Dário I

Radu Cristian
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
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Relief of Darius I from Persepolis (by درفش کاویانی, CC BY-SA)
Relevo de Dário I de Persépolis درفش کاویانی (CC BY-SA)

Dário I (cerca de 550-486 a.C., reinou 522-486 a.C.), também conhecido como Dário, o Grande, foi o terceiro rei persa do Império Aquemênida. Seu reinado durou 36 anos, de 522 a 486 a.C.; durante esse período, o Império Persa atingiu seu auge. Dário liderou campanhas militares na Europa, Grécia e até mesmo no vale do Indo, conquistando terras e expandindo seu império. Além de demonstrar grande poderio militar. Dário também aprimorou o sistema jurídico e econômico e realizou impressionantes projetos de construção em todo o Império Persa.

Ascensão ao Poder

As fontes primárias mais importantes que nos contam sobre sua vida e reinado são suas inscrições, sendo o exemplo mais famoso a inscrição trilíngue, em acádio ou babilônico, elamita e persa antigo, esculpida no relevo rupestre de Bisitun (Behistun), na vila de mesmo nome, e em seu palácio em Persépolis. Além disso, relatos sobre seu reinado foram registrados pelo historiador grego Heródoto.

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Dário nasceu por volta de 550 a.C., filho mais velho de Hístapes e Rodugune. A Inscrição de Bisitun menciona que seu pai ocupou o cargo de sátrapa (governador persa) da Báctria e da Pérsia durante o reinado de Ciro, o Grande (559-530 a.C.), e de seu filho, Cambises (530-522 a.C.). Durante o reinado de Cambises, Dário ocupou o cargo de lanceiro (doryphoros) e acompanhou o rei em sua campanha ao Egito, entre 528 e 525 a.C.. Antes de partir para o Egito, Cambises nomeou Patizites como guardião do palácio real em sua ausência. Patizites viu essa situação como oportunidade para ascender ao poder. Ele estabeleceu seu próprio irmão, Gaumata, como falso rei sob o nome de Bardia ou Esmerdis, irmão de Cambises, tornando-se o novo governante, em 522 a.C.. Cambises II retornou ao seu país sete meses depois, apenas para descobrir que não conseguiria recuperar o trono. Algumas fontes históricas dizem que ele tirou a própria vida por não ter conseguido derrotar o rei impostor e seus partidários, enquanto outras contam que ele caiu durante as marchas pela Ecbátana síria ou por Damasco.

Ranks of Immortals
Fileira dos Imortais dynamosquito (CC BY-SA)

O reinado do falso rei não durou muito. Heródoto conta que Fedímia, filha de Otanes, tio de Cambises, descobriu que o governante não era irmão de Cambises. Seu pai, ao saber a verdade, rapidamente reuniu um grupo de conspiradores, entre os quais Hidarnes, Intafrenes, Megabizo e Dário, que na época ainda era lanceiro do rei. Gaumata foi finalmente assassinado, deixando o império persa sem líder; os conspiradores tiveram que decidir o futuro do império. Otanes se recusou, querendo apenas privilégios especiais para sua família; Megabizo sugeriu oligarquia, enquanto Dário votou pela monarquia. Incapazes de resolver a questão, todos concordaram com uma competição, onde o vencedor assumiria o trono. Todos se encontrariam na manhã seguinte, cada um em seu cavalo, e o primeiro cavalo a relinchar ao nascer do sol seria nomeado o novo rei. Heródoto conta que Dário trapaceou; supostamente, foi seu servo, Oebares, quem fez o cavalo relinchar, deixando o animal cheirar sua mão que ele havia esfregado anteriormente nos genitais de uma égua. De qualquer forma, o relincho do cavalo, acompanhado por relâmpagos e trovões de uma tempestade, convenceu os outros a aceitarem Dário como o novo rei, em 522 a.C..

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Embora Gaumata fosse governante falso, apenas uma parte das satrapias reconheceu Dário como seu rei, após sua coroação, em 522 a.C., como a Báctria e a Aracosia. Outras viram a morte do falso rei como uma chance de independência. Revoltas eclodiram em muitas regiões do império, incluindo Pérsia, Média, Pártia, Assíria, Babilônia e Egito, e somente com a ajuda de seu exército e comitiva pessoal Dário conseguiu sufocar esses conflitos. Esses eventos são registrados em detalhes em suas inscrições, traduzidas por Herbert Cushing, que também servem como um aviso para futuros reis:

Diz Dário, o rei: Ó tu que serás rei no futuro, protege-te fortemente do engano;
qualquer homem que for um enganador, aquele que merecer
ser punido, pune-o, se assim pensares: "que
meu país esteja seguro. (30)
[...]
Diz Dário, o rei: Ó tu que serás
rei no futuro, qualquer homem que for um enganador
ou um malfeitor, não sejas amigo deles; pune-os
com severa punição. (33)

Campanhas Militares

O reinado de Dário foi marcado por vastas expedições militares. Depois de consolidar seu poder em casa, ele partiu para assegurar as terras do Egito, que haviam sido conquistadas anteriormente por Cambises e, em 519 a.C., incorporou grande parte do Egito ao seu império. No ano seguinte, em 518 a.C., ele conquistou partes da Índia, nomeadamente o norte do Punjab, como atestam as suas inscrições. Heródoto acrescenta que a Índia foi a 20.ª satrapia do império e que partes do vale do Indo também foram vítimas da guerra persa.

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A próxima campanha significativa foi na Cítia europeia, em 513 a.C. Os historiadores propuseram várias teorias na tentativa de esclarecer o objetivo desta campanha. Elas variam desde uma simples conquista militar até um motivo mais propagandístico, como a vingança por conflito anterior durante o reinado de Ciro, em que os citas atacaram os medos. Outra possível razão é que Dário queria conquistar as terras gregas ocidentais e a campanha cita deveria servir de ameaça para forçar os gregos à rendição.

Achaemenid Empire Map
Mapa do Império Aqueménida Fabienkhan (CC BY-SA)

No entanto, Dário enfrentou dificuldades imprevistas. Os citas escaparam do exército persa, usando fintas e recuando para o leste, enquanto devastavam o campo. O exército do rei perseguiu o inimigo até o interior das terras citas, onde enviou mensagem ao governante, instando Idantirso a lutar ou se render. Como Idantirso se recusou a fazer qualquer uma das duas coisas, a perseguição recomeçou. No final, a campanha foi interrompida após algumas semanas, quando a doença e a privação cobraram seu preço do exército persa. A marcha parou nas margens do rio Volga e então seguiu em direção à Trácia, onde Dário ordenou a seu general Megabizo que subjugasse a região.

Além de colocar a Trácia sob influência persa, Megabizo também conquistou as cidades gregas vizinhas. Ele enviou emissários à Macedônia, onde Amintas, o rei da Macedônia, tornou-se vassalo do império. Entretanto, Dário consolidou seu domínio na Jónia e nas ilhas do Egeu por meio da nomeação de gregos nativos como governantes ou tiranos das cidades.

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Guerras Greco-Persas

Em 499 a.C., Aristágoras, o tirano de Mileto, convenceu o sátrapa Artafenese a patrocinar campanha contra Naxos. Dário concordou e nomeou Megabates, primo de Artafenese, como comandante do exército persa. Supostamente, eles seriam apoiados e abastecidos por Aristágoras, mas disputa entre Megabates e Aristágoras resultou na traição do primeiro, que informou os naxianos sobre seus planos, sabotando a campanha. Sem ajuda, Aristágoras decidiu se revoltar contra os persas. Buscando outros aliados, embora não tenha conseguido o apoio de Esparta, ele obteve a ajuda de Atenas e Erétria, que forneceram tropas e navios.

Após seis anos de conflito, durante os quais Sardes, Chipre e o Helesponto foram atacados, o exército persa derrotou os rebeldes na Batalha de Lade, em 494 a.C., onde a maior parte da frota ateniense foi destruída. Resoluto, Dário reuniu seu exército, planejando conquistar Atenas. Seu exército era composto por infantaria e cavalaria, liderados pelo general Datis. Eles marcharam de Susa para a Cilícia, onde navios os transportaram através do Mar Egeu até a ilha de Samos. Lá, juntaram-se a uma força armada da Jónia e navegaram para o norte, rumo a Atenas.

Persian Archers
Arqueiros Persas mshamma (CC BY)

Entretanto, os atenienses começaram a se preparar para a guerra. Enviados foram a Esparta, mas, após reunir aliados, a força grega ainda contava com apenas 10.000 homens, enfrentando 100.000 persas. Em menor número, os generais gregos precisavam de estratégia brilhante. Dois deles aconselharam enfrentar o inimigo de dentro da segurança dos portões da cidade, mas Milcíades os convenceu de que um ataque direto seria a melhor escolha. Eles concordaram, com a condição de que Milcíades liderasse o exército na batalha.

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Os dois exércitos opostos se encontraram nos campos de Maratona, em 490 a.C.. O exército persa, embora em grande número, era lento e confiante demais. Os gregos aproveitaram-se dessa situação; enquanto os dois exércitos se aproximavam em ritmo tranquilo, os gregos, de repente, começaram a correr. Isso pegou os persas de surpresa e, antes que percebessem, foram forçados a lutar em combate corpo a corpo. Após algumas horas de batalha, as fileiras persas se desfizeram, muitos deles correndo em direção à segurança dos navios ou para as montanhas próximas. Seis mil persas morreram, enquanto o exército grego perdeu apenas 200 homens. Os blocos de mármore que os persas pretendiam usar para o monumento que ergueriam após a batalha foram, em vez disso, usados ​​pelos vitoriosos gregos para construir monumento em homenagem aos seus camaradas caídos. Esse golpe foi visto como insulto por Dário, que decidiu continuar lutando e se preparou para outra invasão. Esse plano, no entanto, nunca se concretizou devido à sua morte, em 486 a.C..

Governo

O Império Persa testemunhou muitas melhorias durante o reinado de Dário. Ele estabeleceu 20 províncias ou satrapias, com um arconte ou sátrapa designado para cada uma. As regiões vizinhas pagavam tributo fixo; um valor justo era estipulado por uma comissão de oficiais de confiança de Dário.

DáRIO ATRIBUIU SEU SUCESSO A AHURA MAZDA E TODAS AS SUAS LEIS FORAM CRIADAS EM NOME DO DEUS ZOROASTRIANO.

Ele também aprimorou o sistema jurídico do governo persa, usando o Código Hamurabi da Babilónia como modelo e copiando algumas de suas leis integralmente. As leis eram aplicadas pelos juízes do império, que precisavam ser incorruptíveis. Dário removeu os antigos funcionários nativos, substituindo-os por novas pessoas leais a si. Embora as punições possam parecer brutais hoje, variando de mutilação à cegueira, a justiça não foi omitida, pois a punição dependia da natureza e da gravidade do crime. O novo sistema provou ser popular, mesmo após a morte de Dário, algumas leis ainda estavam em uso em 218 a.C..

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Em matéria de religião, é bem conhecido que Dário era adepto do Zoroastrismo ou, pelo menos, um firme crente em Ahura Mazda. Isso podemos ver em suas inscrições, onde ele atribui seu sucesso a Ahura Mazda, e em seu sistema jurídico, onde todas as leis foram criadas em nome do deus zoroastriano. Nas terras que estavam sob controle persa, todas as outras religiões eram toleradas, desde que permanecessem submissas e pacíficas.

Economia e Projetos de Construção

Durante seu reinado, Dário empreendeu impressionantes projetos de construção por todo o império. Em Susa, construiu um complexo palaciano na parte norte da cidade, que se tornou sua residência favorita. Seguiu-se o grandioso projeto em Persépolis; o complexo palaciano incluía o quartel militar, o tesouro, os aposentos do rei e casa de hóspedes. Além dos palácios, Dário também concluiu projetos de construção anteriormente inacabados de Ciro em Pasárgada. No Egito, construiu muitos templos e restaurou aqueles que tinham sido destruídos.

Dário introduziu uma nova moeda universal, o darayaka, em algum momento antes de 500 a.C. Essa inovação facilitou a cobrança de impostos sobre terras, gado e mercados, o que levou a aumento nas receitas do império. Para melhorar ainda mais a economia e auxiliar os comerciantes, novo sistema padronizado de pesos e medidas foi introduzido.

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Morte e Legado

Após a derrota em Maratona, Dário não desistiu do seu sonho de conquistar a Grécia. Ele jurou reunir exército ainda maior, desta vez liderando-o pessoalmente, para lutar contra os gregos. Após três anos de preparativos, durante os quais adoeceu, uma revolta eclodiu no Egito, agravando ainda mais seu estado de saúde. Dário morreu em outubro de 486 a.C.; seu corpo foi sepultado em Naqsh-e Rustam, em túmulo preparado por ele previamente, um costume dos reis persas. Após sua morte, o trono foi herdado por seu filho Xerxes.

Tomb of Darius I, Naqsh-e Rustam
Tumba de Dário I, Naqsh-e Rustam درفش کاویانی (CC BY-SA)

O reinado de Dário foi um dos episódios mais importantes da história do Império Persa. Suas conquistas militares expandiram as fronteiras da Pérsia e, internamente, suas reformas melhoraram a vitalidade do império. Algumas dessas melhorias sobreviveram até os dias de hoje, como suas leis que servem de base para o atual sistema jurídico iraniano.

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Sobre o Tradutor

Raimundo Raffaelli-Filho
Médico, professor de Clínica Médica (MD, PHD) e apaixonado por História, particularmente pela Antiga e Medieval, especialmente pelo Império Romano.

Sobre o Autor

Radu Cristian
Sempre fui apaixonada pelo passado. Comecei com os dinossauros ainda muito jovem e continuei estudando história até terminar o ensino médio. Escrevi redações para a escola e participei de diversos projetos durante a minha graduação.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cristian, R. (2026, janeiro 23). Dário I. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-357/dario-i/

Estilo Chicago

Cristian, Radu. "Dário I." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, janeiro 23, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-357/dario-i/.

Estilo MLA

Cristian, Radu. "Dário I." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 23 jan 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-357/dario-i/.

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