Robert Clive

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Robert Clive (by National Portrait Gallery, Public Domain)
Robert Clive National Portrait Gallery (Public Domain)

Robert Clive (1725-1774), também conhecido como «Clive da Índia» e/ou Barão Clive de Plassey, planeou a expansão na Índia da Companhia das Índias Orientais (CIO; EIC - East India Company). Mais conhecido pela sua vitória em Plassey, em Bengala, no ano de 1757, a reputação de Clive sofreu, ainda durante a sua vida, com acusações de corrupção e, posteriormente, por ser um dos principais arquitetos do imperialismo britânico na Índia.

A Companhia das Índias Orientais

Nascido a 29 de setembro de 1725 em Styche Hall, Shropshire, Robert Clive era filho de Richard Clive e Rebecca Gaskell, membros da pequena nobreza rural inglesa. Estudou na Merchant Taylor's School, em Londres, a partir de 1737, e depois contabilidade numa escola especializada em Hemel Hempstead. Com apenas 17 anos, Clive ingressou na Companhia das Índias Orientais como um humilde «escrivão» ou funcionário em dezembro de 1742. Chegou à Índia em 1744, após uma viagem invulgarmente longa de 15 meses, uma vez que o navio encalhou na costa do Brasil. Foi aqui, na Índia, que ele cumpriria o seu destino ambíguo, tanto como paladino do Império Britânico quanto como colonialista implacável. O historiador S. Mansingh apresenta o seguinte resumo do caráter de Clive: «robusto, violento, egocêntrico, emotivo, generoso, corajoso e brilhante na adversidade» (pág. 101).

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A Companhia das Índias Orientais era uma sociedade por ações fundada em 1600 para se tornar a representante comercial da Coroa Britânica em toda a região a leste do Cabo da Boa Esperança. Com a Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC - Vereenigde Oostindische Compagnie) a monopolizar o comércio de especiarias na Indonésia, a Companhia das Índias Orientais concentrou-se, em vez disso, na Índia. No início do século XVII, a empresa estabeleceu um centro comercial em Surat, mediante um acordo com o imperador mogol. Mais centros surgiram à medida que o século avançava: Masulipatam (Machilipatnam) e Madras (Chennai, 1640), Hughli (1658), Calcutá (Kolkata, 1690) e Bombaim (Mumbai, 1668). A Companhia das Índias Orientais desfrutou de um monopólio comercial com a Índia até 1813 e, como resultado, acumulou uma fortuna. Em meados do século XVIII, a Companhia das Índias Orientais procurava expandir os seus territórios na Índia e, para tal, precisava de formar um exército e encontrar homens para o liderar.

O Início da Carreira

Clive chegou a Madras em 1744 e começou a exercer as funções como funcionário da Companhia. Sem muito que fazer depois do trabalho, passou grande parte do tempo a estudar na biblioteca da Companhia. Apenas dois anos depois, a Companhia Francesa das Índias Orientais (Compagnie française pour le commerce des Indes orientales) que era particularmente ativa no sul da Índia, tomou Madras, e Clive viu-se prisioneiro. Felizmente para Clive e para a Companhia das Índias Orientais, uma tempestade de monção destruiu grande parte da frota francesa e obrigou-os a retirar-se. Entretanto, Clive e três colegas escaparam disfarçando-se de indianos. Ao chegar novamente ao território controlado pela Companhia das Índias Orientais, Clive alistou-se no exército da Companhia e, após mais combates com os franceses, foi promovido ao posto de alferes.

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Mughal India c. 1707
Império Mogol cerca de 1707 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Clive combateu com distinção na tentativa falhada de tomar Pondicherry, controlada pelos franceses, e foi promovido ao posto de tenente. Esteve envolvido em dois ataques a Tanjore, controlada pelos franceses, em 1749. A primeira operação foi um fracasso, mas a segunda foi um sucesso, e Clive mereceu o seguinte elogio do seu comandante, o Major Stringer Lawrence: «O génio precoce deste jovem surpreendeu-me e chamou a minha atenção… comportou-se com coragem e discernimento muito além do que se poderia esperar da sua idade» (Fraught, pág. 24). Clive foi novamente promovido, desta vez para se tornar o despenseiro de confiança de Lawrence. Este cargo tornou Clive responsável pelos abastecimentos do Forte de St. George, em Madras, e, como era costume em tais funções, tinha direito a uma comissão em cada negócio que efectuava. Assim começou a primeira acumulação da lendária riqueza de Clive. Nem tudo era positivo. A promoção de Clive a capitão tinha sido rejeitada, uma vez que a Companhia procurava concentrar-se no comércio, e não na guerra; ele sofreu um grave surto de febre tifóide e as lutas em curso com os franceses estavam a correr mal.

Clive resistiu ao cerco de 52 dias em Arcot e alcançou o seu primeiro grande sucesso militar.

O Cerco de Arcot

Em agosto de 1751, Clive foi finalmente nomeado capitão e liderou uma força de 200 soldados britânicos e 500 cipaios (soldados indianos) numa marcha de 105 km (65 milhas) de Madras até à cidade desértica de Arcot, então capital da região de Carnatic. Esperava-se que um ataque a Arcot pudesse aliviar a pressão sobre os britânicos sitiados em Trichinopoly. Neste período, as Companhias Britânica e Francesa travavam frequentemente uma guerra por procuração, apoiando governantes locais e os seus exércitos. Arcot seria precisamente este tipo de confronto. Porém, quando Clive atravessou uma tempestade e chegou a Arcot, a força defensiva de cerca de 1.000 homens já tinha fugido. Agora, porém, Clive teria de defender Arcot contra um cerco.

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Clive recebeu reforços significativos de Madras, incluindo artilharia, mas estava em grande desvantagem numérica face ao exército sitiador combinado das tropas francesas e das de Chandra Sahib, o nizam de Hyderabad. Clive comandava agora apenas cerca de 300 homens, comparados com um inimigo de cerca de 7.000, pelo que se viu obrigado a defender apenas o forte de Arcot. O calor do deserto era insuportável e as fortificações estavam a desmoronar-se, mas Clive tinha comida, água e munições em abundância, pelo que resistiu ao cerco até que uma força de socorro pudesse chegar, que chegou, mas não da forma que Clive esperava. Na turbulência da política regional, os maratas, que tinham apoiado um nizam rival ao candidato apoiado pelos franceses, enviaram um exército de 6.000 homens para Arcot. Os sitiantes perceberam que tinham de agir agora ou nunca e lançaram um ataque final ao forte. Os homens de Clive resistiram ao ataque, que incluiu atirar nos elefantes de guerra do inimigo, levando-os a debandar sobre os seus próprios homens. Com uma pequena força de socorro britânica a chegar e a notícia de que os maratas estavam acampados nas proximidades, Chandra Sahib retirou-se. Clive resistiu ao cerco de 52 dias e alcançou o seu primeiro grande sucesso militar; isso também marcou uma virada na maré contra os franceses.

Clive at the Siege of Arcot
Clive no Cerco de Arcot Ernest Wallcousins (Public Domain)

Clive seguiu Arcot com outra vitória, desta vez em Arni, em dezembro de 1751. A situação geopolítica ainda era muito instável, mas a deserção de cipaios dos exércitos franceses para os britânicos foi uma consequência importante das vitórias de Clive. Finalmente, a Companhia das Índias Orientais percebeu a vantagem de investir no seu braço militar, e um exército rejuvenescido conquistou outra vitória, desta vez em Kaveripak, em fevereiro de 1752. Os governantes locais e os maratas começaram agora a perceber que os britânicos eram a mais provável das duas potências europeias a estabelecer o domínio regional e, por isso, deram apoio militar a um exército da Companhia das Índias Orientais em constante crescimento. Uma grande batalha e, posteriormente, um cerco foram vencidos em Trichinopoly, em junho de 1752, onde os britânicos foram liderados mais uma vez por Stringer Lawrence. Clive tinha estado a cargo da artilharia na batalha de campo, mas desobedeceu às ordens e partiu em busca de uma coluna de abastecimento francesa, não a conseguiu encontrar e foi derrotado no regresso, quando o seu acampamento foi invadido. Clive esteve muito perto de ser morto naquele dia, mas escapou com uma cicatriz no rosto como uma lembrança permanente da necessidade de os oficiais não desafiarem os seus comandantes.

O Regresso a Inglaterra

Em 1753, Clive pendurou o sabre e regressou ao comércio da Companhia em Madras. Em fevereiro, casou-se com Margaret Maskelyne e regressou depois à Inglaterra, onde nasceu o seu primeiro filho, Edward, a 7 de março de 1754. O casal viria a ter mais quatro filhos que sobreviveram aos perigos da infância.

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Clive foi eleito deputado por Mitchell, na Cornualha, em 1754, um lugar muito disputado e um «bairro podre» (onde qualquer um pode ser comprado). Em 1755, Clive decidiu que ainda não estava pronto para uma vida estável na Inglaterra e, por isso, o casal regressa à Índia. Agora tenente-coronel no exército da Companhia das Índias Orientais, Clive estava na linha de sucessão para se tornar o próximo governador de Madras. Entretanto, a missão de Clive consistia em usar Bombaim como base para atacar as possessões francesas na Índia e o seu representante, o nizam de Hyderabad. Clive tomou a fortaleza de Gheria em fevereiro de 1756 e regressou a Madras. Mas era em Bengala que uma crise estava prestes a explodir. Um novo governante de Bengala, nawab Siraj ud-Daulah (*1733), opôs-se à presença da Companhia das Índias Orientais e marchou sobre Calcutá em junho de 1756. Seguiu-se um curto cerco e a cidade caiu.

East India Company Madras Army
Exército de Madras da Companhia das Índias Orientais Unknown Artist (Public Domain)

O Buraco Negro de Calcutá

Clive recebeu a notícia da perda de Calcutá em agosto. Era óbvio que a Companhia das Índias Orientais tinha de reagir, mas os apelos a uma expedição punitiva foram ainda mais alimentados por um incidente infame que permaneceu por muito tempo na psique britânica (e ainda mais tempo na língua inglesa): os terrores do Buraco Negro de Calcutá. Segundo um sobrevivente, John Zephaniah, ele e outros soldados que tinham defendido Calcutá foram aprisionados numa única cela com duas pequenas janelas. Sofrendo calor extremo e desidratação, apenas 23 homens dos 146 sobreviveram ao Buraco Negro. O debate continua até hoje quanto ao número real de prisioneiros envolvidos, que pode ter sido muito inferior, mas o efeito do incidente foi fazer com que homens como Clive se determinassem a vingar. O incidente tornou-se também uma daquelas justificações duvidosas para aquilo que os britânicos consideravam a sua presença «civilizadora» na Índia, especialmente durante a era vitoriana.

Clive foi devidamente enviado com um exército para restabelecer a presença comercial da Companhia das Índias Orientais em Calcutá. Navegando em cinco navios e com um exército de cerca de 1.500 homens, Clive conseguiu recapturar Calcutá em janeiro de 1757, mas Siraj ud-Daulah ainda tinha um exército enorme, e os franceses controlavam Chandernagore, logo acima na costa. Clive estava determinado a agir militarmente. Capturou o forte de Hughli no final de janeiro, que foi então destruído por tiros de canhão da frota da Companhia das Índias Orientais. Um ataque ao exército do nawab nos arredores de Calcutá teve menos sucesso e obrigou Clive a recuar. Ambos os lados ficaram cautelosos em relação ao outro e às pesadas baixas que qualquer confronto futuro traria, mas o controlo de Bengala estava em jogo. Foi acordado um tratado de paz, mas ambos os lados sabiam que se tratava apenas de uma pausa temporária. Entretanto, Clive podia agora lidar com a presença francesa na região. Em março de 1757, Clive atacou e capturou Chandernagore, pondo fim a quaisquer ambições remanescentes que os franceses tivessem em Bengala. Quando os Seths de Murshidabad, uma dinastia de financiadores hindus preocupada com a ruína do comércio europeu que qualquer conflito mais vasto traria, retiraram o seu apoio ao agora isolado nawab, Clive aproveitou o momento.

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Plassey e as Riquezas

A 23 de junho de 1757, Clive conduziu as suas forças da Companhia das Índias Orientais à vitória na Batalha de Plassey, nas margens do rio Bhagirathi, em Bengala. O exército de Clive era composto por 1400 cipaios e 700 europeus. O adversário de Clive era o exército de Siraj ud-Daulah. As forças do nawab eram bem treinadas e superiores em número às de Clive — talvez cerca de 50 000 homens — mas não eram tropas nem comandantes leais. Clive tinha apenas 10 canhões de grande porte à sua disposição, em comparação com os 51 do nawab (ou 53, segundo o próprio Clive), mas uma grande vantagem foi a deserção de um dos generais do nawab, Mir Jafar (1691-1765).

Robert Clive & The East India Company Rule in India, c. 1765
Robert Clive & Domínio da Companhia das Índias Orientais na Índia, cerca de 1765 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

O combate começou com a habitual barragem de artilharia de ambos os lados. Depois, uma forte chuva inclinou a balança. Os canhões do nawab não tinham sido protegidos, mas os artilheiros de Clive tinham sabiamente usado lonas para manter a pólvora seca. Quando a tempestade terminou, o nawab, provavelmente pensando que os canhões de Clive também estavam fora de ação, enviou a sua cavalaria. A artilharia britânica abriu então fogo novamente e abateu os cavalos inimigos. Ao ver esta carnificina, a maior parte da infantaria do nawab começou a abandonar o campo de batalha, mas foi perseguida pelas reservas de Clive numa confusão caótica e sangrenta que envolveu homens, camelos e elefantes em pânico. A batalha foi ganha, com os britânicos a sofrerem 50 baixas e o exército do nawab a registar mais de 500 mortos e feridos. O nawab foi capturado, executado e substituído por Mir Jafar. O vasto tesouro do ex-nawab foi distribuído entre os vencedores, como era habitual, e Clive enriqueceu consideravelmente, adquirindo o que hoje corresponderia a mais de 50 milhões de dólares. Um grato Mir Jafar também concedeu a Clive os lucrativos direitos sobre as receitas anuais de rendas (jagir) nos arredores de Calcutá.

A vitória em Plassey permitiu à Companhia das Índias Orientais desviar os recursos de Bengala sem pagar os custos de administração, que ficaram a cargo do nawab, uma vez que a Companhia das Índias Orientais não tinha intenção de se tornar uma potência colonial. Como o início da expansão do domínio territorial da Companhia das Índias Orientais, Plassey e 1757 são frequentemente citados como o início do domínio britânico na Índia ou o Raj britânico. A batalha também fez com que Clive ficasse para sempre associado ao subcontinente e rendeu-lhe a alcunha de «Clive da Índia». Foi nomeado governador de Bengala em fevereiro de 1758, cargo que ocupou durante dois anos.

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Clive regressou a Inglaterra em julho de 1760. Adquiriu propriedades, incluindo Walcott Hall em Shropshire (a sua residência preferida), e voltou a ocupar um lugar no Parlamento, desta vez como deputado por Shrewsbury em 1761. Em março de 1762, foi-lhe concedido um título de nobreza irlandês, passando a ser conhecido como Lord Clive ou Barão Clive de Plassey. A Companhia relutava, porém, em não utilizar os talentos de Clive e, para enfrentar uma nova crise com um novo nawab, em 1764, ele foi nomeado Governador de Bengala pela segunda vez. Clive poderia muito bem ter preferido ficar na Inglaterra e construir a sua carreira lá, mas a Companhia estava dividida quanto à questão de ele dever manter as suas receitas anuais de Calcutá, e isso pode ter sido o incentivo que o levou a embarcar mais uma vez para o subcontinente. Desta vez, Margaret Clive permaneceu na Inglaterra com os filhos.

As Reformas de Clive e o Dewani

De volta a Calcutá em maio de 1765, uma das tarefas que a Companhia atribuiu a Clive foi reduzir a corrupção, particularmente em Calcutá, e ele pretendia fazê-lo aumentando a regulamentação e reduzindo o comércio privado por parte dos funcionários (algo de que ele próprio sempre se tinha beneficiado). Clive aboliu duas tradições dispendiosas e duvidosas em que os funcionários da Companhia das Índias Orientais recebiam presentes como parte de acordos comerciais e auferiam dois salários, um pela administração e outro pelo serviço militar (batta). A tentativa de Clive de reduzir a corrupção não foi bem sucedida a longo prazo e causou grande descontentamento entre os funcionários da Companhia das Índias Orientais. As reformas de Clive também se aplicaram ao pessoal militar, que ficou tão desanimado com os cortes no batta que teve de reprimir a breve «Revolta Branca» dos oficiais britânicos. Ainda assim, as reformas de Clive conseguiram garantir que o braço civil da Companhia das Índias Orientais mantivesse o controlo sobre o braço militar. Um dos últimos atos do governador na Índia foi estabelecer pensões da Companhia das Índias Orientais para os seus soldados e comerciantes, bem como fundos para aqueles que regressavam a casa por invalidez ou para as suas viúvas.

Robert Clive & Shah Alam
Robert Clive e Xá Alam Benjamin West (Public Domain)

Entretanto, o braço militar da Companhia das Índias Orientais continuou a trazer recompensas. A 22 de outubro de 1764, a Batalha de Buxar, em Patna, viu as forças da Companhia das Índias Orientais sob o comando de Hector Munro derrotarem as do imperador mogol Shah Alam II, comandadas por nawab Mir Kasim. Clive viajou para se encontrar com Shah Alam II, que, em troca de um tributo anual da Companhia das Índias Orientais, concedeu à companhia o direito de cobrar impostos sobre a terra (dewani) em Bengala, Bihar e Orissa. O acordo foi selado a 12 de agosto de 1765 e garantiu que a Companhia dispusesse agora de vastos recursos para expandir e proteger os seus interesses. O povo de Bengala, em particular, sentiria em breve todo o peso da exploração implacável da Companhia das Índias Orientais.

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O Regresso Definitivo a Inglaterra

Clive regressou à Inglaterra em 1767; nunca tendo sido um viajante de bagagem leve, trouxe para casa uma série de lembranças, curiosidades e, claro, mais riqueza proveniente das suas receitas anuais de Calcutá. As lembranças indianas de Clive encontram-se hoje no Museu Clive, no Castelo de Powis, no País de Gales.

Em 1768, voltou a ser deputado por Shrewsbury. Em 1772, foi nomeado para a Comissão Especial da Câmara dos Comuns para os Assuntos da Índia, mas algo estava errado. Clive, apesar de ter desenvolvido o plano para a construção do império na Índia e de ter lançado as bases para o Raj britânico (Império Britânico da Índia), era visto por muitos dos seus compatriotas como demasiado poderoso. Clive e os seus semelhantes foram acusados de se enriquecerem a si próprios, em vez de servirem os interesses britânicos mais amplos. Ele tinha também velhos inimigos: aqueles que não tinham usufruído do saque de Plassey, funcionários da Companhia das Índias Orientais que se tinham oposto às suas reformas e a imprensa, que recordava alegremente aos seus leitores as origens humildes de Clive. Os assuntos da Companhia das Índias Orientais passaram a ser alvo de um escrutínio público cada vez maior. O Parlamento instaurou um inquérito sobre os negócios de Clive e as grandes riquezas que ele havia saqueado. Clive defendeu-se na Câmara dos Comuns em maio de 1773 com a bravata que lhe era característica: «Por Deus, neste momento, estou espantado com a minha própria moderação!» (Faught, pág. xi). No final, Clive foi honrosamente absolvido com a observação de que tinha prestado ao seu país «grandes e meritórios serviços» (Watney, pág. 215). Era a própria Companhia das Índias Orientais, como todos agora percebiam, a culpada pela má gestão dos interesses britânicos no estrangeiro e a razão pela qual, tal como Clive recomendara ao governo, acabaria por ser assumida pelo Estado.

Nos seus últimos anos, Clive sofreu de uma longa série de doenças dolorosas que incluíam malária, cálculos biliares, gota, reumatismo e problemas intestinais, nenhuma das quais foi aliviada por longas estadias nas águas supostamente curativas de Bath ou nos climas quentes do sul da Europa. O ópio era a única fonte de alívio temporário, e mesmo isso se tornou cada vez menos eficaz. Clive suicidou-se na sua casa em 45 Berkeley Square, a 22 de novembro de 1774. Conta-se que cortou a própria garganta com um canivete, mas alguns especularam que ele morreu de uma overdose acidental. Seriam erguidas estátuas públicas de «Clive da Índia», mas o seu suposto suicídio fez com que fosse secretamente enterrado sob o pavimento da igreja de Santa Margarida de Antioquia, na aldeia de Moreton Say, em Shropshire.

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Perguntas & Respostas

Porque é que Robert Clive era conhecido?

Robert Clive ficou conhecido por ter expandido o território da Companhia das Índias Orientais a partir de 1757, tendo assim lançado as bases para o Raj britânico, ou seja, o domínio britânico na Índia.

De que foi Robert Clive acusado?

Robert Clive foi acusado de corrupção, ou seja, de desviar riqueza para seu próprio benefício, quando esta deveria ter revertido para os acionistas da Companhia das Índias Orientais. Foi julgado pelo Parlamento e considerado inocente.

Como é que Robert Clive morreu?

Robert Clive morreu em 1774, mas as circunstâncias da sua morte continuam a ser um mistério. A teoria mais comum é que se suicidou cortando a própria garganta com uma faca, mas é possível que tenha morrido devido a uma overdose acidental ou intencional de drogas.

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Cartwright, M. (2026, junho 05). Robert Clive. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21074/robert-clive/

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Cartwright, Mark. "Robert Clive." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, junho 05, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21074/robert-clive/.

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Cartwright, Mark. "Robert Clive." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 05 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21074/robert-clive/.

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