Os navegadores da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC - Vereenigde Oostindische Compagnie) do século XVII foram os primeiros europeus a pisar solo australiano. Embora exista uma forte teoria de que o explorador português Cristóvão de Mendonça (1475-1532) possa ter descoberto a Austrália em 1522, o primeiro desembarque europeu registado foi feito pelo neerlandês Willem Janszoon em 1606.
A VOC foi uma empresa comercial fundada pelos Estados-Gerais nos Países Baixos a 20 de março de 1602; resultando da fusão de seis companhias privadas das Índias Orientais e criada principalmente para desafiar os espanhóis e os portugueses. Os Estados-Gerais concederam à VOC um monopólio de 21 anos sobre todo o comércio a leste do Cabo da Boa Esperança, o que conduziu à dominância neerlandesa do comércio de especiarias no Sudeste Asiático entre 1602 e 1670.
A procura europeia por especiarias como a noz-moscada, o macis, a pimenta e o cravinho, bem como por porcelana e seda da China e do Japão, impulsionou o aparecimento de um mercado comercial global que ligou a Europa ao Sudeste Asiático. A VOC foi a primeira corporação multinacional com os poderes de um Estado-nação. Podia manter um exército, travar guerras, negociar tratados e estabelecer colónias em nome da República dos Países Baixos.
Por volta de 1637, a VOC valia 78 milhões de florins neerlandeses (cerca de 8,2 biliões de dólares norte-americanos) e, antes da sua dissolução em 1799, devido à corrupção e à diminuição dos lucros, a empresa tinha enviado mais de 4700 embarcações para a Ásia. Os navios da VOC tinham como destino os dois principais centros de comércio de especiarias no arquipélago indonésio — as Molucas e Batávia (Jacarta) —, bem como postos comerciais em Taiwan, Sião (Tailândia) e Tonquim (norte do Vietname). Curiosamente, a vasta massa de terra meridional conhecida como Nova Holanda (especificamente a costa ocidental e setentrional da Austrália) não era o foco das viagens da VOC.
Willem Janszoon
A ligação da VOC com o continente australiano começou a 26 de fevereiro de 1606, quando Willem Janszoon (cerca de 1570 a cerca de 1630) desembarcou no rio Pennefather, perto da atual Weipa, na costa oeste da península do Cabo York (norte de Queensland). Janszoon, um marinheiro de Amesterdão, tinha recebido instruções da VOC para explorar a costa da Nova Guiné em busca de oportunidades comerciais e de ouro.
Capitaneou o Duyfken (Pequena Pomba), zarpando de Bantam (costa nordeste de Java) em novembro de 1605 para as Ilhas Kai. Navegou depois ao longo da costa sul da Nova Guiné, que cartografou antes de seguir para sudeste, passando pela entrada do Estreito de Torres (que separa a Península do Cabo York da Nova Guiné). Janszoon não se apercebeu de que se tratava de um estreito, tendo a sua descoberta ficado a cargo do marinheiro espanhol Luis Váez de Torres (1605-1607), que navegou com sucesso através dele em 1606 a caminho de Manila, nas Filipinas. O Duyfken chegou à Península do Cabo York, que Janszoon assumiu ser uma continuação do sul da Nova Guiné, e mapeou 250 quilómetros (155 milhas) de costa desde Weipa até ao Cabo Keer-Weer (Volta-Atrás). Rumo a sul, Janszoon navegou para a baía de Vliege (atual baía de Albatross) — a palavra neerlandesa vliege significa "mosca", sugerindo que Janszoon e a sua tripulação encontraram a irritante mosca-varejeira australiana.
A cartografia de Janszoon foi a primeira das viagens neerlandesas que cartografaria quase dois terços da costa australiana no século XVII. Já não existe o diário de bordo oficial da viagem e encontra-se perdido o mapa original de Janszoon, mas a VOC mandou copiá-lo quando o Duyfken regressou a Bantam. Este mapa, conhecido como a "Carta do Duyfken", foi descoberto na Biblioteca Nacional Austríaca em Viena em 1933. Tinha sido incluído no Atlas Secreto da Companhia das Índias Orientais, que era utilizado apenas pelos navegadores da VOC e não estava disponível comercialmente até à sua publicação em 1670.
O cartógrafo neerlandês Hessel Gerritsz (cerca de 1581-1632) reuniu muitos dos seus mapas no atlas. Foi nomeado cartógrafo oficial da VOC em 1617, e todos os diários de bordo, mapas e cartas tinham de lhe ser submetidos. Isto deu a Gerritsz um acesso sem precedentes aos arquivos da VOC, e o mapa mais antigo a mostrar a parte da Austrália cartografada pelo Duyfken foi o mapa de Gerritsz de 1622, Mar del Sur, Mar Pacifico (Mar do Sul, Mar Pacífico), que autenticou o Duyfken de Janszoon como a primeira viagem neerlandesa à Austrália e confirmou a existência da Terra Australis Incognita (Terra Austral Desconhecida).
A Carta do Duyfken mostra que Janszoon visitou as Ilhas Kei e Aru (nas Molucas ou Ilhas das Especiarias) antes de desembarcar no rio Pennefather, a que chamou R. met het Bosch (Rio com o Bosque). O Cabo Keer-Weer está posicionado na carta como o ponto em que o Duyfken teve de dar meia-volta após um confronto com os povos indígenas, os Wik — os primeiros aborígenes a registarem contacto com os europeus. Dos 20 membros da tripulação do Duyfken, nove foram mortos numa peleja, tendo Janszoon relatado mais tarde:
houve nove deles mortos pelos Gentios, que são antropófagos; de modo que foram forçados a regressar, não achando nada de bom a fazer ali.
(citado em Sharp, pág. 17).
Contudo, o confronto ocorreu muito provavelmente devido à tentativa de rapto de indígenas. As autoridades da VOC em Batávia deram instruções às tripulações que se seguiram à viagem de Janszoon para capturarem adultos e crianças, para que as línguas indígenas pudessem ser aprendidas para fins comerciais. As histórias orais dos anciãos Wik preservaram memórias deste primeiro encontro com os neerlandeses.
Janszoon desconhecia que ele e a sua tripulação tinham sido os primeiros europeus a visitar as costas australianas. Cumpriu as instruções da VOC de explorar e identificar oportunidades comerciais, mas não encontrou nada de valor e, após estar no mar durante quase quatro meses, o Duyfken rumou de volta a uma base neerlandesa em Banda, a sul de Amboíno, chegando em junho de 1606. Em outubro de 1623, Janszoon foi nomeado Governador de Banda, mas o seu lugar na história australiana acabou por ser eclipsado pela segunda viagem neerlandesa a alcançar a costa australiana — a de Dirk Hartog a bordo do Eendracht.
A Rota de Brouwer e Dirk Hartog
Em 1611, o explorador neerlandês Hendrik Brouwer (cerca de 1581-1643) concebeu uma rota mais curta da Europa para o Sudeste Asiático que também evitava o Estreito de Malaca (na Malásia) e Ternate (na Indonésia). A viagem média de doze meses foi reduzida para metade ao aproveitar os ventos dos "Quarentados Rugidores" (Roaring Forties) no sul do Oceano Índico antes de virar a nordeste em direção a Batávia. A rota mais rápida, conhecida como a Rota de Brouwer, tornou-se a rota neerlandesa preferida em redor do Cabo da Boa Esperança para o Sudeste Asiático, mas como os cronómetros ainda não tinham sido introduzidos, os instrumentos de navegação não conseguiam calcular muito bem a longitude. Fortes ventos de oeste forçavam por vezes os navios neerlandeses a desviar-se da rota, ou estes navegavam demasiado para leste antes de virar para norte, acabando por naufragar na costa ocidental australiana durante o século XVII. A Rota de Brouwer conduziu muito provavelmente à descoberta da parte ocidental da Austrália pelos neerlandeses em 1616.
Uma década após a visita de Janszoon em 1606 ao canto nordeste da Austrália, o explorador neerlandês Dirk Hartog (1580-1621) navegou para a Shark Bay, na costa oeste da Austrália, a 850 quilómetros (528 milhas) a norte de Perth no Eendracht (Concórdia), com 700 toneladas e uma tripulação de 200 elementos, desembarcou a 25 de outubro de 1616 na extremidade norte de uma ilha em Shark Bay, agora conhecida como Ilha Dirk Hartog.
Dirk Hartog, cujo nome também surge na história como Dijrck Hartoochz e Dirck Hatichs, era filho de um mestre de navio e um comerciante marítimo privado bem-sucedido, antes de ser comissionado pela VOC em 1616 para navegar de Texel (uma ilha a noroeste da costa dos Países Baixos) para Batávia numa viagem de comércio de especiarias. Os navios da VOC ancoravam e eram abastecidos ao largo de Texel, aguardando condições meteorológicas favoráveis. O Eendracht foi um dos cinco navios que partiram a 23 de janeiro de 1616 carregados com arcas de florins neerlandeses.
A Rota de Brouwer não foi tornada obrigatória pela VOC até 1617, mas os navios neerlandeses tinham-na adotado progressivamente, navegando para leste a partir do Cabo da Boa Esperança através do oceano durante 1000 milhas neerlandesas (7400 km ou 4598 milhas), antes de rumarem a norte em direção ao Estreito de Sunda, entre Java e Sumatra. As fontes históricas não mencionam se Hartog recebeu instruções da VOC para tomar a Rota de Brouwer ou se decidiu fazê-lo por iniciativa própria, dado que, antes da adoção formal da rota, os capitães de navios neerlandeses podiam traçar o seu próprio rumo.
Descoberta Acidental ou Exploração Intencional?
Trata-se de uma questão histórica importante: a descoberta da costa oeste da Austrália por Hartog foi acidental ou tratou-se de exploração intencional? Infelizmente, os diários de bordo do Eendracht não se encontram nos arquivos da VOC, mas o diário de Hartog, o manifesto da tripulação e as notas teriam sido entregues de volta nos Países Baixos, conforme exigido pela VOC. Hessel Gerritsz utilizou-os para criar a primeira carta da costa oeste da Austrália — uma carta que demorou dez anos a produzir (1618-1628). O local de desembarque de Hartog foi assinalado e "Eendrachtsland", um dos primeiros nomes atribuídos à Austrália, ficou registado na carta.
É provável que Hartog, um marinheiro experiente, tivesse conhecimento da Rota de Brouwer, mesmo que a VOC ainda não tivesse endossado a sua utilização. O mercador sénior do Trouw, uma das cinco embarcações da frota, era Pieter de Carpentier (1586-1659), que viria a tornar-se o quinto Governador-Geral das Índias Orientais Neerlandesas em 1627. A estrutura de comando da VOC determinava que um mercador sénior, ou opperkoopman, que era responsável pela rentabilidade da viagem e pelo registo comercial a bordo e fora do navio, ocupava uma posição superior à de um capitão. De Carpentier tinha navegado pela Rota de Brouwer e era um firme apoiante da adoção por parte da VOC da via mais rápida para o Sudeste Asiático. O Trouw e o Eendracht tinham parado para abastecimento no Cabo da Boa Esperança e ali permaneceram durante três semanas em agosto de 1616. O Eendracht contava também com um mercador sénior — Gilles Mibais (* 1571). Embora seja altamente possível que de Carpentier ou Mibais, na qualidade de oficiais seniores, tenham influenciado Hartog a tomar a Rota de Brouwer, à falta de fontes históricas de apoio, a descoberta da Austrália por Hartog deve ser encarada como acidental.
Hartog passou três dias a explorar a costa e as ilhas vizinhas, achando-as desabitadas. Antes de partir, registou a chegada do Eendracht pregando uma placa de estanho achatada a uma árvore. Esta placa, conhecida por gerações de alunos australianos, chama-se a Placa de Dirk Hartog e encontra-se guardada no Rijksmuseum em Amesterdão. O local onde foi pregada chama-se Cabo Inscription, e Hartog gravou nela (traduzido):
1616 a 25 de outubro chegou aqui o navio Eendracht de Amesterdão, o mercador superior Gillis Mibais de Liége, o mestre Dirck Hatichs de Amesterdão; a 27 do dito largou de novo velas para Bantam, o mercador júnior Jan Stins, o primeiro timoneiro Pieter Dookes van Bill, Anno 1616.
(citado em Van Duivenvoorde, pág. 11).
Em 1697, 81 anos mais tarde, o capitão neerlandês Willem de Vlamingh (1640-1698) encontrou a placa muito gasta de Hartog quando desembarcou no Cabo Inscription a bordo do De Geelvinck (Pintassilgo) em busca de um navio da VOC que tinha encalhado na costa ocidental australiana. Reconhecendo o seu valor histórico, enviou a placa para as autoridades em Batávia.
Curiosamente, a fixação da placa de estanho não reclamou a terra descoberta para os neerlandeses. Tratou-se simplesmente de uma confirmação da sua chegada e de uma "pedra postal" — uma mensagem visual deixada para outro navio e respetiva tripulação —, mas tornou-se a prova mais tangível de uma presença neer temprana na Austrália, 154 anos antes de o capitão James Cook (1728-1779) navegar para Botany Bay a 29 de abril de 1770 e reclamar a Austrália para os britânicos.
O Eendracht navegou para norte até ao Cabo Noroeste, cartografando a linha de costa antes de navegar para Bantam. A chegada tardia de Hartog em dezembro de 1616 teve implicações financeiras significativas para a VOC, particularmente porque não encontrou nada de interesse para o comércio neerlandês. Partiu de Bantam em dezembro de 1617 rumo aos Países Baixos, transportando o Eendracht seda e benjoim (resina balsâmica utilizada em medicina). Em 1619, Hartog entrou ao serviço de Elias Trip (cerca de 1570-1636), um diretor da VOC, e de Jacques Nicquet (cerca de 1571-1642), um mercador e colecionador de arte, tendo navegado para o Mar Adriático antes de ajudar na defesa da cidade de Veneza contra os Habsburgos espanhóis. Regressou a casa, falecendo em 1621, com 40 anos, vítima de uma doença desconhecida.
Após as explorações de Janszoon e Hartog, uma série de embarcações neerlandeses navegou ao longo da costa norte, sul e oeste da Austrália, colocando a desconhecida terra do sul no mapa e cartografando 4000 quilómetros (2485 milhas) até 1628. Em 1619, Frederick de Houtman (1571-1627) avistou e cartografou as Ilhas Abrolhos, 80 quilómetros (49 milhas) a oeste de Geraldton, na Austrália Ocidental. Em 1627, Pieter Nuyts (1598-1655), que viria a ser o embaixador neerlandês no Japão, entrou na Grande Baía Australiana e cartografou as Ilhas São Pedro e São Francisco no atual Arquipélago de Nuyts (Austrália do Sul). Contudo, muitos navios da VOC simplesmente encalharam em recifes após serem desviados da rota pelos "Quarentados Rugidores". Em 1628, por exemplo, os ventos das monções empurraram o Vianen, a caminho de Batávia para os Países Baixos, ao longo da costa de Pilbara e da região da Ilha Barrow, na Austrália Ocidental.
Antes de 1770 e da descoberta da Austrália oriental por Cook, 54 navios europeus navegaram em águas australianas, e 42 deles eram navios da VOC. Isto poderá sugerir que a VOC tinha um plano deliberado para explorar o continente meridional, mas a empresa priorizava o lucro em detrimento da colonização. O foco era o lucrativo comércio de especiarias, o que levou ao estabelecimento de postos comerciais por todo o Sudeste Asiático; no entanto, a VOC não instalou nenhum posto comercial na Austrália, uma vez que as viagens neerlandesas não trouxeram recompensas comerciais, especialmente quando comparadas com a fácil exploração das Índias Orientais.
Abel Janszoon Tasman (1603-1659) utilizou o atlas secreto da VOC para cartografar uma longa secção da costa ocidental australiana antes de descobrir a Terra de Van Diemen (Tasmânia) em 1642. Graças à decisão do piloto-chefe de Tasman de navegar para leste a partir de Maurícia no paralelo 44 em vez do paralelo 48, avistaram terra em novembro de 1642 e batizaram a ilha de Anthoonij van Diemenslandt em honra do Governador-Geral das Índias Orientais Neerlandesas, Anthony van Diemen (1593-1645). Tasman tinha recebido instruções para encontrar uma rota entre Batávia e a América do Sul e, caso encontrasse a grande terra do sul, devia averiguar:
…que mercadorias produz o seu país, investigando igualmente sobre ouro e prata, se estes últimos são ou não por eles tidos em alta estima; fazendo-os crer que não estais de todo ávidos por metais preciosos, fingireis dar-lhes pouco valor, mostrando-lhes cobre, estanho ou chumbo, e transmitindo-lhes a impressão de que estes últimos minerais são por nós mais valorizados.
(citado em Salmond, pág. 8).
A VOC ambicionava conhecimento geográfico e rotas mais curtas que acelerassem os seus navios através do Pacífico rumo às riquezas da América do Sul, em particular Staten Landt (Chile). Os últimos navios da VOC a ser enviados para a Austrália foram o Rijder e o Buis em 1756, tendo explorado o Golfo de Carpentária (norte da Austrália). Os 150 anos de história dos navios da VOC na exploração e cartografia da Austrália evidenciam a ausência de uma exploração sistemática e intencional da Austrália por parte da companhia. Por volta de 1642, contudo, o contorno das costas norte e oeste da Austrália tinha sido estabelecido pelas viagens da VOC — um contributo significativo para a história da Austrália.
Colónias Europeias Desconhecidas?
Um aspeto intrigante da descoberta e exploração neerlandesa é que cerca de 200 pessoas ficaram retidas quando navios da VOC que navegavam pela Rota de Brouwer naufragaram ao largo da costa da Austrália Ocidental, ou quando pessoas se viram involuntariamente encalhadas. As histórias orais indígenas fazem referência a europeus que alcançaram a terra, coabitando e integrando-se com as tribos locais e tornando-se a primeira presença europeia permanente na Austrália.
A primeira ocorrência de marinheiros neerlandeses involuntariamente retidos deu-se em 1629, quando dois amotinados do navio da VOC Batavia foram abandonados em Wittecarra Gully, perto de Kalbarri, na Austrália Ocidental. O Batavia tinha como destino Batávia e embateu no recife Morning (Ilhas Abrolhos) em junho de 1629, transportando 320 pessoas a bordo. Cerca de 275 sobreviventes conseguiram alcançar terra em ilhas próximas, mas os amotinados atacaram e assassinaram 125 sobreviventes. Um navio de salvamento, o Sardam, abandonou os amotinados como castigo. Quatro esqueletos — um deles sem cabeça — foram encontrados na Ilha Beacon, parte das Ilhas Abrolhos, em 2015, acreditando-se pertencerem a sobreviventes do Batavia.
Em 1656, o Vergulde Draeck (Dragão Dourado), com destino a Batávia, naufragou ao largo de Ledge Point, a 105 quilómetros (65 milhas) a norte de Perth, na Austrália Ocidental, ficando 68 marinheiros encalhados.
As evidências destes naufrágios e encalhes sugerem uma influência neerlandesa sobre os povos indígenas. Existem histórias orais sobre aborígenes com traços europeus e cabelo claro ou ruivo, bem como línguas indígenas com termos de sonoridade neerlandesa. Por exemplo, "Arnhem", utilizado no nome Arnhem Land (Território do Norte), era o nome da embarcação da VOC Arnhem, que navegou para o Golfo de Carpentária em 1623 e é também uma cidade nos Países Baixos.
No Perth Gazette, em 1834, foi publicado um relato segundo o qual os aborígenes tinham tido contacto com um grupo de pessoas de pele branca no interior do rio Swan, apontadas como descendentes de marinheiros da VOC. Contudo, a existência de uma colónia ou colónias de neerlandeses encalhados na Austrália permanece no domínio da conjectura.
O desembarque do capitão James Cook em Botany Bay, em 1770, tem ensombrado o facto de os primeiros europeus a efetuar um desembarque registado na Austrália terem sido exploradores neerlandeses ao serviço da VOC. Mais metade da linha de costa da Austrália tinha sido cartografada pelos neerlandeses antes de Cook descobrir a Austrália oriental e começar a desenhar o contorno completo do continente meridional.

