Moedas na Grécia Antiga

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Definição

Mark Cartwright
por , traduzido por Eric Azevedo
publicado em 15 Julho 2016
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Texto original em inglês: Ancient Greek Coinage

Greek Coins (by Mark Cartwright, CC BY-NC-SA)
Moedas gregas
Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

As moedas da Grécia Antiga nos proveram com as imagens mais reconhecíveis da antiguidade, já que elas eram carimbadas com desenhos que serviam para declarar com orgulho a cidade que as cunhou e para garantir o seu valor. Uma das grandes sobreviventes arqueológicas, as moedas são uma fonte de informação valiosa em práticas culturais, indivíduos importantes, e relações internacionais antigas.

Evolução & Funções da Cunhagem

O comércio do mundo antigo era amplamente conduzido através da troca de um tipo de produtos por outro em um sistema de escambo que funcionou bem por milênios. Eventualmente, alguns bens passaram a ser trocados por grandes barras de metais, como os talentos de bronze ou cobre, cujo valor era acordado por ambas as partes. A próxima etapa foi o uso de varas ou espetos (chamados de obelos, de onde deriva-se o nome da moeda óbolo) que possuíam 1,5 metros de comprimento, podendo-se segurar na mão seis delas de uma vez. A palava grega para segurar é drattomai, e esta é a origem da moeda dracma. Dessas barras e varas surgiu a ideia de um material mais portátil e universal, que poderia ser trocado por qualquer produto ou serviço: a moeda.

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Os gregos atribuíam à Lídia a invenção das moedas no início do século 6ª AEC, que eram cunhadas pelo estado para garantir valor e serem reconhecidas como genuínas. As moedas eram geralmente mais leves do que o mesmo valor representado pela quantia de metal puro, para que se cobrisse o custo de cunhá-las ou até mesmo obter um pequeno lucro. Nos séculos seguintes, alguns estados abusaram dessa margem e produziram moedas contendo cada vez menos metal precioso na tentativa de se criar valor quando, na verdade, não se havia nenhum. Após ser publicamente ridicularizada, Atenas foi notoriamente forçada a remover um lote de moedas que haviam sido cunhadas logo após uma crise financeira, por volta de 406 AEC. Assim como atualmente, a moeda só funcionava se as pessoas confiassem em seu valor presente e futuro.

MOEDAS GREGAS DE CIDADES-ESTADO ESPECÍFICAS POSSUÍAM DESENHOS PARTICULARES QUE FORAM USADOS POR SÉCULOS, TORNANDO-SE SÍMBOLOS INSTANTANEAMENTE RECONHECÍVEIS DAQUELA CIDADE.

As primeiras moedas gregas surgiram em Egina c. 600 AEC (ou até mesmo antes), e eram feitas de prata e utilizavam uma tartaruga como símbolo da prosperidade da cidade, que se baseava no comércio marítimo. A vantagem de Egina foi logo seguida por Atenas e Corinto. O nascimento da cunhagem de forma ampla na Grécia, porém, não se deu por conveniência, mas por carência, motivada pela necessidade de se pagar soldados mercenários. Esses guerreiros demandavam um modo conveniente de carregar suas remunerações, e o estado precisava de um método de pagamento que pudesse aplicar igualmente a todos. Sobretudo no comércio marítimo, o escambo continuava a ser a forma mais comum de troca, já que o problema com a moeda no mundo antigo era que o seu valor entre cidades-estados era frequentemente diferente. Mesmo assim, a cidadãos de uma cidade específica e a seus territórios adjacentes, a moeda tornou-se um método muito útil de se comprar e vender produtos, e era conveniente ao estado utilizar moedas para pagar por pequenos serviços públicos como a participação em tribunais. Essa nova riqueza portátil era tão conveniente que os gregos mais pobres carregavam suas moedas dentro de suas bocas quando eles iam ao mercado, e os mais ricos passaram a ter um método acessível de armazenar (e esconder) sua riqueza.

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Athenian Silver Tetradrachm
Tetradrachm de prata ateniense
Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Alguns estados maiores eram capazes de impor sua unidade monetária em outras cidades-estado e tê-las aceitas como método de troca. As moedas de prata atenienses do século 5º AEC são um exemplo, e foi talvez o primeiro caso de uma única moeda sendo utilizada por diferentes estados, os membros da Liga de Delos. Exemplos dos tedradracmas atenienses de prata, cunhados com uma coruja, foram encontrados em regiões distantes como Egito, Palestina, Arábia e Bactro. A Liga Arcadiana era uma outra estrutura com uma moeda comum. Da mesma forma, Alexandre, o Grande, usaria suas moedas através do Império Macedônico, com muitos estados ainda as cunhando dois séculos após sua morte. Outros estados da época copiariam abordagem grega sobre as moedas, produzindo seus próprios tipos semelhantes, como os etruscos e cartagineses.

Cunhando Moedas

As moedas gregas eram produzidas utilizando-se principalmente prata, mas também ouro, eletro (uma liga de ouro e prata que ocorre naturalmente), liga de cobre e bronze. Os metais eram derretidos em uma fornalha e depois, para padronizar o formato e peso de cada moeda em branco (placas), o metal derretido era despejado em moldes ou vasilhames hemisféricos pré-preparados. Posteriormente, outro método foi o de cortar fatias de cilindros de metal feitos no diâmetro correto.

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Greek Silver Coins
Moedas de prata gregas
Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Enquanto isso, um entalhador gravava o desenho (em relevo ou cortado) em moldes metálicos de bronze endurecido ou ferro, um para cada lado da moeda (moedas anteriores possuíam selo em apenas um dos lados). Em algumas casas da moeda do período Clássico, como as da Itália e da Sicília, os entalhadores de moeda até mesmo assinavam seus trabalhos. Um molde (geralmente o do lado frontal) era disposto em uma bigorna e o disco de metal, em branco, colocado em cima, esquentado de modo a torná-lo levemente flexível. O cunhador então na mão o outro molde e martelava-o sobre o disco em branco. O golpe então deixaria uma marca em ambos os lados da moeda. Algumas vezes, moedas antigas eram regravadas com novos desenhos.

Diferentes pesos de moedas eram usados para criar denominações, que iam desde o óbolo (seis deles equivaliam a um dracma) ao octadracma duplo. O que poderia ser comprado com moedas mudou ao longo do tempo, mas, como exemplo, a entrada a festivais de teatro em Atenas custava, inicialmente, dois óbolos no início do século 5º AEC, o que equivalia a um dia de trabalho. Porém, a maioria das moedas era cunhada em prata, então possuíam um valor relativamente alto, provavelmente equivalente ao trabalho de uma semana da maioria dos cidadãos. Apenas no Período Helenístico que menores subdivisões se difundiram.

Ancient Greek Silver coins
Moedas de prata gregas antigas
Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Houveram tentativas de se manufaturar moedas falsas, utilizando internamente materiais de valor interior, como chumbo ou bronze cobertos em uma fina camada do metal correta. Desenhos foram se tornando mais intrincados para que fossem mais difíceis de se copiar, mas moedas mais antigas frequentemente apresentam furos, sugerindo que elas eram testadas repetidamente para que se determinasse suas verdadeiras composições.

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Desenhos

Modas gregas de certas pólis ou cidades-estado frequentemente possuíam desenhos específicos que foram utilizados por séculos, sendo instantaneamente reconhecíveis como símbolos daquelas cidades. Deuses e personagens da mitologia grega eram especialmente populares, mas todos os tipos de temas eram escolhidos para representar cidades específicas. Curiosamente, o lado reverso das primeiras moedas possuía normalmente um símbolo geométrico qualquer cunhado, notavelmente um quadrado subdividido em quatro. Mais tarde, cunhadores e administradores passaram a enxergar o lado reverso como uma oportunidade para repetir a mensagem visual. Algumas vezes, os desenhos possuíam relação também com o valor da moeda, como quando Atenas adicionou um galho de oliveira adicional para distinguir o hemidracma do dracma.

Ancient Greek Coins
Moedas gregas antigas
Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

O desenho mais famoso de todos é possivelmente a coruja de Atena, que figurava nos tedradracmas de prata de Atenas. Atena era a patrona da cidade e aparecia no lado reverso. Corinto utilizava o Pégaso, o cavalo alado do herói corintiano Belerofonte, que o encontrou na fonte de Pirene, externa à cidade. As moedas de Cnossos exibiam o labirinto da lenda de Teseu e o Minotauro. Tebas possuía o notável escudo beiotiano. Siracusa utilizava a imagem de Aretousa com golfinhos nadando, simbolizando a força da cidade através do comércio marítimo. Como vimos, Egina fez o mesmo, mas usou uma tartaruga marinha, a ser substituída por uma tartaruga em moedas posteriores. Poseidon apareceu nas moedas de Poseidonia, e Sileno, nas de Naxos.

Plantas e flores locais também eram uma escolha popular de símbolo, por exemplo, a folha de aipo em Selino, a rosa em Rodes, e a espiga de trigo em Metaponto. Os carros de guerra também parecem ter sido atraentes a muitas cidades-estado e aparecem em moedas da Sicília à Macedônia. A lira é outro emblema comum, sendo as moedas de Delos um exemplo. Algumas moedas tinham inscrições curtas, mais comumente uma única letra, como as iniciais de Atenas ou Qoppa para Corinto. Ao final do período clássico, os governantes usavam moedas como meio de propaganda para mostrar sua própria imagem em todo o império e se associar a deuses e heróis como Hércules.

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Macedonian Gold Stater
Gold Stater da Macedônia
Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Um Valioso Registro Histórico

O processo impreciso da fabricação de moedas no mundo grego tem sido um valioso recurso para os arqueólogos. Ao examinar precisamente a pureza do metal de certas moedas e os alinhamentos dos desenhos e suas imperfeições, eles são capazes de combinar diferentes exemplos do mesmo lote de moedas com casas da moeda da antiguidade e períodos específicos, ajudando a datar outros objetos e locais nos quais as moedas foram escavadas. Em certas ocasiões, a simples presença de moedas em certos lugares ajudou a estabelecer antigas relações comerciais, por exemplo. Por fim, as imagens nas moedas são uma fonte valiosa de iconografia relacionada à religião grega e um registro de agricultura e arquitetura. Elas também são uma referência visual para todos os tipos de objetos hoje perdidos, de trípodes de vitória a proas de navio, e, por vezes, como para muitos reis Báctrios, são a única fonte para o retrato de um indivíduo.

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Sobre o tradutor

Eric Azevedo
With a Bachelor's degree in Economics at University of Sao Paulo (USP, Brazil), Eric has experience on translating articles and publications, besides having a particular interest in all things related to History, Philosophy and Arts.

Sobre o autor

Mark Cartwright
Mark é um historiador que vive na Itália. Seus interesses incluem cerâmica, arquitetura, mitologia e a descoberta das ideias que todas as civilizações partilham entre si. Tem Mestrado em Filosofia Política e é o Diretor de Publicação na Enciclopédia da História Mundial.

Cite este trabalho

Estilo APA

Cartwright, M. (2016, Julho 15). Moedas na Grécia Antiga [Ancient Greek Coinage]. (E. Azevedo, Tradutor). World History Encyclopedia. Recuperado de https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13342/moedas-na-grecia-antiga/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Moedas na Grécia Antiga." Traduzido por Eric Azevedo. World History Encyclopedia. Última modificação Julho 15, 2016. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13342/moedas-na-grecia-antiga/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Moedas na Grécia Antiga." Traduzido por Eric Azevedo. World History Encyclopedia. World History Encyclopedia, 15 Jul 2016. Web. 03 Dez 2021.