Reações Religiosas à Peste Negra

Artigo

Joshua J. Mark
por , traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto
publicado em 16 Abril 2020
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Disponível noutras línguas: Inglês, francês

A Peste Negra, de 1347-1352, foi o surto de Peste mais aterrorizante do mundo medieval, sem precedentes e inigualável até a pandemia de gripe de 1918-1919 na era moderna. A causa da Peste era desconhecida e, de acordo com a compreensão geral da Idade Média, era atribuída às forças sobrenaturais, ou seja, à vontade ou ira de Deus.

Danse Macabre in St. Mary's Church, Beram
Dança Macabra na Igreja de St. Mary, Beram
Toffel (GNU FDL)

Consequentemente, as pessoas reagiam com curas esperançosas e nas respostas baseadas na crença religiosa, folclore, superstição e conhecimento médico, todos embasados no cristianismo católico, no Ocidente, e no islã, no Oriente Próximo. Estas respostas assumiram muitas formas, mas, no geral, nada fizeram para impedir a disseminação da doença ou salvar os infectados. Os relatos das respostas relativas ao surto da doença vieram, primariamente, dos escritores cristãos ou islâmicos, pois muitos trabalhos dos judeus europeus foram queimados pelos cristãos, que os culpavam pela Peste e, dentre estes trabalhos, certamente haveria tratados a respeito da Peste.

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a não resposta de deus às preces contribuiu para o declínio do poder da igreja e a futura cisão na visão cristã de um mundo unificado.

Não importa quantos judeus, ou outros, morreram, a Peste devastou e Deus parecia estar surdo às preces e súplicas dos crentes. Na Europa, a não resposta de Deus a essas preces, contribuiu para o declínio do poder da Igreja Medieval e o consequente racha na unificada visão de mundo do cristianismo durante a Reforma Protestante (1517-1648). No Oriente, o islã permaneceu, mais ou menos, intacto, devido à sua insistência em considerava a Peste como um martírio, um presente concedido às vítimas e que as transportava instantaneamente ao Paraíso, bem como a visão da doença como simplesmente outro teste para suportar a fome ou as inundações.

Embora muitas das ideias religiosas a respeito da Peste, no Ocidente e no Oriente, fossem similares, esta única diferença foi significativa em manter a coesão islâmica, muito embora, e muito provavelmente, contribuiu para elevar a mortalidade, como os registros oficiais demonstram. Após a Peste ter completado seu percurso, a reposta religiosa, tanto no Ocidente, como no Oriente, foi em geral creditada ao apaziguamento de Deus, quando suspendeu a pestilência. No entanto, a Europa seria transformada radicalmente, enquanto o Oriente Próximo, não.

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Origem e Disseminação da Peste Negra

A Peste originou-se na Ásia Central e se espalhou via Rota da Seda e movimentos de tropas através do Oriente Próximo. A primeira epidemia registrada de Peste Bubônica é a Peste de Justiniano (541-542) que atingiu Constantinopla em 541 e matou, aproximadamente, 50 milhões de pessoas. Esta epidemia, no entanto, foi simplesmente a mais distante ocorrência ocidental de uma doença que vinha exterminando pessoas no Oriente Próximo anos antes. O historiador João de Éfeso (*c.507 +c.588), testemunha ocular da Peste, observa que o povo de Constantinopla teve conhecimento da doença dois anos antes da cidade ser atingida, porém não se tomou nenhuma providência contra ela, pois consideravam que não era um problema deles.

Depois de Constantinopla, a Peste arrefeceu no Oriente, voltando a aparecer somente com a Epidemia de Djazirah de 562, acarretando 30.000 mortes na cidade de Amida e, até mesmo mais, quando retornou em 599-600. A doença manteve seu padrão no Oriente, desaparecendo e reaparecendo, até adquirir impulso em 1218, depois em 1322, e, em 1346, se encontrava devastando a região.

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Spread of the Black Death
Disseminação da Peste Negra
Flappiefh (CC BY-SA)

À época em que o mongol Khan Djanibek (rein. 1342-1357) se encontrava sitiando a cidade portuária de Caffa (atualmente Feodosia, na Crimeia), que era dominada pelos italianos de Gênova. Como suas tropas morriam de Peste, Djanibek ordenou que os cadáveres fossem lançados por catapultas sobre as muralhas de Caffa, espalhando a doença nos defensores. Os genoveses fugiram da cidade em navios e, assim, trouxeram a Peste para a Europa. De portos como Marselha e Valência, ela se espalhou de cidade em cidade e toda pessoa que tivesse entrado em contato com alguém dos navios, disseminava a doença e parecia que nada poderia fazê-la cessar.

Visões Cristãs vs Visões Muçulmanas a Respeito da Peste

As respostas à Peste eram embasadas nas religiões dominantes no Ocidente e no Oriente, bem como nas tradições e superstições de cada região e apresentadas como uma narrativa que explicava a doença. O estudioso Norman F. Cantor comenta:

O método científico ainda não havia sido inventado. Quando frente a um problema, as pessoas na Idade Média encontravam a solução por meio da análise diacrônica (oposta a sincrônica). Diacrônica é a narrativa histórica, desenvolvendo-se horizontalmente no tempo: “Conte-me uma história”. Com sua fervente imaginação histórica, os medievos eram muito bons em dar explicações diacrônica para o surto da Peste Bubônica. (17)

As reações, portanto, eram baseadas nas narrativas religiosas criadas para explicar a doença e caiam, geralmente, em três justificativas a respeito da Peste fornecidas, respectivamente, pelo cristianismo e islamismo medievais. Mesmo as observações empíricas eram explicadas pela crença religiosa, como no caso de ser a Peste contagiosa ou não.

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Visão Cristã:

  • A Peste era uma punição de Deus para os pecados da humanidade, mas podia, também, ser causada pelo “mau ar”, bruxaria ou feitiçaria, e as escolhas pessoais de vida, incluindo a devoção de cada um ou sua falta.
  • Os cristãos – especialmente nos períodos iniciais da epidemia – poderiam abandonar uma região acometida pela Peste para uma com um melhor ar, não infectado.
  • A Peste era contagiosa e podia ser passada de pessoa a pessoa, mas cada um poderia se proteger por meio de preces, penitências, encantamentos e amuletos.

Visão Muçulmana:

  • A Peste era um misericordioso presente de Deus, que concedeu martírio para os fiéis, cujas almas eram instantaneamente transportadas para o Paraíso.
  • Os muçulmanos não deveriam entrar e nem fugir de uma região infectada pela Peste, mas permanecer no lugar.
  • A Peste não era contagiosa porque veio diretamente de Deus para indivíduos específicos de acordo com a vontade de Deus.

Novamente, essas visões gerais, defendidas pela maioria, mas não abraçada por todo o clero da Europa ou do Oriente Próximo e nem por todos os leigos. Essas crenças, no entanto, carregavam enorme peso com os crentes para encorajar resposta que – de novo, geralmente – caiam em cinco atitudes principais.

Reação Cristã:

  • Procissões penitenciais, comparecimento às missas, jejuns, preces, uso de amuletos e encantamentos
  • Movimento Flagelante
  • Curas supostas e fumigação do “mau ar”
  • Fuga das áreas infectadas
  • Perseguição às comunidades marginalizadas, especialmente judeus.

Reação Muçulmana:

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  • Orações e súplicas nas mesquitas, procissões, funerais em massa, orações, jejuns
  • Aumento na crença em visões sobrenaturais, sinais e espanto
  • Magias, amuletos e encantamentos usados como curas
  • Fuga das áreas infectadas
  • Nenhuma perseguição às comunidades marginalizadas, respeitos aos médicos judeus.

Detalhes da Reação Cristã

Uma vez que se pensava que a Peste fora enviada por Deus como punição, o único caminho para acabar com a epidemia foi o que cada um admitisse seu pecado e sua culpa, arrependesse do pecado e renovasse sua dedicação a Deus. Com essa finalidade, as procissões deveriam serpentear através das cidades a partir de um dado ponto – uma praça ou um portão da cidade – em direção à igreja ou santuário, em geral dedicados à Virgem Maria. Os participantes deveriam fazer jejum, orar e comprar amuletos ou encantamentos para se manterem a salvo. Mesmo após os cristãos europeus compreenderem que a Peste era contagiosa, estas procissões e reuniões continuaram porque parecia não haver outros meio de abrandar a ira de Deus.

Os flagelantes foram um grupo de zelosos cristãos, liderados por um Mestre que viajava de vilarejo em vilarejo, de cidade em cidade e, daí, para a zona rural, flagelando-se por seus pecados e pecados da humanidade.

À medida que a Peste assolava e as tradicionais respostas religiosas falhavam, surgiu, em 1348, o Movimento Flagelante na Áustria (possivelmente também na Hungria) que se espalhou para a Alemanha e Flandres por volta de 1349. Os flagelantes foram um grupo de zelosos cristãos, liderados por um Mestre que viajava de vilarejo em vilarejo, de cidade em cidade e, daí, para a zona rural, flagelando-se por seus pecados e pecados da humanidade, caindo ao chão em penitencial frenesi e liderando comunidades na perseguição e assassinato de judeus, ciganos e outras minorias, até que foram banidos pelo Papa Clemente VI (*1291 +1352), como ineficazes, desordeiros e irritantes.

As curas também eram muitas vezes baseadas na religião, como matar e fatiar uma serpente (associação com Satã) e esfregar os pedaços no corpo na crença de que o “mal” da doença seria transferido para a serpente morta. Beber uma poção feita do chifre do unicórnio também era considerado de valor, pois o unicórnio estava associado a Cristo e à pureza.

O ar ruim, que se pensava como resultado do alinhamento de planetas ou a forças sobrenaturais (demoníacas) era retirado da casa pelo incenso ou pela queima de palha e levando flores ou ervas aromáticas para uma pessoa (uma referência às rimas da poesia das crianças inglesas Ring Around the Rosie [Rodando em Volta de Rosie]). A pessoa podia fumigar-se sentando-se próximo a um fogo ou uma lagoa ou buraco usado para descarregar esgoto, pois imaginava-se que o “ar ruim” no corpo da pessoa podia ser atraído pelo “ar ruim” do esgoto.

As pessoas nas cidades, quase sempre das classes superiores, fugiam para suas vilas na zona rural, enquanto os pobres e fazendeiros, na maioria, deixavam suas terras rurais e vinham para a cidade, onde esperavam encontrar melhor atendimento médico e alimento disponível. Mesmo após entenderem que a Peste era contagiosa, as pessoas ainda abandonavam as cidades ou regiões em quarentena e espalhavam ainda mais a doença.

Giovanni Boccaccio & Florentines Who Have Fled from the Plague
Giovanni Boccaccio e florentinos que fugiram da Peste
Koninklijke Bibliotheek (Public Domain)

As perseguições aos judeus, pela comunidade cristã, não se iniciaram com a Peste Negra ou terminaram ali, mas, certamente, aumentaram na Europa entre 1347-1352. O estudioso Samuel Cohn Jr., observa:

Que a fúria cega das multidões, composta por trabalhadores, artesãos e camponeses, foi responsável pela aniquilação dos judeus pela Peste Negra, é muito mais uma ideia dos historiadores modernos, do que de fontes medievais. (5)

Mesmo assim, ele admite, “a Peste Negra desencadeou ódio, culpa e violência em uma escala a mais assustadora do que qualquer pandemia ou epidemia na história do mundo” (6). Embora sua afirmação a respeito da interpretação dos historiadores modernos a respeito dos pogroms contra os judeus possua alguma validade, ela não parece levar totalmente em consideração a animosidade, de longa data, contra os judeus pelas comunidades cristãs. Os judeus foram, rotineiramente, suspeitos de envenenarem os poços de água, assassinar crianças cristãs em ritos secretos e praticar várias formas de magias, de modo a prejudicar ou matar cristãos. O erudito Joshua Trachtenberg cita um exemplo:

[Os moradores da cidade], solicitando a expulsão dos judeus, afirmavam que o perigo que representavam para a comunidade ia além de um ocasional assassinato de criança, pois eles secavam o sangue da vítima, trituravam-no até virar pó e espalhavam nos campos pela manhã, quando havia uma forte névoa no terreno. Então, em três ou quatro semanas, uma Peste caía sobre os homens e rebanhos, dentro de um raio de 800 metros, de modo que os cristãos sofriam gravemente, enquanto os astutos judeus permaneciam seguros dentro de suas casas. (144)

Em 1348, os judeus no Languedoc e Catalunha foram massacrados e, na Sabóia, foram presos e acusados de envenenar os poços de água. Em 1349, judeus foram queimados em massa na Alemanha e França, mas também em outros lugares, apesar das bulas papais editadas pelo Papa Clemente VI, proibindo expressamente esses tipos de ações.

Detalhes da Reação Muçulmana

Os muçulmanos também se reuniam em grandes grupos para orações de súplica nas mesquitas, pedindo que Deus suspendesse a Peste e não preces penitenciais para o perdão dos pecados. O erudito Michael W. Dols observa que “não há nenhuma doutrina do pecado original e da insuperável culpa dos homens na teologia islâmica” (10) e, portanto, a reação religiosa à Peste assumiu algumas formas de súplica para uma boa colheita, um nascimento sadio ou sucesso nos negócios. Dols escreve:

Uma parte importante da atividade [muçulmana] em resposta à Peste Negra foram as preces comunais para o desaparecimento da doença. Durante as piores fases da pandemia, foram dadas ordens no Cairo para se reunirem nas mesquitas e recitarem as preces recomendadas em comum. Jejuns e procissões tiveram lugar nas cidades durante a Peste Negra e nas outras epidemias de Peste. As procissões suplicatórias seguiram a forma tradicional de prece para chuva. (12)

Funerais em massa eram conduzidos conforme as linhas dos ritos tradicionais de inumação, com a adição de um orador que pedia para que a Peste fosse embora. Novamente, não havia nenhuma menção aos pecados do morto, nem fornecida qualquer explicação por que uns haviam morrido e outros, não. Tais fatos aconteceram de acordo com o desejo de Alá.

The Triumph of Death
O Triunfo da Morte
Museo del Prado (Public Domain)

A crença em visões e sinais sobrenaturais ficaram acentuadamente aumentadas. Dols cita o exemplo de um homem da Ásia Menor que foi até Damasco para informas um clérigo a respeito de uma visão que tivera do Profeta Maomé. Na visão, o profeta dizia ao homem fazer com que o povo recitasse a sura de Noé do Quran, 3.363 vezes, enquanto pedia a Deus para libertá-los da Peste. O clérigo anunciou sua visão à cidade e o povo “reuniu-se nas mesquitas para seguir estas instruções. Por uma semana [o povo] realizou este ritual, orando e abatendo grande número de bois e ovelhas, cuja carne era distribuída aos pobres” (Dols,11). Outro homem, que recebeu uma visão de Maomé, clamava que o profeta lhe havia dado uma prece para recitar, a qual espantaria a Peste. Esta prece foi copiada e distribuída ao povo com a instrução de recitá-la diariamente.

Enquanto a maioria dos muçulmanos acreditava que a Peste fora enviada por Deus, ao mesmo tempo havia muitos que a atribuíam ao poder sobrenatural dos maus djinn (gênios). A antiga religião persa – pré e pós Zoroaster (c.1500-1000 a.C.) – atribuía vários eventos e doenças ao trabalho da deidade malévola Ahriman (também conhecida como Angra Mainyu) ou aos espíritos que algumas vezes avançavam sua intenção, como djinn. Essa crença deu origem a uma elevação na magia popular e o uso de amuletos e encantamentos para se prevenir dos maus espíritos. O encantamento ou amuleto deveria ser inscrito com um dos nomes divinos ou epítetos de Deus e as orações e os encantamentos recitados para impregnar o artefato com poderes protetores mágicos.

para o fiel muçulmano, a peste era uma piedosa libertação da multiplicidade do mundo e mudança para o eterno e imutável paraíso após a morte

Como na Europa, as pessoas que tinham condições deixavam as cidades infectadas e iam para a zona rural e as pessoas do campo vinham para a cidade pelas mesmas razões dos europeus. Posto que a Peste não era considerada contagiosa, não havia razão para alguém permanecer em um lugar ou outro, exceto por determinação atribuída a Maomé que proibia as pessoas de fugirem ou irem para as cidades ou regiões acometidas pela Peste. A razão para isto é desconhecida e parece que o povo a ignorava, porque, se a Peste veio de Alá ou um djinn, não estava no poder do indivíduo escapar do destino que Deus havia determinado. Para o fiel muçulmano, a Peste era uma misericordiosa libertação de um mundo de multiplicidades e mudança para o eterno e imutável paraíso no após-vida. No entanto, era considerada uma punição para os infiéis fora da fé.

Mesmo assim, não há evidência de que a minoria das populações – sejam cristãos, judeus ou quaisquer outras – fossem perseguidas no Oriente Próximo durante os anos de Peste. Os médicos judeus, de fato, eram altamente considerados, muito embora nada mais pudessem fazer para as vítimas da Peste do que quaisquer outros médicos.

Conclusão

À medida que a Peste prosseguia, as pessoas na Europa e Oriente Próximo continuaram com suas devoções religiosas as quais, após o fim da pandemia, foram creditadas como trabalhando para influenciar Deus a fazer cessar a Peste e restaurar a normalidade no mundo. Mesmo assim, a sensação de ineficiência da resposta cristã para o povo naquela época fez com que muitos questionassem a visão e a mensagem da Igreja e procurarem um entendimento diferente da mensagem e caminho da fé. O ímpeto finalmente iria contribuir para a Reforma Protestante e a mudança no modelo filosófico o qual se resumiria na Renascença.

A estudiosa Anna Louise DesOrmeaux observa que um aspecto significativo da mudança no modelo religioso foi a crença cristã de que Deus havia causado a Peste para punir as pessoas por seus pecados e, portanto, nada havia que alguém pudesse fazer, mas “voltar-se humildemente para Deus, que nunca negou Seu auxílio” (14). E ainda, o povo da época, achava que Deus havia negado seu auxílio, o que levou o povo a questionar a autoridade da Igreja.

Nenhuma mudança dramática aconteceu no Oriente Próximo e o islã continuou o mesmo após a Peste, com pouca alteração no entendimento e cumprimento de seus preceitos como antes. Dols comenta:

A comparação das sociedades cristã e muçulmana durante a Peste Negra aponta para a significante disparidade em suas respostas comunais gerais... as fontes árabes não citam as “notáveis manifestações de psicologia coletiva anormal, de dissociação da mentalidade de grupo”, que ocorreu na Europa cristã. Medo e agitação da Peste Negra na Europa ativaram o que o Professor Trevor-Rope chamou, em um contexto diferente, um “estereótipo do medo” europeu... Por que um fenômeno correspondente não ocorreu nas reações muçulmanas à Peste Negra? Os estereótipos não existem. Não há nenhuma evidência que sugira o aparecimento de movimentos messiânicos na sociedade muçulmana, naquela época, e que poderiam associar a Peste Negra ao apocalipse. (20)

Alguns escritores europeus cristãos daquela época, e mesmo posteriores, referem-se à Peste Negra como “fim do mundo”, enquanto os escribas muçulmanos tendem a focar no número de mortes ao enfatizarem a magnitude da pestilência. Eles assim procedem, no entanto, do mesmo modo que escrevem a respeito das mortes nas inundações ou outros desastres naturais. Ao final da Peste Negra, a Europa ficaria radicalmente transformada nas áreas sociais, políticas, religiosas, filosóficas, médicas e muitas outras, enquanto o Oriente Próximo, não, devido, exatamente, a uma interpretação diferente do mesmo fenômeno.

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Bibliografia

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Sobre o tradutor

Jose Monteiro Queiroz-Neto
Monteiro é um pediatra aposentado interessado na história do Império Romano e da Idade Média. Tem como objetivo ampliar o conhecimento dos artigos da WH para o público de língua portuguesa. Atualmente reside em Santos, Brasil.

Sobre o autor

Joshua J. Mark
Escritor freelance e ex-professor de filosofia em tempo parcial no Marist College, em Nova York, Joshua J. Mark viveu na Grécia e na Alemanha e viajou pelo Egito. Ele ensinou história, redação, literatura e filosofia em nível universitário.

Citar este trabalho

Estilo APA

Mark, J. J. (2020, Abril 16). Reações Religiosas à Peste Negra [Religious Responses to the Black Death]. (J. M. Queiroz-Neto, Tradutor). World History Encyclopedia. Obtido de https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1541/reacoes-religiosas-a-peste-negra/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Reações Religiosas à Peste Negra." Traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto. World History Encyclopedia. Última modificação Abril 16, 2020. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1541/reacoes-religiosas-a-peste-negra/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Reações Religiosas à Peste Negra." Traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto. World History Encyclopedia. World History Encyclopedia, 16 Abr 2020. Web. 18 Abr 2024.