Miguel III

Celebre o Nosso Aniversário com Trivia!

Junte-se a nós a 23 de agosto para uma festa de trivia virtual gratuita, com perguntas sobre civilizações antigas, história dos EUA, factos históricos insólitos, cultura pop e muito mais.

$194 / $5000
Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
Translations 3
bookmark_addbookmark_addedGuardar Artigo headphonesVersão Áudio printImprimir picture_as_pdfPDF
Michael III (by Unknown Artist, Public Domain)
Miguel III Unknown Artist (Public Domain)

Miguel III, também conhecido pelos seus detratores como "Miguel, o Bêbado", foi imperador do Império Bizantino de 842 a 867. Nunca conseguindo libertar-se totalmente da sombra da mãe, Teodora, que governou como regente em seu nome até cerca de 855, ou do seu tio Bardas, o talentoso primeiro-ministro, o reinado de Miguel assistiu, ainda assim, a mudanças religiosas e políticas significativas e a um fortalecimento do império, especialmente no Oriente. Foi assassinado e sucedido pelo próprio homem que tinha promovido na corte e, eventualmente, nomeado coimperador: Basílio I.

Teodora como Regente

Miguel nasceu em 839, filho do Imperador Teófilo (reinou 829-842). Quando o idoso e popular governante morreu em 842, o poderoso eunuco da corte e primeiro-ministro Teoctisto e a mãe de Miguel, Teodora, governaram como regentes do novo imperador. Miguel tinha uma irmã mais velha, Tecla, e ambos os irmãos surgem no reverso das moedas de ouro cunhadas pela sua mãe.

Remover Publicidades
Publicidade

Teodora, uma iconófila convicta durante muito tempo, apesar da política oposta do seu falecido marido, assegurou que a veneração de ícones fosse restaurada como ortodoxia cristã em março de 843. Foi uma ação que ficou conhecida como o "Triunfo da Ortodoxia" e pela qual foi, mais tarde, canonizada. Para jogar pelo seguro e garantir que não houvesse repercussões negativas para o filho, Teodora certificou-se de que Teófilo não fosse condenado pela Igreja como herege devido à sua política de destruição de ícones. Chegou até a espalhar o rumor de que ele se tinha arrependido dos seus pecados no leito de morte. Como esperado, o falecido imperador recebeu o perdão e evitou, assim, ser para sempre mencionado ao lado de heréticos infames nos serviços religiosos subsequentes. O grande momento de Teodora com a Igreja é comemorado num famoso ícone de Constantinopla, datado do início do século XV, que é, ele próprio, uma cópia de um exemplar mais antigo. Nele, a regente segura Miguel nos seus braços, enquanto é carinhosamente rodeada por padres e mártires.

Theodora & Michael III
Teodora e Miguel III Unknown Artist (Public Domain)

Miguel e Bardas

Entre 855 e 856, Miguel derrubou os seus regentes, eliminando Teoctisto e exilando a mãe para um mosteiro, para finalmente reclamar o trono em nome próprio. Um dos motivos de discórdia entre Miguel e a mãe fora a insistência desta para que ele desposasse Eudócia Decapolitissa, quando ele já tinha uma amante, Eudócia Ingerina. No entanto, continuava a ser um membro da família a puxar os cordelinhos políticos na corte, desta vez o seu tio, o César Bardas, irmão de Teodora. Bardas não teve quaisquer escrúpulos em assassinar o seu cunhado Teoctisto para que o seu sobrinho, ainda adolescente, pudesse ser mais facilmente manipulado por si. Por fim, em 865, Miguel afastou também Bardas, mas, de qualquer modo, gozaria do seu trono por menos de dois anos adicionais.

Remover Publicidades
Publicidade

Eventos Importantes

Muitos dos eventos significativos do reinado de Miguel são creditados aos membros da família que governaram em seu nome. A veneração de ícones na Igreja Cristã foi restabelecida por Teoctisto e Teodora, como já referido. Bardas foi considerado responsável pela criação da famosa universidade na sala Magnaura do Palácio Real em Constantinopla, onde uma das faculdades era dirigida por Leão, o Matemático (e filósofo e inventor). O primeiro-ministro também organizou a missão de São Cirilo e do seu irmão Metódio à Morávia em 863, e o batismo do cã búlgaro Bóris I (reinou 852-889) em 864. Este último evento foi largamente conduzido sob coação, segundo os registos oficiais, tendo Bóris sido ameaçado com uma invasão caso não se curvasse perante a supremacia cristã bizantina e renunciasse ao paganismo no seu reino. Os bizantinos estavam, certamente, preocupados com a possibilidade de os búlgaros forjarem uma aliança poderosa com os francos, mas Bóris também poderá ter tido interesse em cortejar Constantinopla como aliado. Miguel III tornou-se padrinho de Bóris para conferir uma aparência de cordialidade ao acordo.

Desenvolvimento da Literacia Eslava e o Alfabeto Cirílico
Desenvolvimento da Literacia Eslava e o Alfabeto Cirílico Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)
Em 856, Petronas liderou campanhas espetaculares na Mesopotâmia e na Capadócia, mas está registado que o próprio Miguel também participou em campanhas pessoalmente.

As vitórias militares e o reforço das fronteiras orientais do império, em particular, deveram-se também a generais experientes, e não a Miguel, se acreditarmos nos registos oficiais. Homens como Petronas, o strategos ou governador militar da região (tema) de Tracesiano do império, foram a verdadeira razão do sucesso. Petronas tinha servido sob o comando do pai de Miguel, Teófilo, era irmão de Teodora, e é verdade que muito fez para assegurar o êxito militar bizantino no estrangeiro. Em 856, Petronas liderou campanhas espetaculares na Mesopotâmia e na Capadócia, mas está registado que o próprio Miguel também participou em campanhas pessoalmente. Os bizantinos destruíram então o exército de Omar, emir de Melitene, na fronteira do norte da Mesopotâmia, em 863. As cidades de Ancira e Niceia, na Ásia Menor, foram reconstruídas como resultado destas novas conquistas. Independentemente de quem fosse o responsável, o Império Bizantino estava novamente em ascensão.

Remover Publicidades
Publicidade

A Morte

O jovem imperador parecia contentar-se com vinho, festas e bons companheiros em vez de governar — Inácio, o Bispo de Constantinopla, repreendeu publicamente a corte pela sua imoralidade em 858, mas foi demitido por causa disso. A decisão de Miguel de deixar a maior parte dos assuntos a cargo do tio Bardas foi provavelmente a melhor do seu reinado. De longe a pior decisão, porém, foi o seu erro de cálculo monumental ao promover um certo arménio grosseiro dentro da corte e, depois, instruí-lo a assassinar Bardas. Esta figura sombria, conhecida como Basílio, o Macedónio — por ter passado algum tempo com um grupo de prisioneiros daquela região —, era um talentoso lutador e cavaleiro de nascimento humilde. A vida de Basílio foi uma clássica história de ascensão social. Deixando a sua família camponesa, procurara a sua sorte na metrópole de Constantinopla e, certamente, encontrou-a.

Michael III Crowns Basil Co-emperor
Miguel III Coroa Basílio como Coimperador Unknown Artist (Public Domain)

As competências de Basílio com cavalos levaram a que ficasse encarregado das cavalariças imperiais — Miguel era um entusiasta das corridas de bigas — e, a partir daí, quando notado pelo imperador, foi feito guardião do quarto imperial (parakoimomenos). Na sua nova função, Basílio removeu, por quaisquer meios que considerasse adequados, os inimigos do imperador. A dupla também manteve uma relação complexa, mal definida e muito debatida com Eudócia Ingerina — Basílio chegou a casar-se com ela, mas isto pode ter sido um estratagema de Miguel para ter a sua amante por perto no palácio. Ainda mais extraordinário, em 866, Miguel nomeou Basílio coimperador numa cerimónia faustosa na Basílica de Santa Sofia. O assassino arménio revelar-se-ia, contudo, igualmente traiçoeiro para com o seu patrono, assassinando Miguel nos seus aposentos em 867 e reclamando o trono para si sob o título de Basílio I.

O Legado

A alcunha de Miguel como "o Bêbado" derivou de cronistas da corte críticos, desejosos de agradar ao seu assassino e sucessor, Basílio I (reinou 867-886), fundador da dinastia macedónica, que reinaria durante 200 anos. As histórias podem ter sido exageradas, mas continham algum fundo de verdade, especialmente no que diz respeito aos últimos cinco anos do reinado de Miguel. O seu caso não é, de modo algum, único na história bizantina e o assassinato de alguém tão libertino e amante da boémia como Miguel, pelo menos nos registos oficiais, tornou-se não só inteiramente justificável, como absolutamente necessário para a estabilidade e a santidade da instituição imperial. Numa ironia final, e talvez numa doce vingança do além-túmulo, o sucessor de Basílio — talvez até o seu assassino — seria Leão VI (reinou 886-912), sobre quem circulavam rumores de que seria, na verdade, filho de Miguel III. É, talvez, significativo que um dos primeiros atos do novo imperador tenha sido exumar o corpo de Miguel III da sua sepultura anónima e depositá-lo num belo sarcófago de mármore na Igreja dos Santos Apóstolos.

Remover Publicidades
Publicidade

Remover Publicidades
Publicidade

Sobre o Tradutor

Sobre o Autor

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2026, agosto 08). Miguel III. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16542/miguel-iii/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Miguel III." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 08, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16542/miguel-iii/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Miguel III." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 08 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16542/miguel-iii/.

Remover Publicidades