Franklin Pierce

O Presidente Americano Trágico
Harrison W. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Franklin Pierce (by George Peter Alexander Healy, Public Domain)
Franklin Pierce George Peter Alexander Healy (Public Domain)

Franklin Pierce (1804-1869) foi um advogado e político norte-americano que exerceu o cargo de 14.º presidente dos Estados Unidos. Um político pouco notável antes da eleição, a sua presidência foi marcada pela crise regional em torno da questão da escravatura. O seu apoio à Lei do Kansas-Nebraska (Kansas-Nebraska Act, 1854) conduziu ao Bleeding Kansas (Kansas Sangrento), uma proto-guerra civil que agravou a divisão regional. Em 1857, Pierce deixou o cargo após apenas um mandato, numa altura em que a nação caminhava a passos largos em direção à Guerra Civil Americana (1861-1865).

A Infância

Franklin Pierce nasceu a 23 de novembro de 1804 na cabana de madeira da sua família, em Hillsborough, New Hampshire. Era o quinto de oito filhos de Benjamin Pierce, um agricultor, taberneiro e político local. Veterano da Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-1783), Benjamin tinha-se estabelecido em New Hampshire após o conflito, onde comprou 50 acres de terra, foi eleito xerife do condado e envolveu-se na política, alinhando-se com o Partido Democrático-Republicano. Casou-se também com Anna Kendrick, a sua segunda mulher e mãe de Franklin. Franklin recordaria com carinho que ela «era uma mãe extremamente carinhosa e terna, forte em muitos aspetos e fraca noutros, mas sempre fraca no que dizia respeito a… um profundo carinho» (Hamilton, pág. 114).

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Pierce concorreu a um lugar na Assembleia Legislativa estadual como candidato do novo Partido Democrático de Jackson, em 1829.

Pouco depois do nascimento de Franklin, Benjamin Pierce mudou a família para uma casa maior junto à estrada, onde abriu uma taberna. Foi aqui, na zona rural do interior de New Hampshire, que Franklin passou a maior parte da sua infância; como escreve o historiador Neil A. Hamilton, «nesta região rural de colinas, vales e florestas densas, com verões curtos e invernos longos, Franklin dedicou-se à caça, à pesca e a nadar nas lagoas locais» (Idem). Quando Franklin tinha 12 anos, o pai matriculou-o num internato numa cidade vizinha. No entanto, Franklin, pouco habituado a longos períodos longe da família, sentiu saudades de casa; num domingo, saiu da escola e caminhou 19,3 km (12 milhas) de volta a casa. O pai não ficou contente ao encontrar o filho de volta à sua porta. Benjamin deu jantar ao rapaz, colocou-o numa carruagem e levou-o parte do caminho de volta à escola, antes de o mandar sair e obrigá-lo a percorrer o resto do caminho a pé, no meio de uma tempestade. Foi, como Franklin mais tarde recordaria, «o ponto de viragem na minha vida» (Wallner, pág. 15).

No final de 1820, Franklin Pierce matriculou-se no Bowdoin College, no Maine; entre os seus colegas de turma estava o futuro romancista Nathaniel Hawthorne, que se tornaria um amigo íntimo para toda a vida. Pierce não era um aluno naturalmente dotado e, de facto, ficou em último lugar na sua turma (de apenas 14 alunos) durante a primeira metade da sua carreira universitária. Era também propenso a travessuras; quando os alunos de Bowdoin se rebelaram contra a administração e entraram em greve, Pierce foi suspeito de os ter instigado. No entanto, apesar de todos estes problemas, conseguiu recompor-se durante os últimos dois anos da sua formação e formou-se em quinto lugar na sua turma, em 1824. Decidiu tornar-se advogado e, após estudar Direito de forma intermitente, foi admitido na Ordem dos Advogados de New Hampshire em 1827. Abriu um escritório de advocacia na sua cidade natal, Hillsborough, e, embora tenha perdido o seu primeiro caso, rapidamente ganhou reputação como advogado competente.

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O Início na Política

No momento em que iniciava a sua carreira jurídica, ocorreram dois acontecimentos que desviaram a sua atenção para a política, alterando a trajetória da sua vida. O primeiro foi a eleição do seu pai como governador de New Hampshire em 1827. O segundo foi a acirrada eleição presidencial dos EUA de 1828, que opôs o presidente em exercício, John Quincy Adams, ao general populista Andrew Jackson. Pierce fez campanha ativamente a favor de Jackson, que venceu no distrito natal de Pierce por uma ampla margem e ganhou a eleição nacional. Animado por este sucesso, o próprio Pierce concorreu a um lugar na Assembleia Legislativa estadual, como candidato do novo Partido Democrata de Jackson, em 1829. Venceu a eleição e viria a exercer funções na Assembleia Legislativa durante os quatro anos seguintes. Em 1831, os democratas conquistaram a maioria na Assembleia Legislativa e Pierce foi eleito presidente da Câmara dos Representantes. Aproveitou o cargo para fazer campanha contra os bancos nacionais e apoiar a milícia estadual.

Gen. Andrew Jackson
Gen. Andrew Jackson John Wesley Jarvis (Copyright)

Segundo Hamilton, Pierce encontrou um novo lar no Partido Democrata, que se tornou «fundamental na sua vida, uma irmandade da qual não podia desviar-se, e compilou um dos registos de votação mais sólidos em apoio aos programas jacksonianos» (pág. 114). Em 1832, esta lealdade inabalável foi recompensada quando os democratas escolheram Pierce para concorrer a um lugar na Câmara dos Representantes dos EUA. Ajudado pelo seu influente pai — que entretanto se tinha afastado da política —, Pierce venceu facilmente a eleição. Em 1833, antes de partir para Washington, D.C., para assumir o seu lugar no Congresso, Pierce fez uma volta da vitória quando ele e o seu pai receberam pessoalmente o seu herói, o presidente Jackson, em New Hampshire. Nesse mesmo ano, Pierce começou a cortejar Jane Means Appleton, filha do antigo presidente do Bowdoin College. O casal casou-se a 19 de novembro de 1834. Jane era uma mulher tímida e piedosa, constantemente doente devido a crises recorrentes de tuberculose. Nunca aprovou as ambições políticas do marido, nem o seu consumo excessivo de álcool, e tentou impedir ambas as coisas.

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Pierce assumiu o seu lugar no Congresso em dezembro de 1833. Era «bonito, afável, encantador e dotado de um certo brilho superficial» (Britannica). Fazia amigos com facilidade e continuou a ser um defensor ferrenho das políticas democratas, juntando-se à «Guerra dos Bancos» de Jackson contra o Segundo Banco dos Estados Unidos; acreditando que o banco elitista tinha acumulado demasiado poder, opôs-se às suas tentativas de garantir uma nova carta constitutiva.

Enquanto esteve no Congresso, Pierce também teve de lidar com a questão da escravatura, que já dividia a nação ao longo de linhas regionais. Em 1835, foi apresentada ao Congresso uma petição solicitando que a «instituição peculiar» fosse abolida dentro dos limites do Distrito de Columbia. Embora Pierce afirmasse acreditar pessoalmente que a escravatura era um «mal social e político», considerava, no entanto, que qualquer tentativa do governo federal de agir contra ela infringia os direitos dos estados do Sul. Sentia-se também irritado com os abolicionistas, a quem considerava «fanáticos» e «agitadores»; «o movimento abolicionista», escreveu ele, «tem de ser esmagado, ou será o fim da União» (Wallner, pág. 67). O apoio de Pierce à escravatura, por mais tímido que fosse, viria a ter consequências profundas para o resto da sua carreira.

O Senado dos EUA

Pierce não lidou muito bem com o stress do Senado e recorreu ao álcool em busca de consolo.

Em 1836, Pierce foi eleito para o Senado dos EUA, tornando-se o homem mais jovem a exercer funções na câmara. Como até então pouco tinha feito para se destacar, muitos ficaram perplexos com a sua rápida ascensão, tendo um amigo escrito: «Sem talentos particularmente notáveis, aos 34 anos ocupa um dos cargos mais elevados da nação» (Hamilton, pág. 115). Tal como durante o seu mandato na Câmara dos Representantes, Pierce não deixou grande marca no Senado, seguindo a linha do Partido Democrata em questões como a banca e a escravatura. Votou a favor de resoluções apresentadas pelo senador John C. Calhoun, da Carolina do Sul, que afirmavam que qualquer decisão sobre a escravatura deveria ser deixada aos estados e que quaisquer tentativas do governo federal de abolir a escravatura na capital nacional seriam vistas como um ataque contra o Sul. Esta chamada «Resolução da Mordaça» revelou-se controversa e foi veementemente contestada pelo Partido Whig, da oposição.

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Pierce não lidou muito bem com o stress do Senado e procurou refúgio no álcool. Era um bebedor inveterado, e a notícia do seu alcoolismo rapidamente se espalhou pelos corredores do Congresso. «Havia rumores de que o álcool lhe turvava a mente», escreve Hamilton, «Seja como for, isso revelou-se certamente um fardo para a sua família» (Idem). De facto, o alcoolismo de Pierce não seria a única provação que a sua família teria de suportar. No início da década de 1840, dois dos seus três filhos tinham falecido; o mais velho, Franklin Jr., morrera na infância, e o segundo mais velho, Frank Robert, morrera de tifo epidémico aos quatro anos de idade. Apenas vivia o seu filho mais novo, Benjamin (nascido em 1841). À medida que estas dificuldades se acumulavam uma após a outra, Pierce decidiu abandonar o Congresso em 1842. Mudou-se para Concord, a capital do estado de New Hampshire, onde passou os anos seguintes a dedicar-se à sua prática jurídica.

O Caminho para a Presidência

Em 1844, Pierce regressou à vida pública, fazendo campanha pela eleição do seu amigo e colega democrata James K. Polk para a presidência. Polk foi eleito com uma plataforma expansionista do «Destino Manifesto» (Manifest Destiny), que incluía a aquisição do Texas e da Califórnia ao México. Quando estas questões conduziram à Guerra Mexicano-Americana em 1846, Pierce ofereceu entusiasticamente os seus serviços ao Exército dos EUA e foi nomeado coronel do 9.º Regimento de Infantaria; vários meses depois, a 3 de março de 1847, foi promovido a general-de-brigada e recebeu o comando de uma brigada no exército do general Winfield Scott. Pierce provou o combate pela primeira vez na Batalha de Contreras (19-20 de agosto de 1847), quando foi derrubado do cavalo, caindo com a virilha primeiro. A sua brigada participou na captura da Cidade do México um mês depois, embora o próprio Pierce estivesse confinado à sua tenda, a lidar com um episódio de diarreia.

General Franklin Pierce
General Franklin Pierce Waterman Lilly Ormsby (Public Domain)

Pierce regressou a Concord em dezembro de 1847. Embora tenha recebido uma recepção de herói, sentiu-se, no íntimo, desapontado por não ter tido a oportunidade de se distinguir em combate. Nessa altura, a questão da escravatura voltava a agitar a nação, à medida que o Congresso debatia se deveria permitir que a instituição se expandisse pelos 1 360 000 km² (525 000 milhas²) de território ocidental que acabavam de ser conquistados ao México. Pierce apoiou publicamente o Compromisso de 1850, considerando-o uma vitória para a preservação da União. O seu apoio ao compromisso trouxe-o de volta ao centro das atenções nacionais no momento certo. À medida que as eleições presidenciais dos EUA de 1852 se aproximavam, os Democratas encontravam-se num impasse entre três potenciais candidatos — Stephen A. Douglas, James Buchanan e Lewis Cass eram todos favoritos na convenção nacional, mas nenhum conseguiu garantir a maioria de dois terços necessária.

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Para quebrar o impasse, o nome de Pierce foi apresentado como candidato de compromisso. Embora ainda tivesse alcançado poucos feitos dignos de nota e estivesse afastado do cargo há uma década, a sua lealdade inabalável ao partido era bem recordada. Uma vez que os democratas tinham adotado uma plataforma partidária que rejeitava novas «agitações» abolicionistas e apoiava o Compromisso de 1850, as posições de Pierce sobre essas duas questões também fizeram dele uma escolha forte para a nomeação. Foi nomeado na 49.ª votação, tendo o senador William R. King, do Alabama, sido escolhido como seu vice-presidente. Quando a notícia de que tinha sido nomeado chegou a Pierce, em Concord, este ficou chocado, e Jane chegou mesmo a desmaiar ao ouvir a notícia.

A eleição geral opôs Pierce ao seu antigo comandante no exército, o general Scott, que era o candidato do Partido Whig. Mas enquanto os democratas se mantinham unidos por trás da sua plataforma pró-compromisso, os Whigs eram um partido dividido e não conseguiram suscitar o entusiasmo necessário pelos eleitores em relação a Scott. Como resultado, Pierce venceu facilmente o que o biógrafo Peter A. Wallner descreve como «uma das campanhas menos emocionantes da história presidencial» (pág. 213). Pierce obteve 50,9% dos votos populares, bem como 254 votos eleitorais, tendo os democratas conquistado também a maioria no Congresso.

Great Footrace for the Presidential Purse, 1852
Grande Corrida a Pé pela Bolsa Presidencial, 1852 Currier & Ives (Public Domain)

Pierce mal teve tempo para celebrar a sua vitória quando a tragédia voltou a atingi-lo. A 6 de janeiro de 1853, apenas algumas semanas antes de assumir o cargo, ele e a sua família ficaram envolvidos num acidente de comboio perto de Andover, em Massachusetts. Embora Franklin e Jane tenham sobrevivido, o seu filho Benjamin, de 11 anos, morreu esmagado. Tendo perdido o seu último filho de forma tão traumática, ambos os pais sofreram de depressão grave. Franklin voltou a beber, enquanto a piedosa Jane ficou a questionar-se se a morte de Benny seria um castigo divino pela busca arrogante do marido por um cargo mais elevado.

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A Presidência

Pierce procurou promover a unidade nacional, preenchendo o seu gabinete com vozes de ambos os lados do debate sobre a escravatura.

Pierce tomou posse em Washington a 4 de março de 1853; aos 47 anos, era o homem mais jovem a ter sido eleito presidente até então. Jane, ainda a recuperar do choque da morte de Benny, não esteve presente na tomada de posse. Numa época de profundas divisões regionais, Pierce procurou promover a unidade nacional, preenchendo o seu gabinete com vozes de ambos os lados do debate sobre a escravatura, desde os «free-soilers» até aos defensores dos «direitos dos estados» do Sul. Embora o seu gabinete — que incluía Jefferson Davis como Secretário da Guerra — funcionasse de forma competente, as suas tentativas de agradar a todos acabaram por não agradar a ninguém. A administração de Pierce sofreu uma reviravolta precoce quando o vice-presidente King faleceu de tuberculose pouco mais de um mês após o início do seu mandato. A vice-presidência permaneceu vaga durante o resto da administração de Pierce.

Enquanto presidente, Pierce opôs-se ao financiamento federal de obras de infraestruturas internas — que incluíam autoestradas, canais e caminhos-de-ferro —, acreditando que tais assuntos deviam ser deixados a cargo dos estados. «Não será melhor», escreveu ele, «deixar todas estas obras a cargo da iniciativa privada, reguladas e, quando conveniente, apoiadas pela cooperação do Estado?» (Hamilton, pág. 116). No entanto, apoiou uma iniciativa do Secretário da Guerra Davis para estudar a construção de possíveis linhas ferroviárias para o Oeste, que Davis defendia serem necessárias por razões de segurança nacional. Pierce também retomou a antiga bandeira democrata do expansionismo e do «destino manifesto». Sob a sua administração, os EUA realizaram a Compra de Gadsden, adquirindo 76 767 km² (29 640 milhas²) de território ao México, abrangendo as atuais regiões do sul do Arizona e do sudoeste do Novo México.

Outras tentativas de concretizar o «destino manifesto» não correram tão bem e, muitas vezes, viram-se envolvidas na questão da escravatura. Em 1854, propôs comprar Cuba à Espanha por 120 milhões de dólares; caso a Espanha recusasse, a administração de Pierce estava pronta para «arrancar» o controlo de Cuba. Esta proposta, publicada como o Manifesto de Ostend (Ostend Manifesto, 1854), provocou indignação em todo o Norte «terra livre», onde foi vista como uma tentativa de acrescentar mais um território escravocrata à União para reforçar os interesses das «esclavocracias» do Sul. Devido à controvérsia, Pierce foi forçado a desistir do plano de tomar o controlo de Cuba. No ano seguinte, um aventureiro americano chamado William Walker liderou uma expedição de filibusterismo à América Central. Walker tomou o controlo da Nicarágua, autoproclamou-se ditador militar e estabeleceu um governo pró-escravatura. Pierce voltou a suscitar controvérsia ao reconhecer o governo de Walker como legítimo.

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Em 1854, Pierce tomou a medida mais controversa da sua presidência ao assinar a Lei do Kansas-Nebraska (Kansas-Nebraska Act). O projeto de lei foi redigido pelo senador Stephen A. Douglas, de Illinois, outrora rival de Pierce na corrida à nomeação presidencial democrata, que pretendia beneficiar o seu estado através da construção de uma linha férrea de Chicago até à costa do Pacífico. Douglas não poderia, no entanto, concretizar este projeto até que o Território do Nebraska — em grande parte ainda não colonizado — tivesse sido organizado, uma questão que, sem dúvida, reacenderia o debate sobre se a escravatura seria permitida naquela região. Douglas e os seus apoiantes esperavam resolver a questão com um compromisso conhecido como «soberania popular», o que significava que os colonos locais deveriam poder decidir por si próprios se queriam aderir à União como um «estado livre» ou um «estado escravista». Esta disposição da «soberania popular» foi incluída na Lei do Kansas-Nebraska; quando Pierce a promulgou, invalidou o Compromisso do Missouri de 1820 (Missouri Compromise, 1820), que até então tinha proibido a criação de novos «estados escravistas» a norte do paralelo 36°30′.

Mapa dos Estados Unidos na Véspera da Guerra Civil, 1861
Mapa dos Estados Unidos na Véspera da Guerra Civil, 1861 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Em resultado da Lei do Kansas-Nebraska, milhares de colonos, tanto a favor como contra a escravatura, afluíram ao território, na esperança de inclinar a balança a seu favor. Em 1855, Pierce nomeou o político pró-escravatura William Shannon como governador do Kansas, provocando a indignação dos colonos do movimento Free Soil (Solo Livre). Quando os «Free Soilers» criaram o seu próprio governo paralelo e redigiram a Constituição de Topeka, Pierce denunciou as suas ações como uma forma de rebelião. O debate rapidamente se tornou violento, com os «border ruffians» (arruaceiros da fronteira) pró-escravatura e os «jayhawkers» (guerrilhas abolicionistas) antiescravatura a cometerem fraude eleitoral, a envolverem-se em raptos e até a matarem-se uns aos outros. Este episódio violento, conhecido como Bleeding Kansas, deixou uma mancha negra na presidência de Pierce e ajudou a anunciar a chegada da guerra civil.

As capacidades de Pierce como presidente podem ter sido limitadas pela depressão que sentiu após a morte do filho. Um visitante da Casa Branca comentou o comportamento sombrio do casal presidencial, escrevendo que «Tudo naquela mansão parece frio e sem alegria. Já vi centenas de cabanas de madeira que pareciam conter mais felicidade» (Hamilton, pág. 116).

A Pós-presidência e a Morte

Embora Pierce esperasse ser nomeado para um segundo mandato, os democratas compreenderam que a controvérsia do Kansas o tinha tornado inelegível em grandes partes do país. Em vez disso, nomearam James Buchanan, que venceu as eleições gerais de 1856. Depois de deixar o cargo em março de 1857, Pierce passaria os três anos seguintes a viajar pela Europa com Jane. Regressaria a casa na véspera das eleições presidenciais dos EUA de 1860, a tempo de testemunhar a vitória de Abraham Lincoln e a crise da secessão que se seguiu. Como era de esperar, Pierce simpatizou com os secessionistas, escrevendo: «Se estivesse no lugar dos sulistas, após tantos anos de agressão, provavelmente estaria a fazer o que eles estão a fazer» (Idem, pág. 119).

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Abraham Lincoln, February 1860
Abraham Lincoln, Fevereiro 1860 Mathew Brady (Public Domain)

Após o início da Guerra Civil Americana, Pierce continuou a manifestar-se contra a administração de Lincoln. A 4 de julho de 1863, no dia seguinte à grande vitória da União na Batalha de Gettysburg, proferiu um discurso a denunciar a guerra, o que o levou a ser odiado em todo o Norte. Nos meses seguintes, Pierce seria assolado por mais tragédias pessoais; a sua amada esposa Jane faleceu em dezembro de 1863, enquanto o seu amigo íntimo Nathaniel Hawthorne faleceu em maio de 1864. Pierce voltou a cair no alcoolismo grave nos seus últimos anos e faleceu a 8 de outubro de 1869 de cirrose hepática, aos 64 anos. Hoje em dia, Pierce é mal lembrado pela maioria dos americanos, mas quando se pensa nele, é como um dos piores presidentes do país, cujo mandato nada fez para sanar a crise regional que resultou na Guerra Civil.

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Perguntas & Respostas

Quem foi Franklin Pierce?

Franklin Pierce foi o décimo quarto presidente dos Estados Unidos entre 1853 e 1857; o seu mandato levou ao agravamento da divisão regional em torno da questão da escravatura.

O que aconteceu ao filho de Franklin Pierce?

Benjamin, filho de Franklin Pierce, morreu num acidente de comboio a 6 de janeiro de 1853, alguns meses antes da tomada de posse de Pierce como presidente. Alguns estudiosos consideraram que a depressão de Pierce devido à morte do filho contribuiu para a sua ineficácia enquanto presidente.

Por que é que Franklin Pierce não conseguiu um segundo mandato?

Franklin Pierce não foi nomeado para se recandidatar a um segundo mandato porque as suas políticas tinham conduzido a momentos de divisão, como o «Bleeding Kansas», e porque se tinha tornado impopular e era considerado pelo seu próprio partido como alguém que não tinha hipóteses de ser eleito

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Mark, H. W. (2026, setembro 28). Franklin Pierce: O Presidente Americano Trágico. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-28996/franklin-pierce/

Estilo Chicago

Mark, Harrison W.. "Franklin Pierce: O Presidente Americano Trágico." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, setembro 28, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-28996/franklin-pierce/.

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Mark, Harrison W.. "Franklin Pierce: O Presidente Americano Trágico." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 28 set 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-28996/franklin-pierce/.

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