Mausoléu de Halicarnasso

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Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Mausoleum at Halicarnassus (Artist's Impression) (by Mohawk Games, Copyright)
Mausoléu de Halicarnasso (Reconstituição artística) Mohawk Games (Copyright)

O Mausoléu de Halicarnasso (Bodrum, Turquia) foi um túmulo colossal construído para Mausolo, o governante da Cária, cerca de 350 a.C. A estrutura de mármore era de tal forma imensa e contava com uma tal variedade de esculturas impressionantes que integrou a lista das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, dando desde logo origem ao nome de qualquer grande monumento funerário — o mausoléu. Na sequência de um sismo devastador, e com muitos elementos reaproveitados para o Castelo de Bodrum no século XV, o Mausoléu já não sobreviveu até aos nossos dias. Fragmentos do pódio e de colunas subsistem, enquanto algumas peças substanciais da escultura decorativa do Mausoléu podem ser vistas hoje no Museu Britânico, em Londres

Mausolo e Halicarnasso

Mausolo (Mausolos ou Mausollos) foi um sátrapa da Pérsia que governou com semi-independência na Cária, no sudoeste da atual Turquia, a partir de cerca de 377 a.C., tendo Halicarnasso (ou Halikarnassos) sido escolhida como a sua capital cerca de 370 a.C. Halicarnasso já era uma antiga cidade próspera, famosa por ser o berço do célebre historiador do século V a.C. Heródoto e por possuir uma história que remontava à Idade do Bronze. Mausolo tornou a cidade ainda mais grandiosa, enriquecendo-a com edifícios notáveis, incluindo um novo porto, um palácio e múltiplos templos. A Cária prosperou graças ao controlo e desenvolvimento por parte de Mausolo das cidades costeiras, que conseguiram assim rentabilizar melhor o comércio no Mediterrâneo oriental, especialmente com Rodes. A melhoria da rede rodoviária levada a cabo pelo governante para ligar os pontos do interior potenciou ainda mais a prosperidade da região, fazendo afluir receitas fiscais em massa para a capital.

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As riquezas acumuladas nos cofres reais da Cária seriam gastas num dos mais sumptuosos projetos de construção pessoal de sempre no mundo antigo.

As riquezas acumuladas nos cofres reais da Cária seriam gastas num dos mais sumptuosos projetos de construção pessoal de sempre no mundo antigo. Quando Mausolo morreu por volta de 353 a.C., o seu corpo foi sepultado no que viria a ser conhecido como o Maussolleion ou Mausoléu de Halicarnasso. O túmulo, planeado pelo governante para si e para os seus descendentes a partir de cerca de 367 a.C., foi concluído pela sua irmã e esposa Artemísia. Foi provavelmente terminado por volta de 350 a.C., embora a própria Artemísia tenha morrido no ano anterior; seria sepultada juntamente com o marido e com as gerações subsequentes da sua família. Concebido como um monumento sagrado para a cidade e para a dinastia reinante, situava-se num vasto recinto bem no centro da cidade e ligava-se à ágora por uma grande escadaria monumental.

Colossal Statues of Mausolus and Artemisia II
Estátuas Colossais de Mausolo e de Artemísia II Carole Raddato (CC BY-SA)

O Mausoléu

A construção do Mausoléu foi, segundo o arquiteto romano do século I a.C. Vitrúvio na sua obra Da Arquitetura, supervisionada pelo arquiteto Pítios de Priene e pelo escultor Sátiro, que mais tarde escreveram conjuntamente um tratado sobre o monumento. A estrutura era, tal como a própria Cária na altura, uma mistura eclética de elementos arquitetónicos gregos, do Próximo Oriente e egípcios. Foi construída com mármore da Anatólia e do Pentélico sobre um pódio retangular e consistia numa colunada jónica com um telhado piramidal em socalcos. No topo do telhado encontrava-se uma estátua colossal de Mausolo a guiar uma carruagem sob a aparência de Hércules, feita pelo próprio Pítios. O escritor romano do século I Plínio o Velho fornece a seguinte descrição do Mausoléu na obra História Natural (tít. original: Naturalis Historia):

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A circunferência deste edifício é, ao todo, de 140 m [clássicos] [440 pés], e a largura de norte a sul de 20 m [63 pés], sendo as duas frentes de menor amplitude. Tem vinte e cinco cúbitos de altura e é rodeado por 36 colunas, sendo a circunferência exterior conhecida como o “Pteron”… acima do Pteron ergue-se uma pirâmide, de altura igual à do edifício inferior, composta por 24 degraus que afunilam gradualmente em direção ao cume; sobre ela encontra-se uma plataforma, coroada com a representação de uma quadriga puxada por quatro cavalos, da autoria de Pítios. Este acréscimo eleva a altura total da obra para 45 m [140 pés].

(36.4)

As escavações modernas em Halicarnasso revelaram que as dimensões reais do Mausoléu (do qual hoje restam apenas fragmentos) diferem ligeiramente da descrição de Plínio. De facto, o pódio elevado ou base media 38 x 32 metros (125 x 104 pés), de acordo com a posição das pedras angulares ainda in situ. Há confirmação quanto às 36 colunas jónicas e a uma pirâmide com 24 degraus. Uma verga de pedra sobrevivente indica o espaçamento entre as colunas e sugere que as dimensões gerais do edifício eram de 32 x 26 metros (104 x 85 pés). Um muro com 2 metros (6,5 pés) de altura em tempos rodeava todo o mausoléu.

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Um fragmento de uma roda de carruagem, provavelmente proveniente da escultura do topo, sugere que a roda completa teria mais de 2 metros de diâmetro, o que faria com que a estátua atingisse cerca de 6 metros de altura. O próprio túmulo encontrava-se integrado no pódio e a descoberta de restos de sacrifícios (bois, ovelhas, borregos e aves) sugere que o edifício funcionava como o centro de um culto heroico, provavelmente direcionado para o papel de Mausolo como segundo fundador da cidade cerca de 370 a.C. Em alternativa, os restos mortais poderão apenas indicar um banquete de despedida em honra do governante falecido antes da sua viagem para a vida além-túmulo.

Amazonomachy Relief from the Mausoleum at Halicarnassus
Relevo da Amazonomaquia do Mausoléu de Halicarnasso Carole Raddato (CC BY-SA)

Segundo escritores antigos, o célebre escultor Leocarés (cerca de 365-325 a.C.) trabalhou em parte da escultura decorativa do Mausoléu. Plínio o Velho corrobora este facto e regista também a participação de outros três artistas famosos: Timóteo, Bríaxis e Escopas. Vitrúvio acrescenta Praxíteles à lista e informa-nos que todos estes grandes artistas avaliaram o trabalho uns dos outros para decidir o que seria incluído na obra final.

O Mausoléu contava com muitas esculturas de figuras esculpidas de corpo inteiro, em redondo, em três escalas diferentes e pintadas com cores vivas.

O Mausoléu contava, assim, com muitas esculturas de figuras esculpidas de corpo inteiro, em redondo, em três escalas diferentes e pintadas com cores vivas, algumas das quais se encontrariam entre as colunas, enquanto outras estariam nos degraus do pódio. Foram escavados fragmentos de vários tamanhos que em tempos pertenceram a 66 estátuas diferentes (os historiadores estimam que originalmente haveria pelo menos 100). Uma dessas figuras, atualmente no Museu Britânico, mede 3 metros (9 pés e 10 polegadas) de altura e representa um homem vestindo um manto himátio grego sobre uma túnica cária comprida. Um friso de mármore com entalhes em relevo contornava o topo do pódio, ao qual se encontravam fixados elementos metálicos, tais como armas e rédeas de cavalos. Este friso, situado imediatamente abaixo da colunada, tinha quase um metro (30 polegadas) de altura e incluía gregos a lutar contra amazonas (uma amazonomaquia), bem como corridas de carros, embora estes pudessem fazer parte do friso que circundava a câmara funerária interior. O friso em redor da base da carruagem do telhado era decorado com centauros em luta, e grandes leões erguiam-se na base da pirâmide.

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The Ruins of the Mausoleum at Halicarnassus
As Ruínas do Mausoléu de Halicarnasso Carole Raddato (CC BY-SA)

As Sete Maravilhas

Alguns dos monumentos do mundo antigo impressionaram tanto os visitantes vindos de longe com a sua beleza, ambição artística e arquitetónica, e com a sua imensa escala, que a sua reputação cresceu, tornando-se atrações imperdíveis (themata) para o viajante e peregrino da Antiguidade. Sete desses monumentos constituíram a primeira lista de desejos original, quando escritores antigos como Heródoto, Calímaco de Cirene, Antípatro de Sídon e Fílon de Bizâncio compilaram listas restritas das atrações mais maravilhosas do mundo antigo. O Mausoléu de Halicarnasso integrou a lista consagrada das Sete Maravilhas devido às suas dimensões audaciosas, à rica decoração escultórica e aos muitos outros edifícios notáveis e obras de arte que o rodeavam, todos criados pelos melhores artistas e arquitetos da época. Como assinalou Pausânias na obra Descrição da Grécia (tít. original: Ἑλλάδος Περιήγησις; transliterado: Hellados Periegesis), o escritor de viagens do século II:

O túmulo em Halicarnasso foi feito para Mausolo, rei da cidade, e é de tal forma vasto, e tão notável por todo o seu ornamento, que os romanos, na sua grande admiração pelo monumento, chamam aos túmulos notáveis no seu país “Mausoléus.”

(8.16.4)

Eis aqui, portanto, talvez o segredo do sucesso do Mausoléu — a combinação audaciosa de arquitetura monumental e escultura gigantesca puramente para efeito visual, celebrando não um deus, mas um mortal. O Mausoléu, ao contrário de muitas outras Maravilhas da Antiguidade, sobreviveu mais ou menos intacto ao longo da Antiguidade, apesar de alguns sismos ao longo dos séculos. O túmulo só se terá provavelmente desmoronado na Idade Média, talvez no século XIII.

Mausoleum at Halicarnassus, Reconstructed
Mausoléu de Halicarnasso, Reconstrução Animada NeoMam Studios (CC BY-SA)

Pedaços da estrutura incluindo os que continham esculturas decorativas, foram utilizados pelos Cavaleiros de São João de Malta nas muralhas do castelo de São Pedro em Bodrum, construído por volta de 1494. Muitas peças escultóricas e outros fragmentos do Mausoléu foram descobertos durante as escavações britânicas da década de 1850. Outros vestígios ainda foram extraídos das muralhas do castelo de Bodrum, encontrando-se muitos deles atualmente no Museu Britânico, em Londres. Estes incluem a grande estátua de uma figura masculina já descrita, outra de uma mulher não identificada (tradicionalmente atribuídas a Mausolo e a Artemísia, embora sem quaisquer provas), lajes dos frisos e vários leões e cavalos em diversos estados de conservação. O local do Mausoléu propriamente dito não passa hoje de uma cova na terra com algumas pedras e tambores de colunas espalhados, sem absolutamente nada que faça adivinhar o que em tempos foi o maior túmulo do mundo a seguir às pirâmides de Gizé.

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Cartwright, M. (2026, agosto 28). Mausoléu de Halicarnasso. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17195/mausoleu-de-halicarnasso/

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Cartwright, Mark. "Mausoléu de Halicarnasso." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 28, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17195/mausoleu-de-halicarnasso/.

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Cartwright, Mark. "Mausoléu de Halicarnasso." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 28 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17195/mausoleu-de-halicarnasso/.

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