Grande Guerra do Norte

Liana Miate
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Battle of Narva (1700) By Alexander Kotzebue (by Alexander Kotzebue, Public Domain)
A Batalha de Narva (1700), de Alexander Kotzebue Alexander Kotzebue (Public Domain)

A Grande Guerra do Norte ocorreu entre 1700 e 1721 e foi travada entre a Rússia e a Suécia durante o reinado de Pedro I da Rússia (Pedro, o Grande). Uma das principais causas da guerra foi o desejo de Pedro, o Grande, de possuir território no Mar Báltico e de obter acesso ao Mar Negro.

Muitas batalhas foram travadas ao longo dos 21 anos, mas a Rússia derrotou finalmente a Suécia na Batalha de Poltava, em 1709, embora um tratado de paz formal só tenha sido assinado em 1721. O conceituado escritor francês Voltaire (1694-1778) chamou-lhe a "Famosa Guerra do Norte".

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O Contexto

Desde 1697 que Pedro expressava o seu desejo de capturar território no Mar Báltico para aí poder construir um porto. Nessa altura, o Mar Báltico estava sob o controlo da Suécia, que beneficiava grandemente das inúmeras rotas comerciais marítimas e portos. A Rússia e a Suécia estavam em conflito há séculos pelo controlo de terras na costa da Finlândia. Após a morte de Ivan IV da Rússia (Ivan, o Terrível) em 1584, a Suécia assumiu o controlo de uma grande secção de terras costeiras russas, incluindo Novogárdia, que devolveram à Rússia em 1616. O controlo sueco destas províncias isolou a Rússia do mar, e Pedro estava bem ciente da perda económica que a Rússia sofria como consequência. Ter acesso direto ao Mar Báltico significaria que a Rússia teria uma rota marítima direta para a Europa Ocidental e para países como a Inglaterra e a Holanda.

Em 1700, a Suécia era uma das nações mais poderosas da Europa.

Outra possível motivação para a guerra incluiu a visita à cidade de Riga durante a Grande Embaixada de Pedro, o Grande. Após chegar a Riga, a capital da Letónia, o governador negou o pedido de Pedro para ver as fortificações. Um Pedro ofendido jurou que um dia tomaria o controlo de Riga.

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Pedro reuniu-se com Augusto (1670-1733), o Eleitor da Saxónia e Rei da Polónia, em 1698, onde Augusto pediu a Pedro e à Rússia que o apoiassem caso os polacos se voltassem contra ele. Em troca, Augusto prometeu ajudar Pedro a tomar Riga. Embora este acordo verbal nunca tenha sido formalizado ou escrito, dizia-se que Pedro tinha uma profunda afinidade por Augusto e que o teria levado a sério.

Peter the Great
Pedro, o Grande Jean-Marc Nattier (Public Domain)

A Suécia

Naquela época, a Suécia era uma das nações mais poderosas da Europa, com vastos territórios sob o seu controlo e acesso a inúmeras e ricas rotas comerciais. O rei da Suécia era Carlos XII (1682-1718), que tinha apenas 15 anos quando foi coroado, em 1697. Herdara um vasto Império Sueco que incluía a Estónia, a Escandinávia (exceto a Noruega), a Finlândia e as Ilhas Bálticas. A Suécia controlava também as rotas comerciais ao longo dos rios Neva, Elba, Oder e Dvina. O exército sueco podia marchar para qualquer lugar na Europa, o que o tornava um interveniente fundamental na guerra e na paz. Apesar de ser tão jovem, Carlos possuía um talento natural para governar. Durante o seu reinado, o Império Sueco atingiu novos patamares, embora a Rússia os tenha acabado por derrotar na Grande Guerra do Norte. Contudo, Carlos conquistou o seu lugar na história como um ilustre herói militar.

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Johann Patkul

Johann Patkul era um nobre e patriota livónio, um homem inteligente e culto, mas também obstinado e impetuoso. A Livónia (atual Estónia) tornara-se território sueco em 1660. Durante o reinado de Carlos XI (reinou 1660-1697), o poder e a influência da nobreza foram significativamente reduzidos para que o rei pudesse exercer o poder absoluto. Patkul opôs-se firmemente a esta medida e defendeu a sua causa perante o rei, que, embora comovido pelo discurso de Patkul, não mudou de ideias. Patkul escreveu uma petição colérica e enviou-a para Estocolmo, onde foi considerada traição.

Pedro sabia que, se conquistasse primeiro Narva, obteria maior acesso ao mar e poderia construir mais navios.

Patkul foi condenado à execução, mas escapou aos oficiais enviados para o prender. Vagou pela Europa durante seis anos, sonhando formar uma parceria anti-sueca com outros líderes que partilhassem as suas ideias. Patkul estava particularmente ansioso por atrair a Polónia para o seu lado, pois sabia que Augusto era alemão e que tomaria o partido dos nobres alemães na Livónia. Em 1698, Patkul reuniu-se com Augusto e convenceu-o a criar uma aliança anti-sueca, prometendo-lhe que a captura da Livónia seria fácil e que os nobres locais o reconheceriam como o seu rei legítimo — uma perspetiva que Augusto não pôde recusar.

Patkul visitara anteriormente o rei Frederico IV da Dinamarca (reinou 1699-1730), que estava desejoso de que a Dinamarca participasse na guerra, uma vez que tinham perdido terras para a Suécia e estavam cansados das tropas suecas nas suas fronteiras. A Polónia e a Dinamarca assinaram um tratado ofensivo contra a Suécia. Patkul sugeriu que também convencessem a Rússia a juntar-se a eles, pois sabia que o seu elevado número de soldados os beneficiaria grandemente. No entanto, havia o receio de que a Rússia não abandonasse as províncias bálticas, mas sim que reivindicasse o controlo das mesmas para si.

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Charles XII from the Workshop of Hyacinthe Rigaud
Carlos XII, do Atelier de Hyacinthe Rigaud From the Workshop of Hyacinthe Rigaud (Public Domain)

A Rússia Junta-se à Luta

Patkul e o representante pessoal de Augusto, o General George von Carlowitz, viajaram até Moscovo para terem uma audiência com Pedro. Assim que chegaram, encontraram uma embaixada sueca que já aguardava por Pedro. Os suecos procuravam ratificar todos os tratados existentes entre a Rússia e a Suécia, como era norma sempre que um novo monarca era coroado.

Pedro chegou a Moscovo e encontrou estas duas embaixadas à sua espera. Ao longo das semanas seguintes, negociou com ambas as partes, embora Patkul permanecesse incógnito. A embaixada sueca tinha conhecimento da presença da embaixada de Augusto, mas presumiu apenas que estes também estariam a assinar tratados de paz com a Rússia. Para os apaziguar, Pedro tratou-os com as mais altas honras e assinou tudo o que lhe foi apresentado. Pedro concluiu as reuniões escrevendo uma carta pessoal a Carlos XII. Mal sabiam os suecos que, escassos dias depois, Pedro assinaria um tratado com Augusto para entrar em guerra contra a Suécia o mais tardar em abril de 1700.

A Preparação para a Guerra

Pedro deixou claro que a guerra contra a Suécia não começaria enquanto a Rússia não tivesse assinado um tratado de paz com o Império Otomano. Contudo, ele sabia que precisaria de todo o tempo possível para preparar os seus soldados para enfrentar um exército ocidental. Emitiu um decreto que convocava homens livres para lutar pela Rússia, oferecendo-lhes um pagamento de onze rublos por ano, além de um abono para bebidas. Exigiu também que os proprietários de terras entregassem um servo por cada 50 agregados de servos na sua posse, e que os mosteiros entregassem um recruta por cada 25 agregados sob a sua tutela. Em poucos meses, ele tinha remodelado o exército numa força de mais de 30 000 homens, composta por 35 regimentos. A maioria dos coronéis no comando eram estrangeiros. Pedro equipou o exército com casacos verde-escuros, calções, botas e chapéus, e armou-os com baionetas e mosquetes. Foram também ensinados a marchar em colunas e a manter a linha.

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Enquanto Pedro aguardava a finalização do tratado de paz com o Império Otomano, os seus novos aliados decidiram avançar e atacar a Suécia, com as tropas de Augusto a invadirem a Livónia e Riga. Carlowitz foi morto durante esta invasão. Entretanto, Frederico IV e as tropas dinamarquesas cercaram a cidade de Tonning. Pedro ficou agastado com ambos os aliados por terem atacado sem ele.

As relações com a Turquia tornaram-se tão más que Pedro decidiu restabelecer, entretanto, as suas relações amigáveis com a Suécia e enviou uma embaixada russa a Estocolmo para convencer os suecos de que pretendiam a paz. Pedro chegou a prometer retirar Riga a Augusto, caso este conseguisse capturá-la. A Suécia foi apaziguada por esta embaixada e despediu-se da Rússia em bons termos. Meses passaram e, finalmente, em agosto de 1700, o tratado de paz da Rússia com o Império Otomano foi concluído, e a Rússia declarou formalmente guerra à Suécia.

Narva By Gustaf Cederström
Narva por Gustaf Cederström Gustaf Cederström (Public Domain)

O Cerco de Narva

A cidade de Narva estava situada na margem do rio Naróva. Construída pelos dinamarqueses no século XIII, era rodeada por uma fortaleza bem armada. Os aliados de Pedro tentaram dissuadi-lo de atacar Narva, pois não queriam que ele assumisse o controlo da cidade. No entanto, Pedro sabia que, se conquistasse Narva, obteria maior acesso ao mar e poderia construir mais navios.

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O exército russo chegou a Narva em setembro e logo se dedicou a cercar a cidade com a ajuda do marechal de campo russo Duque Charles Eugène de Croy (1651-1702) e de um engenheiro chamado Hummert, enviado por Augusto. Tornou-se rapidamente evidente que as forças russas não estavam à altura da tarefa de um cerco. Não havia homens suficientes e os canhões russos não causavam danos significativos. Pedro soube também que Augusto tinha retirado de Riga. O golpe final ocorreu quando o engenheiro decidiu passar-se para o lado da Suécia.

Com a aproximação do inverno, o exército russo enfrentou doenças e, surpreendentemente, a deserção de Pedro. Existem várias razões para a retirada de Pedro. Talvez ele tenha pensado que seria mais útil a organizar mantimentos para o exército russo e que o cerco ainda estaria em curso quando regressasse. Seja como for, Pedro entregou o comando ao Duque de Croy e partiu.

Carlos XII viu nisto a oportunidade perfeita para impelir os seus homens em direção a Narva. Impressionantemente, 8 000 dos homens de Carlos XII enfrentaram o exército russo, que era cerca de três vezes maior, e conseguiram derrotá-lo a 20 de novembro de 1700. O exército russo detestava a maioria dos seus oficiais e, com a ausência de Pedro, eram como ovelhas sem pastor. Perderam-se mais de 5 000 homens. O exército sueco teve também uma tempestade de neve a seu favor, uma vez que a neve soprava diretamente para o rosto dos russos, prejudicando seriamente a sua visibilidade.

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Pedro soube desta derrota a curta distância de Narva e ordenou que as tropas sobreviventes seguissem para Novogárdia. A Europa elogiou a bravura de Carlos XII, enquanto Pedro foi ridicularizado. Passaria quase uma década até que a derrota russa em Narva fosse vingada.

Map of the Russian Empire under Peter the Great, c. 1725
Mapa do Império Russo sob o governo de Pedro, o Grande, cerca de 1725 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

As Consequências

Pedro não permitiu que a derrota da Rússia o distraísse do seu objetivo principal. Pelo contrário, tornou-se ainda mais empenhado e dedicado à guerra. O seu maior receio após o fracasso do cerco a Narva era que Carlos XII marchasse sobre Moscovo, o que, felizmente, não aconteceu. Pedro teve então de reconstruir o seu exército. As tropas dispersas foram reorganizadas e totalizaram mais de 34 000 homens; as fortificações foram reforçadas, novas armas foram reunidas — com os sinos das igrejas a serem fundidos para fabricar espingardas e canhões — e novos impostos foram introduzidos para custear tudo isto.

Em 1701, Pedro reuniu-se com Augusto para negociações que duraram dez dias. Tanto Pedro como Augusto concordaram em continuar a guerra. Decidiram que necessitariam do consentimento mútuo antes de qualquer retirada do conflito. A Polónia focar-se-ia na Livónia e na Estónia, enquanto a Rússia se concentraria na Carélia e na Íngria. Pedro nomeou o nobre Boris Sheremetev (1652-1719) como o novo Comandante-em-Chefe do exército russo.

As Múltiplas Campanhas

Carlos XII decidiu que não poderia combater a Rússia e a Polónia ao mesmo tempo e voltou a sua atenção para a derrota de Augusto. Durante esse período, a Rússia desfrutou de algumas vitórias. A primeira foi a derrota da marinha sueca em Arcanjo (localizada perto do Mar Branco).

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Em janeiro de 1702, a Rússia obteve a sua primeira grande vitória em Erestfer, no leste da Livónia, com cerca de 3 000 soldados suecos mortos. Moscovo celebrou esta vitória com um enorme banquete e fogo de artifício. Em julho de 1702, Sheremetev e os seus homens enfrentaram o coronel sueco Wolmar Anton von Schlippenbach (1653-1721) em Hummelshof, na Livónia, onde as tropas suecas foram quase dizimadas. A Livónia estava agora virtualmente indefesa, e não foi necessário muito esforço para que Sheremetev e os seus homens capturassem todas as cidades restantes.

Pouco depois, Pedro pensou em atacar pelo mar e deitou mãos à obra na construção de pequenos barcos que pudessem superar em número e subjugar os maiores navios suecos. Construiu estas embarcações no Lago Ladoga, que já albergava galés e brigantinos suecos. A 20 de junho de 1702, 400 soldados russos avançaram sobre os suecos, forçando-os a retirar. Outro ataque foi realizado a 7 de setembro e os suecos desocuparam o Lago Ladoga. Um ataque semelhante estava a ocorrer no Lago Peipus, o que fez com que os suecos retirassem apressadamente. Narva estava nas mãos dos russos mais tarde nesse mesmo ano.

Siege of Nöteborg By Alexander Kotzebue
Cerco de Nöteborg por Alexander Kotzebue Alexander Kotzebue (Public Domain)

A Captura da Fortaleza de Nöteborg

A Fortaleza de Nöteborg foi construída pelos habitantes de Novogárdia durante o século XIII e foi tomada pelos suecos em 1611. Esta controlava múltiplas rotas comerciais no Báltico e ao longo do Lago Ladoga e da Rússia. Por isso, recuperá-la era uma das prioridades da agenda de Pedro. O exército russo avançou sobre a fortaleza e bombardeou-a com morteiros durante dez dias até que os soldados no seu interior se renderam. Nöteborg foi a primeira fortaleza significativa a ser tomada pela Rússia, e Pedro ficou radiante. Esta vitória foi celebrada com uma entrada triunfal em Moscovo e arcos de triunfo. Os russos renomearam a fortaleza como Schlusselburg.

Estabelecer uma Linha Costeira Russa

Em 1703, Pedro decidiu que era tempo de estabelecer uma linha costeira russa ao longo do Báltico. 20 000 soldados marcharam em direção ao mar, com Pedro a segui-los numa comitiva de 60 barcos. Alcançaram um pequeno povoado sueco, que foi rapidamente capturado no dia seguinte. O acampamento russo ouviu rumores de que uma frota sueca estava a caminho. Assim que a frota sueca chegou, os russos enganaram-nos, respondendo aos seus tiros de sinalização, e esconderam-se nos pântanos do Neva, aguardando para emboscar os seus navios.

Esta vitória foi monumental para Pedro, pois garantiu-lhe acesso ao Mar Báltico e território ao longo de toda a extensão do rio Neva, que era o seu principal objetivo na guerra. A região da Íngria foi também devolvida à Rússia. Esta vitória estratégica permitiu a Pedro construir a grande cidade de São Petersburgo, que os suecos tentaram atacar múltiplas vezes ao longo dos anos, mas falharam sempre na tentativa de derrubar a cidade.

A Captura de Dorpat e Narva

Em 1704, Pedro instruiu Sheremetev a capturar a cidade-fortaleza de Dorpat (na atual Estónia). Dorpat tinha sido destruída no século XVI por Ivan, o Terrível, mas fora reconstruída desde então. Por esse motivo, os russos enfrentaram um grande desafio. Pedro chegou a Dorpat a 3 de julho e reorganizou os seus homens. Dez dias depois, Dorpat tinha caído. Agora, a atenção da Rússia voltava-se novamente para Narva, onde os preparativos para um ataque já estavam em curso.

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Battle of Poltava 1709 By Louis Caravaque
Battle de Poltava 1709 por Louis Caravaque Louis Caravaque (Public Domain)

A 30 de julho, Narva foi bombardeada durante dez dias. A 9 de agosto, os russos invadiram a cidade. Ainda exaltados pela batalha, começaram a massacrar homens, mulheres e crianças. Pedro ordenou um cessar-fogo e executou os soldados russos que desobedeceram às suas ordens. Esta vitória foi especialmente gratificante para Pedro, uma vez que ele continuava frustrado pela derrota da Rússia em Narva, quatro anos antes.

A Batalha de Poltava

A Batalha de Poltava (na atual Ucrânia), em 1709, foi uma batalha decisiva na Grande Guerra do Norte. Carlos XII estava confiante na sua capacidade de derrotar a Rússia, e Pedro estava pronto para vencer esta guerra.

Carlos XII decidira que queria tomar a cidade de Poltava, uma pequena localidade na margem do rio Vorskla. Ouvira rumores de que 5 000 soldados russos estavam ali instalados e possuíam mantimentos em abundância — algo de que os seus homens tinham grande necessidade. Em maio de 1709, Carlos XII iniciou um cerco ao qual os seus generais se opuseram categoricamente, pois o exército sueco já não era o exército forte e numeroso de outrora.

Entretanto, os russos tinham tomado posição em frente a Poltava e aguardavam a chegada de Pedro. Ao contrário de outras ocasiões, Pedro assumiu o comando total desta batalha. Após saber que os suecos estavam a ficar sem pólvora, decidiu que era tempo de atravessar o rio Vorskla. A 27 de junho, os suecos atacaram, mas não demorou muito para que o exército superior da Rússia frustrasse o seu ataque.

Os dois exércitos encontraram-se então em campo aberto e combateram entre si. Pedro esteve no centro da batalha e demonstrou grande coragem, inspirando os seus homens. Embora Carlos XII estivesse gravemente ferido, fez-se carregar numa maca enquanto encorajava as suas tropas. Em poucas horas, a batalha terminou com a vitória dos russos. O resto do exército sueco foi capturado, marcando o fim daquele que fora, outrora, um exército bravo e poderoso.

Portrait of Peter I of Russia
Retrato de Pedro I da Rússia Maria Giovanna Clementi (Public Domain)

O Tratado de Nystad

Entre 1718 e 1721, foram feitas várias tentativas de paz entre a Rússia e a Suécia, tendo surgido complicações no final de 1718 com a morte de Carlos XII. O ano de 1719 incluiu ataques russos à costa sueca, a recusa dos termos da Rússia pela nova rainha sueca, Ulrica Eleonora (1688-1741), e a política anti-russa de Jorge I da Grã-Bretanha (r. 1714-1727), que procurava forçar a Rússia a devolver as terras conquistadas à Suécia.

Após muitos avanços e recuos entre a Rússia e a Suécia, e com o envolvimento de outros países como a Grã-Bretanha e a Prússia, o Tratado de Nystad foi finalmente assinado a 30 de agosto de 1721. A Rússia abdicou da Finlândia, concordou em pagar uma elevada quantia pela Livónia, concedeu aos suecos o direito de comprarem cereais isentos de direitos em regiões específicas e libertou todos os reféns suecos. Em troca, a Suécia cedeu a Estónia, a Livónia, a Íngria e o distrito de Vyborg à Rússia.

As Consequências da Grande Guerra do Norte

A 22 de outubro de 1721, o Santo Sínodo e o Senado solicitaram que Pedro assumisse o título de Imperador da Rússia e de "Pedro, o Grande". Após alguma hesitação e muita ponderação, Pedro aceitou finalmente estes títulos. Em celebração da sua grande vitória, Pedro perdoou todos os prisioneiros (exceto assassinos). Realizaram-se também múltiplas festas, banquetes e bailes de máscaras, com grandes celebrações agendadas para outubro de 1721 e janeiro de 1722. O fim da Grande Guerra do Norte inaugurou uma nova era dourada para a Rússia e provou que Pedro era digno do epíteto "o Grande".

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Perguntas & Respostas

O que causou a Grande Guerra do Norte?

Entre as principais causas da Grande Guerra do Norte contavam-se o desejo de Pedro I da Rússia de obter territórios com acesso ao Mar Báltico (para fins comerciais e militares) e o conflito em curso com a Suécia por questões territoriais.

Quem venceu a Grande Guerra do Norte?

A Rússia saiu vitoriosa da Grande Guerra do Norte.

O que aconteceu na Grande Guerra do Norte?

A Grande Guerra do Norte durou 21 anos. Houve muitas campanhas e batalhas travadas. Durante esse período, Carlos XII da Suécia faleceu e a Rússia derrotou a Suécia.

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Miate, L. (2026, maio 20). Grande Guerra do Norte. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22377/grande-guerra-do-norte/

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Miate, Liana. "Grande Guerra do Norte." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, maio 20, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22377/grande-guerra-do-norte/.

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Miate, Liana. "Grande Guerra do Norte." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 20 mai 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22377/grande-guerra-do-norte/.

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