Ocupação da Checoslováquia por Hitler

Campanha de angariação de fundos para custos de servidor 2026

A manutenção dos nossos servidores custa 20 000 dólares por ano, e precisamos da sua ajuda para cobrir esses custos!

$6380 / $20000
Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
Translations
Versão Áudio Imprimir PDF

Ao longo de 1938, Adolf Hitler (1889-1945), o líder da Alemanha nazi, ameaçou ocupar a região dos Sudetas, na Checoslováquia. O pretexto apresentado foi de que os alemães dos Sudetas estavam a ser reprimidos, mas Hitler pretendia criar uma "Grande Alemanha", que incluísse todos os falantes de alemão na Europa. No Acordo de Munique, de setembro de 1938, a Grã-Bretanha, a França e a Itália concordaram em reconhecer a reivindicação da Alemanha sobre os Sudetas. Este ato de apaziguamento visava evitar uma guerra mundial.

Em março de 1939, Hitler ocupou as regiões da Boémia e da Morávia, na Checoslováquia; a Eslováquia tornou-se um estado cliente da Alemanha, e a Hungria e a Polónia apoderaram-se do que restava da antiga Checoslováquia. Quando Hitler invadiu a Polónia em setembro de 1939, a Grã-Bretanha e a França declararam finalmente guerra. A Checoslováquia fora traída e negociada em troca de nada.

Remover Publicidades
Publicidade
German Troops Enter the Sudetenland
Tropas Alemãs Entram nos Sudetas Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

A Grande Alemanha de Hitler

Hitler acalentava ambições de construir um império alemão ou uma "Grande Alemanha" desde o seu livro Mein Kampf (publicado em 1925 - A Minha Luta -1.ª Ed.ª portuguesa de 1934/Minha Luta - 1.ª Ed.ª no Brasil de 1934), no qual descrevia a necessidade de Lebensraum (espaço vital) para o povo alemão — novas terras onde este pudesse prosperar. Uma vez no poder, a partir de 1933, Hitler seguiu uma política externa agressiva que visava recuperar as perdas territoriais da Alemanha após o Tratado de Versalhes, que tinha concluído formalmente a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O primeiro passo prático em direção a uma Grande Alemanha surgiu com um plebiscito na região do Sarre, rica em carvão, que outrora fizera parte da Alemanha ocidental, mas que era governada pela Sociedade das Nações (a antecessora das atuais Nações Unidas) desde o fim da Grande Guerra. Em março de 1935, os eleitores decidiram por esmagadora maioria reintegrar-se na Alemanha. Um ano depois, em março de 1936, as forças armadas alemãs ocuparam a Renânia, uma zona industrializada entre a Alemanha e a França que o Tratado de Versalhes estipulava não dever ter qualquer presença militar. Tal como aconteceu com a invasão da Manchúria chinesa pelo Japão em 1931 e a invasão da Abissínia (Etiópia) pela Itália em 1935, a Sociedade das Nações não apresentou qualquer resposta significativa. Encorajado, Hitler repudiou o Tratado de Versalhes e dedicou-se a consolidar as suas alianças. Em outubro de 1936, a Alemanha e a Itália tornaram-se aliadas com o Eixo Roma-Berlim. Em novembro de 1936, a Itália e a Alemanha (e mais tarde o Japão) assinaram o Pacto Anti-Comintern, um tratado de cooperação mútua na construção de impérios e uma frente unida contra o comunismo. Hitler podia agora concentrar-se na sua próxima vítima: a Áustria.

Remover Publicidades
Publicidade
Um dos maiores trunfos da Checoslováquia era a indústria pesada; outro eram as suas fortificações defensivas.

Hitler não só queria mais falantes de alemão sob o seu poder, como também as matérias-primas e as reservas monetárias da Áustria; ambas eram extremamente necessárias para o dispendioso programa de rearmamento que a Alemanha estava a levar a cabo. Em 1938, Hitler pressionou o chanceler austríaco Kurt von Schuschnigg (1897-1977) a nomear ministros nazis para o seu governo, mas quando Schuschnigg planeou um plebiscito sobre a independência para o dia 13 de março, Hitler mobilizou o seu exército, que atravessou a fronteira a 12 de março. Crucialmente, Hitler tinha três fatores a seu favor: o apoio de metade da população austríaca, o facto de o exército austríaco ser incapaz de oferecer uma resistência eficaz e a promessa do ditador fascista de Itália, Benito Mussolini (1883-1945), de que não iria interferir. O governo austríaco capitulou devidamente e mensagens de rádio instaram o povo a não resistir. O Anschluß estava consumado.

The Rise of Nazi Germany, 1919 - 1939
A Ascensão da Alemanha Nazi, 1919-1939 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

As grandes potências, todas ansiosas por evitar outra guerra mundial, reagiram de forma mansa ao Anschluß e consolaram-se com a popularidade da anexação indicada pelos plebiscitos na Alemanha e na Áustria, que mostraram uma (improvável) aprovação de 99% para a união. A Áustria foi absorvida pelo Terceiro Reich e tornou-se uma província alemã. A posse da Áustria deu a Hitler uma forte posição estratégica na Europa Central, uma base a partir da qual poderia lançar novas invasões, particularmente nos Balcãs e contra o seu próximo alvo, a Checoslováquia. Em maio de 1938, Hitler declarou aos seus generais: "é minha vontade inalterável esmagar a Checoslováquia através de ação militar num futuro próximo" (Dear, pág. 597). No entanto, o que Hitler queria primeiro era um pretexto para tomar a Checoslováquia. Como se veio a verificar, não precisou de nenhum, uma vez que as potências ocidentais conspiraram para lhe entregar o país de bandeja.

Remover Publicidades
Publicidade

O Problema Checo

A Checoslováquia foi criada após a Primeira Guerra Mundial, tendo a região feito parte do Império Austro-Húngaro, agora desmembrado. O Tratado de Saint-Germain (1919) e o Tratado de Trianon (1920) tinham formado a Checoslováquia, que era, em muitos aspetos, uma amálgama artificial de várias regiões distintas. Era uma república democrática com um governo chefiado pelo Presidente Edvard Beneš (1884-1948). Em 1938, a Checoslováquia albergava 10 milhões de checos, 3 milhões de eslovacos, 3 milhões de falantes de alemão, 700 000 húngaros, 500 000 ucranianos e 60 000 polacos, com um governo dominado por checos, o que gerou descontentamento entre os outros grupos, que sentiam que os seus interesses não estavam a ser devidamente representados.

Um dos maiores trunfos da Checoslováquia era a indústria pesada; outro eram as suas fortificações defensivas. Como observa o historiador W. L. Shirer, "a Checoslováquia desenvolveu-se, durante os anos que se seguiram à sua fundação em 1918, como o Estado mais democrático, progressista, esclarecido e próspero da Europa Central" (pág. 358). Uma parte significativa da indústria pesada do país e a maioria da população alemã encontravam-se nos Sudetas, a região da fronteira ocidental do Estado, que estava agora cercada em três frentes pelo Terceiro Reich. Outro grande trunfo do país era o seu exército bem equipado, que contava com um efetivo de um milhão de homens. Se Hitler pretendia apoderar-se da Checoslováquia, que ele descrevia como um porta-aviões inimigo na Europa Central, teria de avançar com cautela.

A Europa nas Vésperas da Segunda Guerra Mundial 1939
A Europa nas Vésperas da Segunda Guerra Mundial, 1939 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Na primavera de 1938, um grupo de luso-alemães da Checoslováquia, representado pelo Partido Alemão dos Sudetas (SdP - Sudetendeutsche Partei) e liderado por Konrad Henlein (1898-1945), pressionou por uma fusão com a Alemanha. Henlein e o seu partido eram o equivalente checoslovaco do partido nazi alemão, de quem recebiam tanto financiamento como diretrizes. Hitler instou Henlein a exigir concessões que o governo checoslovaco não poderia, de forma alguma, conceder. Na Alemanha, o Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels (1897-1945), orquestrou uma campanha contínua de desinformação sobre o tema do sofrimento dos alemães nos Sudetas às mãos do governo checoslovaco. A ideia de que os alemães eram uma minoria reprimida na Checoslováquia foi também uma peça de ficção útil para a imprensa internacional. Os Sudetas nunca, em toda a sua história, tinham feito parte da Alemanha; no entanto, a Alemanha exigia agora o seu "regresso".

Remover Publicidades
Publicidade
Nem a União Soviética nem a Checoslováquia foram convidadas para a Conferência de Munique.

Hitler tinha recorrido repetidamente ao bluff para ganhar território. Com a Checoslováquia não seria diferente, mas seria necessário um certo grau de diplomacia. Tanto a URSS como a França tinham assinado um tratado em 1935, prometendo proteger a Checoslováquia de agressões externas (embora a URSS apenas estivesse obrigada a agir se a França se mobilizasse primeiro). A Checoslováquia era também membro da Sociedade das Nações e, por isso, se fosse atacada, em teoria, os outros membros estariam obrigados a ajudar a defendê-la contra o agressor. Outro obstáculo era o facto de as fronteiras que a Checoslováquia partilhava com a Alemanha e a Áustria estarem fortemente fortificadas. Hitler ordenou aos seus generais que preparassem um plano de invasão, com o nome de código Fall Grün ("Caso Verde"). Foram movidas tropas para a fronteira sul da Alemanha. Parecia que Hitler pretendia invadir, mas estaria ele, uma vez mais, a fazer um bluff? A 12 de setembro, no Comício de Nuremberga desse ano — a reunião anual do partido nazi —, Hitler proferiu um discurso virulento atacando o tratamento dado pelo governo checoslovaco aos alemães dentro das suas fronteiras. Hitler afirmou: "Economicamente, estas pessoas [os alemães dos Sudetas] foram deliberadamente arruinadas e, posteriormente, entregues a um lento processo de extermínio. A miséria dos alemães dos Sudetas não tem fim" (Hite, pág. 392).

Entretanto, foi atribuída uma data ao "Caso Verde": 30 de setembro. O primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain (1869-1940), não sabia disto, mas conhecia suficientemente bem as "queixas" alemãs através dos discursos públicos de Hitler e dos movimentos de tropas da Alemanha. Em agosto, Chamberlain enviou um enviado, Lord Runciman, para ouvir as reclamações dos alemães dos Sudetas. Chamberlain visitou então Hitler pessoalmente na Baviera, a 15 de setembro, para tentar convencê-lo a não tomar medidas agressivas contra outro vizinho. O voo de sete horas foi a primeira experiência do primeiro-ministro num avião. Hitler recebeu Chamberlain no seu refúgio em Berchtesgaden e sugeriu que os Sudetas fossem entregues à Alemanha caso um plebiscito indicasse a aprovação da população para tal medida. Chamberlain concordou em princípio e obteve de Hitler a promessa de que nenhuma ação militar seria tomada até que o Parlamento britânico reunisse sobre o assunto e a França fosse consultada. Hitler concordou prontamente — tempo extra para aperfeiçoar o "Caso Verde" até à perfeição.

Chamberlain & Hitler at Berchtesgaden
Chamberlain e Hitler em Berchtesgaden Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Os governos britânico e francês aceitaram a exigência de Hitler, e o governo checoslovaco foi informado dos planos, que rejeitou com o argumento de que tal levaria, mais cedo ou mais tarde, todo o país a ficar sob o domínio de Hitler. A Grã-Bretanha e a França deram então um ultimato ao governo checoslovaco: se não entregasse os Sudetas, nenhum dos dois países ajudaria o que restasse da Checoslováquia no futuro. Como Beneš afirmou sucintamente, "fomos vilmente traídos" (Shirer, pág. 391).

Remover Publicidades
Publicidade

Hitler e Chamberlain voltaram a reunir-se a 22 de setembro, desta vez em Godesberg, nas margens do Reno. Hitler, percebendo que Chamberlain estava disposto a evitar uma guerra a quase qualquer custo, aumentou agora as suas exigências: a Checoslováquia deveria também ceder território à Polónia e à Hungria. O que Hitler realmente queria era uma ocupação militar, pois tal medida restauraria a fé do exército alemão no seu líder. Chamberlain aceitou as novas exigências em princípio, mas o Parlamento britânico acabou por as rejeitar, tal como o governo francês. Entretanto, Beneš mobilizou o exército checoslovaco. A 26 de setembro, Hitler proferiu um discurso em Berlim, atacando novamente o governo checoslovaco. A 27 de setembro, a Grã-Bretanha mobilizou a sua marinha. A guerra parecia inevitável e Chamberlain proferiu a sua famosa frase numa transmissão de rádio da BBC, às 20h30:

Quão horrível, fantástico e incrível é que devamos estar aqui a experimentar máscaras de gás devido a uma contenda num país distante, entre pessoas das quais nada sabemos.

(McDonough, pág. 77).

As pessoas que ouviam na Grã-Bretanha estavam convencidas de que acordariam em guerra no dia seguinte. Então, aconteceu um milagre.

Chamberlain, Daladier, Hitler, & Mussolini, Munich 1938
Chamberlain, Daladier, Hitler e Mussolini em Munique, 1938 Bundesarchiv, Bild 183-R69173 (CC BY-SA)

O Acordo de Munique

Já tarde na noite de 27 de setembro, Hitler e Chamberlain trocaram uma última correspondência na qual se lançou, a título provisório, a ideia de a Alemanha absorver os Sudetas, mas garantir a independência do resto da Checoslováquia. Foi enviado um telegrama a Mussolini (que estava ansioso por adiar uma guerra dado o mau estado do rearmamento de Itália) instando-o a convencer Hitler a realizar uma conferência em Munique, para que os líderes da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália pudessem ter uma última oportunidade de resolver a crise da Checoslováquia através da diplomacia. Hitler aceitou a proposta de Mussolini. A Conferência de Munique realizou-se a 29 e 30 de setembro de 1938. Os Estados Unidos não compareceram e nem a União Soviética nem a Checoslováquia foram convidadas.

Remover Publicidades
Publicidade

O Acordo de Munique de setembro de 1938, assinado pela Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha, permitiu à Alemanha absorver os Sudetas (até 10 de outubro), sendo reconhecidas as suas novas fronteiras expandidas. Os checos deveriam abandonar os Sudetas, que não podiam ser despojados dos seus recursos. Ao que restava da Checoslováquia foram dadas garantias de independência bastante vagas e promessas de plebiscitos (que nunca se concretizaram). Dois diplomatas checoslovacos foram convidados a Munique para ouvir o que as Grandes Potências tinham decidido fazer com o seu país. Entretanto, Hitler percorreu os Sudetas e foi recebido por multidões em êxtase. Hitler tinha, uma vez mais, expandido a sua "Grande Alemanha" com o mínimo de esforço e sem derramamento de sangue. Hitler assinou de boa vontade um documento preparado por Chamberlain, que prometia que a Grã-Bretanha e a Alemanha nunca entrariam em guerra uma contra a outra.

Ao regressar a casa, Chamberlain declarou orgulhosamente ao povo britânico que tinha alcançado a "paz para o nosso tempo" (McDonough, pág. 121). Chamberlain foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz em 1938 (talvez apropriadamente, dados os acontecimentos futuros, não o venceu). O Acordo de Munique revelou-se o ato final de apaziguamento, uma política que permitiu aos líderes mundiais convencerem-se de que Hitler não continuaria a marchar por toda a Europa. Evitar outra guerra mundial era a prioridade de muitos líderes, políticos e da grande maioria do público na Grã-Bretanha e na França. O apaziguamento, deve dizer-se, também deu tempo a todas as partes para o rearmamento. No entanto, houve um preço a pagar, e foi pesado. A URSS via agora a Grã-Bretanha e a França com ainda mais suspeição do que anteriormente. Parecia claro para o líder soviético Josef Estaline (1878-1953) que as potências ocidentais estavam satisfeitas com a expansão da Alemanha, desde que fosse na direção da URSS. Estaline teria de procurar aliados noutro lado para a guerra que se avizinhava. O povo da Checoslováquia sentiu-se totalmente traído tanto pela Grã-Bretanha como pela França. Outros Estados vizinhos começaram agora a "morder" uma Checoslováquia seriamente enfraquecida. Na segunda semana de outubro, a Polónia apoderou-se da parte oriental da região de Teschen (Český Těšín para os checos, Cieszyn para os polacos). O pior ainda estava para vir.

Hitler in the Sudetenland
Hitler nos Sudetas Bundesarchiv, Bild 137-004055 (CC BY-SA)

O Desmembramento da Checoslováquia

A 5 de outubro de 1938, os Sudetas foram absorvidos pelo Terceiro Reich e Henlein foi nomeado seu Gauleiter (governador regional). Hitler inspecionou pessoalmente as fortificações checoslovacas. Albert Speer (1905-1981), futuro Ministro do Armamento, observou:

Remover Publicidades
Publicidade

As fortificações fronteiriças checas causaram espanto geral. Para surpresa dos especialistas, um bombardeamento de teste mostrou que as nossas armas não teriam prevalecido contra elas. O próprio Hitler deslocou-se à antiga fronteira para inspecionar as instalações e regressou impressionado.

(pág. 169)

Tal como fizera com a Áustria, a promessa de Hitler de que respeitaria a soberania de um vizinho revelou-se inteiramente falsa. Como observou a Speer:

Nunca mais permitirei que os checos construam uma nova linha de defesa. Que posição inicial maravilhosa temos agora. Já passámos as montanhas e estamos nos vales da Boémia.

(Idem)

A 14 de março de 1939, a Eslováquia, liderada por Vojtech Tuka (1880-1946), declarou-se independente, um ato que foi encorajado por Hitler como meio para desmembrar o que restava da antiga Checoslováquia. No mesmo dia, Hitler reuniu-se com o novo presidente da Checoslováquia, Emil Hácha (1872-1945), para o informar de que iria invadir a Boémia e a Morávia nas 24 horas seguintes. A 15 de março, sob o pretexto de terem sido "convidados para restaurar a ordem" (McDonough, pág. 80), os soldados alemães marcharam sobre o que restava da Checoslováquia. Hitler, mais tarde nesse mesmo dia, fez uma visita triunfal a Praga. O presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt (1882-1945), descreveu a ocupação como uma "anarquia desenfreada" (Idem). Os EUA chamaram de volta o seu embaixador na Checoslováquia e foi imposta uma taxa de importação de 25% sobre todos os produtos alemães. A Grã-Bretanha e a França congelaram os ativos checoslovacos nos seus bancos. Mas era tudo demasiado tarde para a Checoslováquia.

A Hungria, conforme prometido pela Primeira Arbitragem de Viena de 2 de novembro de 1938 (um acordo entre as potências do Eixo), apoderou-se das zonas sul da Ruténia e de uma faixa no sul da Eslováquia — ambas as áreas possuíam populações húngaras significativas ou maioritárias. O resto da Eslováquia tornou-se um Estado cliente da Alemanha sob a liderança de Jozef Tiso (1887-1947). A Checoslováquia deixara de existir.

Stuka Dive-bombers in Poland, 1939.
Bombardeiros Stuka na Polónia, 1939 Bundesarchiv, Bild 183-1987-1210-502 / Hoffmann, Heinrich (CC BY-SA)

Hitler e os seus aliados posicionaram as suas tropas nas novas aquisições e exploraram-nas ao máximo, extraindo recursos naturais e utilizando tropas recrutadas localmente nos seus exércitos. Os operários fabris checoslovacos eram obrigados a trabalhar arduamente, sob pena de não receberem os seus cartões de racionamento de alimentos. Os nazis asseguraram que o seu controlo da região incluísse a perseguição de judeus e de outros grupos "indesejáveis". Os judeus que viviam nos Sudetas foram expulsos para uma terra de ninguém na fronteira com a Hungria.

Remover Publicidades
Publicidade

À Boémia e à Morávia foi dado um novo nome: o Protetorado da Boémia e Morávia. Esta nova área administrativa dentro do Terceiro Reich era governada pelo barão nazi Konstantin von Neurath (1873-1956), o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros. Von Neurath foi mais tarde substituído por Reinhard Heydrich (1904-1942), que foi assassinado pela resistência checoslovaca sob ordens do governo britânico (as represálias nazis por este ato incluíram o assassinato em massa nas aldeias de Lidice e Ležáky).

As instituições políticas checoslovacas que restaram eram agora, efetivamente, organismos regionais subordinados a Berlim. Depois de Beneš, que fora obrigado a demitir-se, ter fugido para os EUA, o Dr. Emil Hácha (1892-1945) foi nomeado como o presidente fantoche da Checoslováquia. O exército checoslovaco foi dissolvido. Outros partidos que não o Partido Nazi Checoslovaco foram proibidos, embora tenham existido grupos de resistência clandestina durante toda a ocupação. Um governo checoslovaco livre, reconhecido como tal pela Grã-Bretanha, pela França e pela URSS, operou no exílio, chefiado por Beneš.

Novas usurpações de território marcaram o resto de 1939. Em março, a Alemanha apoderou-se de Memelland, parte da Lituânia desde 1923. Em abril, Mussolini ocupou a Albânia. Em agosto, a Alemanha e a URSS assinaram uma aliança militar, o Pacto Molotov-Ribbentrop (Pacto Nazi-Soviético). A 31 de março, a Grã-Bretanha e a França prometeram garantir as fronteiras da Polónia e, em abril, esta garantia foi alargada à Roménia. A Turquia e a Grécia também iniciaram conversações de proteção mútua com a Grã-Bretanha e a França. Finalmente, os líderes da Grã-Bretanha e da França perceberam que os fascistas estavam determinados na expansão territorial a qualquer custo. Depois, por fim, a invasão da Polónia em 1939 por Hitler provocou a declaração formal de guerra da Grã-Bretanha e da França a 3 de setembro.

Exilados da antiga Checoslováquia serviram nas forças armadas da Grã-Bretanha e da URSS durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Além disso, o serviço de informações checoslovaco revelou-se extremamente útil para o esforço de guerra aliado. No país, a indústria pesada checoslovaca (nomeadamente as fábricas de armamento Škoda) foi utilizada para impulsionar a economia de guerra da Alemanha, enquanto "mais de 350 000 pessoas pereceram como resultado da opressão nazi" (Dear, pág. 217).

A Alemanha, a Itália e o Japão foram finalmente derrotados na Segunda Guerra Mundial. A Checoslováquia foi reformada e os alemães foram expulsos do território. Henlein suicidou-se num campo de internamento após a sua captura pelos Aliados. Beneš regressou como presidente, mas a liberdade continuou a ser esquiva pois, por volta de 1948, a URSS assumiu o controlo da Checoslováquia, substituindo um tipo de ditadura por outro.

Remover Publicidades
Publicidade

Perguntas & Respostas

O que aconteceu durante a crise dos Sudetas?

A crise dos Sudetas de 1938 foi provocada pelo facto de Adolf Hitler pretender incorporar a região dos Sudetas, na Checoslováquia, no Terceiro Reich e ameaçar recorrer à força para atingir esse objetivo. A Grã-Bretanha e a França, para evitar a guerra, concordaram em ceder os Sudetas à Alemanha no Pacto de Munique de 1938.

Por que razão a Checoslováquia cedeu a região dos Sudetas?

A Checoslováquia cedeu a região dos Sudetas em 1938 porque a Alemanha ameaçou invadi-la, e os aliados da Checoslováquia, a Grã-Bretanha e a França, não só se recusaram a ajudar como concordaram em entregar a região à Alemanha no Pacto de Munique.

Sobre o Tradutor

Sobre o Autor

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2026, junho 09). Ocupação da Checoslováquia por Hitler. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2555/ocupacao-da-checoslovaquia-por-hitler/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Ocupação da Checoslováquia por Hitler." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, junho 09, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2555/ocupacao-da-checoslovaquia-por-hitler/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Ocupação da Checoslováquia por Hitler." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 09 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2555/ocupacao-da-checoslovaquia-por-hitler/.

Remover Publicidades