Esposa de Amon

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Queen Ahmose-Merytamun (by Osama Shukir Muhammed Amin, Copyright)
Rainha Aahmós-Meritamon Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

O cargo de Esposa Divina de Amon foi um dos mais politicamente poderosos e espiritualmente significativos na história egípcia tardia. Elevada a partir de uma figura meramente simbólica no Império Novo (cerca de 1570–1069 a.C.), a Esposa Divina de Amon viria a deter um poder equivalente ao de um faraó no Terceiro Período Intermédio do Egito (cerca de 1069–525 a.C.), altura em que uma Esposa Divina governava o Alto Egito.

Alguns estudiosos defendem que a posição já existia no Império Médio do Egito (2040-1782 a.C.), contudo, era um título mencionado nesse período e não era nada de excepcional. Havia muitas «Esposas de Deus» e provavelmente já existiam anteriormente. Havia a Esposa de Deus de Rá, a Esposa de Deus de Ptah e a Esposa de Deus de Amon, juntamente com as mulheres rituais de outras divindades.

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Estas mulheres eram a mãe, a cônjuge ou a filha mais velha do rei e realizavam os rituais necessários em cerimónias e festivais. A partir do início do Império Novo, no entanto, este título passaria a estar imbuído de maior poder e significado. Inscrições da XVIII Dinastia, tais como a famosa Estela da Doação, atestam a grande riqueza e prestígio das Esposas de Deus, e as inscrições posteriores deixam claro que o cargo só cresceu em poder.

Na XX Dinastia, Ísis (também conhecida como Iset e Aset), a filha virgem de Ramsés VI (reinou 1145-1137 a.C.), tornou-se Esposa Divina de Amon e, a partir de então, a posição passaria a ser ocupada por mulheres celibatárias de nascimento real — deixando de ser esposas ou mães do rei —, por decreto real. Ramsés VI pode ter acreditado que a sucessão decorreria de forma mais harmoniosa se as Esposas de Deus fossem livres para escolher um sucessor sem ter de considerar obrigações familiares.

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Ahhotep I e Ahmose-Nefertari

Durante o Segundo Período Intermédio do Egito (cerca de 1782 - cerca de 1570 a.C.), que se seguiu ao Império Médio, o Egito estava dividido, sem um governo central forte. Os estrangeiros hicsos governavam no Baixo Egito, os egípcios controlavam o Alto Egito a partir de Tebas e os núbios dominavam as regiões do sul. O príncipe tebano Ahmose I (reinou cerca de 1570-1544 a.C.) expulsou os hicsos do Egito, derrotou os núbios e unificou o Egito sob o seu domínio.

Ahmose I atribuiu as suas vitórias ao deus Amon, mas, significativamente, também honrou a mãe, a rainha Ahhotep I (cerca de 1570-1530 a.C.), que detinha o título de «Esposa do Deus Amon» (conforme inscrito no seu sarcófago). Quando Ahmose I liderou o exército para sul numa campanha contra os núbios, os simpatizantes dos hicsos parecem ter tentado derrubar o seu novo governo, tendo esta rebelião sido reprimida pela rainha Ahhotep I.

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Ring of Ahhotep
Anel de Ahhotep Juan R. Lazaro (CC BY)

A egiptóloga Betsy M. Bryan observa que «Ahhotep aparentemente inspirava o respeito das tropas locais e dos notáveis para preservar uma linhagem dinástica incipiente e continuou a desempenhar o papel de mãe do rei até bem avançado o reinado de Amenhotep I» (Shaw, pág. 218). A certa altura, cedeu o papel de Esposa de Amon à filha, Ahmose-Nefertari, que também era mulher de Ahmose I.

Antes de Ahhotep I, apenas duas mulheres são referidas como Esposas de Amon: Sit-ir-bau e Ta-khered-qa, ambas do final da XVII Dinastia. Nenhuma destas mulheres é mencionada como detentora de qualquer poder considerável, e o título pode ter-lhe sido concedido postumamente. A «Esposa do Deus Amon» daquela época teria desempenhado um papel em certos rituais e, por mais importante que esse papel pudesse ter sido, a sua influência começava e terminava com a cerimónia.

Ahhotep I, no entanto, conseguiu alargar o seu poder sobre as forças armadas na qualidade de mãe do rei e Senhora das Duas Terras e, presumivelmente, sobre os aspetos religiosos enquanto Esposa do Deus Amon; tornando-se assim a figura mais poderosa do Egito a seguir ao rei.

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Statuette of Queen AHMOSE-NEFERTARI
Estatueta da Rainha Aahmós-Nefertari Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

O culto a Amon ganhava poder desde o período do Antigo Império do Egito (cerca de 2613-2181 a.C.) e já acumulava uma riqueza considerável na época de Ahmose I. Os monarcas do Antigo Império concederam uma isenção fiscal ao clero em troca dos rituais realizados nos complexos funerários, e esta política enriqueceu o clero à custa da coroa. Na época do Império Novo, o culto a Amon era tão popular e tão rico que conseguia exercer uma influência considerável na política.

O Novo Papel da Esposa de Deus

Quando Ahhotep I conferiu o título a Ahmose-Nefertari, Ahmose I aumentou drasticamente o poder da Esposa do Deus e, talvez, num esforço deliberado para diminuir o poder dos sacerdotes. A Esposa do Deus já não era uma mera figura simbólica, nem servia de substituta do rei em tempos de crise; agora, a Esposa do Deus Amon era, efetivamente, a contraparte feminina do sumo sacerdote. Foi-lhe concedida uma renda privada própria como compensação pela realização de rituais anteriormente reservados ao sumo sacerdócio. Bryan identifica as funções do cargo a partir de Ahmose-Nefertari:

1. Participação na procissão dos sacerdotes para as liturgias diárias de Amon. Era retratada a acompanhar os sacerdotes chamados «pais de Deus», uma designação geral que podia incluir os quatro principais sacerdotes do templo, conhecidos pela sua posição numerada, ou seja, «primeiro sacerdote», etc.

2. Banhar-se no lago sagrado com os sacerdotes puros antes de realizar os rituais.

3. Entrar nas partes mais exclusivas do templo juntamente com o sumo sacerdote. Isto incluía o Santo dos Santos.

4. Juntamente com o sumo sacerdote, «convidar o deus para a sua refeição», recitando uma lista das oferendas alimentares a apresentar a Amon.

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5. Juntamente com o sumo sacerdote, queimar efígies de cera dos inimigos do deus para manter a ordem divina.

6. Agitar o sistro perante o deus para o propiciar.

7. Teoricamente, na qualidade de «mão do deus», auxiliava a divindade na sua masturbação autocriativa. Desta forma e na sua atividade com o sistro (uma alusão sexual), desempenhava o papel de esposa do deus.

(Bryan, pág. 2)

Estas responsabilidades e honras eram recompensadas com terras isentas de impostos, habitação, comida, vestuário, ouro, prata e cobre, servos e servas, perucas, unguentos, cosméticos, gado e azeite. Embora a maior parte desta remuneração fosse utilizada no desempenho das suas funções, as terras geravam receitas adicionais que revertem diretamente para a Esposa do Deus como sua propriedade pessoal, e não para o templo.

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As Esposas de Deus após Ahmose-Nefertari

As Esposas de Deus que se seguiram ao reinado de Ahmose I detinham todas este mesmo poder e prestígio, em maior ou menor grau. Embora algumas destas mulheres fossem filhas de sumos sacerdotes, a maioria era parente do rei. Para além da Esposa do Deus, existiam os títulos honoríficos de «Adoradora Divina» e «Mão do Deus». Estas duas posições de menor prestígio podiam ser ocupadas por mulheres não da realeza, embora, normalmente, parecessem ter sido preenchidas por irmãs mais novas ou parentes da Esposa do Deus.

na prática, A Esposa de Amon era a contraparte feminina do sumo sacerdote.

As responsabilidades do cargo de «Mão de Deus» não são claras, uma vez que é óbvio que a «Esposa de Deus» desempenhava a função de «Mão de Deus» no ato ritual da masturbação criativa. A «Adoradora Divina» era uma alta sacerdotisa que auxiliava a «Esposa de Deus» e presidia a festivais e cerimónias. Parece ter detido poder igual ao dos sumos sacerdotes do templo, e sabe-se que uma «Adoradora Divina» se tornou «Esposa de Deus» em várias ocasiões.

Na sua maioria, as datas das vidas das mulheres abaixo referidas são desconhecidas. As datas indicadas são as dos seus pais ou maridos. Também faltam detalhes sobre as suas funções enquanto Esposa de Deus e, salvo exceções notáveis, só se sabe da sua existência através dos seus túmulos. Quando se conhece a data de uma Esposa de Deus, esta é indicada abaixo, imediatamente a seguir ao seu nome.

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XVIII Dinastia

Sat-Kamés: Muito provavelmente filha de Kamés, irmão de Aahmós I. Título possivelmente atribuído a título póstumo.

Aahmós-Meritamon: Também conhecida como Meryetamun. Filha mais velha de Aahmós I e de Aahmós-Nefertari. Sucedeu a Aahmós-Nefertari como Esposa Divina e foi irmã-esposa de Amenófis I (cerca de 1541–1520 a.C.).

Aahmós-Satamon: Filha de Aahmós I e de uma das suas esposas secundárias. O seu nome significa «Filha da Lua — Filha de Amon». Era manifestamente de grande importância, dado que uma grande estátua sua foi erguida em Carnaque, embora pouco mais se saiba a seu respeito.

Hatshepsut: (reinou 1479–1458 a.C.) Filha de Tutmés I e da Rainha Aahmós, Hatshepsut é a mais poderosa e bem-sucedida soberana do Egito Antigo. Pouco depois de se tornar faraó, renunciou ao título de Esposa Divina a favor da sua filha Neferuré, com o intuito de consolidar ainda mais o seu poder.

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Neferuré: Também conhecida como Neferure, filha de Tutmés II e Hatshepsut. Possivelmente esposa de Tutmés III (1458–1425 a.C.).

Seniseneb: Mulher distinta da mãe de Tutmés I e não propriamente uma Esposa Divina, mas sim uma Adoratriz Divina de Amon. Era filha do grande sacerdote e vizir Hapuseneb e da sua esposa Ahhotep, tendo iniciado a sua carreira como cantora do templo. Mais tarde, casou com Puiemra, um sacerdote de Amon.

Ísis: Também conhecida como Iset, mãe de Tutmés III. Foi-lhe atribuído o título de Esposa Divina a título póstumo, juntamente com outras honras concedidas pelo seu filho.

Satiah: Também conhecida como Tiaah ou Satiá, a primeira esposa de Tutmés III, a quem foi concedido o título de Esposa Divina pela mãe deste, Ísis. Morreu e foi sucedida por Meritré-Hatshepsut como segunda esposa de Tutmés III.

Hui: Mãe de Meritré-Hatshepsut e Adoratriz Divina. O título poderá ter-lhe sido atribuído a título póstumo, sendo conhecida apenas através de uma estátua que a representa num contexto familiar com os seus netos.

Meritré-Hatshepsut: Esposa de Tutmés III e mãe de Amenófis II (reinou 1425–1400 a.C.). Sucedeu a Satiah como esposa principal e Esposa Divina, sendo frequentemente representada como uma rainha majestosa.

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Meritamon: Também conhecida como Meritamen e, para os investigadores contemporâneos, como Meritamon C (de modo a distingui-la da sua irmã e de outras figuras homónimas). Era filha de Tutmés III e de Meritré-Hatshepsut.

Tiaa: Esposa de Amenófis II e mãe de Tutmés IV (reinou 1400–1390 a.C.).

Maetka: Não foi Esposa Divina, mas sim Adoratriz Divina durante o reinado de Amenófis III (reinou 1386–1353 a.C.). Maetka era esposa de um homem chamado Senena, o chefe dos ourives de Amon, que auxiliava na criação da estatuária sagrada e dos ornamentos do templo. É provável que Maetka tivesse atingido o cargo de Esposa Divina em qualquer outra época, contudo, a posição caiu em desuso durante o reinado de Amenófis III.

A esposa de Amenófis III, Tiye (1398–1338 a.C.), detinha todos os títulos tradicionais associados à rainha, mas não o de Esposa Divina. Amenófis III foi um soberano eficaz que governou o Egito durante um dos seus apogeus culturais e económicos mais elevados, e Tiye constituía uma presença influente na corte. Está amplamente documentado que o casal não aprovava o culto de Amon nem a sua influência, tendo Tiye apoiado o seu filho Akhenaten (reinou 1353–1336 a.C.) na abolição do culto e na reforma das crenças religiosas no Egito.

Não são mencionadas quaisquer Esposas Divinas durante o restante período da XVIII Dinastia. Akhenaten tinha, naturalmente, abolido o cargo durante o seu reinado, e os seus sucessores Tutankhamon (r. c. 1336–1327 a.C.) e Horemheb (r. 1320–1295 a.C.) estavam demasiado ocupados a tentar reparar os danos causados ao Estado pelas reformas de Akhenaten para o restabelecerem ou, possivelmente, a posição chegou a ser restaurada, mas não conferida. A Esposa Divina de Amon volta a surgir na XIX Dinastia com o mesmo prestígio de outrora.

XIX Dinastia

Satré: Esposa de Ramsés I (reinou 1292–1290 a.C.), fundador da XIX Dinastia, e mãe de Seti I (reinou 1290–1279 a.C.). Possivelmente conhecida como Tiy ou Tiye antes de se tornar rainha e de assumir o título de Esposa Divina.

Tuya: Também conhecida como Mut-Tuya e Tuy, foi esposa de Seti I e mãe de Ramsés II (reinou 1279–1213 a.C., mais conhecido como Ramsés, o Grande). Encontra-se representada na estatuária como uma rainha majestosa e Esposa Divina através de diversas inscrições e estátuas, embora pouco se saiba sobre a sua vida.

Nefertari: (cerca de 1255 a.C.) Também conhecida como Nefertari-Meritmut, esposa de Ramsés II. Era altamente instruída, tendo tido grande influência nos esforços diplomáticos do seu marido e exercido um enorme poder na corte. Ramsés II mandou construir o Templo de Abu Simbel em sua honra, sendo o seu túmulo o maior no Vale das Rainhas. Permanece como uma das figuras mais célebres da história egípcia.

The Small Temple, Abu Simbel
O Pequeno Templo, Abu Simbel Dennis Jarvis (CC BY-SA)

Meritamon: Também conhecida como Merytamun, a quarta filha de Ramsés II e de Nefertari. Presume-se que Meritamon tenha recebido o título de Esposa Divina da parte de Nefertari, embora tal permaneça incerto. Apenas se sabe com certeza que ocupava o cargo de «Superiora do Harém de Amon-Rá» enquanto Nefertari era viva. É muito provável que tenha assumido o título de Esposa Divina quando foi elevada pelo seu pai à condição de Grande Esposa Real, após a morte de Nefertari.

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Taussert: Também conhecida como Tawosret (reinou 1191–1190 a.C.), foi a madrasta de Siptah (reinou 1197–1191 a.C.), que morreu aos 16 anos de idade. Taussert governou então o Egito até à sua morte, altura em que foi sucedida por Setnakht (reinou 1190–1186 a.C.), fundador da XX Dinastia.

XX Dinastia

Ísis-Ta-Hemdjert: Esposa de Ramsés III (reinou 1186–1155 a.C.) e mãe de Ramsés IV (reinou 1155–1149 a.C.). Outorgou o título de Esposa Divina à sua neta Ísis (filha de Ramsés VI).

Ísis: Também conhecida como Iset e Aset, filha de Ramsés VI. É a primeira Esposa Divina de Amon comprovadamente celibatária, tendo dado início à diretiva que passaria a ser cumprida a partir de então. Doravante, as Esposas Divinas seriam exclusivamente filhas virgens, deixando de ser esposas ou mães.

Titi: Possivelmente esposa de Ramsés X (reinou 1111–1107 a.C.), mas muito provavelmente sua filha solteira. Pouco se sabe a seu respeito.

Da XXI Dinastia até à Invasão

Maatcaré: Filha do grande sacerdote Pinedjem I (1070–1032 a.C.) e irmã do faraó Psusenes I (reinou 1047–1001 a.C.). A cooperação entre o grande sacerdote de Amon em Tebas e o rei em Tinis durante este período encontra-se amplamente documentada, embora pouco se saiba sobre as reais funções de Maatcaré. É maioritariamente conhecida pelo seu túmulo, o qual continha o seu macaco de estimação mumificado.

Henutaui: Filha de Pinedjem II (reinou cerca de 990–969 a.C.) e da sua rainha Isetemkheb.

Karomama: Também conhecida como Karomama-Meritmut e, para os investigadores contemporâneos, como Princesa Karomama C, filha de Osorkon II (reinou 872–837 a.C.). É maioritariamente conhecida pela sua requintada estatueta, atualmente conservada no Museu do Louvre, em Paris.

Queen Karomama I
Rainha Karomama I Jan van der Crabben (CC BY-NC-SA)

Tashakheper: Outra filha de Osorkon II, que parece não ter mantido o título de Esposa Divina durante muito tempo.

Shepenupet I: Filha de Osorkon III (reinou cerca de 790 a.C.) e da Rainha Karoatjet.

Amonirdis I: (cerca de 714–700 a.C.) Filha de Kashta (reinou cerca de 750 a.C.) e da Rainha Pebatjma, irmã de Piye (reinou 747–721 a.C.) e do seu sucessor Shabaka (reinou 721–707 a.C.). Uma das mais poderosas Esposas Divinas, que governou efetivamente o Alto Egito. Detinha o cargo de Adoratriz Divina antes de se tornar Esposa Divina e Grande Sacerdotisa de Amon em Tebas.

Mummy of Amenirdis
Múmia de Amenirdis Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Shepenupet II: Filha de Piye e meia-irmã do rei Taharqa (reinou cerca de 690–671 a.C.).

Amonirdis II: (cerca de 650–640 a.C.) Filha de Taharqa. Foi escolhida como herdeira por Shepenupet II, mas nunca chegou efetivamente a ocupar o cargo. Amonirdis II tinha adotado Nitócris I como sua herdeira e o título transitou diretamente para esta quando o domínio núbio no Egito chegou ao fim. Amonirdis II permaneceu como Adoratriz Divina de Nitócris I.

Nitócris I: (reinou 655–585 a.C.) Também conhecida como Neitiqert e Shepenupet III, filha de Psamético I (reinou cerca de 665–610 a.C.) e da sua rainha Mehytenweskhet. Uma das mais abastadas Esposas Divinas, governou sobre sete distritos no Alto Egito e quatro no Baixo Egito, impondo um tributo diário de 190 quilogramas (420 libras) de pão, cereais, ervas e leite aos sacerdotes de Amon, bem como um tributo mensal de diversos alimentos e gado (van de Mieroop, 275). Figura entre as mais célebres Esposas Divinas devido às inscrições em Carnaque, Abidos e outros locais, bem como à Estela da Adoção, que relata como Nitócris I se tornou Esposa Divina.

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Shepenupet IV: Muito provavelmente filha do rei Necom II (reinou 610–595 a.C.) e da sua rainha Khedeb-neith-hirbinet.

Ankhenesneferibré: (cerca de 595–525 a.C.) Filha de Psamético II (reinou 595–589 a.C.) e da sua rainha Takhuit. Governou em Tebas até à Invasão Persa.

Nitócris II: Filha de Amásis II (também conhecido como Aahmós II, reinou 570–526 a.C.), que foi escolhida como sucessora de Ankhenesneferibré. Detinha o cargo de Grande Sacerdotisa de Amon em Tebas e de Adoratriz Divina sob Ankhenesneferibre. É a última mulher a ser adotada como sucessora ao título de Esposa Divina de Amon antes da Invasão Persa.

A Invasão Persa

Amasis II foi um líder militar e administrador excecional, mas o seu filho Psamético III (reinou entre 526 e 525 a.C.) era jovem e inexperiente quando subiu ao trono. Segundo Heródoto, o rei persa Cambises II enviara um pedido a Amasis solicitando uma das suas filhas como esposa, mas existia no Egito uma política de longa data segundo a qual as filhas da realeza não eram enviadas para terras estrangeiras como esposas.

Amásis II, por conseguinte, não podia aceder ao pedido, mas ao mesmo tempo desejava evitar um conflito, pelo que enviou, em seu lugar, a filha de um soberano anterior, Apriés. Esta princesa do Egito sentiu-se profundamente insultada pela decisão de Amásis, especialmente devido à antiga tradição egípcia que Amásis II acabara de ignorar à sua custa. Quando chegou à corte de Cambises II, revelou-lhe a sua verdadeira identidade, e Cambises II jurou vingar a afronta de lhe ter sido enviada uma «esposa falsa».

Cambyses II of Persia
Cambises II da Pérsia Wikipedia (CC BY-SA)

Independentemente de todos os detalhes desta narrativa serem verídicos, o exército persa marchou sobre o Egito em 525 a.C. e defrontou as forças de Psamético III na cidade de Pelúsio. A cidade encontrava-se fortemente defendida e Cambises II compreendeu que enfrentaria, muito provavelmente, pesadas baixas. Contudo, era desde há muito um admirador da cultura egípcia e conhecia a sua profunda devoção aos gatos e o seu respeito pelos animais.

Por isso, ordenou aos seus homens que reunissem gatos e tantos animais quantos conseguissem encontrar, e que pintassem também a imagem de Bastet, a deusa egípcia dos gatos, nos seus escudos. Os persas conduziram os animais em direção à cidade, erguendo os seus escudos e exigindo a rendição dos egípcios. Os defensores, não querendo que os animais fossem maltratados e temendo ofender Bastet, acataram a exigência; e o Egito caiu nas mãos dos persas.

Embora o Egito tenha prosperado sob o domínio persa e os persas tenham respeitado a cultura e a religião egípcias, o título de «Esposa de Amon» foi abolido. Os sumos sacerdotes de Amon passaram a servir os reis persas e já não existia uma realeza egípcia com poder real para conferir o cargo às suas filhas ou para se preocupar com o poder do clero no Egito. O cargo de «Esposa de Amon» foi posteriormente restabelecido pelos reis núbios, mas, após o massacre dos sacerdotes de Amon em 285 a.C. pelo rei Ergamenes, caiu em desuso, e o próprio culto a Amon acabou por desaparecer com a ascensão do cristianismo.

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Mark, J. J. (2026, outubro 08). Esposa de Amon. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15777/esposa-de-amon/

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Mark, Joshua J.. "Esposa de Amon." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 08, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15777/esposa-de-amon/.

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Mark, Joshua J.. "Esposa de Amon." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 08 out 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15777/esposa-de-amon/.

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