O cânone arturiano é um conjunto de lendas, romances, crónicas e tradições poéticas medievais centradas no Rei Artur, um monarca semilendário associado à Grã-Bretanha pós-romana e à defesa da ilha contra a expansão saxónica. Surgida entre o início da Idade Média e o período final deste mesmo período, a tradição evoluiu a partir do folclore heroico britónico e da mitologia galesa para se tornar num dos ciclos literários mais influentes da Europa medieval. As tradições mais antigas retratavam Artur, sobretudo, como um guerreiro e líder de batalhas, mas, com o passar do tempo, a lenda absorveu elementos sobrenaturais, tradições proféticas, simbolismo cristão e ideais de realeza e cavalaria.
Entre os séculos XII e XV, escritores de toda a Grã-Bretanha e da Europa continental transformaram a tradição arturiana num vasto universo literário interligado, focado em Camelot, na Távola Redonda, em Merlim, Lancelote, Guinevere, Excalibur e no Santo Graal. A História dos Reis da Grã-Bretanha (tít. original: Historia Regum Britanniae- 1136), de Godofredo de Monmouth, estabeleceu Artur como rei da Grã-Bretanha, enquanto romancistas franceses, como Chrétien de Troyes, introduziram o amor cortês, as demandas cavaleirescas e a tradição do Graal. Ciclos de prosa posteriores e romances ingleses desenvolveram a queda trágica de Camelot e o colapso moral da Távola Redonda. Aquando da obra A Morte de Artur (tít. original: Le Morte d’Arthur), de Thomas Malory (concluída por volta de 1470), o cânone arturiano já se tornara numa síntese de guerra heroica, realeza medieval, moral cristã, romance e tragédia, que continuou a moldar a literatura, a arte e a cultura popular das eras seguintes.

