A Guerra da Sucessão Austríaca (1740–1748) remodelou o equilíbrio político da Europa após a morte de Carlos VI, Sacro Imperador Romano-Germânico (reinou 1711–1740), e a ascensão contestada de Maria Teresa (reinou 1740–1780) aos territórios dos Habsburgo. Embora a Sanção Pragmática (1713) tivesse como objetivo garantir a sua sucessão, as potências rivais desafiaram as pretensões dos Habsburgo, transformando uma disputa dinástica numa guerra continental que envolveu a Áustria, a Prússia, a França, a Grã-Bretanha, a Espanha, a Sardenha, entre outras. O conflito revelou a fragilidade do sistema europeu de equilíbrio de poder: a legitimidade dinástica era importante, mas a oportunidade estratégica também. Sobretudo, a Prússia sob Frederico II ("o Grande", reinado 1740–1786) emergiu como uma grande potência através da conquista da maior parte da Silésia, enquanto a monarquia dos Habsburgo, embora fragilizada, sobreviveu como uma força central na política europeia.
O acordo alcançado no Tratado de Aquisgrão (1748) pôs fim à guerra sem resolver todas as tensões subjacentes. Maria Teresa manteve o núcleo da herança dos Habsburgo, mas a Áustria confirmou a perda da maior parte da Silésia para a Prússia, uma alteração que transformou a geografia política da Europa Central e intensificou a rivalidade austro-prussiana. Nos Países Baixos e na Itália, os territórios foram restaurados ou ajustados de forma a preservar o equilíbrio, em vez de produzir uma vitória decisiva para qualquer um dos lados. A guerra destaca-se, portanto, como um conflito clássico do século XVIII, no qual as pretensões dinásticas, as campanhas militares e os acordos diplomáticos se combinaram para preservar o sistema estatal, ao mesmo tempo que o desestabilizavam. Longe de criar uma paz duradoura, o acordo de 1748 preparou o terreno para a confrontação renovada na Guerra dos Sete Anos (1756–1763) e para uma nova era de competição entre as grandes potências.

