Vishnu

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Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Vishnu Anantasayana Panel, Dashavatara Temple, Deogarh (by Bob King, CC BY)
Painel de Vishnu Anantasayana, Templo de Dashavatara, Deogarh Bob King (CC BY)

Vishnu é um dos deuses mais importantes no panteão hindu. É considerado membro da trindade sagrada (trimurti) do hinduísmo, juntamente com Brahma e Shiva. Vishnu é o Preservador e guardião dos homens, protege a ordem das coisas (dharma) e manifesta-se na Terra sob várias encarnações (avataras) para combater demónios e manter a harmonia cósmica.

Vishnu é a divindade mais importante do vaixnavismo, a maior seita hindu. Aliás, para ilustrar o estatuto superior de Vishnu, em certas narrativas considera-se que Brahma nasceu de uma flor de lótus que brotou do umbigo de Vishnu. Vishnu esteve casado com Lakshmi (a deusa da boa fortuna), Saraswati (a deusa da sabedoria) e Ganga (a deusa que personifica o rio Ganges). Contudo, incapaz de suportar as zangas entre as suas três esposas, Vishnu acabou por enviar Ganga para junto de Shiva e Saraswati para junto de Brahma. Nalgumas versões, outra das mulheres de Vishnu é Bhumi-Devi (a deusa da Terra). Considera-se que habita na cidade de Vaikuntha, no monte Meru, onde tudo é feito de ouro brilhante e jóias fabulosas, e onde existem lagos resplandecentes repletos de flores de lótus.

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Os 10 Avataras de Vishnu

Vishnu possui dez avataras ou manifestações terrenas, que assumem a forma de pessoas, animais ou uma combinação de ambos. Os dez avataras de Vishnu são:

  • Buda
  • Krishna (o herói)
  • Rama (o herói)
  • Parashurama (o herói)
  • Nara-Simha ou Narasimha (o homem-leão)
  • Vamana (o anão)
  • Matsya (o peixe)
  • Kurma (a tartaruga)
  • Varaha (o javali)
  • Kalki (que surgirá no fim do mundo, montado num cavalo branco e anunciando o início de uma nova idade de ouro)
Tal como qualquer divindade de primeira grandeza, Vishnu intervém numa série de histórias pitorescas que ilustram as suas virtudes enquanto protetor da ordem cósmica.

Tal como qualquer divindade principal, Vishnu está envolvido numa série de histórias pitorescas que ilustram as suas virtudes enquanto protetor da ordem cósmica. Na qualidade de Varaha, o javali gigantesco, derrotou o gigante Daitya depois de Hiranyaksha ter levado maliciosamente a Terra (Bhumi-devi) para o fundo do mar. O combate incrível entre ambos durou mil anos, mas Vishnu prevaleceu e acabou por erguer a Terra das profundezas aquáticas, transportando-a na sua presa.

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Vishnu na Mitologia

No Bhagavata Purana, um poema épico que reúne muitas histórias vaixnava, Vishnu é também o responsável por conceder a imortalidade a todos os outros deuses. A lenda conta que os deuses queriam aurgir o oceano de leite para criar o néctar (amrita), que conferia a vida eterna a quem obebesse. Para misturar o oceano, decidiram utilizar o monte sagrado Mandara com a serpente gigante Vasuki (ou Ananta) a funcionar como corda de rotação; uma extremidade seria puxada pelos Demónios e a outra pelos deuses. No entanto, nenhum dos grupos conseguiu suportar tal peso e apelaram a Vishnu para que o sustentasse. Este fê-lo sob a forma de Kurma, a tartaruga gigante, apoiando a montanha na sua carapaça. O néctar foi devidamente criado a partir do mar espumoso mas os Demónios, fiéis à sua natureza, tentaram fugir com ele. Felizmente, Vishnu interveio sob a forma da bela Maya (a personificação da Ilusão) e, adequadamente distraídos, os Demónios abdicaram do néctar, que Vishnu graciosamente entregou aos deuses, concedendo-lhes a possibilidade da imortalidade.

Statue of Lord Vishnu
Estátua do Senhor Vishnu PHGCOM (Copyright)

Vishnu surge sob outro avatar na forma do peixe Matsya. Um dia, o sábio Manu, filho de Vivasvat-Sol, lavava-se num rio quando um pequeno peixe saltou repentinamente para a sua mão. Prestes a atirar o peixe de volta para a água, foi detido pelas súplicas do animal, que temia os monstros que o pudessem comer. Manu guardou então o peixe numa pequena tigela, mas, durante a noite, o peixe cresceu e teve de ser transferido para um jarro. O peixe continuou a crescer, obrigando Manu a atirá-lo para um lago. No entanto, o peixe continuou a expandir-se e atingiu um tamanho tão prodigioso que Manu se viu obrigado a colocá-lo no mar. O peixe fez então uma profecia: dali a sete dias haveria um grande dilúvio, mas Manu não devia preocupar-se com tal catástrofe, pois o peixe enviar-lhe-ia um barco grande para que pudesse escapar ileso. O peixe instruiu Manu a encher o barco com pares de todas as criaturas do mundo e sementes de todas as plantas e, durante o dilúvio, a atar o barco ao peixe utilizando uma serpente gigante, Vasuki. Passado algum tempo, tal como o peixe previra, o oceano subiu lenta e implacavelmente, inundando o mundo. Vishnu reapareceu então em cena como o peixe gigantesco, desta vez com escamas douradas e um único chifre, transportando a embarcação prometida para Manu. O sábio embarcou prontamente com a sua vasta coleção de animais e, ao sobreviver ao dilúvio, tornou-se o fundador da raça humana.

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Os três avataras de Vishnu mencionados anteriormente surgiram todos na primeira fase de criação do kalpa — ou ciclo mundano, do qual cada respiração do deus constitui um ciclo. A etapa seguinte envolveu a batalha contra os demónios pelo controlo do mundo. Aqui, Vishnu manifestou-se tanto como o herói Rama, que viveu inúmeras aventuras a combater os rakshasas, quanto como o monge empunhador de machado, Parasurama, que combateu os kshatriyas.

A Lenda dos Três Passos

Um dos episódios mais famosos envolvendo o deus nesta segunda fase do mundo é a Lenda dos Três Passos. Na batalha entre deuses e gigantes pelo controlo do mundo, estes últimos estavam a levar a melhor. No entanto, os deuses persuadiram Vishnu a interromper as suas meditações e a enfrentar o guerreiro gigante Bali, o que ele fez sob a forma de um brâmane (ou sacerdote) anão chamado Vamana. Vishnu propôs um acordo: se os combates cessassem, os deuses contentar-se-iam com um pequeno território coberto por três dos passos de Vamana, enquanto os gigantes ficariam com o resto do universo. Olhando para as pernas minúsculas do anão, a proposta pareceu um bom negócio e Bali concordou. Evidentemente, o anão era, na verdade, um grande deus e, com o seu primeiro passo, atravessou o céu; com o segundo, a Terra; e, com o seu derradeiro passo, o Submundo, não restando assim absolutamente nada para os pobres gigantes. Por esta razão, Vishnu é também frequentemente chamado de Trivikrama, que significa "o dos três passos". A história também poderá representar os três movimentos do sol: o nascer, o zénite e o pôr. Certamente que Vishnu estava associado ao sol, como sugere um dos seus outros nomes — Surya Narayana.

O Bhagavata Purana é um poema épico que reúne muitas histórias vaixnava.

Como aviso aos incrédulos, Vishnu manifestou-se como o homem-leão Nara-Simha quando Hiranya-Kasipu (Rei dos Asuras ou Demónios) não só exigiu impiamente que as pessoas o adorassem como deus, como também desafiou estultamente Vishnu a mostrar-se ali mesmo, caso o deus fosse verdadeiramente omnipresente. Eis senão quando, Vishnu saltou imediatamente de uma coluna próxima e, sob a forma de um leão feroz, despedaçou o incrédulo com as suas garras e fez um colar assustador com as entranhas dele. Uma prova irrefutável, de facto, dos perigos da impiedade.

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Vishnu as Varaha, Udayagiri Caves
Vishnu como Varaha, Cavernas de Udayagiri Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

Na terceira fase do kalpa, Vishnu manifestou-se como Buda e Krishna, ambos figuras de enorme importância por direito próprio. Krishna, ou o "Príncipe Negro", foi criado nas florestas por pastores de vacas depois de a sua mãe, Devaki, ter temido pela segurança do seu oitavo filho, após o tio deste, Kamsa, ter recebido uma profecia de que seria morto pelo seu oitavo sobrinho. Educado pelo pastor Nanda e pela sua mulher, o jovem Krishna já demonstrava as suas capacidades divinas ao realizar proezas de força prodigiosas, tendo também eliminado numerosos demónios e monstros. Não surpreende, portanto, que fosse muito admirado pelas mulheres da floresta. Contudo, esta existência idílica chegou a um fim abrupto quando a sua mãe amaldiçoou o filho por não ter intervindo na grande batalha entre as famílias rivais dos Kurus e dos Pandavas (embora Krishna estivesse, de facto, presente na Batalha de Kurukshetra na qualidade de cocheiro do príncipe Arjuna, tal como é relatado no Bagavad-Guitá). Consequentemente, enquanto meditava pacificamente um dia, foi atingido por uma seta perdida desferida por um caçador incauto e, infelizmente, o projétil acertou no seu único ponto fraco — o calcanhar. Dizia-se que, para assinalar um fim tão triste de uma figura tão popular, até o próprio sol morreu com ele.

Como é Vishnu representado na arte?

Na arte hindu, Vishnu é retratado de várias formas, dependendo das culturas específicas no Sul e Sudeste Asiático — indiana, cambojana, javanesa, entre outras —, mas é mais frequentemente representado com a pele azul e, por vezes, monta Garuda, uma criatura gigantesca metade homem, metade ave que devora serpentes. Ocasionais vezes, põe-se a dormir sobre a serpente gigante Sesha (ou Ananta), cujas sete cabeças formam um dossel sobre o deus. A sua arma é o Sudarsanacakra ou disco (chakra), talvez representativo da sua associação com o sol mas também, com os seus mil raios, simbólico da roda do tempo. Frequentemente, põe vários outros objetos nas suas (geralmente) quatro mãos, tais como uma trombeta de concha que soa a Criação, uma maça (gada) ou uma espada que representa a força, e um lótus, que representa a liberdade e a beleza da vida.

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Perguntas & Respostas

Por que outros nomes é também conhecido o deus Vishnu?

O deus hindu Vishnu é também conhecido pelos seus muitos avatares, entre os quais se incluem Buda, Krishna, Rama e Kalki.

O que representa Vishnu?

O deus hindu Vishnu representa o protetor da humanidade e da ordem cósmica.

Quem é o supremo: Shiva ou Vishnu?

A supremacia de Shiva, Vishnu ou Brahma depende das crenças religiosas de cada um. Por exemplo, Vishnu é o deus mais importante do vaishnavismo, a maior seita hindu, mas outras seitas têm Shiva ou Brahma como divindade suprema.

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Cartwright, M. (2026, agosto 11). Vishnu. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11591/vishnu/

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Cartwright, Mark. "Vishnu." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 11, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11591/vishnu/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Vishnu." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 11 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11591/vishnu/.

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