Calímaco de Cirene (cerca de 310 – cerca de 240 a.C.) foi um poeta e erudito associado à Biblioteca de Alexandria, mais conhecido pelos seus Pinakes («Tábuas»), um catálogo bibliográfico da literatura grega, pela sua poesia e estética literária, que rejeitava o épico em favor de obras mais curtas e influenciou o desenvolvimento posterior da literatura romana.
É considerado um dos maiores poetas da antiguidade e, através da sua influência nos escritores romanos, definiu o rumo do desenvolvimento literário ocidental, especialmente devido à sua ênfase na brevidade e na simplicidade da forma. Entre as suas citações mais célebres encontra-se «Um livro grande é um grande enfado», com a qual parecia significar que «menos é mais» e que se deve procurar contar a história da forma mais direta e sucinta possível. Embora muito se tenha falado sobre a sua rejeição de Homero, parece que tal foi hiperbolizado. Rejeitou o cânone literário que Homero passara a definir, mas não necessariamente a obra em si. Um caso semelhante poderia ser feito quanto à sua relação com as obras de Platão, mas ambos os autores influenciaram claramente os seus próprios trabalhos.
Nunca foi diretor da Biblioteca de Alexandria, embora tal seja frequentemente afirmado, mas poderá ter sido professor de Apolónio de Rodes (século III a.C.), o bibliotecário-chefe a seguir a Zenódoto (século III a.C.), o primeiro bibliotecário em Alexandria. A alegada rixa entre Calímaco e Apolónio parece ter sido igualmente exagerada e baseia-se em interpretações de fragmentos das suas obras, uma vez que quase nada se sabe sobre a vida de nenhum deles. Apolónio foi sucedido como bibliotecário por Eratóstenes (c. 276 – 195 a.C.), que também poderá ter sido aluno de Calímaco.
Embora poucas das suas obras tenham sobrevivido, é amplamente citado por autores posteriores que elogiam a sua economia de prosa e a ênfase numa resposta emocional à experiência pessoal na sua poesia. A sua influência em escritores posteriores foi enorme, incluindo notabilidades como Horácio, Propércio, Ovídio e Virgílio. Os pormenores e o caráter essencial da sua estética literária ainda hoje são debatidos, mas não a sua influência na literatura ocidental.
A Família e o Início da Vida
Quase nada se sabe sobre a vida de Calímaco e a maior parte da informação biográfica provém da Suda (século X), e não das suas obras ou das dos seus contemporâneos. Nasceu numa família de classe alta de Cirene, no norte de África, e refere-se a si próprio como «filho de Bato», referindo-se a Bato I (cerca de 631 – cerca de 599 a.C.), fundador da cidade de Cirene e da Dinastia Batíada que desenvolveu a região envolvente da Cirenaica. Com esta referência, Calímaco pretende muito provavelmente apenas estabelecer que é natural de Cirene, não significando necessariamente, como alguns afirmaram, que tivesse parentesco com a casa real. Os estudiosos Benjamin Acosta-Hughes e Susan A. Stephens oferecem um breve vislumbre da sua família:
O seu avô, também chamado Calímaco, foi provavelmente o general cirenaico. A irmã de Calímaco, Megatima, parece ter casado com uma família cipriota de alta patente. Um bisavô foi identificado como Aníceris, um cirenaico que, segundo uma anedota preservada em Luciano e Eliano, tentou impressionar Platão conduzindo a sua carruagem (com destino aos Jogos Olímpicos) em torno da periferia da Academia. Aníceris devia ser um homem de considerável riqueza, pois dizia-se também que resgatara Platão de Dionísio de Siracusa.
(pág. 4)
Pouco mais se sabe sobre a juventude de Calímaco, exceto que a sua mãe também se chamava Megatima, que parece ter sido educado em Cirene e que viveu e escreveu em Alexandria durante o reinado de Ptolomeu II Filadelfo (282–246 a.C.). Acosta-Hughes e Stephens escrevem:
Calímaco viveu a maior parte da sua idade adulta durante o reinado do segundo Ptolomeu, o período em que o império ptolemaico estava no seu apogeu. A Suda diz-nos que foi professor do ensino básico em Elêusis, mas se já escrevia para a corte no final da década de 280 a.C., a sua carreira académica deve ter sido bastante breve. Em contrapartida, Tzetzes regista que ele era um «jovem da corte», um estatuto oficial incompatível com o ensino básico, mas que se enquadraria numa carreira poética que parece ter começado no início dos seus vinte anos. A explicação mais simples para a informação da Suda é que esta foi extrapolada de poemas em que Calímaco fala da sala de aula ou de professores.
(pág. 3)
Como «jovem da corte» e, mais tarde, poeta áulico, Calímaco compôs obras para Ptolomeu I Sóter (reinou 323–282 a.C.), Ptolomeu II e Ptolomeu III Evergetas (reinou 246–222 a.C.). É muito provável que tenha chegado a Alexandria vindo de Cirene perto do final do reinado de Ptolomeu I. Embora pareça ter estado associado à Biblioteca de Alexandria sob Ptolomeu II, a sua posição exata permanece incerta. Nunca foi o diretor da biblioteca e não existem provas de que estivesse envolvido na aquisição de obras.
As Obras
De acordo com a Suda, Calímaco escreveu mais de 800 obras. Toda a sua prosa perdeu-se e é apenas conhecida através de referências nas obras de outros. Entre as que já não existem encontram-se as suas Maravilhas Organizadas por Localização (tít. original: Θαυμάσια κατὰ τόπον: tarasliterado: Thaumásia katà tópon)— uma coleção de paradoxos — e os seus Pinakes. Ao contrário da crença popular, os Pinakes não eram um catálogo das obras guardadas na Biblioteca de Alexandria, mas sim um inventário bibliográfico de toda a literatura grega, dividindo-a em poesia e prosa e listando o autor, outras obras do mesmo escritor e informações biográficas. O primeiro «catálogo de fichas» da Biblioteca de Alexandria foi criado por Zenódoto, conforme assinala o erudito Lionel Casson:
A ordem alfabética como modo de organização. Tanto quanto sabemos, Zenódoto foi o primeiro a utilizá-la, num glossário de palavras raras que compilou. Uma vez que os indícios apontam claramente para o facto de, desde o início, os fundos da biblioteca estarem arrumados alfabeticamente, a conclusão natural é que Zenódoto, tendo considerado o sistema útil para o seu glossário, o aplicou à coleção.
(pág. 37)
Calímaco aperfeiçoou o sistema de Zenódoto ao ampliar o catálogo para que fosse mais abrangente, como explica Casson:
Como erudito, a maior realização de Calímaco foi uma compilação monumental, os Pinakes («Tábuas») ou, para dar o título completo, Tábuas das Pessoas Eminentes em Todos os Ramos do Saber, Juntamente com uma Lista dos Seus Escritos. Tratava-se de um inquérito bibliográfico detalhado de todos os escritos gregos; preenchia nada menos do que 120 livros, cinco vezes mais do que a Ilíada de Homero. O que tornou tal projeto possível foi a existência da biblioteca de Alexandria, nas prateleiras da qual se encontravam todos estes escritos, com raras exceções.
(pág. 39)
Os Pinakes são considerados o primeiro catálogo de fichas, um registo sistemático de informações bibliográficas sobre as obras presentes na coleção de uma biblioteca. Parece, contudo, que o primeiro teria sido efetivamente criado para a Biblioteca de Assurbanípal (reinou 668–627 a.C.), estabelecida em Nínive no século VII a.C. Uma vez que a biblioteca de Assurbanípal continha mais de 30 000 obras, que eram consultadas regularmente, pensa-se que o bibliotecário-chefe devesse ter criado um sistema para localizar uma obra em particular.
Os Pinakes da Biblioteca de Alexandria pareciam consistir em tabuletas fixadas acima das prateleiras ou compartimentos, indicando quais os manuscritos que se encontravam por baixo delas. Isto seria entendido pelos escritores posteriores como o primeiro «catálogo de fichas» porque a biblioteca de Assurbanípal foi destruída juntamente com Nínive em 612 a.C., e ninguém sabia sequer da sua existência até ao século XIX.
As obras sobreviventes de Calímaco incluem:
- Aitia — um poema em quatro volumes sobre as origens de certos mitos
- Epigramas — poemas curtos sobre vários temas, desde consagrações a epitáfios e memoriais
- Hécala — um poema épico sobre Teseu e a viúva idosa Hécala
- Hinos — seis hinos em louvor dos deuses gregos, dos quais o seu Hino a Zeus é considerado a sua primeira grande obra
- Jambos — poemas curtos, frequentemente satíricos, que criticavam com frequência os contemporâneos
Aitia
A obra Aitia (tít. original: Αἴτια) apresenta as versões mais antigas de alguns dos mitos gregos mais populares, além de explicar como surgiram certos aspetos do mundo natural e sobrenatural. Os estudiosos Benjamin Acosta-Hughes e Susan A. Stephens comentam a relação entre as Maravilhas e os Aitia:
As obras em prosa mais influentes de Calímaco parecem ter sido a sua coleção de Maravilhas e os seus Pinakes. As Maravilhas constituem a nossa mais antiga coleção conhecida de paradoxos e, embora Calímaco não tenha inventado o género da paradoxografia que ganhou destaque no período helenístico, conferiu-lhe um cunho distintivo... a chave do género é a apresentação objetiva e racional de um item que aparenta violar as leis da natureza, cujo propósito não é produzir um «Aha» de compreensão, mas sim um «Oh» de espanto... Se as Maravilhas catalogam violações das normas da natureza, muitos dos Aitia catalogam fenómenos que violam as normas ou expectativas sociais: por exemplo, porque é que a estátua de Ártemis em Lêucade tem um almofariz na cabeça em vez de uma coroa? O propósito dos aitia pode ser o de espantar, mas também o de explicar e, ao fazê-lo, incorporam os comportamentos e eventos paradoxais ou inesperados num padrão mais amplo da atividade humana. Para tal, exige-se implicitamente que o público expanda os limites experienciais, com o resultado de que aquilo que começa por ser estranho se torna gradualmente familiar.
(pág. 17)
Hécala
Calímaco parece ter desenvolvido esta mesma visão de utilizar o conhecido para realçar o desconhecido ou frequentemente ignorado nas suas restantes obras. Na Hécala (´tit. original : Ἑκάλη: transliterado: Hekalē), por exemplo, pega na figura célebre de Teseu, frequentemente retratada em associação com mulheres jovens e belas, e coloca-o na companhia da idosa Hécala, uma viúva ateniense de classe alta, agora empobrecida, que lhe oferece hospitalidade. Quando Teseu descobre mais tarde que ela faleceu, manda batizar com o seu nome um demo (subúrbio) de Atenas e ergue ali um templo a Zeus. A Hécala enquadra-se perfeitamente na visão dos Aitia, na medida em que explica a origem do nome do demo de Hécala, mas também viola as «normas ou expectativas sociais» ao colocar o príncipe Teseu na cabana devoluta da idosa Hécala em vez do seu enquadramento habitual de palácios ou terras distantes de aventura heroica. A Hécala influenciou a poesia rústica de Horácio e as obras de Ovídio, entre outros, tanto no estilo como na temática.
Epigramas
Os epigramas, originalmente inscritos em pedra ou em ex-votos, estão facilmente entre as obras mais conhecidas de Calímaco na era moderna, uma vez que o Epigrama a Heraclito de Calímaco integrou o currículo escolar no Reino Unido e nos Estados Unidos até meados do século XX. O epigrama diz:
Alguém me contou, Heraclito, da tua morte e levou-me às lágrimas
E lembrei-me de quantas vezes nós dois, conversando, pusemos o sol a descansar.
Tu, julgo eu, amigo de Halicarnasso, és cinza há muito, muito tempo
Mas os teus rouxinóis continuam vivos, sobre os quais Hades, arrebatador de todas as coisas,
Não porá a sua mão.
(Tradução para o inglês de A.W. Mair, Epigramas)
O poema foi escrito para o amigo de Calímaco, Heraclito de Halicarnasso (século III a.C.), um poeta famoso pelo seu volume de versos, Rouxinóis. No seu epigrama, Calímaco consola-se com o pensamento de que, embora o seu amigo esteja morto, a sua poesia continua viva e, com ela, o seu nome. Infelizmente, nenhuma das obras de Heraclito de Halicarnasso sobreviveu, exceto um único epigrama. O seu nome, bem como o título do seu livro, foram preservados apenas graças ao poema de Calímaco.
Os Hinos
Os seis hinos de Calímaco que chegaram até ao dias de hoje são:
- Ao Zeus (tít. original: Εἰς Δία; transliterado: Eis Dia)
- A Apolo (tít. original: Εἰς Ἀπόλλωνα; transliterado: Eis Apollōna)
- A Ártemis (tít. original: Εἰς Ἄρτεμιν; transliterado: Eis Artemin)
- A Delos (tít. original: Εἰς Δῆλον; transliterado: Eis Dēlon)
- O Banho de Palas (tít. original: Λουτρά τῆς Παλλάδος; transliterado: Loutra tēs Pallados)
- A Deméter (tít. original: Εἰς Δήμητρα; transliterado: Eis Dēmitra)
Os estudiosos continuam a debater se os hinos foram escritos para recitação em cerimónias e festivais religiosos públicos ou se eram criações puramente literárias. A dificuldade em determinar o propósito dos hinos reside na forma minuciosa como Calímaco concebeu cada um deles, fazendo com que parecessem, de facto, uma invocação no início de uma cerimónia religiosa. É possível, contudo, que estivesse apenas a espelhar o estilo dessas obras para criar algo novo. A abertura do Hino a Apolo, por exemplo, começa assim:
Como treme o ramo de louro de Apolo! Como treme todo o santuário! Fora, fora, aquele que está em pecado! Agora decerto Febo bate à porta com o seu belo pé. Não vês? A palmeira de Delos acena agradavelmente de repente e o cisne no ar canta docemente. Vós mesmos agora, ó ferrolhos, empurrai-vos para trás, empurrai-vos para trás de vós mesmos, ó trincos! O deus já não está longe. E vós, jovens, preparai-vos para o canto e para a dança.
(Tradução para o inglês de A.W. Mair, Hymns)
A obra soa a uma invocação para ser lida nas cerimónias de abertura de um festival religioso — e pode tê-lo sido —, mas os estudiosos acreditam que os pormenores ao longo da peça ressoam a um nível mais literário.
Jambos
Os jambos (ou iambos, tít. original: αμβοι; transliterado: Iamboi) de Calímaco foram influenciados pelas obras do poeta iâmbico Hiponax de Éfeso (século VI a.C.), famoso pelos seus versos satíricos e pelos ataques à pretensão dos seus contemporâneos. A poesia iâmbica era originalmente definida por linguagem insultuosa colocada na boca de um orador fictício ou de uma versão ficcionada do próprio poeta. As obras de Hiponax — e, mais tarde, de Calímaco — explicam algum aspeto da vida enquanto tecem, de forma subtil (ou direta), críticas a um indivíduo, modo de comportamento, escola de pensamento ou à condição humana em geral.
No Jambo I de Calímaco, Hiponax regressa dos mortos para criticar os poetas e eruditos da época de Calímaco pelas suas rivalidades tolas e pretensão. Nisto, a figura de Hiponax serve como porta-voz das críticas do próprio Calímaco aos seus contemporâneos. No Jambo II, um orador fictício relata como os deuses concederam o dom da fala aos animais, até que o cisne se queixou da mortalidade e a raposa começou a lamentar-se sobre a injustiça de Zeus. Em resposta, Zeus retira-lhes o poder da fala e concede-o aos humanos, razão pela qual algumas pessoas soam como animais.
Conclusão
Calímaco pode ter sido influenciado por Hiponax, entre outros, mas adaptou cada género em que escreveu, simplificando a linguagem e o metro do verso. Relativamente à afirmação frequentemente repetida de que rejeitou Homero, Acosta-Hughes e Stephens argumentam que ele nunca se opôs à extensão de uma obra como a Ilíada em si, mas sim ao longo verso hexâmetro que já não ressoava junto do público por se ter tornado estático. Acosta-Hughes and Stephens escrevem:
No tempo de Calímaco, a ubiquidade de Homero, desde a sala de aula até à representação cívica, e a sua iconicidade pan-helénica limitavam a sua eficácia para a imitação criativa. Homero era um artefacto, um monumento do passado poético e inimitável, porque a própria monumentalidade dos seus textos garantia um estatuto de segunda linha a quem quer que tentasse. O desafio para Calímaco e os seus pares consistia em saber como adaptar Homero a um novo ambiente, o que incluía necessariamente «rejeitar» — se por esse termo entendermos nem privilegiar nem imitar — aqueles aspetos da poesia hexamétrica anterior que não podiam ser traduzidos eficazmente para a escrita contemporânea. Calímaco claramente não privilegiava a escrita de uma narrativa sustentada ao longo de muitos milhares de versos, o tipo de trajetória narrativa que encontramos na Ilíada.
(págs. 18-19)
Em vez disso, Calímaco concentrou-se em proporcionar ao público uma experiência imediata, mesmo em obras mais longas como os Aitia e a Hécala. A estética literária que ficou conhecida como calimaquismo defendia a brevidade, argumentando que a poesia consistia no uso de linguagem refinada para produzir um efeito específico num público, e que essa linguagem não podia ser sustentada numa obra longa. Nisto, Calímaco estava a antecipar a mesma estética defendida mais tarde no século XX pelo poeta Ezra Pound e pelo escritor Ernest Hemingway, entre outros, de que os estilos e formas antigas da literatura já não conseguiam falar à geração presente e de que as obras literárias precisavam de ser despidas de quaisquer palavras ou adornos desnecessários. O erudito R. W. Livingstone, ao debruçar-se sobre os antigos gregos, poderia estar a escrever exatamente sobre os revolucionários literários de Paris na década de 1920:
A brevidade, na verdade, nem sempre é simplicidade, e é possível ser simultaneamente simples e prolixo. Mas quem examinar estes escritores gregos descobrirá que são breves porque, ao evitarem desvios e tramas secundárias, elaborações ou pormenores minuciosos, delineiam os traços centrais do seu quadro com uma economia de traço sem esforço.
(pág. 254)
Esta observação aplica-se a Calímaco tão bem — ou ainda melhor — do que a muitos outros escritores da Grécia antiga. Na sua insistência na simplicidade de forma e expressão, Calímaco purificou a literatura do seu tempo. Insistiu em que um escritor devia «manter a musa esbelta» ao produzir obras de contenção e discernimento, em vez de adotar o modo épico de acumulação de pormenores. A sua visão literária influenciaria os maiores escritores romanos e, através deles, o desenvolvimento da literatura ocidental até à era moderna, altura em que as formas literárias voltaram a ser desafiadas, quebradas e transformadas em algo novo.
