O bombardeamento estratégico aliado da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45) envolveu aviões bombardeiros britânicos e norte-americanos que atacaram cidades industriais, fábricas, caminhos-de-ferro, aeródromos e barragens. Como consequência, morreram mais de 600.000 civis. Os objetivos da campanha incluíam a destruição da capacidade da Alemanha para produzir armamento; a interrupção das redes de transporte e do fornecimento de petróleo, aço e carvão; a aniquilação da força aérea alemã e a quebra do moral da população civil.
Os objetivos secundários da campanha de bombardeamento estratégico da Força Aérea Real (Royal Air Force - RAF) e da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (United States Army Air Force - USAAF) incluíam o reforço do moral interno, demonstrando que a Alemanha estava a pagar um preço pela invasão da Europa e pelo bombardeamento da Grã-Bretanha. Outro propósito era demonstrar à URSS que os aliados ocidentais estavam a prestar auxílio à campanha soviética na Frente Oriental. Alguns comandantes aliados acreditavam que a guerra poderia ser ganha recorrendo apenas ao poder aéreo, evitando assim uma invasão terrestre. No entanto, verificou-se que a Alemanha continuava a lutar, e apenas uma operação terrestre vinda de leste e de oeste ganharia, finalmente, a guerra.
Porque é que os Aliados Bombardearam a Alemanha?
Os objetivos militares oficiais do bombardeamento estratégico da Alemanha estão indicados em diversas diretrizes formuladas pelos Chefes de Estado-Maior Conjuntos dos Aliados. A conferência de Casablanca, em janeiro de 1943, observou que o objetivo da ofensiva de bombardeamento era:
A destruição e a desarticulação progressiva do sistema militar, industrial e económico alemão, e o enfraquecimento do moral do povo alemão até um ponto em que a sua capacidade de resistência armada seja fatalmente debilitada.
(Dear, pág. 196)
O objetivo de Casablanca foi alterado pela Diretriz Pointblank de junho de 1943, qua sublinhava a importância de destruir a produção de aviões de caça alemães, como preparação para os desembarques do Dia D na Normandia (Operação Overlord), planeados para o verão de 1944. Antes dos Aliados poderem equacionar uma invasão terrestre da Europa Continental, tinham de alcançar a superioridade aérea, caso contrário a sua armada seria destruída. Em agosto de 1943, a conferência do Quebeque reafirmou os objetivos de Casablanca e Pointblank, mas retirou o objetivo relativo ao moral dos civis.
Outros propósitos dos bombardeamentos, talvez não expressos oficialmente, mas presentes ainda assim, eram demonstrar ao público britânico e americano, bem como à Rússia, que algo estava a ser feito para levar a guerra até à Alemanha. Na ausência de um ataque terrestre em território alemão, o bombardeamento era a alternativa mais viável. Como observou o Ministro do Armamento alemão, Albert Speer (1905-1981), a guerra aérea tornou-se "uma segunda frente", que absorveu homens e máquinas que, de outro modo, poderiam ter sido utilizados na Frente Oriental contra a Rússia e nas defesas costeiras do norte de França.
Os Bombardeiros
A RAF incluía muitos militares provenientes do Império Britânico, tais como da Austrália, Nova Zelândia e Canadá, bem como tripulações francesas, polacas e americanas, entre outras. A USAAF era representada pela Oitava Força Aérea, baseada na Grã-Bretanha, comandada por Ira C. Eaker (1896-1987) e em ação na Europa a partir de agosto de 1942. Ambas as forças aéreas destacaram bombardeiros sobre a Alemanha e muitos outros alvos na Europa ocupada, na Itália e no Mediterrâneo.
As aeronaves da RAF utilizadas para lançar bombas sobre a Alemanha incluíam o bombardeiro quadrimotor Avro 683 Lancaster, capaz de transportar cargas de bombas de 6.350 kg (14.000 libras). Outros bombardeiros quadrimotores destacados incluíam o Short Stirling e o Handley Page Halifax. Para defesa contra aviões de caça como o Messerschmitt Bf 109 (Me 109) e o Focke-Wulf 190, os bombardeiros possuíam torres de metralhadoras no nariz, no dorso e na cauda da aeronave. O melhor bombardeiro da USAAF era o B-17 Flying Fortress (Fortaleza Voante). Embora transportasse menos de metade da carga de bombas de um Lancaster, o B-17 estava eriçado com 13 metralhadoras, todas com o calibre de alto impacto de 12,7 mm (0,50 polegadas). O segundo melhor, mas mais numeroso, bombardeiro da USAAF era o fiável Consolidated B-24 Liberator.
Os bombardeiros lançavam habitualmente primeiro bombas explosivas e, em seguida, incendiárias para incendiar as ruínas. As bombas especiais incluíam a 'Tallboy' de 5.443 kg (12.000 libras) e a 'Grand Slam', que pesava 10 toneladas (22.000 libras), concebidas para penetrar betão e criar uma explosão tão massiva que replicava os efeitos de um terramoto.
As tripulações da USAAF eram voluntárias para as missões de bombardeamento. Devido aos riscos envolvidos, aos aviadores era atribuído um máximo de 25 missões por turno de combate, limite que foi mais tarde alargado para 35. As tripulações da RAF serviam durante 30 missões, mas muitos repetiam o ciclo antes da guerra terminar. Todas as tripulações eram jovens; qualquer pessoa na casa dos trinta anos recebia tipicamente a alcunha de "avô".
A Estratégia de Bombardeamento
A RAF realizou inicialmente incursões de bombardeamento durante o dia, uma vez que tal permitia encontrar e identificar os alvos mais facilmente. No entanto, depressa se tornou claro que os bombardeiros, de voo lento, eram demasiado vulneráveis às defesas antiaéreas e aos aviões de caça inimigos. Os caças aliados, como o Supermarine Spitfire e o Hawker Hurricane, não tinham autonomia de combustível para proteger os bombardeiros sobre a Alemanha. Consequentemente, a RAF mudou para o bombardeamento noturno, quando era muito mais difícil detetar e atacar os bombardeiros. Infelizmente, isto também significou que a precisão do bombardeamento foi seriamente reduzida. A física básica envolvida em projéteis não guiados era, por si só, um impedimento à precisão. As bombas lançadas continuavam a deslocar-se à velocidade a que a aeronave seguia, o que significava que caíam numa curva em direção ao alvo pretendido. A RAF acabou por descobrir quão extremamente impreciso o bombardeamento tinha sido graças ao relatório Butt, de agosto de 1941. Verificou-se que apenas um em cada três aviões conseguia largar uma bomba num raio de 8 km (5 milhas) do alvo. O tempo desfavorável, o equipamento de radar pouco fiável ou simplesmente inadequado e o caos provocado pelas defesas aéreas inimigas faziam com que o bombardeamento de precisão — atingir um alvo específico, como um pequeno grupo de edifícios fabris — fosse mais uma esperança do que uma realidade. Além disso, as bombas tinham de ser lançadas mesmo que o alvo original não pudesse ser encontrado, uma vez que os bombardeiros consumiam dois terços do seu combustível na viagem de ida, e a única forma de regressar à base era numa aeronave muito mais leve.
Para melhorar a precisão, a RAF adotou uma nova estratégia: o bombardeamento "por áreas" (também conhecido como "bombardeamento cego" ou "bombardeamento em tapete"). Isto envolvia o lançamento de bombas sobre uma área mais vasta, mantendo-se a esperança de atingir fábricas e alvos estrategicamente importantes. A consequência infeliz do bombardeamento por áreas foi a morte ou ferimento de muitos civis. É importante notar que as cidades visadas desta forma eram sempre cidades industriais consideradas cruciais para o esforço de guerra alemão. Outra inovação para ajudar a tornar o bombardeamento mais eficaz foi fazer com que os bombardeiros voassem em grupos muito grandes, reunindo-se numa "corrente de bombardeiros" muito antes de atingirem a zona do alvo. Uma concentração tão elevada de bombardeiros sobrecarregava as defesas do inimigo e, em última análise, levava a menos perdas proporcionais por incursão. A ideia de utilizar mil bombardeiros numa única incursão foi defendida pelo comandante-em-chefe do Comando de Bombardeiros da RAF, Arthur Harris (1892-1984). Harris acreditava que o bombardeamento, por si só, poderia ganhar a guerra, forçando a Alemanha a render-se caso fosse atingida com força suficiente.
Quando a USAAF se juntou à campanha de bombardeamento estratégico na Europa, tentou-se novamente realizar incursões diurnas contra alvos vitais específicos na Alemanha. Os comandantes da USAAF acreditavam que poderiam evitar as pesadas perdas sofridas pela RAF porque o bombardeiro B-17 estava mais fortemente armado e porque voariam numa formação muito mais cerrada, na qual os artilheiros das metralhadoras poderiam proteger os aviões vizinhos e atingir os caças que se aproximassem com uma barragem de fogo. No final, os bombardeiros da USAAF voavam tipicamente em alas de 54 aviões. Contudo, os caças alemães depressa aprenderam que o ponto fraco do bombardeiro era o nariz e, por isso, atacavam frontalmente, evitando todas as outras metralhadoras, que estavam maioritariamente posicionadas para repelir ataques pela retaguarda. Registaram-se também significativamente mais perdas devido a colisões em pleno ar, dada a proximidade das aeronaves na sua formação apertada. Com muitas missões a perderem mais de 10% da força, as incursões diurnas revelaram-se tão perigosas e insustentáveis como tinham sido para a RAF. A resposta da USAAF foi reduzir a escala das incursões até que fosse possível uma escolta de caças de longo alcance, que finalmente chegou em março de 1944, sob a forma do P-51 Mustang.
A RAF e a USAAF trabalharam frequentemente de forma independente, selecionando os alvos que cada uma considerava importantes. É, de certa forma, um mito que a RAF bombardeava cidades e a USAAF bombardeava alvos específicos de importância militar. Na realidade, ambas as forças perseguiram ambos os tipos de alvos. Isto verificou-se especialmente com a Ofensiva Combinada de Bombardeiros (CBO - Combined Bomber Offensive), quando as duas forças se coordenaram de forma muito estreita para atingir o mesmo alvo. Tipicamente, os bombardeiros da USAAF atacavam de dia e a RAF de noite, mantendo uma pressão constante sobre as defesas. Isto foi visível, por exemplo, na Operação Gomorra, de julho-agosto de 1943, quando Hamburgo foi atingida ininterruptamente. Houve divergências: alguns comandantes queriam bombardear apenas redes de transporte, outros apenas cidades e outros somente os fornecimentos de combustível. No final, tudo e todos os alvos foram atacados para atingir o esforço de guerra alemão em todas as frentes.
A Tecnologia
A guerra aérea foi uma corrida tecnológica, à medida que atacantes e defensores idealizavam novas formas de se superarem uns aos outros. Certos alvos estavam bem defendidos por baterias de potentes canhões antiaéreos de 88 mm (3.1 polegadas), muitos dos quais eram controlados por radar. Os bombardeiros tinham de enfrentar o fogo cruzado das defesas de caças espalhadas pelo norte da Europa, por onde as aeronaves eram obrigadas a passar.
Encontrar o alvo estava longe de ser fácil, particularmente à noite. A partir de 1943, a RAF utilizou o sistema de orientação Oboe, que enviava sinais da Grã-Bretanha para ajudar a guiar o lançamento das bombas, mas o alcance estava limitado ao norte da Alemanha. Em muitas ocasiões, as tripulações dos bombardeiros registaram que, perante a incapacidade de encontrar o alvo pretendido, bombardearam, em alternativa, outros locais, incluindo vilas e cidades.
Uma vez sobre o alvo correto, o problema seguinte consistia em encontrar o local exato para largar as cargas de bombas. Alguns aviões possuíam o equipamento de radar Gee, que auxiliava na tarefa. Contudo, o Gee podia ser bloqueado por caças inimigos especialmente equipados para o efeito. A RAF também utilizava esquadrões de batedores (Pathfinders ou PFF), que lançavam Indicadores de Alvo (TIs) para que os bombardeiros que vinham atrás pudessem avistar melhor o objetivo. Cada TI era um conjunto de 60 velas pirotécnicas de cores predefinidas (para se diferenciarem dos foguetes de engodo alemães), que iluminavam a zona do alvo descendo lentamente durante três minutos. Em tempo nublado, eram utilizados, em alternativa, foguetes com paraquedas. Os batedores também podiam iluminar a rota até ao alvo. O rádio VHF entre aeronaves e a utilização de um "Bombardeiro Mestre" (Master Bomber), que conseguia guiar os outros aviões até ao alvo, foram empregues com sucesso pela primeira vez na Operação Chastise (cf. infra).
Os bombardeiros da USAAF utilizavam o sistema de mira Norden, mas este continuava a exigir visibilidade clara do alvo, uma ocorrência rara, dado que a vista era frequentemente obscurecida pelo fumo dos incêndios no solo, pelo fogo antiaéreo (flak) e pelas nuvens. Para alvos completamente obscurecidos, utilizava-se o sistema de radar de busca terrestre H2S (H2X para a USAAF), embora este também pudesse ser bloqueado por sinais emitidos por aviões inimigos, além de revelar a posição do bombardeiro aos dispositivos de escuta do adversário.
A tecnologia Window (designada Chaff pelos americanos) foi utilizada pela primeira vez na Operação Gomorra. O Window consistia essencialmente em milhares de tiras revestidas de folha de alumínio, lançadas para criar uma nuvem de metal que causava o caos nas defesas de radar alemãs e nos dispositivos de mira das armas antiaéreas. Os defensores viam apenas uma tempestade de pontos brancos nos seus ecrãs e não conseguiam diferenciar os aviões das tiras de alumínio.
Os Alvos
Os alvos da ofensiva de bombardeamento incluíam tudo o que fosse de importância para o esforço de guerra alemão. Foram visados: portos, estaleiros navais, caminhos-de-ferro, fábricas de armamento, siderurgias, pontes e barragens. Tais alvos situavam-se, muito frequentemente, no centro ou nos subúrbios das cidades. Cidades industriais como Colónia, Hamburgo, Berlim, Nuremberga, Estugarda, Essen, Bremen, Düsseldorf e Dresden foram todas atingidas, muitas vezes repetidamente. A concentração da indústria pesada da Alemanha na zona do Ruhr levou a que toda essa região fosse visada na Batalha do Ruhr (março-julho de 1943).
Uma incursão estratégica famosa envolveu os "Dambusters" (Destruidores de Barragens) da Operação Chastise, a 16 de maio de 1943. Numa tentativa de inundar as fábricas do Vale do Ruhr, que eram abastecidas por vários grandes reservatórios, foi concebida uma bomba que podia ser lançada sobre a água, saltitando até atingir uma barragem. A "bomba saltitante" (bouncing bomb) foi idealizada pelo engenheiro Barnes Wallis (1887-1979). Três barragens foram alvos específicos: Möhne, Eder e Sorpe. As de Möhne e Eder foram rompidas, causando inundações locais massivas, e a operação teve um grande valor propagandístico para a Grã-Bretanha.
Em agosto e outubro de 1943, a USAAF atacou alvos industriais cruciais nas incursões de Schweinfurt-Ratisbona. Centenas de bombardeiros atingiram as fábricas de rolamentos em Schweinfurt e a fábrica de aviões Messerschmitt em Ratisbona. Considerado um sucesso parcial, dado que a produção inimiga foi seriamente afetada, perderam-se quase 150 bombardeiros — uma taxa de perda demasiado elevada para ser sustentada. Infelizmente para os Aliados, a Alemanha possuía reservas de rolamentos, o que permitiu a continuidade dos fornecimentos até que as fábricas fossem reparadas.
Os Danos
A RAF lançou 23.000 missões apenas contra o Ruhr. As siderurgias Hoesch de Dortmund foram destruídas, tal como as refinarias de petróleo sintético em Gelsenkirchen. Foram atingidas tantas fábricas que Speer estimou que a produção industrial alemã tenha caído 9%. No conjunto da Alemanha, Speer calculou que a perda na produção industrial potencial devido aos bombardeamentos foi de 20% a 30%.
As consequências das incursões de bombardeamento nas cidades foram catastróficas. Na incursão de mil bombardeiros sobre Colónia, em 1942, foram lançadas 1.455 toneladas de bombas sobre a cidade em 90 minutos; 1.500 fábricas e 15.000 edifícios foram destruídos, e 45.000 pessoas ficaram desalojadas. As baixas foram relativamente poucas, uma vez que os abrigos antiaéreos sob a cidade cumpriram a sua função. Um ano mais tarde, nas terríveis tempestades de fogo em Hamburgo causadas pela Operação Gomorra, 580 fábricas de armamento foram destruídas, mas 46.000 civis morreram no processo. Naturalmente, muitas das vítimas trabalhavam nas fábricas da cidade. Acredita-se que, após a incursão, tenham sido construídos menos 27 submarinos (U-boats) nos estaleiros de Hamburgo devido à insuficiência de trabalhadores qualificados disponíveis. Mesmo o chamado "bombardeamento de precisão" infligia frequentemente enormes danos colaterais, uma vez que uma vaga de bombardeiros tendia a largar as bombas cada vez mais longe da zona atingida pelo primeiro avião, um fenómeno conhecido como creepback.
Uma única incursão sobre Wuppertal deixou 100.000 residentes desalojados da noite para o dia. Uma incursão sobre Düsseldorf deixou 140.000 pessoas sem abrigo. A operação "Dambuster" causou inundações que mataram 1.300 civis. No bombardeamento de Berlim (novembro de 1943 a março de 1944), 400.000 pessoas perderam as suas casas e muitos milhares foram mortos. Ao longo de 1944, os Aliados lançaram, em média, 3.000 toneladas de bombas por dia sobre a Alemanha. No bombardeamento de Dresden, em 1945, quatro incursões da RAF e da USAAF, realizadas para apoiar a Frente Oriental que se encontrava então a apenas 160 km (100 milhas) de distância, mataram 30.000 civis e arrasaram a cidade.
A Avaliação
Apesar de terem sido causadas perturbações graves, era necessário manter essa desarticulação, o bombardeamento tinha de ser repetido a cada poucas semanas. Tal era impossível de realizar em todos os locais, dados os bombardeiros disponíveis e, por isso, muito frequentemente a produção recuperava e até melhorava, graças à utilização de turnos duplos e de trabalho forçado. Além disso, tanto a RAF como a USAAF enfrentavam exigências constantes para os seus serviços noutros teatros de guerra.
A RAF perdeu quase 9.000 aeronaves no bombardeamento da Europa. Estima-se que a RAF e a USAAF tenham perdido, cada uma, cerca de 53.000 militares na campanha de bombardeamento (mortos, feridos ou feitos prisioneiros de guerra). Esta foi a pior taxa de perda proporcional em qualquer um dos três ramos das forças armadas, tanto para a Grã-Bretanha como para os Estados Unidos. O número de mortes de civis alemães é estimado entre 600.000 e um milhão.
Num objetivo importante, a campanha de bombardeamento foi considerada um sucesso pelos Aliados: a destruição da Luftwaffe (Força Aérea Alemã). Tantos pilotos alemães foram mortos durante a guerra aérea, e os fornecimentos de petróleo da Alemanha foram de tal forma reduzidos, que a Luftwaffe deixou de existir como força operacional. Os Aliados alcançaram a superioridade aérea e ficaram, assim, prontos para o Dia D. Outros propósitos foram parcialmente atingidos, como a diversão de homens e equipamento para a defesa aérea e a criação de estrangulamentos nos transportes. Em 1941, a Alemanha empenhava 65% das suas forças no Leste, mas em 1944 este valor foi reduzido para 32%. As defesas aéreas envolviam 10.000 canhões antiaéreos, que exigiam milhões de granadas e centenas de milhares de soldados para os operar.
É o bombardeamento das cidades alemãs que permanece como o aspeto mais controverso do bombardeamento da Alemanha durante a guerra. A falta de provas de que o moral dos civis estivesse a ser quebrado e a preocupação com o elevado número de baixas civis contribuíram para descredibilizar seriamente a ideia do bombardeamento por áreas, mesmo antes de a guerra terminar. Ficou provado que o bombardeamento por si só — pelo menos na Europa e com os recursos disponíveis — não conseguiria ganhar a guerra.
Para muitos comandantes aliados, Dresden foi, certamente, um bombardeamento excessivo. Tal como a Blitz de Londres tinha demonstrado, o moral dos civis e a vontade de lutar podiam ser, de facto, muito resilientes contra bombardeamentos repetidos. Mesmo que os civis pudessem ter sido desmoralizados na Alemanha Nazi, estes não viviam numa democracia, mas sim numa ditadura onde a dissidência podia resultar muito rapidamente em prisão ou morte. Em suma, uma população civil desmoralizada não significava que se seguiria uma mudança de regime. Mesmo que não fosse intenção matar civis, o bombardeamento de cidades industriais poderia ser classificado hoje como um crime de guerra. O bombardeamento deliberado de alvos como barragens e serviços públicos, com consequências fatais óbvias para os civis, é mais categoricamente classificado como crime de guerra pela Convenção de Genebra.
