Vortigern

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Vortigern & Merlin (by PKM, Public Domain)
Vortigern & Merlin PKM (Public Domain)

Vortigern foi um governante britânico do século V, mais conhecido por ter convidado os saxões para a Britânia para travar as incursões dos pictos e dos escotos, permitindo-lhes assumir o controlo das terras. "Vortigern" é um título, e não um nome próprio, e significa "Grande Chefe" ou "Supremo Senhor". O verdadeiro nome de Vortigern é desconhecido, tal como muitos pormenores sobre a sua vidaa.

Os relatos históricos que contam a sua história são suficientemente fiáveis para sustentar a afirmação de que ele existiu e foi fundamental na migração saxónica para a Grã-Bretanha, mas os principais relatos foram escritos pelos seus inimigos, pelo que a sua motivação não é clara. É frequentemente retratado como um vilão ou, na melhor das hipóteses, como alguém de vontade fraca e incapaz de controlar os saxões depois de ter organizado ou encorajado a sua chegada à Grã-Bretanha.

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FONTES HISTÓRICAS

A sua decisão de solicitar a ajuda dos saxões para travar os ataques dos pictos e dos escotos está registada pelos historiadores Gildas (cerca de 500-570, que se refere a ele pela primeira vez como «Senhor Supremo» e o culpa pela invasão saxónica); Beda (cerca de 672–735, que o denomina pela primeira vez «Vortigern» e o responsabiliza pelos saxões), Nénio (século IX, que o apresenta como fraco de vontade e tolo), Guilherme de Malmesbury (cerca de 1095 – cerca de 1143, que afirma que ele era escravo dos seus desejos e facilmente manipulável), Godofredo de Monmouth (cerca de 1100 – cerca de 1155, que apresenta a descrição mais completa dele como um vilão) e o poeta francês Wace (1110-1174, que segue a linha de Nénio e Godofredo). É evidente que nenhuma destas fontes o tem em grande consideração.

As Crónicas Anglo-Saxónicas contam-se entre as provas objetivas que sustentam a historicidade de Vortigern.

As Crónicas Anglo-Saxónicas (tít. original: The Anglo-Saxon Chronicles; final do século IX) também o mencionam, mas não emitem qualquer juízo sobre as suas ações. As Crónicas estão entre as provas objetivas que sustentam a historicidade de Vortigern. A entrada sobre ele diz: «449. E, nos seus dias, Vortigern convidou os anglos para lá, e estes chegaram à Grã-Bretanha em três ceols [navios], no local chamado Wippidsfleet [Kent]». A sua historicidade é também confirmada por topónimos no País de Gales relacionados com ele.

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Estas histórias antigas, para além das Crónicas, são mais ou menos consistentes ao retratarem Vortigern como um rei irrefletido que se preocupava mais com o seu próprio prazer e conforto do que com o bem-estar do povo e que se envolvia em «atos pagãos» em desafio aos valores e à moral cristãos. Os saxões são apresentados como «pagãos» que se dedicaram a destruir o país assim que expulsaram os pictos e os escoceses, sendo frequentemente descritos com imagens animais, como cães ferozes ou leões. Vortigern é culpado não só pelas suas crenças e ações pessoais, mas também pela política que seguiu ao abrir as portas ao que estes escritores consideravam uma invasão saxónica.

A GRÃ-BRETANHA DO SÉCULO V

Júlio César chegou à ilha em 55 e 54 a.C., mas não fez qualquer tentativa séria de reivindicar o território para Roma. A invasão romana começou em 43 d.C., sob o reinado de Cláudio, e a Grã-Bretanha ficaria ocupada até 410. Roma enfrentava os seus próprios problemas em 410, uma vez que os godos tinham acabado de saquear a cidade e o Império Romano do Ocidente estava a vacilar. Estas dificuldades vêm-se agravando há cerca de 200 anos na altura do século V, e Roma vinha reduzindo progressivamente as suas guarnições na Grã-Bretanha, uma vez que as tropas eram necessárias no continente.

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Embora a necessidade de Roma se proteger seja compreensível, a sua decisão de redistribuir as tropas deixou o povo da Grã-Bretanha indefeso perante os invasores. O exército romano, estacionado ao longo da Muralha de Adriano e com guarnições noutras áreas por todo o território, tinha servido como seu protetor durante mais de 300 anos até essa altura. Assim que Roma se retirou, os pictos e os escoceses do norte viram a sua oportunidade e ultrapassaram a muralha fronteiriça em incursões a quintas e aldeias britânicas. Por volta dessa mesma altura, a confederação saxónica desintegrou-se no continente e imigrantes e invasores saxónicos começaram a aparecer na costa sudeste da Grã-Bretanha.

Britain 383-410 CE
Britânia 383–410 Notuncurious (CC BY-SA)

Gildas relata como os britânicos enviaram mensagens repetidas a Roma implorando por ajuda (conhecidas como os «Gemidos dos Britânicos»), mas Roma não podia disponibilizar quaisquer tropas. As Crónicas Anglo-Saxónicas resumem a situação numa única linha: «443. Neste ano, os britânicos enviaram uma delegação por mar a Roma e imploraram ajuda contra os pictos; mas não a obtiveram, pois os romanos estavam em guerra com Átila, rei dos hunos. Então, enviaram uma delegação aos anglos e solicitaram o mesmo aos nobres daquela nação».

Os romanos tinham desencorajado qualquer tipo de independência por parte do povo, e a aristocracia britânica tinha-se romanizado de tal forma que se tinha esquecido de uma época em que chefes indígenas lideravam as suas tribos. Seria compreensível, neste tipo de situação, que um chefe procurasse ajuda junto de qualquer força armada disponível.

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VORTIGERN NO RELATO DE NÉNIO

O monge galês Nénio, na sua obra Historia Brittonum (História da Grã-Bretanha), apresenta Vortigern como um vilão orgulhoso, anticristão, incestuoso e que traiu o seu país a favor dos saxões. Segundo Nénio, após a saída dos romanos da Grã-Bretanha, as invasões dos pictos e dos escoceses tornaram-se incessantes. Os apelos a Roma por ajuda foram em vão e, por isso, Vortigern, acreditando que poderia lucrar com o acordo, convidou os saxões a prestarem assistência.

No capítulo 37, Nénio descreve a forma como Vortigern acolheu os saxões através de um intérprete chamado Ceretic, que tem sido identificado com o rei saxão Cerdic. Ceretic mantém relações amigáveis com Hengist, o rei saxão que Nénio apresenta como astuto e dissimulado. Hengist chegou com as suas tropas para ajudar a combater as invasões, mas, segundo Nénio, não trouxe homens suficientes. Para complicar ainda mais a situação, há poucos mantimentos para eles e, por isso, começam a saquear as aldeias vizinhas, até que Vortigern passa a considerar que são um problema pior do que os pictos e lhes pede que partam. Nénio descreve a reação de Hengist e as consequências:

Mas Hengist, em quem se uniam astúcia e perspicácia, percebendo que teria de lidar com um rei ignorante e um povo indeciso, incapaz de opor grande resistência, respondeu a Vortigern: «Somos, de facto, poucos em número; mas, se nos deres permissão, enviaremos ao nosso país para trazer reforços, com os quais lutaremos por ti e pelos teus súbditos.»

Tendo Vortigern concordado com esta proposta, foram enviados mensageiros à Cítia, onde, após selecionarem um contingente de tropas guerreiras, regressaram com dezasseis embarcações, trazendo consigo a bela filha de Hengist. E então o chefe saxão preparou um banquete, para o qual convidou o rei, os seus oficiais e Ceretic, o seu intérprete, tendo previamente ordenado à sua filha que lhes servisse vinho e cerveja em abundância, para que rapidamente ficassem embriagados. Este plano teve sucesso; e Vortigern, instigado pelo diabo e encantado com a beleza da donzela, pediu-a em casamento ao pai, por intermédio do seu intérprete, prometendo dar-lhe tudo o que ele pedisse.

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Então Hengist, que já se tinha consultado com os anciãos da tribo Oghgul que o acompanhavam, exigiu pela sua filha a província chamada, em inglês, Centland, e, em britânico, Ceint [Kent]. Esta cessão foi feita sem o conhecimento do rei Guoyrancgonus, que então reinava em Kent e que sentiu uma dor nada desprezível ao ver o seu reino assim cedido clandestinamente, de forma fraudulenta e imprudente a estrangeiros. Assim, a donzela foi entregue ao rei, que dormiu com ela e a amou profundamente.

(Capítulo 37)

Assim que Vortigern e Hengist se tornaram parentes por casamento, o rei saxão passou a fazer cada vez mais exigências, todas elas satisfeitas. O filho de Vortigern, Vortimer, rebelou-se e saiu vitorioso em vários combates antes de ser morto. No entanto, os saxões tinham sido expulsos do território e o seu poder destruído; até que Vortigern os convidou a regressar. O resto do relato de Nénio aborda as fracas tentativas de Vortigern para lidar com os saxões, a sua morte e o aparecimento do herói Artur, que derrota os saxões na Batalha de Badon Hill.

VORTIGERN NA «HISTÓRIA DOS REIS DA GRÃ-BRETANHA»

A «História dos Reis da Grã-Bretanha» (cerca de 1136), de Godofredo de Monmouth, é um relato em grande parte ficcional sobre os governantes da terra, desde o primeiro rei, Brut (cerca do século XII a.C.), até Cadwallader (cerca de século VII). Godofredo de Monmouth é conhecido como o «Pai da Literatura Arturiana» pelo facto de ter transformado a figura de Artur — que Nénio descrevia sucintamente como um chefe de guerra — no poderoso e nobre Rei dos Britânicos da lenda. Embora não haja dúvida de que Godofredo de Monmouth inventou a maior parte do livro, este continua a ser considerado semihistórico, na medida em que alguns acontecimentos podem ser corroborados por outras fontes.

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Godofredo de Monmouth segue o relato de Nénio, mas embeleza-o com detalhes, diálogos e uma caracterização mais profunda. O Vortigern de Godofredo de Monmouth é um homem de vontade fraca, dividido entre os ditames da religião que professa e os seus próprios desejos. Vortigern convida os saxões para a Grã-Bretanha para o ajudarem, mas, como Godofredo de Monmouth deixa claro, é incapaz de os controlar desde o início. Hengist manipula o rei apresentando-lhe a sua bela filha Ronwen, embriagando-o e, em seguida, deixando Vortigern pensar que foi ideia sua casar-se com a mulher. Assim que se casam, tal como em Nénio, Hengist faz mais exigências ao rei, Vortimer rebela-se e é morto, e Vortigern convida então os saxões de volta devido ao seu grande amor pela jovem esposa.

Godofredo de Monmouth continua a narrativa, no entanto, apresentando o mago Merlin (também chamado Ambrosius Merlin). Desde o momento em que Vortigern é apresentado pela primeira vez, os seus valores cristãos são questionáveis, e Godofredo de Monmouth associa-o frequentemente a Satanás e às trevas. Quando Vortigern vê Ronwen pela primeira vez e se apaixona por ela, Godofredo de Monmouth escreve que Satanás entrou no seu coração e, em seguida, explica: «Satanás entrou no seu coração, digo eu, pois ele, sendo cristão, desejou casar-se com uma mulher pagã» (VI,12). Ao apresentar Merlin, deixa claro que Vortigern se rodeou de magos cujo poder Merlin revela não passar de farsa e mentiras.

[imagem:6697]

Vortigern está a tentar construir uma torre para se defender de um ataque, mas, por mais habilidosos que sejam os pedreiros, o edifício desaba durante a construção. Os magos de Vortigern dizem-lhe que tem de sacrificar um jovem sem pai e aspergir o sangue sobre os alicerces; só então a torre se erguerá. Merlin é escolhido como sacrifício, mas, em vez de se submeter, desafia o rei, dizendo: «Manda os teus feiticeiros virem perante mim e eu condená-los-ei por terem inventado uma mentira» (VI, 19). Em seguida, diz-lhes que, se desmontarem a torre, encontrarão uma lagoa por baixo dela que está a causar o problema.

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A torre é demolida e a lagoa está lá, tal como Merlin previu. Ele diz então a Vortigern para drenar a lagoa e que encontrará duas pedras ocas com dois dragões adormecidos no seu interior. O rei manda então drenar a lagoa e encontra as pedras e os dragões, um branco e outro vermelho. Os dois dragões começam a lutar e Vortigern pede a Merlin que interprete o significado. Merlin responde num discurso que espelha o de um profeta do Antigo Testamento:

Ai do Dragão Vermelho, pois a sua extinção aproxima-se; e as suas cavernas serão ocupadas pelo Dragão Branco, que simboliza os saxões que tu convidaste para cá. Mas o Vermelho simboliza a raça da Grã-Bretanha, que será oprimida pelo Branco. Por isso, as suas montanhas e vales serão transformados em planícies e os riachos dos vales correrão cheios de sangue. Os ritos religiosos serão abolidos e a ruína das igrejas tornar-se-á manifesta. Por fim, aquela que é oprimida prevalecerá e resistirá à crueldade daqueles que vêm de fora. Pois o Javali da Cornualha trará socorro e pisará os seus pescoços sob os seus pés.

(VII, 3)

O Javali da Cornualha a que Merlin se refere é o Rei Artur, que derrotará os saxões e conquistará a maior parte da Europa, chegando mesmo a derrubar Roma na história de Godofredo de Monmouth. Vortigern morre e é sucedido por Ambrosius Aurelius, irmão de Uther Pendragon (pai de Artur). Tanto Ambrosius como Uther perecerão a combater os saxões que Vortigern soltou sobre o país, mas Artur vingá-los-á e libertará a Grã-Bretanha através da sua vitória na Batalha de Bath.

POSSÍVEL MOTIVAÇÃO

De acordo com o historiador e estudioso Ward Rutherford, Vortigern pode, na verdade, ter contado com o facto de os saxões reconhecerem uma prática celta consagrada pelo tempo, conhecida como «celsine» (vassalagem), na qual uma parte mais fraca se colocava ao serviço de uma mais forte em tempos de necessidade e, quando a crise fosse resolvida, a relação terminava. Rutherford sugere que Vortigern estava a colocar os britânicos sob a proteção dos saxões, mais fortes, mas que, uma vez neutralizada a ameaça dos pictos e dos escoceses, os saxões não reconheceram os termos habituais do celsine.

Seja qual for a motivação ou fraqueza pessoal de Vortigern, este tem sido considerado um arqui-vilão há séculos.

As afirmações de Rutherford fazem sentido à luz da situação caótica na Grã-Bretanha após Roma ter retirado as suas legiões. Sem a proteção romana, os britânicos debateram-se inicialmente ao tentar defender-se contra invasões do norte e incursões do continente, até que um grande líder, identificado em algumas fontes como Ambrosius Aurelianus e noutras como o Rei Artur, surgiu para os liderar. Mesmo assim, os relatos dos primeiros historiadores, especialmente Nénio, sugerem que Vortigern era simplesmente demasiado fraco de vontade para competir com o rei saxão Hengist, deixou-se manipular e permitiu que os saxões dominassem os britânicos.

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O estudioso Geoffrey Ashe sugere que Vortigern pode simplesmente ter agido de acordo com a prática romana habitual, recorrendo a federados para lutar pela sua causa. Os federados eram bárbaros a quem se prometia terra e algum tipo de remuneração em troca do serviço militar. O recurso a federados seria bem conhecido na Grã-Bretanha após mais de 400 anos de ocupação romana. Ashe salienta que o recurso a federados nem sempre decorreu sem problemas e, no caso de Vortigern, correu terrivelmente mal, mas isso não deve necessariamente ser usado contra ele.

Fosse qual fosse a motivação ou fraqueza pessoal de Vortigern, ele tem sido considerado um arqui-vilão há séculos. O nome «Vortigern» tem origem no galês, e pensa-se que ele possa ter sido um rei galês. Se assim for, os historiadores predominantemente galeses que escreveram sobre ele (especialmente Nénio e Godofredo) podem ter ficado particularmente indignados por um dos seus ter cometido um erro tão grave.

Nénio e Godofredo não dão qualquer indicação de que Vortigern tivesse considerado a «celsine», mas a sugestão de que ele possa ter convidado os saxões com base nesse entendimento faz sentido, na medida em que não havia mais ninguém a quem ele pudesse recorrer em busca de ajuda. Afinal, sob a ocupação romana, este problema com as invasões do norte teria sido resolvido sem que um nobre como Vortigern tivesse de fazer grande coisa; mas a vida na Grã-Bretanha tinha mudado consideravelmente desde que os romanos partiram.

CONCLUSÃO

Qualquer que tenha sido a sua verdadeira motivação, Vortigern é frequentemente retratado de forma negativa por historiadores posteriores que se baseiam nos relatos acima referidos. Rutherford cita os Anais galeses, que o incluem como um «dos três traidores notórios da Ilha da Grã-Bretanha» (pág. 135), e Guilherme de Malmesbury, embora afirme que os britânicos se sentiram desamparados após a morte de Vortigern, continua a caracterizá-lo como alguém de vontade fraca e escravo dos seus próprios vícios.

Gildas afirma que ele só pediu aos saxões que viessem depois de primeiro consultar um conselho, mas mesmo assim não lhe demonstra qualquer respeito. Como referido, uma vez que estes escritores eram principalmente galeses celtas, e Vortigern pode ter sido galês, é possível que o tivessem em tão baixa consideração não só porque um dos seus convidou os saxões para a Grã-Bretanha, mas também porque ele foi tolo o suficiente para pensar que a prática do «celsine» seria respeitada por não-celtas.

Como Rutherford salienta, Vortigern pode ter pensado que os saxões compreenderiam a natureza do seu pedido e honrariam a política do «celsine», ou pode ter pensado que poderia usar a antiga prática para controlar os saxões de alguma forma. Se assim foi, parece nunca ter considerado que um povo não celta pudesse não conhecer a prática ou, mesmo conhecendo-a, pudesse não a honrar. Na realidade, os saxões não são retratados como tendo qualquer noção da prática e, depois de terem derrotado os pictos e os escoceses, voltaram-se contra os britânicos. Nos relatos de Gildas e Bede, é nesta altura que Ambrosius Aurelianus surge para liderar o povo e libertar a terra; em Nénio e Geoffrey, é o Rei Artur.

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O verdadeiro Vortigern poderá nunca vir a ser conhecido, mas o governante que convidou os saxões para a Grã-Bretanha tem sido infame há séculos. Da mesma forma que a criação da figura de Artur é atribuída a Geoffrey de Monmouth, foi também ele quem estabeleceu a visão generalizada de Vortigern como o traidor que entregou o seu país para satisfazer a sua luxúria. No entanto, se estudiosos como Ashe e Rutherford estiverem corretos nas suas afirmações e Vortigern tiver tido apenas as melhores intenções na sua oferta aos saxões, ele é mais um herói trágico do que um vilão.

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Perguntas & Respostas

Quem foi Vortigern?

Vortigern foi um governante britânico da Grã-Bretanha do século V, mais conhecido por ter convidado os saxões a entrar no país, os quais tentaram posteriormente subjugar os britânicos.

Quais são as fontes históricas sobre Vortigern?

Vortigern é mencionado nas obras históricas de Gildas, Bede, Nénio e William de Malmsbury, sendo que o relato mais completo da sua história provém de Godofredo de Monmouth.

Vortigern é uma figura histórica real?

Vortigern é considerado uma figura histórica real, mas, uma vez que os relatos sobre a sua vida foram escritos pelos seus inimigos, desconhece-se a verdadeira motivação que o levou a convidar os saxões para a Grã-Bretanha.

Como se pronuncia «Vortigern»?

Vortigern pronuncia-se VÓR-ti-gern.

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Mark, J. J. (2026, agosto 26). Vortigern. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16084/vortigern/

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Mark, Joshua J.. "Vortigern." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 26, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16084/vortigern/.

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Mark, Joshua J.. "Vortigern." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 26 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16084/vortigern/.

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