Junkers Ju 87

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Formation of Junkers Ju 87s (by Bundesarchiv, Bild 101I-646-5188-17 / Opitz, CC BY-SA)
Formação de Junkers Ju 87 Bundesarchiv, Bild 101I-646-5188-17 / Opitz (CC BY-SA)

O Junkers Ju 87 'Stuka' era um avião de bombardeamento de mergulho de dois lugares, utilizado pela Força Aérea Alemã (Luftwaffe) em vários teatros da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O Stuka, com as suas distintivas asas em gaivota invertida, destacou-se quando combinado com divisões blindadas nas táticas de Blitzkrieg ('guerra relâmpago') da Alemanha nos primeiros anos da guerra. No entanto, a sua velocidade e manobrabilidade inferiores, em comparação com os caças monolugares, fizeram com que acabasse por ser restringido a atacar alvos estáticos onde a Luftwaffe gozasse de superioridade aérea.

O Projecto e o Desenvolvimento

Em 1934, a empresa aeronáutica alemã Junkers foi incumbida pelo regime nazi de projectar um protótipo de bombardeiro de mergulho. A ideia era que uma aeronave de bombardeamento de mergulho fosse capaz de lançar bombas a uma altitude inferior e com maior precisão do que os bombardeiros tradicionais de alta altitude, que largavam as suas cargas verticalmente. Foram produzidos três protótipos com ajustes no design efectuados para garantir que as asas da aeronave conseguissem resistir à força do mergulho a partir de grandes altitudes. O melhor projecto da Junkers, que incluía um motor Junkers Jumo 210A, impressionou perante a concorrência de fabricantes rivais como a Arado, a Hamburger e a Heinke. Tanto a Junkers como a Heinkel foram incumbidas de produzir 10 aeronaves cada uma. Vários Ju 87, como passaram a ser classificados, foram testados em condições reais de combate na Guerra Civil Espanhola (1936-39), pilotados pela Legião Condor da Alemanha.

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O Junkers Ju 87 tinha dois lugares, um para o piloto e outro imediatamente atrás para o artilheiro de cauda/operador de rádio. A aeronave ganhou a alcunha de 'Stuka', abreviatura de Stürzkampfflugzeug, que significa 'bombardeiro de mergulho' em alemão, embora os próprios alemães tivessem apelidado o avião de 'Berta'. O mecanismo de carga de bombas do Stuka "balançava a arma para fora da fuselagem e do arco da hélice antes de esta ser largada" (Saunders, pág. 30). Esta característica, combinada com a capacidade da aeronave de mergulhar num ângulo acentuado de 80 graus (auxiliada por um sistema especial de travões de mergulho), significava que podia atingir um alvo com um grau de precisão muito superior em comparação com outros tipos de bombardeiros. Atingir um alvo pequeno ou móvel continuava a ser um desafio e, por isso, dado que existia uma janela de apenas 1,5 segundos para largar a carga de bombas no fundo de um mergulho, apenas os pilotos de Stuka mais qualificados conseguiam atingir regularmente o objetivo do seu treino intensivo: um círculo de 10 metros de raio. No entanto, o bombardeamento de mergulho "provou ser quatro vezes mais preciso do que o bombardeamento horizontal normal a partir de altitude" (Dear, pág. 115).

Os Stukas foram uma componente importante das táticas de blitzkrieg ('guerra relâmpago') da Alemanha.

Em 1938, a principal unidade de produção do Stuka era a fábrica da Weser em Berlim-Tempelhof. Foram feitos novos ajustes no projecto da fuselagem e nos distintivos trens de aterragem fixos com as suas carenagens em forma de "calças". As asas em ângulo, de "gaivota", do Stuka também o distinguiam de outras aeronaves do período. Ao longo de vários novos modelos de produção, foi instalado um motor muito mais potente; o mais possante era capaz de uns impressionantes 410 km/h (255 mph), embora isto fosse significativamente menos do que os melhores caças monolugares dos Aliados ou do Eixo da época, que podiam voar bem acima dos 480 km/h (300 mph). À medida que o regime nazi se preparava para uma guerra de conquista na Europa, a Junkers foi obrigada a aumentar a produção do Stuka para 60 modelos por mês. No início da Segunda Guerra Mundial, que começou com a invasão da Polónia pela Alemanha em setembro de 1939, a Luftwaffe tinha 336 Stukas, um número que depressa aumentou para 557. Estas aeronaves estavam divididas em nove Stukagruppen da Luftwaffe. O avião foi também pilotado pela força aérea italiana e pelas forças aéreas de outros aliados do Eixo, tais como a Bulgária, a Croácia, a Hungria e a Roménia.

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Stuka Dive-bombers in Poland, 1939.
Bombardeiros Stuka na Polónia, 1939 Bundesarchiv, Bild 183-1987-1210-502 / Hoffmann, Heinrich (CC BY-SA)

As Especificações e o Armamento

Os Stukas tinham uma envergadura de pouco mais de 13,8 m (45 p) e um comprimento de cerca de 11,3 m (37 p). O motor de pistões Jumo 211J-1 de 12 cilindros em V invertido conferia ao Stuka uma potência máxima de 1400 cv (1044 kW) e uma velocidade máxima de 410 km/h (255mph) a 3840 m (12,600 p) de altitude. O tecto máximo da aeronave era de 7290 m (23,915 p) e o seu alcance máximo era de 1535 km (954 m), embora 800 km (500 m) fosse o valor mais típico. Um modelo especializado em missões antinavio, com depósitos de combustível extra, conseguia voar ainda mais longe. Os depósitos suplementares eram colocados nas secções exteriores das asas e num depósito largável sob a fuselagem, totalizando 600 litros de combustível extra em comparação com um Stuka normal. O Junkers Ju 87 foi produzido durante toda a guerra, tendo os modelos posteriores recebido uma blindagem reforçada.

Os Stukas foram utilizados pela Luftwaffe na Frente Ocidental, na Frente Oriental e no Norte de África.

Os Stukas estavam armados com duas metralhadoras MG 17 de 7,92 mm (0.31 p), uma em cada asa, e, para o artilheiro do cockpit virado para a retaguarda, metralhadoras duplas MG 81Z de montagem flexível com o mesmo calibre. Alguns modelos posteriores foram armados com um único canhão antitanque ou com um canhão de 37 mm em cada asa. A aeronave podia transportar uma carga máxima de bombas de 1800 kg (3.968 lb) sob a forma de uma única bomba ou de várias combinações de bombas mais leves. Uma combinação padrão consistia no transporte de uma ou duas bombas perfurantes de 50 kg (110 lb) sob cada asa e uma única bomba de 250 kg (550 lb) sob a fuselagem. Os Stukas podiam ser equipados com esquis, se necessário, e dotados de filtros de motor para a guerra no deserto.

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As Operações

Os Stukas foram uma componente importante das táticas de Blitzkrieg da Alemanha, empregues contra a Polónia, a Noruega, os Países Baixos e a França no primeiro ano da Segunda Guerra Mundial. Os Stukas lançavam bombas com precisão, actuando muito como uma forma de artilharia pesada e, utilizados em conjunto com os tanques de movimento rápido cujo avanço permitiam, os bombardeiros de mergulho causavam o caos nas defesas inimigas, especialmente na artilharia, baterias antiaéreas, linhas de comunicação e redes de transporte nas frentes de combate e na retaguarda. A aeronave emitia um uivo estridente característico ao mergulhar, graças a um extra deliberado no design que canalizava o ar através de pequenas aberturas, aumentando o factor de terror de ser atacado por bombas a partir de baixa altitude. Como Charles de Gaulle, um coronel no comando da 4.ª Divisão Blindada francesa em 1940, observou: "Durante toda a tarde, os Stukas, mergulhando do céu e regressando incessantemente, atacaram os nossos tanques e camiões. Não tínhamos nada com que responder" (Gilbert, pág. 124).

Stuka Releasing its Bombload
Stuka a Largar Carga de Bombas Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

A tática ofensiva típica consistia numa linha única de Stukas a atacar um alvo pequeno de frente, ou num trio a atacar alvos maiores numa formação horizontal. O piloto do Stuka tinha de ter cuidadosamente em conta a direcção do vento, mas uma vez iniciado o seu mergulho a alta velocidade — que atingia frequentemente os 450 km/h (280 mph) — a aeronave revelava-se quase imune ao ataque de um caça perseguidor, como observou o Tenente de Voo Frank Carey: "No mergulho, eles eram muito difíceis de atingir porque, num caça, a velocidade aumentava tão rapidamente que passávamos por eles a voar. Mas eles não podiam mergulhar para sempre!" (Saunders, pág. 49).

Os Stukas voavam para os seus alvos em grandes formações, por vezes com cerca de 100 aeronaves. A caminho da zona do objectivo, adoptavam uma formação em escalão para maximizar as capacidades defensivas dos artilheiros de cauda. A escolta de caças, quando disponível, era geralmente dividida em duas: um grupo defendia o espaço acima dos Stukas que ainda não tinham atacado o inimigo e o segundo grupo posicionava-se a uma altitude muito inferior, onde os Stukas recuperavam do seu mergulho.

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Os Stukas desempenharam um papel na Batalha de Inglaterra (julho-outubro de 1940) e foram frequentemente utilizados para atacar instalações estáticas, como torres de radar e aeródromos, bem como navios mercantes no Canal da Mancha. No entanto, a vulnerabilidade da aeronave face a caças mais rápidos e muito mais manobráveis, como o Hawker Hurricane e o Supermarine Spitfire, fez com que, eventualmente, o Stuka fosse retirado da batalha ou apenas utilizado quando podia contar com a escolta de caças, como o Messerschmitt Bf 109. Como ordenou Hermann Göring, chefe da Luftwaffe: "Até que a força de caças inimiga tenha sido quebrada, as unidades de Stukas só devem ser utilizadas quando as circunstâncias forem particularmente favoráveis" (Dildy, pág. 66). A Royal Air Force (Força Aérea Real) nunca esteve despreparada. Durante a Batalha de Inglaterra, perderam-se 67 Stukas, 21,5% da força inicial de Stukas (Idem, pág. 63). O peso do Stuka e o seu trem de aterragem fixo revelaram-se desvantagens insuperáveis, e a aeronave foi substituída pelo bombardeiro médio Junkers Ju 88 como o bombardeiro de mergulho de eleição da Luftwaffe.

Stuka in Desert Camouflage
Stuka com Camuflagem de Deserto Mr.TinMD (CC BY-ND)

Os Stukas foram destacados pela Luftwaffe para apoiar as divisões blindadas do General Erwin Rommel (1891-1944) nas Campanhas do Deserto Ocidental no Norte de África. Aqui, a superioridade aérea de ambos os lados permanecia fragmentada e, por isso, as fraquezas do Stuka em comparação com os aviões de caça eram menos importantes. Os Stukas atacavam as rotas de abastecimento, os depósitos de mantimentos e as defesas fixas, como na Batalha de Bir Hakeim em maio-junho de 1942. Uma força da França Livre defendia este posto avançado da Linha de Gazala das defesas Aliadas, que protegia o acesso ao porto vital de Tobruk. Susan Travers, a única mulher membro da Legião Estrangeira Francesa a defender Bir Hakeim, descreveu os múltiplos ataques de Stukas como "uma praga de gafanhotos prateados pairando sobre nós" (Holland, pág. 105). Os Stukas ajudaram Rommel a tomar Bir Hakeim e a vencer a Batalha de Gazala em termos mais latos, uma vitória que acabou por levar à captura de Tobruk pelas potências do Eixo.

Os Stukas foram destacados pela Luftwaffe no Mediterrâneo e na frente russa durante a guerra. No primeiro palco de operações, os Stukas podiam ser utilizados para lançar um único torpedo, enquanto na Frente Oriental, um modelo de Stuka especialmente adaptado foi inclusivamente utilizado para rebocar planadores. Por volta de 1943, os avanços nos caças soviéticos fizeram com que os Stukas se tornassem tão vulneráveis como tinham sido na Frente Ocidental.

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No total, foram construídos cerca de 5 700 Stukas durante a Segunda Guerra Mundial. Embora nunca tenha recuperado totalmente a reputação temível que conquistara no primeiro ano da guerra, contudo, o Stuka provou ser um meio preciso de lançar bombas e isto, por vezes, mais do que compensava os defeitos óbvios de falta de velocidade e manobrabilidade.

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Perguntas & Respostas

O que significa "Stuka" em alemão?

Em alemão, "Stuka" é a abreviação de Stürzkampfflugzeug, que significa "bombardeiro de mergulho".

O Junkers Ju 87 Stuka foi eficaz?

O bombardeiro de mergulho Junkers Ju 87 Stuka era um bombardeiro eficaz quando havia superioridade aérea, pois era quatro vezes mais preciso do que um bombardeiro convencional. O Stuka era pesado e lento, tornando-o vulnerável aos caças inimigos.

Porque é que o Stuka gritava?

O bombardeiro de mergulho Stuka emitia um ruído estridente quando mergulhava, graças a um extra no design que canalizava o ar através de pequenas aberturas. Isto foi concebido deliberadamente como uma tática de terror.

Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
O Mark é o Diretor Editorial da WHE e é mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador a tempo inteiro, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem a arte, a arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2026, abril 09). Junkers Ju 87. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23342/junkers-ju-87/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Junkers Ju 87." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, abril 09, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23342/junkers-ju-87/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Junkers Ju 87." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 09 abr 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23342/junkers-ju-87/.

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