Ganges

O Rio Sagrado Hindu
Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Manikarnika Cremation Ghat, The Ganges (by Dennis Jarvis, CC BY-SA)
Ghat de Cremação Manikarnika, O Ganges Dennis Jarvis (CC BY-SA)

O rio Ganges, também conhecido como Ganga, percorre 2700 km desde as montanhas dos Himalaias até à Baía de Bengala, no norte da Índia e no Bangladeche. Considerado sagrado pelos hindus, o rio é personificado como a deusa Ganga em textos e na arte antiga; e o banho ritual no Ganges era, e continua a ser, uma parte importante da peregrinação hindu, sendo as cinzas dos cremados frequentemente espalhadas pelas águas.

O Ganges nos Textos Sagrados

Descrito no Mahabharata como o "melhor dos rios, nascido de todas as águas sagradas", o Ganges é personificado como a deusa Ganga, filha de Mena e de Himavat, a personificação das montanhas dos Himalaias. Num mito, Ganga casa-se com o Rei Sanatanu, mas a relação termina de forma devastadora quando a deusa é descoberta a afogar os seus próprios filhos. No Mahabharata, Ganga é a mãe de Bhishma e, em alguns mitos, Skanda (Karttikeya), o deus hindu da guerra, é seu filho com Agni, o deus do fogo.

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O Ganges é considerado um tirtha, o que significa um ponto de passagem entre o céu e a terra.

Na mitologia hindu, o rio Ganges foi criado quando Vishnu, na sua encarnação como o brâmane anão, deu dois passos para atravessar o universo. No segundo passo, o dedo grande do pé de Vishnu criou acidentalmente um buraco na parede do universo, através do qual se verteram algumas das águas do rio Mandakini. Entretanto, o grande rei mitológico Bhagiratha ficou preocupado ao descobrir que 60 000 dos antepassados do Rei Sagara tinham sido incinerados pelo olhar do sábio védico Kapila. Desejando que estes antepassados alcançassem o céu, Bhagiratha perguntou a Kapila como tal poderia ser alcançado. A resposta foi rezar fervorosamente a Vishnu e realizar atos ascéticos durante mil anos. O grande deus, gratificado pela piedade de Bhagiratha, concordou que Ganga descesse à terra, onde poderia banhar as cinzas dos 60 000, purificá-las e permitir-lhes ascender ao céu. Contudo, havia um problema: se Ganga caísse simplesmente do céu, as suas águas turbulentas causariam danos incalculáveis. Por isso, Shiva ofereceu-se para baixar suavemente a deusa através do seu cabelo, o que fez, de forma bastante cautelosa, durante 1000 anos. Chegado à terra em segurança, Bhagiratha guiou Ganga através da Índia, onde se dividiu em muitos afluentes, e lavou com sucesso as cinzas dos antepassados de Sagara nas suas águas sagradas.

O Ganges aparece frequentemente na mitologia hindu como um cenário de fundo, por exemplo, como o local onde as figuras célebres Atri e a Morte realizaram vários atos de ascetismo. No Siva Purana, o Ganges transporta a semente de Shiva que, ao ser levada para um tufo de juncos, se tornou Skanda. No Matsya Purana e na história do Grande Dilúvio, o primeiro homem, Manu, atira um peixe gigante ao rio que, depois, continua a crescer até proporções gigantescas, escapando finalmente para o mar.

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The River Ganges
O Rio Ganges Pfly (CC BY-SA)

O Kumbha Mela e Varanasi

O Ganges é considerado um tirtha, um ponto de passagem entre o céu e a terra, onde se acredita que as orações e ofertas têm maior probabilidade de chegar aos deuses e, no sentido inverso, que as bênçãos podem descer mais facilmente do céu.

O rio é, juntamente com outros dois locais, o cenário do extraordinário ritual Kumbha Mela, que remonta, pelo menos, ao século VII. Realizado atualmente de três em três anos, os peregrinos hindus de todos os estratos sociais realizam um banho ritual no rio que, segundo a crença, purifica o corpo e a alma, elimina o karma e traz boa fortuna. O evento, que envolve entre 70 a 100 milhões de pessoas, cresce cada vez mais e pode reivindicar o título de maior reunião humana da história. As águas do Ganges são também recolhidas pelos crentes e levadas para casa para serem utilizadas em rituais e como oferenda. Algumas gotas do rio são ainda colocadas na boca do falecido antes de o corpo ser cremado.

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Um dos locais mais sagrados da Índia encontra-se junto ao Ganges, em Varanasi. Aqui, numa das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo, situa-se o Templo Dourado hindu, dedicado a Shiva. O local é também sagrado para jainistas e budistas, mas é talvez mais famoso como um lugar de retiro, cremação e pelo espalhar de cinzas sobre o rio sagrado.

Ganga
Ganga Fowler&fowler (Public Domain)

Ganga na Arte

A deusa Ganga é frequentemente retratada na arte hindu vestindo um sari branco e montada num crocodilo, aparece com frequência em esculturas junto às portas dos templos e em painéis de relevo decorativos, juntamente com a sua irmã, a deusa do rio Yamuna. Uma representação célebre de Ganga encontra-se numa verga superior de arenito de um templo em Beshnagar. Datada de cerca de ano 500, a deusa encontra-se de pé sobre um makara (uma mistura mitológica de crocodilo e elefante) que simboliza a natureza vital da água.

A descida da deusa, auxiliada por Shiva, é outra cena popular na arte, sendo um exemplo notável o painel de relevo em granito do século VII num santuário numa gruta em Mamallapuram, perto de Madras. Com 24 por 6 metros, a cena mostra Ganga a descer no centro, rodeada por deuses, pessoas e animais. Uma cisterna posicionada acima do relevo podia ser enchida em ocasiões especiais, permitindo que a água escorresse pela escultura para conferir um realismo tridimensional ao milagre da chegada do grande Ganges à Terra.

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Bibliografia

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Cartwright, M. (2026, julho 10). Ganges: O Rio Sagrado Hindu. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13773/ganges/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Ganges: O Rio Sagrado Hindu." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 10, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13773/ganges/.

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Cartwright, Mark. "Ganges: O Rio Sagrado Hindu." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 10 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13773/ganges/.

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