Guinevere

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Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Guinevere and Lancelot (by Internet Archive Book Images, Public Domain)
Guinevere e Lancelote Internet Archive Book Images (Public Domain)

Guinevere é a Rainha da Bretanha, consorte do Rei Artur e amante de Sir Lancelote nas Lendas Arturianas, mais conhecidas na sua forma padronizada a partir de A Morte de Arrur (tít. original: Le Morte d'Arthur, 1469), de Sir Thomas Malory. Ela surge pela primeira vez na História dos Reis da Bretanha (tít. original: History of the Kings of Britain, 1136), de Godofredo de Monmouth, como a casada com Artur, que é raptada pelo sobrinho deste, Mordred, tendo de ser resgatada por Artur; contudo, a sua personagem permaneceu por desenvolver até que Chrétien de Troyes (que escreveu cerca de 1159–1190) a tornou central no enredo da sua obra Lancelote, o Cavaleiro da Carreta (tít. original: Lancelot or the Knight of the Cart, cerca de 1177).

Chrétien introduziu o caso de amor entre Lancelote e Guinevere, e os escritores que se seguiram a Chrétien desenvolveram o enredo Artur-Guinevere-Lancelote até à sua abordagem mais completa na obra de Malory. Guinevere tem sido retratada como uma sedutora dúplice e traiçoeira, bem como uma esposa honesta e amorosa, apanhada em circunstâncias que a ultrapassam, mas todas as tentativas para a definir de vez revelam-se insuficientes. É frequentemente raptada e resgatada nos contos arturianos e constitui, por conseguinte, um paradigma do início da Idade Média da figura literária da donzela em apuros. Os estudiosos contemporâneos defendem que ela poderá ter sido uma figura histórica mitologizada após a sua morte como uma "Perséfone celta", ou que representa a soberania da Bretanha, enquanto outros ainda sustentam que ela simboliza a deusa Sofia (a sabedoria), tal como idealizada pelos cátaros. Não foi alcançado qualquer consenso académico sobre nenhuma estas teses, o que simplesmente sublinha a natureza fugidia de Guinevere, visto que ela é tão difícil de definir para o público leitor quanto o é para os senhores e cavaleiros dos contos.

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A Origem em Godofredo de Monmouth

Godofredo de Monmouth (cerca de 1100–1155) estabelece as linhas gerais da lenda arturiana na sua História dos Reis da Bretanha, obra que apresenta muitas das personagens centrais que viriam a ser desenvolvidas por outros escritores, incluindo Guinevere. Godofredo chama-lhe Gwenhuvara, a partir do nome galês Gwenhwyvar. O nome Gwenhwyvar (de significado incerto) surge em folclore gales anterior, fazendo referência a uma mulher de má reputação. De acordo com o investigador arturiano Norris J. Lacy:

Os galeses preservaram a tradição da sua infidelidade, culpando-a a tal ponto que, em algumas partes do país, ainda perto do final do século passado, era considerado um insulto à moralidade de uma rapariga chamar-lhe Guinevere.

(pág. 262)

O que exatamente esta primeira Gwenhwyvar fez permanece incerto, mas na obra de Godofredo ela é simplesmente a rainha de Artur, pupila do Lorde Cador da Cornualha e uma mulher de grande beleza e descendência romana. Quando Artur parte da Bretanha para fazer guerra no continente, deixa Guinevere ao cuidado do seu sobrinho Mordred, que a seduz e usurpa o trono. Artur regressa para resgatar a sua rainha e o reino, mas Guinevere, consumida pela culpa, foge do reino e recolhe-se a um convento. Mordred é morto em batalha e Artur, mortalmente ferido, é levado para a Ilha de Avalon.

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Geoffrey of Monmouth
Godofredo de Monmouth ndl642m (CC BY-NC-ND)

Godofredo não fornece quaisquer pormenores sobre a infidelidade de Guinevere, escrevendo apenas:

Foi trazida a notícia a [Artur] de que o seu sobrinho Mordred, a quem confiara o encargo da Bretanha, tinha, de forma tirânica e traiçoeira, colocado a coroa do reino sobre a sua própria cabeça e se unira em ligação ímpia com a Rainha Gwenhuvara, em desrespeito pelo seu casamento anterior.

(Livro X.13)

Escritores posteriores, como Wace (cerca de 1110–1174 e Layamon (por volta do final do século XII/início do século XIII), retratam Guinevere como cúmplice do golpe de Mordred, mas a deles é uma perspetiva minoritária, e a maioria dos autores sugere que ela não teve alternativa, visto ter sido raptada por Mordred juntamente com a monarquia. O escritor galês Caradoc de Lancarvan (século XII), colega de Godofredo, apresenta o primeiro relato conhecido do rapto de Guinevere na Vida de Gildas (tít. original: Life of Gildas, escrita por volta de 1136–1150). Nela, é levada pelo Lorde Melvas, Rei da Terra do Verão, e mantida escondida durante mais de um ano enquanto Artur a procura. Assim que a encontra, prepara-se para destruir o reino de Melvas, mas Gildas surge antes de as hostilidades começarem e resolve o conflito pacificamente: Guinevere é devolvida a Artur e Melvas mantém o seu reino intacto. Tal como Godofredo, Caradoc não adianta quaisquer pormenores sobre o papel de Guinevere em todo este processo. Ela permanece uma figura estática, desprovida de personalidade ou impacto no enredo, para além de ser a rainha de Artur que este tem de resgatar.

Chrétien de Troyes e Marie de France

Guinevere ganha destaque pela primeira vez enquanto indivíduo nas obras de Chrétien de Troyes e de Marie de France (que escreveram por volta de 1160–1215), dois poetas provençais associados a Leonor da Aquitânia (* cerca de 1122–1204) e à sua filha Maria de Champagne (1145–1198). Leonor e a filha foram mecenas de vários poetas que escreviam no género do amor cortês, um meio poético da literatura medieval altamente refinado que introduzia o conceito verdadeiramente inovador de mulheres fortes com personalidades bem definidas. Leonor e Maria foram muito provavelmente os modelos para várias destas mulheres, e Chrétien (que era patrocinado por Maria) afirma abertamente na introdução do seu Lancelote que a história lhe fora dada por Maria, que lhe ordenara que a transformasse em poesia.

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Guinevere ganha destaque pela primeira vez enquanto indivíduo nas obras de Chrétien de Troyes e Marie de France.

Como nenhuma das obras de Marie de France pode ser datada com precisão, não é possível afirmar se o seu poema Lanval é anterior ao Lancelote de Chrétien. É provável que a obra de Marie seja posterior, uma vez que inverte frequentemente um paradigma central do amor cortês (no qual uma mulher precisa de um homem para a resgatar) e faz com que as mulheres se resgatem a si próprias, a um homem, ou a ambos. No seu poema, a personagem principal é Lanval, um cavaleiro da corte de Artur que se afasta a cavalo após se sentir insultado e entra no mundo da princesa das fadas. Os dois apaixonam-se e ele passa algum tempo com ela antes de sentir que deve regressar à corte. A princesa faz com que ele jure manter o amor de ambos em segredo e, se o fizer, ela irá ter com ele quando mais precisar dela; Lanval promete e depois parte.

De volta à corte, Lanval é assediado por Guinevere, que é retratada como uma sedutora sensual, infiel ao rei com os seus cavaleiros. Lanval rejeita-a, ao que ela o acusa de cobarde e, posteriormente, de homossexual, argumentando que nenhum "homem a sério" a conseguiria recusar. Lanval sente que tem de salvaguardar a sua honra e explica que não pode ter relações sexuais com Guinevere porque está apaixonado pela princesa das fadas, quebrando assim o seu voto. Guinevere, numa reviravolta de enredo retirada da história de José no livro bíblico do Génesis, corre para junto de Artur e acusa Lanval de a ter tentado seduzir. Artur manda prender Lanval e submete-o a julgamento. Parece certo que será condenado e, embora invoque a sua princesa das fadas, não espera qualquer ajuda dela, uma vez que quebrou o seu voto. No entanto, à última hora, ela aparece e resgata-o, puxando-o para trás de si no seu cavalo e partindo a galope em direção ao seu reino.

Esta história é muito provavelmente posterior à obra de Chrétien por duas razões:

  1. O Lancelote de Chrétien era uma leitura popular e a inversão operada por Marie do resgate de um cavaleiro por uma dama teria ecoado junto do público;
  2. A Guinevere de Marie retoma a autoconfiança e a arrogância que são inerentes à Guinevere de Chrétien.

No Lancelote de Chrétien, Guinevere é raptada pelo Lorde Meleagant e fechada numa torre alta. Os cavaleiros de Artur perseguem-nos, mas Lancelote ultrapassa-os a todos, cavalgando de forma tão exaustiva que o cavalo morre e ele tem de continuar a pé. Encontra um anão a guiar uma carroça, que lhe diz que levará o cavaleiro até à rainha se ele consentir em viajar na carroça. Como as carroças estavam associadas a criminosos e a pessoas de classes baixas, Lancelote hesita, mas acaba por aceitar rapidamente. É então humilhado ao longo de toda a sua jornada até às terras de Meleagant por andar de carroça, mas finalmente chega junto de Guinevere e tenta resgatá-la. Contudo, ela recusa-o porque ele hesitou antes de entrar na carroça, o que significa que valorizava mais a sua reputação e honra do que a sua devoção a ela. Lancelote tem então de reconquistá-la, perdendo primeiro para adversários indignos num torneio e vencendo depois quando Guinevere lho ordena. No final, mata Meleagant e liberta a rainha, que o recompensa com um abraço educado em público, embora, em privado, sejam amantes.

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Lancelot Brings Guinevere to Arthur
Lancelote Entrega Guinevere a Arthur Amy G (CC BY)

Marie e Chrétien apresentam ambos uma figura individual reconhecida, dotada de motivações específicas para as suas ações. Na história de Marie, Guinevere não ama o marido e está entediada, pelo que se envolve com os cavaleiros de Artur. No conto de Chrétien, Guinevere parece, de facto, estimar Artur, mas, à semelhança do paradigma de Tristão e Isolda, o seu verdadeiro amor é o melhor amigo de Artur e o seu maior cavaleiro, Lancelote.

Guinevere como Deusa

Os estudiosos contemporâneos sustentam que a personalidade e as circunstâncias de Guinevere simbolizam um significado mais profundo do que o mero entretenimento para as cortes da Europa medieval. Roger Sherman Loomis argumenta que Guinevere é uma "Perséfone celta" que, tal como a deusa grega, "morre" e é depois "renascida" através do seu rapto e resgate (que surgem numa série de outros contos posteriores a Chrétien). A sua infidelidade faz lembrar as antigas deusas da fertilidade, às quais não se podem aplicar os mesmos padrões exigidos aos mortais. Assim, Guinevere não deve ser tanto julgada, mas sim admirada por se manter fiel à sua essência divina numa cultura que esperava que as mulheres se conformassem constantemente com os desejos dos homens.

As lendas arturianas continuaram a desenvolver-se ao longo do século XIII, mas os autores cristianizaram progressivamente as narrativas.

A investigadora Caitlin Matthews defende que Guinevere é a versão britânica de Ériu (Éire), a deusa da soberania da Irlanda, e que esta tese é apoiada pela tradição galesa de que Artur esteve casado com três Guineveres diferentes, as quais correspondem à deusa celta tripartite. As três Guineveres são imagens espelhadas das deusas celtas Ériu, Banba e Fodhla da Irlanda. Os raptos representariam diferentes governantes temporais a tentar deter a soberania, a qual não pode ser reclamada por um único monarca, pertencendo antes ao povo.

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O investigador Denis de Rougemont, entre outros, sugeriu que a poesia de amor cortês em geral, e a de Marie de France e de Chrétien de Troyes em particular, constitui uma representação alegórica da seita herética dos cátaros, que floresceu no sul de França na mesma altura em que os poetas escreviam. Os cátaros opunham-se aos ensinamentos da Igreja Católica, alegando que eram corrompidos, que a maior parte da Bíblia tinha sido escrita por Satanás e que o clero católico não passava de um conjunto de hipócritas corruptos que se importavam mais com a riqueza e o prazer do que com o serviço aos outros. Central para a crença cátara era a deusa Sofia (a sabedoria), e a tese de Denis de Rougemont sustenta que a figura da dama na poesia de amor cortês é Sofia, sendo o cavaleiro o devoto cátaro que a serve e que tem de a proteger ou resgatar do seu raptor: a Igreja. Guinevere, de acordo com esta teoria, é retida por Artur, defensor da Igreja, e é resgatada por Lancelote, o cavaleiro francês que está vinculado apenas à sua devoção pela dama.

O Ciclo Vulgata e Malory

Se é verdade que a poesia do sul de França do século XII constituía, na realidade, uma alegoria religiosa herética, a sua mensagem foi abruptamente silenciada pela Cruzada Albigense da Igreja (1209–1229), que destruiu os cátaros e a cultura da região. As lendas arturianas continuaram a desenvolver-se ao longo do século XIII, mas os autores cristianizaram progressivamente as narrativas, de tal modo que o Graal (introduzido por Chrétien simplesmente como um vaso mágico) se tornou o cálice de Cristo na Última Ceia, e o propósito dos cavaleiros de Artur nas suas demandas deixou de ser o romance cavaleiresco para passar a ser o esforço de encontrar o Santo Graal.

No entanto, estas histórias continuaram a cativar o público e foram vertidas em prosa na obra conhecida como o Ciclo Vulgata (1215–1235, também designado por Ciclo Lancelote-Graal). Esta obra reveste-se de grande importância por constituir a primeira vez que a matéria arturiana é apresentada em prosa. Antes disso, os romances eram escritos em poesia, enquanto a reserva da prosa se destinava a obras sérias de história, filosofia ou teologia. É um pormenor revelador da importância da lenda arturiana o facto de ter sido considerada digna de um tratamento em prosa. Esta obra foi posteriormente editada, entre 1240 e 1250, com o objetivo de lhe conferir maior clareza e forma; a versão revista ficou conhecida como o Ciclo Pós-Vulgata.

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Knights of the Round Table
Cavaleiros da Távola Redonda Evrard d'Espinques (Public Domain)

O Ciclo Pós-Vulgata constituiu a principal fonte de Thomas Malory na escrita de A Morte de Artur em 1469. Na versão de Malory, Guinevere é filha do Rei Leodegrance de Camelerd, que tinha servido o pai de Artur, Uther Pendragon, e ainda guardava a Távola Redonda que Uther lhe dera. Fica noiva de Artur depois de este ajudar Leodegrance a derrotar um rei rival mas, para Artur, o casamento é mais do que apenas uma recompensa ou o selo de uma aliança. No capítulo 18:1, Artur vê Guinevere pela primeira vez e apaixona-se instantaneamente por ela. Em 18:3, diz a Merlin que quer apenas Guinevere como esposa. Merlin adverte-o de que ela não lhe será fiel, mas que se apaixonará por um cavaleiro chamado Lancelote, e este por ela, e que o hão de trair. Artur responde a Merlin que nada disso importa e pede-lhe que arranje o casamento. Leodegrance envia a filha para a corte de Artur, juntamente com a Távola Redonda e 100 cavaleiros, e a cerimónia de casamento é tão sumptuosa como nenhuma outra jamais vista, mas Guinevere permanece em silêncio durante todo o ato.

Seja qual for o sentimento em relação ao seu casamento, Guinevere revela-se sempre cortês e graciosa. Norris J. Lacy comenta:

Ela é a Rainha épica da história e da crónica, generosa com as suas dádivas para com os cavaleiros da Távola Redonda, e é também a heroína trágica do romance, digna da nossa compaixão por ter sido dada em casamento a um homem a quem deve respeito mas não pode amar, e condenada a amar um homem com quem não pode casar.

(pág. 263)

Assim que Lancelote entra na história, Guinevere apaixona-se por ele tão profundamente como Artur se tinha apaixonado por ela. Enquanto o caso de ambos permanece secreto, tudo corre bem, mas, à medida que vão demonstrando o seu afeto de forma mais aberta, surgem suspeitas e Artur vê-se obrigado a agir contra a esposa e o seu melhor amigo. Lancelote consegue escapar antes de ser preso, mas Guinevere é capturada e condenada à execução na fogueira. Artur sabe que Lancelote virá resgatar a rainha, o que efetivamente acontece, após o que ela regressa para junto dele e lhe pede perdão. Artur é incitado a culpar mais Lancelote do que Guinevere e, contra a sua vontade, mobiliza o seu exército para perseguir o seu antigo amigo. Deixa Guinevere e o reino ao cuidado de Mordred (que, em Malory, é filho ilegítimo de Artur); contudo, tal como em Godofredo de Monmouth, Mordred trai Artur e tenta raptar Guinevere e apoderar-se do poder.

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The Death of King Arthur
A Morte de Artur John Garrick (Public Domain)

Artur regressa apressadamente a casa e defronta Mordred na Batalha de Camlann. Lancelote tinha prometido ajuda, mas não aparece. Artur mata Mordred, mas fica gravemente ferido e é ajudado a retirar-se do campo de batalha por Sir Bedevere; quase todos os outros cavaleiros de Artur morrem. Depois de devolver a espada Excalibur à Dama do Lago, Bedevere ajuda Artur a entrar numa barca que o leva para a Ilha de Avalon. Guinevere recolhe-se a um convento, onde passa o resto da vida ao serviço dos outros. Apenas vê Lancelote uma vez após o seu regresso a Artur, para se despedir e informá-lo da sua intenção de renunciar ao mundo; ele segue o mesmo caminho que ela, e Malory sugere que ambos se unem espiritualmente de uma forma que jamais voltariam a estar fisicamente.

Conclusão

Guinevere desempenha um papel significativo em muitas outras obras arturianas para além das aqui mencionadas e continua a fascinar os leitores ao longo dos séculos. O poeta inglês Alfred, Lord Tennyson (1809–1892) revitalizou a lenda arturiana nos Idílios do Rei (tít. orignal: Idylls of the King , em 1859), retratando Guinevere como uma mulher caída que reconhece as suas falhas e é perdoada pelo seu senhor. A Guinevere de Tennyson reflete os valores da Era Vitoriana em que escrevia, e todos os escritores desde então têm seguido este mesmo paradigma. Mesmo um conhecimento superficial da forma como Guinevere tem sido retratada no cinema ao longo dos últimos 50 anos demonstra como ela é constantemente reinventada para se adaptar aos valores da época, enquanto as restantes personagens das lendas permanecem mais ou menos inalteradas.

Guinevere é uma rainha cortês, dividida entre o marido que ama e os seus sentimentos pelo melhor amigo dele no musical Camelot (versão cinematográfica de 1967), enquanto em Excalibur (1981) é um espírito livre e sedutor que encara o seu caso com Lancelote como mera diversão. Em First Knight (1995, estreado em Portugal como O Primeiro Cavaleiro), ela é a mulher independente, que se rebela contra o casamento com um Artur mais velho e se sente atraída por Lancelote, o cavaleiro arrojado da sua idade; já em King Arthur (2004, estreado como Rei Artur), é uma princesa-guerreira picta, que nada deve a nenhum homem e escolhe o seu próprio caminho. Por mais interessantes que todas estas representações possam ser, nenhuma delas capturar a essência de Guinevere mais do que os contos medievais que lhe deram origem. Provavelmente mais do que qualquer outra personagem literária, Guinevere continua a intrigar e a resistir a quaisquer tentativas de a definir.

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Mark, J. J. (2026, agosto 15). Guinevere. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18102/guinevere/

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Mark, Joshua J.. "Guinevere." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 15, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18102/guinevere/.

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Mark, Joshua J.. "Guinevere." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 15 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18102/guinevere/.

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