança contra Atenas, o que conduziu à Primeira Invasão Persa da Grécia em 490 a.C., que terminou com a famosa vitória grega na Batalha de Maratona.

Persian Royal Road
Estrada Real Persa Fabienkhan (CC BY-SA)

O sucessor de Dário I, Xerxes I (reinou 486-465 a.C.), tentou vingar a derrota e mobilizou um vasto exército em Sardes, em 480 a.C., para a sua própria invasão da Grécia, que também foi repelida. Sardes desempenhou um papel fundamental noutra invasão em 401 a.C., quando serviu de ponto de partida para o exército de Ciro, o Jovem († 401 a.C.), contra o seu irmão Artaxerxes II (rerca de 404-358 a.C.), na luta pelo controlo do império. Ciro, o Jovem, recrutou os Dez Mil mercenários gregos que ficaram famosos graças à Anábase de Xenofonte (430-354 a.C.), mas foi morto na Batalha de Cunaxa, em 401 a.C., deixando Xenofonte, como um dos comandantes, encarregado de conduzir os seus homens de regresso à Grécia — a viagem descrita na Anábase.

Sardes continuou a ser uma importante satrapia do império durante o reinado de Dário III (336-330 a.C.), que foi derrotado por Alexandre, o Grande, pondo fim ao Império Aqueménida. Sardes manteve a sua posição como importante centro comercial e administrativo durante o tempo de Alexandre e, após a sua morte em 323 a.C., o seu general Seleuco I Nicátor (reinou 305-281 a.C.) manteve a cidade como parte do seu Império Selêucida. Seleuco I deu continuidade às políticas administrativas e políticas dos persas, pelo que Sardes manteve a sua importância durante e após o seu reinado. Pensa-se que o grande Templo de Ártemis tenha sido concebido e iniciado durante este período (cerca de 300 a.C.), mas ainda se encontrava inacabado no século IV d.C.

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O Império Selêucida

O Império Selêucida manteve o controlo dos seus vastos territórios até 247 a.C., quando Arsaces I da Pártia (reinou 247-217 a.C.) se separou e formou o Estado independente que viria a tornar-se o centro do Império Parta. Outras regiões seguiram o exemplo e os monarcas selêucidas lutaram para manter o controlo, enquanto, ao mesmo tempo, Cartago, a superpotência naval do Mediterrâneo, entrava em conflito com a pequena cidade-estado de Roma. Roma aprendeu rapidamente as competências necessárias para a guerra naval, derrotou Cartago na Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.) e tornou-se a nova senhora do Mediterrâneo.

Os reis selêucidas continuaram as suas lutas até que Antíoco III chegou ao poder em 223 a.C. e liderou as suas tropas numa campanha para subjugar as regiões rebeldes. Nomeou o seu primo, Aqueu, comandante do exército a oeste dos Montes Tauro, uma vez que Aqueu já tinha demonstrado a sua lealdade ao rei no passado. No entanto, quando Aqueu foi falsamente acusado de incitar uma insurreição, proclamou-se rei e estabeleceu-se em Sardes com a sua rainha, Laódice do Ponto. Antíoco III chegou e sitiou Sardes, mas Aqueu, a sua esposa e os seus principais conselheiros permaneceram fora do alcance, na alta cidadela acima da cidade.

Ruins of Sardis
Ruínas de Sardes Monsieurdl (CC BY-NC-SA)

Segundo Políbio, o cerco estava a esgotar progressivamente os recursos da cidade e, por isso, um admirador de Aqueu concebeu um plano para o fazer sair clandestinamente, para que pudesse reunir tropas e levantar o cerco. Um cretense chamado Bolis, que conhecia a região, foi contratado para a missão, mas, depois de convencer Aqueu da sua sincera intenção de o conduzir em segurança, traiu-o a Antíoco III, que o executou. Este acontecimento deu origem a uma das frases mais frequentemente repetidas sobre Sardes como «o lugar mais forte do mundo», mas Políbio está a fazer uma observação irónica. Ninguém sabia, na altura, que Aqueu tinha sido capturado e, por isso, Políbio escreve:

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E agora, quando tanto as suas próprias forças como as do inimigo supunham que ele se encontrava em segurança no lugar mais forte do mundo, ele estava, na verdade, sentado no chão, amarrado de pés e mãos e à mercê dos seus inimigos, sem que ninguém tivesse conhecimento do que tinha acontecido, exceto os próprios autores do crime. (Histórias, 8.20.12)

Políbio nunca afirma que Sardes ou a sua cidadela fossem «o lugar mais forte do mundo», apenas que assim se pensava e, claramente, não era suficientemente seguro para impedir que Aqueu caísse nas mãos do inimigo. Depois de a notícia da morte do marido ter chegado a Laódice, esta rendeu a cidade a Antíoco III.

Sob o domínio de Roma

Quando Antíoco III conquistou Sardes em 213 a.C., Roma estava novamente envolvida num conflito com Cartago na Segunda Guerra Púnica (218-202 a.C.) e, quando Cartago foi derrotada, o seu general, Aníbal Bárca (247-183 a.C.), refugiou-se na sua corte. Aníbal aconselhou o rei a opor-se a Roma e encorajou-o a atacar primeiro, antes que os romanos pudessem destroná-lo. Antíoco III marchou contra Roma e foi derrotado na Batalha de Magnésia, em 190 a.C. Posteriormente, foi obrigado a assinar o Tratado de Apameia, de 188 a.C., que o obrigava a retirar-se da Anatólia e a entregar Sardes à dinastia dos Atálidas de Pérgamo, aliados de Roma. A Comissão Permanente de Arqueologia da Universidade de Harvard, ao debater a sua conferência de 2014 sobre Sardes, observa:

A interpretação tradicional do cerco de Sardes por Antíoco III, em 215-213 a.C., como a grande ruptura na história da cidade já não se sustenta. Em vez disso, parece que a sorte da cidade mudou com a Paz de Apameia, em 188 a.C., após a qual Sardes foi incorporada no império atálida, recentemente expandido. Pouco tempo depois, as elites da cidade introduziram novos cultos e festivais, foi construído um novo teatro de pedra, as dedicatórias foram regravadas no santuário de Ártemis, desenvolveu-se uma cultura política de estátuas honoríficas e foram produzidos artigos domésticos inspirados em Pérgamo para uma classe média em expansão.

(pág. 2)

Sardes continuou a prosperar sob a dinastia dos Atálidas até ser cedida a Roma, juntamente com o resto do Reino de Pérgamo, pelo último rei, Átalo III (reinou 138-133 a.C.), em 133 a.C. O antigo Reino de Pérgamo tornou-se a província asiática de Roma, e Sardes passou a desempenhar o mesmo papel que sempre tivera na administração, no comércio e na cultura, mas, nessa altura, era muito mais cosmopolita do que nos tempos de Creso, atraindo muitas nacionalidades e religiões diferentes.

Temple of Artemis, Sardis
Templo de Ártemis, Sardes Carole Raddato (CC BY-SA)

A cidade continuou a prosperar até ser destruída por um terramoto em 17 d.C., tendo sido reconstruída com fundos fornecidos pelo imperador romano Tibério (reinou 14-37 d.C.). Pensa-se que tenha sido fundada uma igreja na cidade em algum momento anterior à data geralmente aceite para a composição do Livro do Apocalipse (cerca de 95 d.C.), que adverte a congregação contra o facto de manter uma aparência de piedade e devoção enquanto se afasta do verdadeiro compromisso para com Deus:

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Ao anjo da igreja em Sardes, escreve: Estas são as palavras daquele que detém os sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço as tuas obras; tens fama de estares vivo, mas estás morto.

(3:1)

Não há evidências arqueológicas de uma igreja em Sardes antes de cerca do ano de 95 d.C., mas, como apenas uma pequena parte da vasta cidade foi escavada, isso poderá vir a ser descoberto no futuro. O Templo de Ártemis permaneceu inacabado no século IV e já se encontrava abandonado quando uma pequena igreja foi construída no seu canto sudeste (Cahill, pág. 3). No entanto, não se acredita que este edifício seja a igreja a que se refere o Apocalipse.

Imperadores posteriores também admiraram a cidade, incluindo Trajano (reinou 98-117) e Adriano (reinou 117-138). O apologista cristão e bispo Melito de Sardes escreveu a Marco Aurélio (reinou 161-180) a partir da cidade, explicando o cristianismo e pedindo-lhe que pusesse fim às perseguições que estavam a incentivar a violência diária contra os cristãos de Sardes e de outros locais. Melito dirige-se a Aurélio como protetor e pensa-se que as perseguições eram encorajadas pelos governadores regionais, e não pelo imperador. Seja como for, os argumentos de Melito foram ignorados e as perseguições continuaram sob Diocleciano (reinou 284-305), que, ao mesmo tempo, concedeu a Sardes o título honorífico de metrópole.

Conclusão

A natureza cosmopolita de Sardes no século III é evidenciada não só nos textos, mas também pelas descobertas arqueológicas, que incluem a maior sinagoga da Ásia Menor datada desse período. No ano de 330, quando Bizâncio se tornou Constantinopla e passou a ser a nova capital do Império Romano Oriental, Sardes foi marginalizada pelo novo sistema rodoviário e, pela primeira vez na sua história, perdeu o prestígio. Foi saqueada em 615 pelo Império Sassânida, sob o reinado de Cosroes II (reinou 590-628), e os danos extensos nunca foram reparados, uma vez que, nessa altura, Roma não tinha meios para suportar as despesas.

A cidade continuou a ser um importante centro cultural, como comprovam os túmulos de Bin Tepe, um antigo cemitério com 116 km² (45 milhas quadradas) que abrange desde o Reino da Lídia até aos períodos helenístico, romano e otomano. Os turcos otomanos conquistaram Sardes pela primeira vez no século XI, e a cidade começou a entrar em declínio até ser abandonada e, possivelmente, destruída por volta de 1402.

As ruínas de Sardes foram-se caindo progressivamente no esquecimento, e as pedras dos edifícios e templos foram retiradas ao longo dos anos pelos habitantes locais para outros fins. Exploradores britânicos retiraram estátuas e outros artefactos no século XIX, mas só entre 1910 e 1914 é que Howard Crosby Butler, da Universidade de Princeton, levou a cabo a primeira escavação formal do local. As escavações continuam no local até aos dias de hoje, sob a supervisão do Dr. Nicholas Cahill, da Universidade de Wisconsin-Madison, trazendo à luz uma das maiores cidades do mundo antigo, cuja história se estendeu por mais de 2 000 anos.

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Perguntas & Respostas

O que é Sardes?

Sardes foi a capital do Reino da Lídia (na atual Turquia), tendo-se mantido como um importante centro comercial, administrativo e cultural durante mais de 2 000 anos, até ter sido abandonada por volta de 1402.

Por que é que Sardes é importante?

Sardes é importante porque foi palco de muitos acontecimentos significativos, incluindo a primeira cunhagem de moedas do mundo; a mobilização do exército persa para a invasão da Grécia em 480 a.C.; o local onde se situava o quarto maior templo jónico grego do mundo; a terra natal de Melito de Sardes; e o local do cemitério de Bin Tepe. A cidade é mais conhecida pela sua menção no Livro do Apocalipse, da Bíblia.

Por que é que Sarde é considerada «o lugar mais forte do mundo»?

Sardes é frequentemente referida como «o lugar mais fortificado do mundo», com base numa passagem das «Histórias» do escritor Políbio, que aqui recorre à ironia. Na sua obra «Histórias», 8.20.12, ele deixa claro que a cidadela de Sardes era considerada «o lugar mais fortificado do mundo», mas não conseguiu proteger o seu rei.

O que aconteceu a Sardes?

Sardes foi saqueada pelos persas sassânidas em 615 d.C. e nunca recuperou totalmente. Entrou em declínio sob o domínio dos turcos otomanos e foi abandonada, ficando em ruínas, por volta de 1402.

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Mark, J. J. (2026, outubro 29). Sardes. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-573/sardes/

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Mark, Joshua J.. "Sardes." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 29, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-573/sardes/.

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