Devi

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Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Durga, Aihole (by Jean-Pierre Dalbéra, CC BY)
Durga, Aihole Jean-Pierre Dalbéra (CC BY)

Devi, também conhecida como Mahadevi ou «Grande Deusa», é uma Deusa-Mãe que tudo abrange, venerada pela primeira vez na Índia na época pré-histórica. No período védico, foi assimilada ao panteão hindu, passando assim a representar a energia feminina, ou Sakti (Poder), do seu marido Shiva. Tanto Devi (que significa «deusa» em sânscrito) como Sakti podem também ser utilizados de forma mais genérica para se referir a qualquer deusa hindu, especialmente Parvati, Lakshmi e Sarasvati. Devi manifesta-se mais frequentemente como as temíveis guerreiras Durga e Kali, ambas famosas por terem matado vários demónios terríveis na mitologia hindu. Devi é também a mãe de Nandi, o porteiro e touro de Shiva; de Skanda, o deus de seis cabeças; e de Ganesha, o deus com cabeça de elefante.

A personalidade de Devi tem dois lados opostos, representados por várias divindades femininas distintas: como Uma, a benevolente, e como Durga, a terrível. É na sua personificação mais feroz, esta última, que é mais frequentemente venerada. O seu lado sombrio pode também assumir a forma da temível deusa negra Kali. A divindade tem uma miríade de outros nomes e pode, por exemplo, ser também referida como Vindhyavasini, Kanya (a Virgem), Mahamaya (a Ilusão) e Bhutanayaki, a rainha dos Bhuta, aqueles fantasmas e duendes que assombram cemitérios, fazem os mortos reviverem e enganam os vivos para que possam banquetear-se com a sua carne.

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Os Dois Lados de Devi: Uma e Durga

O lado mais benevolente de Devi é venerado como Uma, e esta faceta do seu caráter é representada tanto pela beleza como pela luz. Este lado mais suave é também conhecido como Jaganmata (Mãe do Mundo), Gauri (Amarela e Brilhante ou Dourada), Bhavani, Haimvati e Parvati (a Alpinista).

O lado sombrio de Devi é a terrível Durga, que possui dez braços, um impressionante arsenal de armas e que cavalga um magnífico leão.

O lado sombrio de Devi é representado pela terrível Durga (a Inacessível), que possui dez braços, um impressionante arsenal de armas e que monta um magnífico leão ou tigre. Este lado manifesta-se ainda nas formas de Kali, Kalika ou Syama (a Deusa Negra); Candi ou Candika (a Feroz), sob cuja forma matou muitos demónios ou asuras; e Bhairavi (a Terrível). Os adoradores desta faceta de Devi procuram os seus favores e poderes sombrios, pelo que fazem sacrifícios de sangue e realizam rituais selvagens nas cerimónias de Durga-puja, Carak-puja e nos tantrikas que invocam os poderes sexuais e mágicos de Durga.

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Devi mata Mahisa

Devi aparece em vários episódios do Mahabharata, dos Puranas e de outros textos religiosos hindus posteriores. Uma das aventuras mitológicas mais famosas de Devi é a sua derrota de Mahisa, o demónio que tinha o corpo de um homem e a cabeça de um búfalo, conforme narrado no poema épico Candipat (ou Candi-mahatmya), que faz parte do Skanda Purana. O ambicioso Mahisa queria nada menos do que dominar o mundo e, por isso, liderou um exército de demónios para travar uma batalha de 100 anos contra os deuses. Com bastante sucesso, Mahisa conseguiu expulsar a maioria dos deuses do céu, obrigando-os a vaguear pela Terra como meros homens.

Por fim, a situação tornou-se tão grave que Brahma proferiu um discurso inspirador aos seus companheiros deuses, Vishnu e Shiva, durante o qual lhes contou das grandes travessuras de Mahisa. Indignados, os dois grandes deuses ficaram tão furiosos que fogo divino irrompeu das suas bocas. Ao mesmo tempo, energias fantásticas emanaram dos corpos igualmente indignados de Indra, Yama e de todos os outros deuses. Rodopiando pelo céu, esta energia tremenda condensou-se numa única massa e formou a terrível deusa Durga. Tal como acontece com muitos contos hindus, esta é apenas uma versão do nascimento de Durga. Noutras versões, Devi já existia há muito tempo como filha de Himavat, a divindade personificada dos Montes Himalaia, e, neste episódio, os deuses enfurecidos limitam-se a dar-lhe armas. Estas armas incluem um disco, um tridente, um arco, uma espada, uma adaga, um arpão e um laço

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A Durga recebe a tarefa de seduzir e, em seguida, matar o incômodo Mahisa. Escondendo-se num refúgio na sagrada Montanha Vermelha como Sangue (também conhecida como Montanha Castanha) e dedicando o seu tempo a praticar ascetismo, a deusa colocou quatro rapazes como guardas, um em cada face. Os seguidores de Mahisa depararam-se com estes guardas e questionaram-se sobre quem é que eles estavam a proteger. Disfarçados de pássaros, conseguiram aceder ao santuário e avistaram assim a adorável deusa. Ao regressarem junto de Mahisa, despertaram nele o desejo de possuir Durga. Assim, ele disfarçou-se de velho e conseguiu assim aceder ao refúgio. Mahisa revelou então a sua verdadeira identidade e gabou-se da sua tremenda riqueza e poder, na esperança de persuadir Durga a casar-se com ele. A resposta um tanto desdenhosa de Durga a esta proposta foi transformar-se em fogo. Depois, montada no seu leão, ela brandiu o seu formidável arsenal de armas, mas Mahisa, sabiamente, fugiu do local para lutar noutro dia. A deusa teria de recorrer a meios mais subtis para livrar o mundo do demónio búfalo.

Durga e Mahisa voltaram a encontrar-se pouco depois no campo de batalha, num terrível confronto que abalou as montanhas. O problema para Devi era que, sempre que tentava desferir um golpe fatal em Mahisa, este transformava-se noutra criatura — de búfalo em homem, depois em leão, seguidamente em elefante e de volta a búfalo. Nesse momento, a deusa lançou-se sobre ele e, montando a criatura, apunhalou-o no pescoço com o tridente. Nesse instante, o espírito de Mahisa saiu da boca do búfalo moribundo e Durga acabou por matá-lo, decepando-lhe a cabeça. Dos céus ouviu-se então um rugido tremendo, enquanto os deuses se regozijavam com a queda deste terrível demónio.

Kali
Kali Raja Ravi Varma (CC BY-SA)

O Culto

A deusa é particularmente venerada pelo Shaktismo e pelo Shaivismo, denominações do hinduísmo. É reverenciada em Vindhyavasini, perto do rio Ganges, em Uttar Pradesh, e a deusa assume frequentemente esse nome. Este é o ponto onde a cordilheira dos Vindhyas se encontra com o rio sagrado Ganges. A uma estátua da deusa ali presente é-lhe oferecido sangue fresco de forma contínua. Durga é também venerada no festival de nove noites Navaratri, celebrado em toda a Índia e no Nepal.

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A Representação na Arte

Na forma de Durga, a deusa é mais frequentemente retratada como uma bela mulher de pele amarela montada no leão. Na forma de Kali, tem a pele negra e traços terríveis, dos quais escorre o sangue das suas vítimas. Na forma da Deusa Negra, também usa cobras e guirlandas feitas de crânios e cabeças decapitadas.

A morte de Mahisa por Durga é um tema popular na arte hindu. Uma das representações mais antigas encontra-se num templo-caverna perto de Mallapuram, datado do século VII ou VIII, e no templo de Kailasanatha, em Ellora, de meados do século VIII. Nesta última escultura em relevo, uma Durga de quatro braços monta o seu leão empinado, que pisoteia os seguidores de Mahisa, enquanto a deusa enfrenta o Demónio Búfalo brandindo o seu arsenal de armas. O santuário mais antigo dedicado especificamente a Devi encontra-se em Cidambaram e data do século XII.

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Bibliografia

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Cartwright, M. (2026, agosto 11). Devi. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14216/devi/

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Cartwright, Mark. "Devi." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 11, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14216/devi/.

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Cartwright, Mark. "Devi." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 11 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14216/devi/.

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