Aaron Burr

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Aaron Burr (by John Vanderlyn, Public Domain)
Aaron Burr John Vanderlyn (Public Domain)

Aaron Burr (1756-1836) foi um político e advogado americano que serviu como o terceiro vice-presidente dos Estados Unidos (1801-1805). A sua reputação como um dos Pais Fundadores dos EUA ficou manchada pelo homicídio do seu rival político, Alexander Hamilton, num duelo, bem como pelo seu julgamento por traição em 1807, o que fez com que passasse a ser comummente retratado como um vilão na história americana.

Juventude e Revolução Aaron Burr, Jr. nasceu a 6 de fevereiro de 1756 em Newark, Nova Jérsia. Era o segundo filho de Aaron Burr, Sr., um distinto pastor presbiteriano e segundo presidente do College of New Jersey (a atual Universidade de Princeton), e de Esther Edwards Burr, filha do famoso teólogo Jonathan Edwards. No entanto, Burr nunca chegaria a conhecer os pais; em 1757, o seu pai faleceu devido a uma febre súbita e a sua mãe adoeceu e morreu um ano mais tarde, deixando Burr órfão com apenas dois anos de idade. Ele e a sua irmã mais velha, Sarah Burr, foram enviados para viver com o seu abastado tio materno, Timothy Edwards, em Elizabeth, Nova Jérsia. Sendo um advogado de sucesso, Edwards contratou tutores privados para educar o jovem Burr e prepará-lo para a eventual entrada em Princeton. Contudo, Edwards era também fisicamente abusivo com os seus filhos adotivos, o que fez com que Burr tentasse fugir de casa por diversas vezes.

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Burr serviu sob as ordens do Coronel Arnold na malfadada invasão do Quebeque.

Burr foi admitido em Princeton em 1769, com apenas 13 anos de idade. Inicialmente, decidiu seguir as pisadas do avô e estudar teologia. Licenciou-se com o grau de Bachelor of Arts aos 16 anos mas, após mais dois anos de estudos religiosos, acabou por optar por abandonar a teologia em favor de uma carreira no direito. Em 1775, com 19 anos, Burr estava a estudar direito no Connecticut quando soube das Batalhas de Lexington e Concord (19 de abril) e do eclodir da Guerra da Independência dos Estados Unidos. Alistou-se imediatamente no Exército Continental e, nesse outono, serviu sob as ordens do Coronel Benedict Arnold na malfadada invasão americana do Quebeque. Para chegarem à colónia britânica do Quebeque (Canadá), os homens de Arnold tiveram de caminhar cerca de 480 km (300 mi) através da natureza selvagem do Maine, uma odisseia que Burr suportou com "grande determinação e coragem". Ao chegar ao Canadá, Arnold juntou-se ao General Richard Montgomery para um assalto à cidade do Quebeque. Durante a decisiva Batalha do Quebeque (31 de dezembro de 1775), Burr encontrava-se por perto quando o General Montgomery foi morto por uma descarga de metralha. Burr arriscou a vida ao tentar resgatar o cadáver do general, mas teve de o abandonar quando se viu incapaz de o arrastar pela neve que se acumulava rapidamente.

Death of General Montgomery in the Attack on Quebec
Morte do General Montgomery no Ataque a Quebec John Trumbull (Public Domain)

Promovido a major pela sua bravura na campanha do Quebeque, Burr foi destacado para se juntar ao estado-maior do General George Washington na primavera de 1776. Os dois homens desentenderam-se rapidamente: Burr, que pretendia ajudar a planear a estratégia militar, sentiu-se insultado ao perceber que seria relegado para tarefas menores, enquanto Washington antipatizou com a personalidade altiva do jovem oficial. Em junho, Burr foi transferido para o estado-maior do General Israel Putnam, tornando-se seu ajudante de campo. Após a desastrosa Batalha de Long Island (27 de agosto de 1776), Burr desempenhou um papel crucial na evacuação do Exército Continental, primeiro de Long Island e, depois, da cidade de Nova Iorque, tendo a sua liderança sido crucial para salvar a artilharia americana. Em julho de 1777, foi promovido a tenente-coronel e assumiu o comando de um regimento de 300 homens. Esteve com o exército durante o inverno rigoroso e implacável em Valley Forge e esteve presente na Batalha de Monmouth (28 de junho de 1778), onde o seu regimento foi devastado pela artilharia britânica. Burr sofreu uma insolação debilitante durante a batalha, o que o impediu de continuar a cumprir os seus deveres militares. Este problema, somado a outros problemas de saúde, levou-o a demitir-se do Exército Continental em março de 1779.

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Uma Estrela em Ascensão

Após deixar o exército, Burr viajou para Albany, Nova Iorque, para concluir os seus estudos jurídicos, tendo sido admitido na ordem dos advogados em abril de 1782. Exerceu advocacia em Albany até novembro de 1783, altura em que mudou o seu próspero escritório para a cidade de Nova Iorque, depois de as últimas tropas britânicas terem evacuado a cidade no final da guerra. Aí, esforçou-se por superará vários outros jovens advogados promissores, incluindo Alexander Hamilton — embora o próprio Burr considerasse Hamilton o melhor orador, Burr era frequentemente visto como o advogado mais completo. "Como advogado e académico, Burr não era inferior a Hamilton", comentou outrora um contemporâneo. "Eu costumava dizer deles… que Burr dizia tanto numa meia-hora como Hamilton dizia em duas horas. Burr era conciso e convincente, enquanto Hamilton era fluído e arrebatador" (citado em Chernow, pág. 193). À medida que a sua estrela subia no plano jurídico, Burr encontrou tempo para casar; em julho de 1782, contraiu matrimónio com Theodosia Prevost, uma viúva dez anos mais velha do que ele. Juntos, teriam uma filha, também chamada Theodosia.

Aaron Burr and His Wife Theodosia Bartow Burr
Aaron Burr e Theodosia Bartow Burr Henry Benbridge (Public Domain)

Agora, aos 27 anos, Burr parecia certamente preparado para dar que falar no palco da política americana. Era atraente e perspicaz, características que ajudavam o galante Burr nas suas muitas seduções. Tal como Hamilton, apreciava as coisas boas da vida e não aceitava nada menos do que os melhores vinhos, as carruagens mais elegantes e as roupas mais sofisticadas. Contudo, ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, Burr não era um idealista; enquanto homens como Hamilton e Thomas Jefferson viam a política como um meio para aplicar as medidas que desejavam, Burr estava mais interessado no jogo político em si. Sempre oportunista, via a política sobretudo como uma ferramenta para obter dinheiro e influência para si e para os seus amigos, tendo outrora descrito a política como nada mais do que "diversão, honra e proveito" (citado em Wood, pág. 280). Isto significava que Burr guardava as suas verdadeiras opiniões a sete chaves, transmitindo a imagem de um camaleão político, disposto a mudar para o lado que mais o beneficiasse. Esta abordagem à política valeu a Burr o desdém de homens idealistas como Hamilton, que uma vez disse a seu respeito: "na vida civil, nunca projetou nem ajudou a produzir uma única medida de relevante utilidade pública" (citado em Chernow, pág. 193).

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Burr estreou-se na política em 1784, ano em que foi eleito para a Assembleia Geral do Estado de Nova Iorque. Durante o seu curto mandato, propôs um projeto de lei que libertaria todos os escravos nascidos após uma determinada data — isto apesar de o próprio Burr possuir cinco escravos domésticos e não ter qualquer intenção de os libertar. O projeto de lei não foi aprovado. Em 1789, Burr foi nomeado procurador-geral do estado de Nova Iorque, um cargo que lhe valeu a atenção das influentes dinastias políticas Livingston e Clinton. Com o apoio destas, Burr foi eleito para o Senado dos EUA em 1791, derrotando o incumbente Philip Schuyler, sogro de Hamilton.

Logo em 1795, Burr começou a sondar o terreno para uma potencial candidatura presidencial, visitando membros influentes do Partido Democrata-Republicano por todo o país.

Serviu no Senado durante os seis anos seguintes, período no qual se alinhou com o Partido Democrata-Republicano (também conhecido como Democratas Jeffersonianos). Assistia-se a uma rutura crescente na política dos EUA entre o nacionalista Partido Federalista — que defendia um governo federal forte, a industrialização e políticas pró-britânicas — e os Democratas-Republicanos, que acreditavam numa maior autonomia para os estados, numa economia agrária e apoiavam a Revolução Francesa. Ao apoiar os Democratas-Republicanos, Burr aliava-se a homens como Thomas Jefferson e James Madison, opondo-se a Hamilton, o principal líder federalista.

Logo em 1795, Burr começou a sondar o terreno para uma potencial candidatura presidencial, visitando membros influentes do Partido Democrata-Republicano por todo o país. Chegou mesmo a passar um dia em Monticello, a residência de Jefferson, embora não se saiba o que discutiram. Em setembro de 1796, o Presidente Washington anunciou formalmente que não iria recandidatar-se a um terceiro mandato, dando o tiro de partida para as eleições presidenciais de 1796 nos EUA. Apesar de ser considerado de mau tom que um candidato fizesse campanha por si próprio, Burr fez exatamente isso, viajando pelos estados do norte para angariar apoios. Não foi suficiente; ficou em quarto lugar, com 30 votos eleitorais. John Adams, o candidato federalista, venceu a presidência, e Jefferson tornou-se vice-presidente.

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Burr já estava desalentado com a sua derrota, mas a situação piorou ainda mais quando soube que tinha perdido o seu lugar no Senado para Philip Schuyler. Frustrado, Burr regressou à política estadual, conseguindo a reeleição para a Assembleia Geral do Estado de Nova Iorque em 1798. Em setembro de 1799, fundou um banco chamado Manhattan Company, quebrando assim o monopólio que os federalistas detinham no setor bancário em Nova Iorque. Burr conseguiu evitar qualquer oposição federalista alegando que o propósito da Manhattan Company era o fornecimento de água à cidade de Nova Iorque; só no último minuto é que alterou os estatutos da empresa, revelando que se tratava, na verdade, de um banco. Hamilton e os federalistas ficaram indignados, acusando Burr de ter agido de forma desonrosa ao enganá-los daquela maneira.

Vice-Presidente

Nos meses que antecederam as eleições presidenciais de 1800 nos EUA, Burr decidiu recandidatar-se, desta vez fazendo campanha para ser o vice-presidente de Jefferson. Utilizando as suas ligações políticas, conseguiu fazer com que o estado de Nova Iorque votasse nos Democratas-Republicanos, ajudando a garantir a vitória nacional do seu partido. Contudo, quando os votos foram contados, surgiu um problema: Jefferson e Burr obtiveram um empate técnico com 73 votos eleitorais cada um. Na época, os candidatos a presidente e a vice-presidente não concorriam numa lista conjunta. Em vez disso, o candidato que obtivesse mais votos tornava-se presidente, enquanto o segundo classificado assumia a vice-presidência. Muitos Democratas-Republicanos esperavam que Burr cedesse a vitória nas eleições a Jefferson, o candidato pretendido pelo partido. Como este se manteve em silêncio, a decisão ficou nas mãos da Câmara dos Representantes, controlada pelos federalistas.

Isto deve ter deixado Burr confiante na vitória; Hamilton e Jefferson eram conhecidos por serem rivais acérrimos, o que o levou a esperar que Hamilton usasse a sua influência no Partido Federalista para derrotar Jefferson. Mas estava enganado. Hamilton podia discordar de Jefferson, mas pelo menos via-o como um homem de princípios. Em contrapartida, considerava Burr um homem egoísta a quem nada era sagrado. Escreveu aos seus correspondentes afirmando que Burr era "ousado o suficiente para tentar tudo — e malévolo o suficiente para não se deter perante nada" (citado em Wood, pág. 284). Em suma, embora Hamilton nutrisse desprezo por Jefferson, continuava a preferi-lo em detrimento de Burr, pelo que instou os seus seguidores a apoiar Jefferson para presidente pelo "bem público" da nação. Assim, com a intervenção de Hamilton, a Câmara dos Representantes entregou a presidência a Jefferson, tornando-se Burr vice-presidente.

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Aaron Burr, 1803
Aaron Burr, 1803 John Vanderlyn (Public Domain)

Devido ao comportamento de Burr durante o impasse, Jefferson não confiava no seu novo vice-presidente. Não pediu a opinião de Burr aquando da nomeação dos membros do gabinete e raramente o convidava para as reuniões do mesmo. Burr não demorou muito a perceber que estava a ser afastado do círculo íntimo de Jefferson. Por despeito, começou a apoiar políticas federalistas e, em 1802, compareceu a uma celebração federalista do aniversário de Washington, o que escandalizou os líderes democratas-republicanos. O ponto de rutura surgiu em novembro de 1804, quando Burr presidiu ao julgamento de destituição do juiz Samuel Chase no Senado dos EUA.

Com a esperança de livrar o poder judicial da influência federalista, Jefferson tomou a iniciativa de destituir Chase, um juiz conselheiro do Supremo Tribunal dos EUA e um fervoroso federalista. Chase era acusado de conduzir julgamentos injustos ao abrigo das Leis de Estrangeiros e Sedição (Alien and Sedition Acts, 1798), e a sua destituição foi devidamente aprovada na Câmara dos Representantes, antes de ser remetida para o Senado. Embora Burr estivesse sob uma pressão tremenda para o condenar, manteve-se determinado em permanecer imparcial; foi elogiado por esta conduta, com um jornal a escrever que ele "conduziu [as audiências] com a dignidade e a imparcialidade de um anjo, mas com o rigor de um diabo" (battlefields.org). No final, Chase foi absolvido, mas a imparcialidade de Burr custou-lhe o cargo, uma vez que um enfurecido Jefferson deixou claro que escolheria um novo companheiro de lista nas eleições seguintes.

O Duelo com Hamilton e o Julgamento por Traição

Mesmo antes do julgamento de destituição, Burr já suspeitava de que seria substituído como vice-presidente de Jefferson nas eleições de 1804. Sabia que teria de procurar outro cargo e, após analisar as suas opções, decidiu candidatar-se a governador de Nova Iorque. Embora ainda contasse com um forte apoio em Nova Iorque, especialmente por parte das famílias Livingston e Clinton, Burr percebeu que as suas ambições seriam travadas por um velho rival. Mais uma vez, Alexander Hamilton opôs-se vigorosamente à candidatura de Burr, comentando em privado com amigos que o vice-presidente era "um homem perigoso e em quem não se deve confiar" (citado em Chernow, 680). Burr foi derrotado nas eleições governamentais, o que o deixou num estado de espírito colérico e vingativo. Quando, a 18 de junho de 1804, tomou conhecimento dos comentários de Hamilton, culpou-o pela sua derrota e exigiu "um desmentido geral de qualquer intenção, por parte do General Hamilton, nas suas várias conversas, de transmitir impressões depreciativas à honra do Sr. Burr" (citado em Wood, pág. 384). Perante a recusa de Hamilton em desmentir o quer que fosse, Burr desafiou-o para um duelo.

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Hamilton-Burr Duel
Duelo entre Hamilton e Burr Unknown Artist (Public Domain)

As duas partes encontraram-se em Weehawken, Nova Jérsia, às 07:00 de 11 de julho de 1804. Os pormenores sobre o que aconteceu a seguir continuam envoltos em mistério — há divergências sobre se Hamilton falhou o seu tiro intencionalmente ou se o facto de ter sido atingido por uma bala o fez disparar para o ar. Em todo o caso, Hamilton falhou o alvo, enquanto o tiro de Burr o atingiu logo acima da anca direita; o ferimento revelou-se mortal e Hamilton faleceu no dia seguinte. O país chorou a morte de Hamilton e Burr foi vilipendiado na imprensa; um jornal de Maryland acusou-o de homicídio premeditado, enquanto um jornal de Nova Iorque o apelidou de "assassino infame" (citado em Chernow, pág. 716). Burr foi acusado de homicídio em Nova Iorque e em Nova Jérsia, estados onde os duelos eram ilegais, embora estas acusações tenham acabado por ser retiradas. O duelo pôs efetivamente fim à carreira de Burr, transformando-o num pária político; ele já tinha cortado as pontes com os Democratas-Republicanos e, agora, ao matar o líder dos federalistas, esgotava qualquer réstia de boa vontade que estes pudessem ter para com ele.

Assim, quando o seu mandato como vice-presidente expirou em março de 1805, Burr rumou a oeste, fixando-se nas terras virgens adquiridas na Compra da Luisiana. Tinha arrendado cerca de 16 000 hectares de terra na atual Luisiana e começou a reunir apoios para aí estabelecer um povoado. O seu principal contacto era o General James Wilkinson, governador do Território da Luisiana, com quem conferenciou sobre os espanhóis no México; na altura, a Espanha e os Estados Unidos encontravam-se envolvidos numa disputa de fronteiras. No verão de 1806, Burr liderou 80 homens que desceram o rio Mississippi em barcos de fundo chato em direção a Nova Orleães. Entretanto, o Presidente Jefferson recebeu relatos sobre esta movimentação e ficou rapidamente desconfiado. Corriam boatos de que Burr planeava liderar uma invasão do México ou do Texas, incitar uma revolução no México contra a autoridade espanhola ou, pior ainda, que pretendia fundar uma nova nação no Oeste e declarar a secessão da União. O General Wilkinson, temendo ver-se envolvido num escândalo, decidiu salvar a sua pele traindo Burr, alertando Jefferson para uma "profunda, obscura e generalizada conspiração" (citado em Wood, pág. 384). Wilkinson entregou a Jefferson correspondência cifrada, supostamente escrita por Burr, que detalhava os seus planos.

Mapa da Expansão dos Estados Unidos da América após o Tratado de Paris de 1783
A Expansão dos Estados Unidos após o Tratado de Paris de 1783 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Jefferson emitiu um mandado de captura contra Burr. O antigo vice-presidente entregou-se às autoridades em janeiro de 1807 mas, após ser libertado sob fiança, fugiu para o interior selvagem. Foi recapturado em fevereiro e escoltado até Richmond, na Virgínia, onde foi acusado de traição e julgado perante o Tribunal Federal de Recurso do Quinto Circuito dos EUA, presidido pelo juiz conselheiro presidente John Marshall. Jefferson empenhou-se a fundo para garantir uma condenação, apresentando todas as cartas e provas de que dispunha. Contudo, a acusação contra Burr saiu significativamente enfraquecida quando se descobriu que a carta cifrada tinha sido fortemente adulterada por Wilkinson, que esperava minimizar a sua própria conduta imprópria usando Burr como bode expiatório. No final, Burr foi absolvido; segundo a definição de "traição" adotada por Marshall para o julgamento, era necessário cometer um ato de guerra para se ser condenado, algo que não ficou provado que Burr tivesse feito. Imediatamente após o julgamento, multidões enfurecidas enforcaram efígies de Burr e de Marshall. Burr partiu para um exílio autoimposto e fugiu para Inglaterra em 1808.

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Os Últimos Anos e a Morte

Durante o exílio, Burr continuou a procurar formas de reavivar a sua carreira. Passou os anos seguintes a apelar aos governos europeus para que apoiassem o seu plano de invasão do México, mas foi rejeitado de todas as vezes. Acabou por ser expulso de Inglaterra e foi-lhe recusada uma audiência com o imperador francês Napoleão I. Em 1812, Burr regressou aos Estados Unidos, sem um tostão e profundamente atolado em dívidas. Fixou-se na cidade de Nova Iorque, onde exerceu advocacia discretamente, utilizando o nome de solteira da sua mãe, 'Edwards', para escapar aos credores. A morte de Hamilton pairou sempre sobre ele como uma sombra, vilipendiando-o aos olhos dos seus contemporâneos. Durante a maior parte da sua vida, Burr recusou mostrar qualquer remorso pelo duelo, exceto num momento em que aparentemente comentou: "Se tivesse lido mais Sterne e menos Voltaire, saberia que o mundo era suficientemente grande para Hamilton e para mim" (citado em Chernow, pág. 722).

Burr Shoots Hamilton
Burr atira contra Hamilton Henry Davenport Northrop (Public Domain)

A mulher de Burr, Theodosia, tinha falecido em 1794. A filha, Theodosia Burr Alston, desapareceu no mar no início de janeiro de 1813, quando o navio a bordo do qual seguia, o Patriot, sumiu misteriosamente. Apesar destas tragédias, Burr não ficou totalmente privado de família na sua velhice. Teve vários filhos ilegítimos, adotou dois rapazes e criou os filhos do primeiro casamento da sua mulher como se fossem seus. Em 1833, Burr casou-se com a socialite Eliza Jumel, mas o casamento foi breve; Jumel pediu o divórcio depois de Burr esbanjar a sua fortuna em investimentos fracassados de especulação imobiliária. Em 1834, Burr sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) grave, vindo a falecer em Staten Island dois anos mais tarde, a 14 de setembro de 1836.

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Perguntas & Respostas

Quem foi Aaron Burr?

Aaron Burr foi o terceiro vice-presidente dos Estados Unidos, tendo exercido o cargo entre 1801 e 1805. É mais conhecido por ter morto o seu rival político Alexander Hamilton num duelo e pelo seu julgamento por traição em 1807.

Por que é que Aaron Burr foi julgado por traição?

Aaron Burr foi julgado por traição devido às suas atividades suspeitas no Oeste, o que levou o presidente Jefferson a acreditar que ele estava a planear uma invasão ilegal do México ou que pretendia separar-se da União e fundar o seu próprio país. Burr acabou por ser absolvido no julgamento.

Onde é que Aaron Burr se duelou com Alexander Hamilton?

Aaron Burr e Alexander Hamilton travaram o seu famoso duelo em Weehawken, Nova Jérsia.

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Estilo APA

Mark, H. W. (2026, junho 21). Aaron Burr. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23629/aaron-burr/

Estilo Chicago

Mark, Harrison W.. "Aaron Burr." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, junho 21, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23629/aaron-burr/.

Estilo MLA

Mark, Harrison W.. "Aaron Burr." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 21 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23629/aaron-burr/.

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