Praia de Gold

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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British Troops, D-Day (by Imperial War Museums, CC BY-NC-SA)
Tropas Britânicas, Dia D Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

A Praia de Beach foi o ponto central dos cinco desembarques aliados do Dia D na Normandia, a 6 de junho de 1944. Unidades principalmente britânicas, com um apoio naval e aéreo maciço, receberam a missão de tomar a praia, um feito alcançado no final do dia, recorrendo a uma combinação de veículos blindados e infantaria que ultrapassaram minas e obstáculos para invadir as defesas alemãs.

A Praia de Gold estabeleceu ligação com as partes superiores das praias vizinhas à medida que a batalha pelas praias evoluía para a Batalha da Normandia. Foi então construído um porto flutuante Mulberry na Praia de Gold, o que permitiu o desembarque de uma enorme quantidade de homens e equipamento para apoiar a frente aliada em constante expansão na Normandia.

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A Operação Overlord

O assalto anfíbio às praias da Normandia constituiu a primeira fase da Operação Overlord, que visava libertar a Europa Ocidental da ocupação da Alemanha nazi. O comandante supremo da força de invasão aliada era o general Dwight D. Eisenhower (1890-1969), que tinha estado à frente das operações aliadas no Mediterrâneo. O comandante-chefe das forças terrestres da Normandia, num total de 39 divisões, era o experiente general Bernard Montgomery (1887-1976). O comando da componente aérea estava a cargo do marechal-chefe do ar Trafford Leigh Mallory (1892-1944), enquanto a componente naval era comandada pelo almirante Bertram Ramsay (1883-1945).

As tropas que atacaram a Praia de Gold contavam-se entre as unidades de combate mais experientes no Dia D.

A Alemanha nazi há muito que se preparava para uma invasão aliada, mas o alto comando alemão não tinha a certeza de onde, exatamente, tal invasão teria lugar. As estratégias de diversão dos Aliados aumentaram a incerteza, mas os locais mais prováveis continuavam a ser o Pas-de-Calais (ou Passo de Calais), o ponto mais próximo da costa britânica, ou a Normandia, com as suas amplas praias planas. O líder nazi Adolf Hitler (1889-1945) tentou fortificar toda a costa, desde Espanha até aos Países Baixos, com uma série de bunkers, casamatas, baterias de artilharia e tropas, mas esta «Muralha do Atlântico», como ele a chamava, estava longe de estar concluída em junho de 1944. Além disso, a muralha era frágil, uma vez que as defesas não tinham verdadeira profundidade.

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Casemate Model, Gold Beach
Modelo de Casamata, Praia de Beach Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

O marechal de campo Gerd von Rundstedt (1875-1953), comandante-chefe do exército alemão no Ocidente, acreditava que seria impossível impedir uma invasão na costa e que, por isso, seria melhor manter a maior parte das forças defensivas como reserva móvel para contra-atacar as cabeças de praia inimigas. O marechal de campo Erwin Rommel (1891-1944), comandante do Grupo de Exércitos B, discordava e considerava essencial travar qualquer invasão nas próprias praias. Além disso, Rommel acreditava que a superioridade aérea dos Aliados significava que os movimentos das reservas seriam severamente dificultados. Hitler concordou com Rommel e, assim, as forças defensivas foram distribuídas ao longo dos pontos onde as fortificações eram mais vulneráveis. Rommel reforçou as defesas estáticas e acrescentou estruturas antitanque de aço a todas as praias de maior dimensão. No final, foi atribuída a Rundstedt uma reserva móvel, mas o compromisso enfraqueceu ambos os planos de defesa. A resposta alemã também não seria facilitada pela sua estrutura de comando confusa, o que significava que Rundstedt não podia recorrer a nenhum blindado (mas Rommel, que se reportava diretamente a Hitler, podia), e nenhum dos comandantes tinha qualquer controlo sobre as escassas forças navais e aéreas disponíveis nem sobre as baterias costeiras controladas separadamente. No entanto, as defesas foram reforçadas em torno das zonas mais vulneráveis da Normandia, atingindo o número impressionante de 31 divisões de infantaria, mais 10 divisões blindadas e 7 divisões de infantaria de reserva. O exército alemão dispunha de mais 13 divisões noutras regiões de França. Uma divisão alemã padrão contava com um efetivo total de 15 000 homens.

A Operação Neptune

A preparação para a Operação Overlord decorreu ao longo dos meses de abril e maio de 1944, quando a Força Aérea Real (Royal Air Force - RAF) e a Força Aérea dos Estados Unidos (United States Air Force - USAAF) bombardearam incansavelmente os sistemas de comunicações e transportes em França, bem como as defesas costeiras, os aeródromos, os alvos industriais e as instalações militares. No total, foram realizadas mais de 200 000 missões para enfraquecer, tanto quanto possível, as defesas nazis, preparando o terreno para as tropas de infantaria prestes a participar no maior movimento de tropas da história. A Resistência Francesa (la Résistance française) também desempenhou o seu papel na preparação do terreno, dinamitando linhas férreas e sistemas de comunicações que impediriam as forças armadas alemãs de responderem eficazmente à invasão.

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A frota aliada, composta por 7 000 embarcações de todos os tipos, partiu de portos da costa sul de Inglaterra, tais como Falmouth, Plymouth, Poole, Portsmouth, Newhaven e Harwich. Numa operação com o nome de código «Neptune», os navios reuniram-se ao largo de Portsmouth numa zona denominada «Piccadilly Circus», em referência ao movimentado cruzamento rodoviário de Londres, e seguiram depois rumo à Normandia e às zonas de assalto. Ao mesmo tempo, planadores e aviões voaram para a península de Cherbourg, a oeste, e para Ouistreham, na extremidade oriental da zona de desembarque planeada. Os paraquedistas da 82.ª e da 101.ª Divisão Aerotransportada dos EUA (US Airborne Division) atacaram a oeste para tentar isolar Cherbourg. Na extremidade oriental da operação, os paraquedistas da 6.ª Divisão Aerotransportada britânica (British Airborne Division) tinham como objetivo assegurar as pontes e o flanco oriental da invasão.

Aerial View, Gold Beach
Vista Aérea, Praia de Beach A.J.W. Geddes - Imperial War Musuems (CC BY-NC-SA)

O Ataque à Zona Gold

O ataque anfíbio estava marcado para o amanhecer de 5 de junho, sendo a luz do dia um requisito para o necessário apoio aéreo e naval. O mau tempo levou a um adiamento de 24 horas. Pouco depois da meia-noite, as primeiras ondas de 23 000 paraquedistas britânicos e americanos aterraram em França. A partir das 3h00 da manhã, teve início o bombardeamento aéreo e naval da costa da Normandia, que cessou apenas 15 minutos antes de as primeiras tropas de infantaria terem desembarcado nas praias, às 6h30. A área estava dividida em cinco praias, cada uma com o seu próprio nome de código. Enquanto as tropas norte-americanas atacavam a Praia de Utah e a Praia de Omaha, a oeste, as tropas principalmente canadianas desembarcaram na Praia de Juno e as tropas britânicas lançaram um assalto à Praia de Gold e à Praia de Sword.

A Praia de Gold, situada em frente às localidades de Arromanches, Asnelles e La Rivière, foi atacada pela 50.ª Divisão de Infantaria britânica do 30.º Corpo de Exército britânico (British Corps), parte do 2.º Exército britânico comandado pelo Tenente-General Miles C. Dempsey. As tropas que assaltaram a Praia de Gold contavam-se entre as unidades de combate mais experientes de todo o desembarque na Normandia. Estas forças incluíam os famosos «Desert Rats» (Ratos do Deserto), a 7.ª Divisão Blindada, que ganhara esse nome ao combater o Afrika Korps alemão no Norte de África, no início da Segunda Guerra Mundial. Havia veteranos da campanha na Sicília, bem como a famosa e aguerrida infantaria Green Howards e unidades dos Comandos da Marinha Real (Royal Marine Commandos). No comando do assalto à Praia de Gold estava o Major-General Douglas Graham.

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Os bombardeiros aliados não tinham conseguido destruir os canhões de Longues, mas estes constituíam um alvo para a frota naval designada para dar cobertura à Praia de gold.

A Praia de Gold, com 8 km (5 m) de comprimento, estava dividida em quatro setores operacionais (de oeste para leste): How, Item, Jig e King. Havia importantes baterias defensivas em Longues-sur-mer. Localizadas a oeste da Praia de Gold e recuadas cerca de uma milha da praia, os artilheiros destes quatro canhões de 155 mm (6 pol.) recebiam informações de alcance por telefone de observadores no interior de um bunker de betão, que dominava a própria praia.

Os bombardeiros aliados não tinham conseguido destruir os canhões de Longues, mas estes constituíam um alvo para a frota naval designada para dar cobertura à Praia de Gold. Os cruzadores da Marinha Real Britânica (Royal Navy) «Ajax» (famoso veterano da Batalha do Rio da Placa de 1939) e «Argonaut» bombardearam repetidamente os canhões em Longues e Le Hamel. As coordenadas precisas da bateria de Longues tinham sido transmitidas pela Resistência francesa, que por sua vez tinha obtido a informação através de um professor de história, a quem esta tinha sido fornecida pelo agricultor proprietário do terreno — cujo filho cego tinha medido as distâncias a passos, mesmo debaixo do nariz das tropas alemãs. Tal era a cadeia de informações dos serviços de informações, muitas vezes precária mas, ainda assim, eficaz, que ajudou os Aliados quando foi necessário. O Ajax também bombardeou outras posições defensivas, destruindo completamente uma das posições quando o seu paiol explodiu. O fumo resultante do bombardeamento naval, dos foguetes lançados por navios mais pequenos e do fogo de cobertura, das bombas e dos foguetes lançados do ar pelos Supermarine Spitfires e Hawker Hurricanes, tudo isto ajudou a criar uma espessa cortina de fumo que se espalhou pela praia.

Map of The D-Day and the Normandy Landings, June 1944
Desembarques dos Aliados no Dia D, 2ª Guerra Mundial, junho de 1944 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

A primeira vaga de tropas desembarcou na Praia de Gold às 7h25. Tal como noutras praias durante a batalha, os comandantes das embarcações de desembarque mostraram-se relutantes em aproximar-se demasiado das praias, por receio de encalharem as suas embarcações, o que os impediria de se retirarem e de embarcarem mais veículos para as vagas seguintes. Isto significou que alguns dos tanques especializados e Sherman foram lançados demasiado cedo em águas demasiado profundas, pelo que se afundaram. Muitas embarcações, antes de os engenheiros de demolição terem podido começar a trabalhar, foram destruídas por minas. Outra característica recorrente dos desembarques observada na Praia de Gold foi o facto de os tanques terem demorado mais tempo do que o esperado a chegar à praia, tendo sido, por isso, ultrapassados pelas vagas seguintes de embarcações de desembarque que transportavam a infantaria.

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O artilheiro Ramsey Bader recordou-se de ter chegado à praia no seu tanque:

O primeiro tanque a sair do meu LCT (Landing Craft, Tank - Lanchas de Desembarque de Tanques) não conseguiu. Estávamos demasiado longe da costa, os obstáculos impediram o avanço do tanque e aquelas pessoas afogaram-se obviamente: o tanque simplesmente afundou-se. Fui o seguinte a sair, na esperança de não encontrarmos minas nem obstáculos na água, mas continuámos a avançar e chegámos à costa com as nossas armas a disparar.

(Bailey, pág. 249).

O mar agitado e a maré alta fizeram com que muitos obstáculos na praia se tornassem ainda mais perigosos, por estarem submersos e fora de vista. A infantaria, sacudida na pesada embarcação de desembarque, começou a arrepender-se do pequeno-almoço obrigatório de ovos estrelados e rum. Outra consequência da maré alta (mais alta do que no dia anterior) foi o facto de a praia ser mais estreita do que o previsto e ficar cada vez mais estreita à medida que a manhã avançava. Com menos tanques desembarcados do que o esperado, a infantaria tinha muito pouca cobertura contra o fogo defensivo devastador, o que resultou na morte de muitos comandantes e oficiais poucos minutos após o desembarque.

Pursuit Tank, Normandy Landings
Tanque de Perseguição, Desembarques na Normandia Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

A invasão foi, se é que se pode dizer assim, implacável. Por fim, foram desembarcados veículos blindados suficientes para cumprir a sua função de limpar faixas da praia de minas e outros obstáculos e atacar os postos de fogo a partir dos quais o inimigo podia disparar contra as tropas de desembarque. As minas nas praias destruíram muitos tanques, mas estes tornaram-se pontos úteis de refúgio para a infantaria, que estava sujeita a fogo de morteiros, metralhadoras e atiradores furtivos. As tropas chegavam em ondas sucessivas e começaram a sair da praia, avançando em direção a cidades do interior como Ryes, Bazenville, Mont Fleury e Crépon.

O marinheiro-chefe Wally Blanchard, membro de uma unidade de remoção de obstáculos, faz o seguinte resumo da ação enquanto trabalhava na remoção de minas nas praias de Omaha e Gold:

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As tuas ações são quase automáticas. Fui atingido mais do que uma vez por balas ou munições. Não parecia importar. Nada me atingiu de verdade. Era como se ricocheteassem e tilintassem em ti como chuva… um número terrível de pessoas foi morto naquela praia [Omaha]… de volta à minha própria praia, Gold… Há tanta confusão; acontecem coisas surpreendentes. Olhas ao longo da praia e, de repente, vês um navio de guerra inteiro, um caça-minas; ele atingiu uma mina, parece levantar-se no ar e desintegrar-se completamente. As pessoas gritam, berram. Chamam pelas mães e sabe-se lá o quê. Parecem todos mais novos do que tu. Eu tinha dezoito anos.

(Bailey, págs. 282-3)

Embora muitas tropas alemãs (uma grande parte das quais eram recrutas russos, lituanos, polacos e checos) se tenham rendido sem grande resistência, houve zonas de combates ferozes, nomeadamente em La Rivière, onde se travaram combates de casa em casa. Aqui, os defensores estavam bem protegidos por uma série de bunkers de betão que se revelaram altamente resistentes a todos os bombardeamentos aéreos aliados. Quando chegou um tanque especialmente adaptado dos Engenheiros Reais, este conseguiu disparar projéteis de 18 kg (40 libras) que acabaram por derrubar as defesas de betão. Veículos lança-chamas e atos de heroísmo individual fizeram o resto. A única Medalha da Cruz Vitória (a mais alta honra do exército britânico) atribuída no Dia D foi concedida ao Sargento-Mor Stanley Hollis, dos Green Howards, pelos seus corajosos ataques a várias posições de artilharia inimigas.

German Bunker, Gold Beach
Bunker Alemão, Praia de Beach Sergeant A.N.Midgley - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

O Major Richard Gosling descreve as consequências de um assalto a uma casamata atrás da Praia de Gold:

Mesmo atrás das dunas de areia havia uma casamata alemã, que os alemães tinham usado como dormitório, e que eles transformaram num pequeno posto de primeiros socorros para nós, para onde nos arrastámos. Cheirava muito a alemães. Eles tinham estado de serviço até aquela manhã e os restos do pequeno-almoço ainda estavam nas mesas, juntamente com um pouco de vinho tinto, e havia uma carta de uma rapariga francesa dirigida a um dos alemães. Dizia:«Hans chéri» — Querido Hans —«Je vous attendrais» — Vou esperar por si —«derrière le pillbox» — atrás do casamato —«à six heures du soir» — às seis horas da tarde —«le six juin» — no dia 6 de junho. E estava assinada«Madelaine». Portanto, a Madelaine ia encontrar-se com aquele alemão atrás do bunker às seis horas daquela noite. Assim, todos olhámos para fora e esperámos que a Madelaine aparecesse. A Madelaine nunca apareceu.

(Bailey, pág. 367)

Outra história que reflete a individualidade das ações num dia memorável de esforço coletivo é contada pelo sargento James Bellows:

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Mesmo junto à praia havia duas ou três casinhas e, em frente a elas, havia uma estrada que partia da praia; um dos nossos homens tinha sido morto e os seus companheiros tinham acabado de cavar um buraco e de o enterrar. A razão pela qual o tinham feito era que, se não o tivessem feito, era mais do que provável que ele tivesse sido atropelado por todo o tipo de coisas: tanques, o que se quiser. Pode dizer-se que foi um gesto humanitário. E, enquanto eu passava por ali, saiu de uma dessas casinhas uma senhora idosa. Só Deus sabe que idade ela tinha. As saias tocavam no chão. E ela atravessou a estrada a coxear; na mão, trazia um ramalhete de flores, que colocou sobre a sepultura, ajoelhou-se, rezou uma oração, levantou-se, fez o sinal da cruz e depois voltou para a sua casinha. Foi uma das imagens mais comoventes que acho que vi durante a guerra.

(Bailey, págs. 258-9)

As armas em Le Hamel foram finalmente neutralizadas a meio da tarde, e começou a chegar muito equipamento útil, como peças de artilharia pesada móvel. No entanto, os defensores estavam agora a reagrupar-se de forma mais eficaz, e os panzers alemães avançaram para enfrentar os tanques britânicos em Creully, onde existia uma ponte estratégica sobre o rio Seulles. Tal como noutras praias, o bombardeamento naval veio em auxílio das tropas terrestres, e Creully foi assegurada. A cabeça de ponte de Gold também estava agora segura e a expandir-se em direção a Bayeux, um nó de transportes vital para a região, uma vez que controlava a estrada N13 de Cherbourg a Caen. O comandante britânico decidiu que, com a luz do dia a esgotar-se, seria prudente permanecer nos arredores de Bayeux até ao dia seguinte.

Mulberry Harbour, D-Day
Porto Mulberry, Dia D Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

No Dia D, desembarcaram na Praia de Gold 24 970 soldados, com 400 baixas (embora não existam números oficiais relativos ao próprio Dia D e as estimativas possam variar). No final do dia 7 de junho, Bayeux tinha sido tomada pacificamente e as tropas da Praia de Gold tinham-se unido às suas contrapartes de ambos os lados, nas Praias de Omaha e Juno. Esta pequena parte da Europa ocupada estava agora livre, tal como observado no diário de Mademoiselle Genget, uma residente de St.-Côme-de-Fresne:

Fomos finalmente libertados. A enorme força que todo este material de guerra representa é fantástica, e a forma como foi manuseado com tanta precisão é maravilhosa… Um grupo de soldados britânicos passa por nós e pede-nos água. Enchemos-lhes as garrafas, trocamos algumas palavras e, depois de darem chocolate e doces às crianças, eles seguem o seu caminho.

(Ambrose, pág. 530)

A Batalha da Normandia

No final do Dia D, 135 000 homens tinham desembarcado e as baixas foram relativamente poucas – cerca de 5 000 homens. Os defensores acabaram por se organizar para um contra-ataque, mobilizando as suas reservas e trazendo tropas de outras partes de França. Foi então que a resistência francesa e os bombardeamentos aéreos dos Aliados se tornaram cruciais, dificultando seriamente os esforços dos comandantes alemães para reforçar as zonas costeiras da Normandia. A maioria dos generais alemães pretendia recuar, reagrupar-se e, em seguida, contra-atacar com força total, mas, a 11 de junho, Hitler ordenou que não houvesse retirada. Em meados de junho, um dos dois portos flutuantes «Mulberry» já tinha sido construído para ligar os navios que chegavam à Praia de Gold, em Arromanches. Construído a partir de mais de 200 peças pré-fabricadas, este porto permitia o desembarque de cerca de 11 000 toneladas de material a cada 24 horas.

A Operação Neptune terminou oficialmente a 30 de junho. Desde o Dia D, tinham sido desembarcados cerca de 850 000 homens, 148 800 veículos e 570 000 toneladas de provisões e equipamento. A fase seguinte da Operação Overlord consistia em expulsar o exército alemão da Normandia, mas isso revelou-se mais difícil do que o previsto, com os defensores a lutarem com determinação e a serem auxiliados pela paisagem fragmentada de campos e sebes do bocage. Houve alguns reveses graves para os Aliados, como a defesa obstinada de Caen e combates muito intensos nos arredores de Avranches. Só em agosto é que o General Patton e o Terceiro Exército dos EUA avançaram para sul na ala ocidental da ofensiva. Os portos bretões de Saint-Malo, Brest e Lorient foram tomados, e os Aliados avançaram para sul até ao rio Loire, desde Saint-Nazaire até Orléans. A 15 de agosto, teve lugar um grande desembarque na costa sul de França, conhecido como o Desembarque da Riviera Francesa. A 25 de agosto, Paris foi libertada. Os exércitos aliados do norte e do sul uniram-se em setembro e empurraram o exército alemão de volta para a Alemanha, à medida que a Segunda Guerra Mundial chegava à sua fase final.

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Perguntas & Respostas

O que aconteceu na Praia de Beach durante o Dia D?

No Dia D, a Praia de Beach foi alvo de bombardeamentos aéreos e navais e de um desembarque anfíbio da 50.ª Divisão de Infantaria britânica. A praia foi assegurada pelos Aliados no final do dia.

Quantos soldados britânicos foram mortos na Praia de Beach?

No Dia D, 24 970 soldados desembarcaram na Praia de Beach, com 400 baixas (embora não existam números oficiais relativos ao próprio Dia D e as estimativas possam variar).

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Cartwright, M. (2026, setembro 19). Praia de Gold. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23096/praia-de-gold/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Praia de Gold." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, setembro 19, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23096/praia-de-gold/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Praia de Gold." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 19 set 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23096/praia-de-gold/.

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