Afrika Korps

A Força de Elite do Deserto da Alemanha
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Afrika Korps Troops (by Ruffneck88 - German Federal Archives, CC BY-SA)
Contigente do Afrika Korps Ruffneck88 - German Federal Archives (CC BY-SA)

O Deutsches Afrika Korps (DAK - Corpo da África Alemão) foi uma unidade blindada de elite alemã que combateu no norte de África durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O Afrika Korps foi inicialmente comandado por Erwin Rommel (1891-1944), antes de ser promovido para liderar uma força de maior envergadura da qual o Afrika Korps continuou a fazer parte. O Afrika Korps granjeou uma reputação invejável pela sua mestria no ambiente desértico, competência militar e esprit de corps (espírito de unidade).

Envolvido nas campanhas do Deserto Ocidental e na campanha do norte de África, o Afrika Korps constituía apenas um dos elementos dos exércitos do Eixo comandados por Rommel, mas a designação Afrika Korps é habitualmente utilizada para se referir a todas as tropas de Rommel em África.

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O Combate pelo Norte de África

Em 1940, um exército italiano invadiu o Egito controlado pelos britânicos, mas acabou por ser rechaçado através da Líbia durante a ofensiva da Operação Compass (de dezembro de 1940 a fevereiro de 1941). Os Aliados alcançaram uma vitória impressionante, capturando Tobruque e 138 000 prisioneiros, graças ao seu armamento, blindagem e táticas superiores. Esta derrota motivou o líder da Alemanha Nazi, Adolf Hitler (1889-1945), a enviar para o norte de África uma força melhor treinada e equipada para fazer face à ameaça dos Aliados. O norte de África era de extrema importância porque quem o controlasse dominaria também as rotas de navegação do Mediterrâneo e ilhas como Creta e Malta. Por outro lado, o líder fascista italiano Benito Mussolini (1883-1945) estava empenhado em construir um império colonial mais imponente no continente. Os Aliados passavam agora a enfrentar um exército do Eixo combinado. As ordens de Hitler para as tropas alemãs que chegaram em fevereiro de 1941 consistiam em prender e ocupar o máximo de tropas aliadas possível, auxiliando o esforço de guerra do Eixo noutras frentes. Hitler não procurava uma campanha de conquista, mas sim de contenção que consumisse o mínimo dos seus recursos e o máximo possível dos do inimigo. De facto, o nome atribuído por Hitler à primeira força alemã no norte de África foi Sperrverband, que significa "destacamento especial de bloqueio". O plano, conhecido como Operação Sonnenblume (Girassol), visava garantir que as forças italianas no norte de África pudessem continuar a resistir às ofensivas aliadas.

A Formação e a Estrutura

O Deutsches Afrika Korps, a nova designação escolhida por Hitler para a sua força-tarefa, foi oficialmente criado em fevereiro de 1941. Era composto por duas divisões: a 5.ª Divisão Ligeira (5. leichte Infanterie-Division; rebatizada de 21.ª Divisão Panzer -21. Panzerdivision - em outubro de 1941) e a 15.ª Divisão Panzer (15. Panzer-Division). Estas divisões foram formadas a partir de unidades de várias origens e nenhuma delas tinha experiência em combate no deserto.

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Map of WWII North Africa Campaign, 1940-1943
Mapa da Campanha do Norte de África (1940-1943) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

As divisões Panzer equivaliam às divisões blindadas dos Aliados e integravam uma proporção de tanques superior à de uma divisão convencional face à infantaria. A 5.ª Divisão contava com 12 000 homens e 160 tanques. A 15.ª Divisão contava com 15 000 homens e 140 tanques. Estes eram os efetivos iniciais, mas o Afrika Korps, totalmente motorizado, foi expandido nos meses seguintes com a incorporação de vários anexos italianos (por exemplo, a divisão italiana "Savona", uma das seis divisões italianas adstritas ao Afrika Korps durante o conflito). Houve também reforços temporários especiais, tais como uma brigada de paraquedistas. O Afrika Korps integrava igualmente diversas unidades de apoio especializado, como baterias de artilharia e antitanque, um destacamento de transmissões, uma unidade de comandos/sabotagem Brandenburger, uma unidade cartográfica, uma unidade de água, uma companhia de reconhecimento e um batalhão de abastecimento. Além disso, o Afrika Korps recebeu apoio aéreo, tanto localmente como a partir de Itália, sob a forma de caças como o Messerschmitt Bf 109 e o bombardeiro de mergulho Junkers Ju 87 Stuka. A Luftwaffe (força aérea) alemã operava também unidades de artilharia, que podiam ser utilizadas quer como artilharia de campanha padrão, quer numa função antitanque.

O Afrika Korps era a força de ataque mais poderosa de Rommel.

O comandante encarregado das tropas alemãs recém-chegadas tinha ideias muito diferentes das de Hitler sobre como conduzir a guerra no deserto. Erwin Rommel liderou o Afrika Korps de fevereiro a agosto de 1941. Rommel, que granjeara fama inicial pelo comando da 7.ª Divisão Panzer (7. Panzer-Division) durante a Batalha de França, preferia atacar o inimigo sempre que possível. Rommel nutria também a ambição de empurrar os Aliados de volta para o Egito e até de capturar o canal de Suez, de importância vital. Rommel obteve tais sucessos que lhe foi atribuído um exército ampliado e, posteriormente, o comando geral de todas as forças do Eixo na região. Este exército sofreu várias alterações de nome: Grupo Panzer África (setembro de 1941), Exército Panzer África (janeiro de 1942) e Exército Panzer Germano-Italiano (fevereiro de 1943). As alterações refletiam o delicado exercício de equilíbrio político que decorria entre Hitler e Mussolini. Embora, tecnicamente, os superiores de Rommel fossem o alto comando italiano (visto que a Líbia era uma coligação/colónia italiana), ele contornava frequentemente essa instância e comunicava diretamente com Hitler, tendo a sua relação com o líder nazi florescido após cada nova vitória.

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O Rommel transformou rapidamente as suas divisões em unidades de combate formidáveis, em grande parte através de um treino rigoroso e da força da sua personalidade. Como assinalou um dos oficiais de estado-maior de Rommel: "O Afrika Korps seguiu Rommel para onde quer que ele os guiasse, por mais duro que fosse o ritmo que lhes impusesse" (Dear, pág. 7).

Rommel & the Afrika Korps, 1941
Rommel e o Afrika Korps (1941) H.Hoffmann - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Entre os comandantes que sucederam a Rommel na chefia do Afrika Korps esteve o general Ludwig Crüwell (por vezes grafado Cruewell, 1892-1958). Em maio de 1942, após o seu avião ter sido abatido no deserto, Crüwell viu-se obrigado a passar o resto do conflito como prisioneiro de guerra. A confiança inabalável do Afrika Korps fica patente na tirada de Crüwell quando, ao ser alojado no Shepheard's Hotel — na altura o melhor do Cairo —, comentou que "daria um quartel-general magnífico para Rommel!" (Boatner, pág. 110). O tenente-general Walther Nehring (1892-1983) assumiu o comando em substituição do pouco afortunado Crüwell, embora também não tenha escapado à força aérea aliada, acabando gravemente ferido num ataque aéreo em setembro de 1942. O cargo de comandante do DAK comportava enormes riscos, uma vez que a unidade estava constantemente no epicentro dos combates. Outro comandante, o tenente-general Wilhelm Ritter von Thoma (1891-1948), foi capturado em El Alamein em novembro de 1942, detendo a ambígua distinção de ser o prisioneiro de guerra de mais alta patente do Exército britânico até essa data.

Independentemente do nome e da dimensão do exército comandado por Rommel à medida que subia na consideração dos seus superiores, o Afrika Korps permaneceu sempre a sua força de ataque mais poderosa, a primeira a constituir a ponta de lança nos ataques e a primeira a ser retirada quando a derrota parecia provável. Não era, portanto, coincidência que o grito de guerra do Afrika Korps fosse Heia Safari, a expressão em suaíli para "Vamos a eles" (Dear, pág. 7).

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Apesar dos feitos heroicos que alcançou, muitas vezes com recursos parcos em comparação com os dos seus adversários, Rommel lutou sempre para conseguir os meios que pretendia para conduzir a campanha à sua maneira, especialmente após a invasão alemã da Rússia (Operação Barbarossa) a partir de junho de 1941, que se tornou a prioridade de Hitler. Dependente de homens, máquinas, combustível e mantimentos enviados a partir de Itália por via marítima, estes recursos oscilavam drasticamente consoante o sucesso com que os Aliados dominavam o ar e mantinham o seu controlo quase total sobre o mar Mediterrâneo. Como Rommel assinalou nas suas cartas pessoais: "Tudo depende dos abastecimentos" (Strawson, pág. 225).

Afrika Korps Soldier
Soldado do Afrika Korps German Federal Archives (CC BY-SA)

A Guerra no Deserto

O deserto constituía um teatro de operações singular na Segunda Guerra Mundial. Ali, as batalhas visavam destruir o material do inimigo e não a conquista de território. Fora das zonas costeiras, havia poucos civis envolvidos, à exceção dos nômades senussis, que tentavam manter-se afastados daqueles loucos e das suas máquinas de destruição. O deserto é composto maioritariamente por planícies planas e pedregosas, pontuadas ocasionalmente por zonas mais elevadas, como escarpas. O limite sul estava vedado aos veículos por barreiras naturais, tais como pântanos salgados e as imensas dunas de areia do deserto do Saara. O terreno plano significava que os combates eram frequentemente travados à distância, sendo a mobilidade essencial à medida que os exércitos ziguezagueavam, com os comandantes a tentar — nem sempre com sucesso — localizar a posição de cada unidade. Havia, sem dúvida, espaço para manobrar, com os generais a idealizar movimentos de tropas amplos, semelhantes a almirantes a comandar frotas no mar; contudo, a desvantagem residia na logística, uma vez que todos os abastecimentos tinham de ser transportados juntamente com os exércitos. Como assinalou um comandante alemão: "o deserto era o paraíso de um taticista, mas o pesadelo de um intendente" (Moreman, pág. 9). O Afrika Korps revelou-se superior à maioria na obtenção de uma autossuficiência total e na gestão de mantimentos; os seus membros recebiam inclusive cartas de casa com notável regularidade.

Uma das características distintivas do Afrika Korps era o seu excelente emprego de armas combinadas.

O deserto era um ambiente hostil, insuportavelmente quente durante o dia e muito frequentemente gélido à noite. Os perigos das violentas tempestades de areia, escorpiões, disenteria e feridas abertas eram equiparados aos incómodos mais leves das moscas e de uma dieta monótona à base de alimentos enlatados. A água foi racionada a 3 litros por homem por dia em 1942. O bidão de metal hermético do Afrika Korps (utilizado também para transportar combustível) era muito admirado pelos soldados aliados, cujos recipientes eram inferiores; este recipiente ficou amplamente conhecido como jerrycan.

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Os Uniformes do DAK

Os oficiais usavam frequentemente calções ou calças de montaria tropicais e uma túnica de lã leve em castanho-caqui ou verde-oliva, com uma gola aberta caraterística e a fita de punho do Afrika Korps. Os oficiais de patente mais elevada contratavam frequentemente um alfaiate particular para confecionar os seus uniformes, em especial as túnicas, que podiam assim ser adornadas com insígnias do uniforme continental padrão.

Afrika Korps Field Jacket
Casaco de campanha do Afrika Korps Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

A versão de bota alta de amarrar ou botim, adaptada do equipamento tropical do exército alemão, era muito popular, tal como o gorro de campanha macio com uma pala comprida para proteger os olhos do sol, que se tornou um elemento de identificação caraterístico das tropas do Afrika Korps. Era sinal de estatuto de veterano usar um gorro destes desbotado pelo sol, pelo que muitos soldados branqueavam os seus para não passarem por inexperientes. Os capacetes coloniais tinham alguma utilidade em contextos cerimoniais e os barretines eram os preferidos pelas tripulações de tanques.

As praças preferiam calções (não oficialmente permitidos em combate) e camisas de algodão leve para o dia, bem como calças largas, camisolas de lã e capotes cruzados castanhos de lã pesada para as noites mais frescas e as primeiras horas da manhã. O vestuário inimigo capturado era frequentemente utilizado, em particular os capotes. Em combate, usava-se o capacete de aço padrão, embora adaptado para o deserto com uma pintura da cor da areia, à qual se adicionava areia para melhorar a camuflagem. Os veículos ostentavam uma coloração semelhante, cor de areia, e exibiam o logótipo do Afrika Korps, composto por uma palmeira e uma suástica.

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O Armamento

Foram utilizados os tanques PzKpfw I, II, III e IV, sendo que o poder de fogo e a blindagem aumentavam proporcionalmente com o número do modelo. O mais comum era o modelo III, equipado sempre que possível com um canhão de 50 mm. Os modelos IV dispunham de um canhão curto de 75 mm, que era poderoso, mas exigia uma curta distância em relação ao alvo para se mostrar eficaz contra a blindagem aliada; o poder de fogo acabou por ser aumentado com a adoção de um cano mais longo.

Panzer VI Tiger Tank
Tanque Panzer VI Tiger Bundesarchiv, Bild 101I-554-0872-35 / Pirath, Helmuth (CC BY-NC-SA)

O Afrika Korps recebeu vários novos tanques Tiger a partir de dezembro de 1942, os quais dispunham de um poderoso canhão de 88 mm, uma blindagem com dez centímetros (quatro polegadas) de espessura e um alcance de tiro superior ao de qualquer tanque aliado. As unidades italianas destacaram vários tipos de tanques próprios, como o M13/40, mas estes revelaram-se deficientemente armados e blindados, além de frequentemente vulneráveis a falhas mecânicas em comparação com os panzers alemães. Travar combate no interior de qualquer tanque estava longe de ser agradável, com as temperaturas no habitáculo a atingirem facilmente os 45 °C (113 graus Fahrenheit).

O DAK utilizou igualmente numerosos veículos blindados e semilagartas, que podiam servir como unidades de reconhecimento e comunicações, transportes de tropas ou meios de reboque para peças de artilharia. Sendo um exército totalmente móvel, o Afrika Korps contava com milhares de veículos comuns — camiões, ambulâncias, motociclos, motociclos com carro lateral (sidecar) e automóveis. Muitos destes lutavam para resistir às condições do deserto para as quais não tinham sido concebidos de origem, com a areia a arruinar os motores e o terreno acidentado a revelar-se impiedoso para as molas de suspensão. Entre um terço e dois terços dos veículos de uma unidade podiam encontrar-se inoperacionais em simultâneo. Não admira, portanto, que, no verão de 1942, cerca de metade de todos os veículos do Afrika Korps fossem espólio capturado ao inimigo.

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As armas antitanque incluíam as espingardas Panzerbüchse 38 e 39 de 7,92 mm, o Pak 38 de 50 mm e a utilização inovadora dos canhões de 88 mm, originalmente concebidos como armas antiaéreas. Um canhão de 88 podia disparar contra os tanques aliados muito antes de estes se aproximarem o suficiente para conseguirem ripostar. Outras peças de artilharia incluíam os canhões de infantaria (Infanterie Geschütz) de 75 mm e 150 mm.

Afrika Korps Logo
Emblema do Afrika Korps Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

A infantaria estava equipada com a carabina Karabiner 98k, os líderes de esquadra dispunham de uma pistola-metralhadora Maschinenpistole 38 ou 40 de 9 mm, enquanto os oficiais superiores portavam uma pistola Walther P38. As armas mais pesadas incluíam a metralhadora ligeira Maschinengewehr 34 de 7,92 mm e o morteiro Granatenwerfer 34 de 81 mm. Todas as armas exigiam cuidados e atenção redobrados no deserto para evitar que a areia bloqueasse os mecanismos. Os soldados embrulhavam frequentemente as peças fundamentais em tecido, especialmente quando se viam sujeitos à poeira levantada por um veículo em movimento ou durante uma tempestade de areia.

As Táticas Superiores

Uma caraterística distintiva do Afrika Korps era o seu excelente emprego de armas combinadas: tanques, artilharia, unidades antitanque e infantaria. Rommel privilegiava a velocidade e a audácia, atacando em força com recurso a unidades combinadas para penetrar profundamente nas linhas inimigas num ponto específico, isolando as unidades das respetivas reservas e abastecimentos, cercando o inimigo e destruindo posteriormente o material em massa. Entrementes, os flancos de Rommel eram protegidos por forças de reconhecimento, e a infantaria que seguia na retaguarda dos blindados consolidava o terreno recém-conquistado. Heinz Schmidt, um comandante de panzers, explica como o plano de ataque funcionava na prática:

Desenvolvêramos um novo método de ataque. Com os nossos doze canhões antitanque, avançávamos alternadamente de um ponto de vista para outro, enquanto os nossos Panzers, imóveis e camuflados até à torre sempre que possível, asseguravam o fogo de cobertura. Depois, fixávamo-nos para lhes prestar fogo de cobertura enquanto eles prossegui-vam a investida. Estas táticas funcionavam às mil maravilhas e, apesar da intensidade do fogo inimigo, os tanques contrários revelaram-se incapazes de suster o nosso avanço. O inimigo sofria baixas constantes e era forçado a ceder terreno de forma sistemática.

(Strawson, pág. 117)

General Rommel on Campaign
O General Rommel em campanha Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Apesar de os seus métodos agressivos significarem frequentemente que as vitórias eram alcançadas a um custo elevado, estas táticas desestabilizaram fortemente os comandantes aliados, muito mais cautelosos e propensos a aguardar por uma vantagem esmagadora em termos de efetivos e material antes de desferirem um ataque decisivo. Contudo, não foi apenas a velocidade e a mobilidade que ditaram os triunfos do Afrika Korps. Rommel provou repetidamente que os canhões antitanque eram muito mais eficazes contra os carros de combate inimigos do que os próprios tanques — a visão tradicional sobre o emprego destas máquinas. O Afrika Korps revelou-se também célere na inovação, recorrendo a peças de artilharia para disparar horizontalmente contra os blindados. Além disso, a unidade demonstrou uma superioridade clara na recuperação de veículos danificados no campo de batalha, superando os Aliados nesse capítulo. Em suma, "não restavam dúvidas na mente de ninguém de que, mesmo reduzidos a uma força de escalão de brigada, os veteranos do Afrika Korps constituíam a força de ataque mais poderosa e formidável do deserto" (Barr, pág. 67).

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O equivalente aliado do Afrika Korps era a 7.ª Divisão Blindada (7th Armoured Division, conhecida como os Desert Rats/Ratos do Deserto), do Oitavo Exército britânico, comandada com maior sucesso pelo general Bernard Montgomery (1887-1976). Contudo, até esta unidade era frequentemente superada pela eficácia, treino e experiência de combate do Afrika Korps. Tais foram os sucessos de Rommel que ficou conhecido pelos seus inimigos como a "Raposa do Deserto" (The Desert Fox / Der Wüstenfuchs), numa manifestação de admiração relutante. De facto, o alto comando aliado tornou-se cada vez mais apreensivo com o facto de os seus soldados estarem a ficar enfeitiçados por Rommel, visto por muitos como o papão da guerra no deserto, um general capaz de feitos extraordinários em locais extraordinários. O regime nazi fez questão de capitalizar este fenómeno, que também se aplicava às tropas do Eixo, elevando Rommel a marechal de campo em 1942, numa cerimónia faustosa em Berlim que rivalizou em pompa e espetáculo com os comícios de Nuremberga.

As Campanhas

Entre as vitórias em que o Afrika Korps esteve profundamente envolvido contam-se a derrota dos Aliados em El Agheila, em março de 1941, seguida de Mersa Brega a 1 de abril, com a captura de Bengasi a 4 de abril. O DAK repeliu depois as ofensivas aliadas Brevity e Battleaxe em maio-junho de 1941, obteve vitórias importantes na Batalha de Bir Hakeim e na Batalha de Gazala (de maio a junho de 1942), que culminaram na tomada de Tobruk, e alcançou um triunfo retumbante na Batalha do Passo de Kasserine, na Tunísia (18 a 22 de fevereiro de 1943), que proporcionou ao Exército norte-americano o seu primeiro batismo de sangue na guerra no deserto.

Destroyed German 88mm Gun, El Alamein
Canhão de 88 mm destruído e El Alamein Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Entre as perdas significativas do DAK contaram-se o infrutífero cerco de Tobruque (de abril a dezembro de 1941), a Primeira Batalha de El Alamein (julho de 1942) e a Segunda Batalha de El Alamein (de outubro a novembro de 1942), altura em que a maré virou definitivamente a favor dos Aliados, graças a uma superioridade numérica de efetivos, equipamento e mantimentos. Mesmo quando dezenas de milhares de colegas alemães e italianos se rendiam aos Aliados, as unidades do Afrika Korps contaram-se entre as últimas a erguer a bandeira branca. A derradeira mensagem transmitida pelo último comandante do Korps, o general Hans Cramer (1896-1968), rezava assim:

Munições esgotadas. Armas e equipamento destruídos. Em conformidade com a ordem recebida, o Afrika Korps lutou até ao ponto em que já não pode combater mais. O Deutsches Afrika Korps há de erguer-se novamente. Heia Safari!.

(Dear, pág. 7)

Os desembarques aliados da Operação Torch, em novembro de 1942, e os assaltos à Tunísia controlada pelo Eixo culminaram na vitória definitiva dos Aliados no norte de África, em maio de 1943. Por essa altura, Rommel já regressara à Alemanha devido a problemas de saúde. A Raposa do Deserto não esteve presente para assistir ao fim do Afrika Korps que moldara numa unidade de combate tão formidável. Muitos dos membros do Afrika Korps feitos prisioneiros de guerra na Tunísia foram deportados para o distante Canadá, onde alguns permaneceriam até 1947.

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Perguntas & Respostas

Qual era o objetivo do Afrika Korps?

O objetivo inicial do Afrika Korps era apoiar as forças italianas no Norte de África, de modo a garantir que os Aliados não controlassem a região.

Quem era o comandante do Afrika Korps?

O Afrika Korps teve vários líderes, mas o seu comandante mais famoso foi o primeiro, Erwin Rommel.

O que aconteceu ao Afrika Korps?

O Afrika Korps foi dissolvido na sequência da rendição às forças aliadas na Tunísia, em maio de 1943.

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Estilo APA

Cartwright, M. (2026, agosto 29). Afrika Korps: A Força de Elite do Deserto da Alemanha. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23250/afrika-korps/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Afrika Korps: A Força de Elite do Deserto da Alemanha." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 29, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23250/afrika-korps/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Afrika Korps: A Força de Elite do Deserto da Alemanha." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 29 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23250/afrika-korps/.

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