Representações da Índia na Literatura Antiga

Sanujit
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Heródoto (484 a.C.-c. 425 a.C.) tem sido chamado de O Pai da História, pois foi o primeiro historiador conhecido por reunir detalhadamente os seus escritos, testar sua precisão até certo ponto e organizá-los numa narrativa bem construída e vívida.

As Histórias — sua obra-prima e a única obra que se sabe ter produzido — são um registro da sua investigação. Assim como Homero se baseou principalmente numa tradição de poesia oral, cantada por menestréis errantes, Heródoto parece ter-se baseado na tradição do contar histórias, reunindo e interpretando as histórias orais que encontrava nas suas viagens, e que frequentente continham motivos de contos populares

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Sobre a Índia, ele narra um relato de formigas que lançavam montes de pó de ouro. O que posteriormente, se tornou um elemento permanente na concepção clássica da Índia. Os fatos nos quais o relato se baseava parecem agora bastante claros. Pó de ouro era realmente trazido como tributo pelas tribos de Dardistaii na Caxemira e era chamado pelos indianos de pipilika, 'ouro de formiga'. Quando Heródoto disse que as formigas tinham o tamanho de cães e atacavam ferozmente qualquer um que levasse o ouro, talvez tenha sido sugerido que o relato derivava de pessoas que foram perseguidas pelos cães formidáveis mantidos pelos mineiros nativos.

World Map of Herodotus
Mapa-Múndi de Heródoto Bibi Saint-Pol (Public Domain)

Claro, tudo isso era incidental aos seus escritos sobre a luta entre a Grécia e a Pérsia. Viajou pela Ásia Menor até o Egito, e regressou à Grécia e foi o primeiro a imaginar a Índia como um certo mistério. A Índia estava na extremidade do oikoumene – o mundo conhecido. Todos os tipos de fantasias podiam ser encontradas nesta terra no limite da terra. Bestas fabulosas e atletas espirituais, riqueza imensa – tudo entrelaçado num mosaico incrível, um conceito da Índia que persistiu até a época da invasão de Alexandre em 326 a.C..

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Alexandre O Grande Chega à Índia

Alexandre, o Grande, invadiu a Índia em 327 a.C., e a esta expedição devemos todo o nosso conhecimento real da história indiana nos tempos antigos. Antes da invasão de Alexandre, havia apenas como base os Vedas, datados de cerca de 1400 a.C., o Código de Manu (900-300 a.C.), as lendas sagradas do Ramayana (400-350 a.C.) e do Mahabharata (500-250 a.C.). Nem Homero, nem Píndaro, ou Eurípides mencionam a Índia ou o seu povo pelo nome. Ésquilo cita "os indianos errantes" e Sófocles "ouro indiano", mas embora soubessem o seu nome, realmente não sabiam nada sobre o país. Foi somente durante a guerra persa que os gregos tomaram conhecimento da existência da enorme península situada a leste e sul do rio Indo. É mais do que provável, no entanto, que Homero tenha confundido a Índia com a África sob o nome geral de Etiópia. Alexandre acreditava que encontraria a nascente do rio Nilo na Índia. Na Bíblia, a única menção da Índia por esse nome está no Livro de Ester [cerca de 450 a.C., cap. i. 1 e cap. viii. 9], onde nos é dito que “Assuero que reinou desde a Índia até a Etiópia sobre cento e vinte e sete províncias". Este Assuero era Xerxes, e o banquete que ele realizou "em Susa, no palácio", no terceiro ano de seu reinado.

Map of Alexander the Great's Conquests
Mapa das Conquistas de Alexandre, o Grande US Military Academy (Public Domain)

Todo o nosso conhecimento real da Índia data da invasão de Alexandre a Punjab, (abril de 327 a.C.) onde cruzou o rio Indo em Attock, a primeira data autêntica na história indiana. Vários oficiais de Alexandre escreveram descrições de diferentes partes da rota, e assim os antigos passaram a possuir narrativas separadas, a maioria das quais desapareceu desde então. Devemos a maior parte do nosso conhecimento da Índia antiga, à informação reunida pelos oficiais de Alexandre, Seleuco e os Ptolomeus, condensada, extraída e reduzida a uma forma consistente por Diodoro, Estrabão, Plínio e Arriano, durante o Primeiro século antes e o Primeiro século depois de Cristo. Arriano, o autor do Periplus do Mar Eritreu, quase contemporâneo de Arriano, o autor da Indica e da Anabasis Alexandri, dá-nos um relato minucioso do comércio marítimo da Índia e das costas do Mar Eritreu em geral. A expedição de Alexandre e as embaixadas de Seleuco levaram nosso conhecimento da Índia do Punjab às bocas do Indo e ao vale do Ganges; o Periplus do Mar Eritreu o estendeu a toda a costa de Malabar e Coromandel, até Masulipatam. O geógrafo alexandrino, Eratóstenes (276-161 a.C.), descreve a Índia completamente.

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No entanto, a história de Estrabão é realmente o melhor relato geral que temos da Índia. Estrabão (63/64 a.C.-24 d.C.) foi um historiador, geógrafo e filósofo grego. Viagens pelo Mediterrâneo e Oriente Próximo, especialmente para fins académicos, eram populares durante esta era, e foram facilitadas pela relativa paz desfrutada durante o reinado de Augusto (27 a.C.-14 d.C.). Não se sabe precisamente quando Estrabão escreveu a Geografia. Alguns colocam os primeiros rascunhos por volta de 7 d.C., outros por volta de 18 d.C. A Índia de Estrabão é a Índia da dinastia Maurya de Magadha, 325-118 a.C., a mais brilhante e mais conhecida das primeiras dinastias indianas, à qual Saudrocottus (Chandragupta Maurya) pertencia, cujo neto, Asoka, estabeleceu o budismo como a religião do Estado da Índia, 250 a.C., data em que as relações mais íntimas existiam entre a Índia, a Síria e o Egito, e as artes, literatura e ciência da Índia atingiram a mais alta perfeição.

Os Conhecimentos Chineses sobre Índia

Os chineses conheceram a Índia pela primeira vez durante o reinado do Imperador Wuti da dinastia Han posterior, no segundo século antes de Cristo. Nomearam-na de Yuantu ou Yin-tu, uma variação de Hindu ou Sindhu. Nos registros oficiais da dinastia Tang, no VII século, a Índia era um país de cinco divisões. Muitas vezes, os despachos reais chamavam a Índia de Magadha, em homenagem à província mais conhecida e rica. Noutras ocasiões, era conhecida como o Reino dos Brâmanes.

Das cinco divisões ou Cinco Índias, mencionadas acima na linha do tempo, a narração limita-se à extensão norte da Índia. Incluía Punjab juntamente com Caxemira e as colinas adjacentes, com todo o Afeganistão oriental atual além do rio Indo. Os distritos de Cabul, Peshawar, Gazni e Banu estavam todos sob o domínio do governante de Kapisa, cuja capital possivelmente ficava em Charikar, conhecida hoje como Alexandria no Cáucaso.

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Bibliografia

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

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Sanujit. (2025, abril 23). Representações da Índia na Literatura Antiga. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-199/representacoes-da-india-na-literatura-antiga/

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Sanujit. "Representações da Índia na Literatura Antiga." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, abril 23, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-199/representacoes-da-india-na-literatura-antiga/.

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Sanujit. "Representações da Índia na Literatura Antiga." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 23 abr 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-199/representacoes-da-india-na-literatura-antiga/.

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