5 Sítios Romanos no Sul de Espanha

Carole Raddato
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Os quase 700 anos de ocupação romana contínua deixaram vestígios impressionantes na paisagem espanhola. A Espanha era então conhecida como "Hispânia" e é hoje um local fascinante para os viajantes interessados em Arqueologia.

Stage Building of the Theatre of Augusta Emerita (Mérida, Spain)
Edifício de Cena do Teatro de Augusta Emerita (Mérida, Espanha) Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

As províncias espanholas foram das primeiras a serem conquistadas por Roma na sua expansão implacável pelo Mediterrâneo. Como parte da sua luta contra Cartago, os romanos invadiram a Península Ibérica e, graças à proeza militar estratégica do general Cipião Africano (236-183 a.C.), conseguiram concluir a Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.). Seguiram-se quase 200 anos de guerras intermitentes com as tribos celtas e ibéricas antes de Roma conseguir estabelecer o domínio direto sobre toda a península sob Augusto (reinou 27 a.C. - 14 d.C.).

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Os romanos transformaram as províncias do sul de Espanha numa das colónias mais ricas e melhor organizadas de Roma.

O sul da Espanha era fértil e ideal para a exportação de vinho, azeite e garum (molho de peixe fermentado). A economia baseava-se principalmente na agricultura e na pecuária, juntamente com a mineração. Esta economia constituía a base dos ibéricos nativos que viviam no vale do Guadalquivir. Os romanos rapidamente transformaram as províncias do sul de Espanha numa das colónias mais ricas e melhor organizadas de Roma. Algumas das cidades mais importantes do país foram fundadas pelos romanos, e dois dos maiores imperadores de Roma, Trajano (reinou 98-117 d.C.) e Adriano (reinou 117-138), eram de origem espanhola. O seu legado ainda é visível hoje em dia.

Aqui está a nossa lista das cinco ruínas romanas mais importantes e impressionantes que deve visitar no sul de Espanha.

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1. Mérida

O Conjunto Arqueológico de Mérida, na Extremadura, é considerado um dos maiores e mais importantes sítios arqueológicos da Espanha. Incluída na prestigiosa lista do Património Mundial da UNESCO desde 1993, a pequena cidade de Mérida preservou muitos vestígios de uma das cidades romanas mais importantes da península. Augusta Emerita foi fundada por Augusto em 25 a.C. como uma colónia romana para soldados italianos aposentados e tornou-se a capital da recém-criada província da Lusitânia (que incluía grande parte do oeste da Espanha e Portugal). A cidade estava situada perto de uma travessia do rio Guadiana (o Flumen Anas dos romanos) e na junção de várias estradas que conduziam a outras cidades importantes, incluindo Hispalis (Sevilha), Olisippo (Lisboa) e Corduba (Córdova).

Scale Model of Augusta Emerita (Mérida, Spain)
Maquete de Augusta Emerita (Mérida, Espanha) Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Mérida preserva mais monumentos romanos antigos do que qualquer outra cidade da Espanha, incluindo um teatro, um anfiteatro, três aquedutos, um templo, as ruínas de um arco; bem como a mais longa de todas as pontes romanas e o melhor circo sobreviventes.

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A Ponte Sobre o Rio Guadiana

A ponte sobre o rio Guadiana é considerada um dos melhores exemplos da engenharia romana na Espanha e é uma das pontes mais longas da antiguidade ainda existentes. É composta por 60 arcos (três dos quais estão enterrados na margem sul) e o vão original é estimado em mais de 755 metros (2.542 pés). A ponte permitia a comunicação com uma das principais artérias da colónia, o decumanus maximus, a rua principal este-oeste típica das cidades romanas.

Roman Bridge, Mérida
Ponte Romana, Mérida Carole Raddato (CC BY-SA)

O Teatro

O teatro é o monumento romano mais importante de Mérida e o melhor exemplo do seu género na Europa Ocidental. A construção começou por volta de 15 a.C., e uma inscrição indica que o cônsul romano Marco Vipsânio Agripa (63-12 a.C.) foi o principal impulsionador da construção. Tinha capacidade para 6.000 pessoas e foi remodelado várias vezes ao longo da história, com grandes restaurações ocorrendo no século II.

Roman Theatre of Augusta Emerita (Mérida, Spain)
Teatro Romano de Augusta Emerita (Mérida, Espanha) Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O Anfiteatro

O anfiteatro foi construído ao lado do teatro no ano 8 a.C. para competições de gladiadores e encenação de cenas de caça, com capacidade de até 15.000 pessoas. O edifício elíptico tinha dimensões consideráveis e media 126 por 103 metros (413 por 337 pés). A arena coberta de areia continha uma fossa bestiaria cruciforme , onde se mantinham os animais antes de entrarem na arena.

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Roman Amphitheatre of Augusta Emerita (Mérida, Spain)
Teatro Romano de Augusta Emerita (Mérida, Espanha) Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O pódio do anfiteatro era decorado com placas de mármore e afrescos alusivos aos jogos, alguns dos quais estão expostos no Museu Nacional de Arte Romana.

Roman Hunter with Lioness Painting
Pintura de Caçador Romano com Leoa Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O Circo

A cerca de 400 metros (1312 pés) a leste do anfiteatro encontram-se as ruínas do circo, construído no início do século I, pouco depois da fundação da cidade. Era utilizado para corridas de bigas e quadrigas, e foi inspirado no Circo Máximo de Roma. Com 440 metros (1140 pés) de comprimento e 114 metros (374 pés) de largura, é um dos maiores e mais bem preservados exemplos de circo romano, podendo acomodar até 30 000 espectadores. Uma inscrição sugere que foi restaurado no século IV.

Roman Circus of Mérida
Circo Romano de Mérida Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O "Templo de Diana"

O erroneamente chamado 'Templo de Diana' fazia parte do fórum municipal e provavelmente era dedicado ao culto imperial, tendo sido preservado já que muitas das colunas foram incorporadas às paredes de uma casa nobre do século XVI. O templo era feito de granito e deve ter sido adornado com estuque ou mármore e cercado por colunas coríntias. Nas proximidades encontram-se as ruínas de um pórtico, decorado com clipei (medalhões circulares) representando Júpiter-Ammon e Medusa, que dava para o fórum.

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Temple of Diana, Augusta Emerita
Templo de Diana, Augusta Emerita Carole Raddato (CC BY-NC-SA)
Portico in Augusta Emerita (Mérida, Spain)
Pórtico em Augusta Emerita (Mérida, Espanha) Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O Aqueduto "Los Milagros"

A colónia era abastecida de água por três aquedutos. Os vestígios do aqueduto mais bem preservado, chamado «Los Milagros» (Os Milagres), estão localizados a norte da cidade e consistem em 38 pilares arqueados com 25 metros (82 pés) de altura ao longo de um percurso de cerca de 830 metros (2720 pés).

Los Milagros Aqueduct, Mérida
Aqueduto de Los Milagros, Mérida Carole Raddato (CC BY-SA)

A Casa Mitre

Este edifício foi encontrado por acaso no início da década de 1960. O nome deriva da descoberta, nas proximidades, de algumas estátuas que devem ter vindo de um Mitreum (um templo construído para honrar o deus Mitra). Toda a casa foi construída em torno de três pátios com colunas, um jardim interior e uma piscina central. Os afrescos indicam que a casa data do século I; a qualidade dos mosaicos do chão é muito elevada, sendo o mais fascinante o mosaico cosmológico que outrora cobria o chão do triclínio. O complexo foi recentemente coberto e renovado.

Mithraeum House, Augusta Emerita
Casa do Mitreu, Augusta Emerita Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

A maioria dos achados está no Museu Nacional de Arte Romana da cidade (Museo Nacional de Arte Romano), construído sobre uma seção da estrada romana e uma casa. Inaugurado em 1986, o magnífico edifício, que reflete certos aspectos da arquitetura romana, ocupa cerca de 5000 m² (53819 pés²). Atualmente, o museu abriga mais de 36.000 peças, incluindo mosaicos romanos, esculturas, epígrafes e inscrições, mostrando todos os aspectos da vida quotidiana de uma colónia romana.

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National Museum of Roman Art in Mérida, Spain
Museu Nacional de Arte Romana em Mérida, Espanha Anual (CC BY-NC-SA)

2. Itálica

As ruínas da antiga cidade de Itálica estão localizadas na Andaluzia, a 9 quilómetros (5,5 milhas) ao norte de Sevilha. Foi o primeiro assentamento romano na Espanha, fundado em 206 a.C. pelo general romano Cipião Africano após a vitória contra os cartagineses. A cidade atingiu o apogeu no século II e foi o local de nascimento do imperador Trajano (e possivelmente de Adriano). Hoje, Itálica é um exemplo maravilhosamente preservado de uma cidade romana, com ruas largas pavimentadas, um anfiteatro impressionante e casas luxuosas com uma grande variedade de pisos de mosaico.

Cardo Maximus of Italica, Spain
Cardo Máximo de Itálica, Espanha Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Grande parte do bairro mais antigo estabelecido por Cipião fica actualmente sob a cidade moderna de Santiponce. As ruínas dos monumentos que o visitante vê hoje datam da época de Adriano, que concedeu generosidade imperial à cidade. Sob o seu reinado no século II, Ítaca desfrutou de um intenso período de desenvolvimento arquitetónico com a construção de novos edifícios públicos e privados.

House of the Birds, Italica (Spain)
Casa dos Pássaros, Itálica (Espanha) Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Encontram-se entre as ruínas descobertas ainda in situ cerca de 20 mosaicos intricados e os seus temas decorativos deram nome a muitos dos edifícios que podem ser visitados, incluindo a Casa dos Pássaros, o Edifício do Mosaico de Neptuno e a Casa do Planetário, com um mosaico que representa os deuses que deram nome aos dias da semana.

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Mosaic with Busts of the Planetary Deities, Italica (Spain)
Mosaico com Bustos das Divindades Planetárias, Itálica (Espanha) Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O anfiteatro de Itálica era um dos maiores do Império, medindo 160 por 137 metros (525 por 450 pés) e podia acomodar cerca de 25.000 espectadores.

Roman Amphitheatre of Italica (Spain)
Anfiteatro Romano de Itálica (Espanha) Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Muitos dos tesouros desenterrados em Ítalia estão expostos no Museu Arqueológico de Sevilha (Museo Arqueológico de Sevilla) e no Palácio da Condessa de Lebrija (Palacio de Lebrija) em Sevilha.

3. Baelo Claudia

A cidade romana em ruínas de Baelo Claudia é um dos sítios arqueológicos romanos mais importantes da Andaluzia. Localizada majestosamente nas margens do Estreito de Gibraltar, em frente à costa de Tânger, oferece vistas deslumbrantes sobre a baía e Marrocos. Fundada no final do século II, a cidade costeira era um importante centro da indústria de salga de peixe e servia como principal porto de embarque para o Norte de África.

Baelo Claudia, Spain
Basílica de Baelo Claudia, Espanha Carole Raddato (CC BY-SA)

Os vestígios arqueológicos de Baelo Claudia incluem hoje um teatro, templos, um fórum pavimentado com uma basílica e um mercado, banhos termais e uma grande fábrica de salga de peixe para o fabrico de garum, o molho de peixe muito popular entre os romanos.

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Basilica of Baelo Claudia, Spain
Basílica de Baelo Claudia, Espanha Carole Raddato (CC BY-SA)

Baelo Claudia passou por um período de expansão urbana durante o reinado do imperador romano Cláudio (reirnou 41-54), que elevou a cidade ao nível de um município romano com direitos romanos. Foi também nesta época que Baelo recebeu o nome de Claudia. A cidade ganhou um grande fórum com edifícios públicos monumentais, três aquedutos que garantiam o abastecimento de água à população e duas fábricas para a produção de garum. O pico económico manteve-se até bem entrado o século II. No entanto, começou a declinar no início do século III, talvez devido a um terremoto.

Garum Factory, Baelo Claudia
Fábrica de Garum, Baelo Claudia Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Há um bom museu no local e um centro de visitantes.

4. Munigua

Munigua é um dos sítios arqueológicos mais remotos da Espanha, situado no coração da Sierra Morena, 50 quilómetros (30 milhas) a nordeste de Sevilha. Conhecida como Municipium Flavium Muniguense pelos romanos, a cidade origina no período pré-romano. As evidências de ocupação humana estendem-se desde meados do século IV a.C. até o século VIII d.C. Os edifícios visíveis hoje foram construídos durante o período romano, entre os séculos I e III, quando a cidade viveu uma era de prosperidade.

Munigua, Spain
Munigua, Espanha Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Casas luxuosas em estilo romano e edifícios públicos — fóruns, basílicas, banhos romanos, templos — foram construídos numa colina íngreme com um grande templo no topo. A ruína mais notável é a do santuário em terraços na encosta da colina, com contrafortes reforçados na parte traseira, dando-lhe a aparência de uma fortaleza.

Terraced Sanctuary of Munigua, Spain
Santuário em Terraços de Munigua, Espanha Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O local não é diretamente acessível por estrada, mas por uma estrada de terra que começa em Villanueva del Rio y Minas. Pode não ser fácil chegar ao local, mas vale definitivamente a pena o esforço.

5. Córdova

Córdova, juntamente com Sevilha e Granada, é uma das três cidades mais visitadas da Andaluzia; foi primeiro um povoado ibérico, tornou-se um posto avançado romano, uma capital árabe e uma cidade eventualmente conquistada pelo Reino Católico de Castela no século XIII. O centro histórico incrivelmente charmoso está registrado na Lista do Património da UNESCO.

Roman Bridge of Córdoba, Spain
Ponte Romana em Córdova, Espanha Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Fundada na margem direita do rio Guadalquivir no século II a.C., Córdova (Colonia Patricia Corduba romana) tornou-se a capital da província romana da Baetica e adquiriu grande importância durante o período augusto (27 a.C. - 14 d.C.). Foi o berço de filósofos romanos como Sêneca, o Jovem (4 a.C. - 65 d.C.), e poetas como Lucano (39-65). O monumento antigo mais famoso da cidade é a ponte romana sobre o Guadalquivir e outros edifícios incluem um templo parcialmente reconstruído, um mausoléu e o Palácio do Imperador Maximiano (reinou 286-305).

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Roman Temple in Córdoba
Templo Romano em Córdova Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

O Museu Arqueológico de Córdova (Museo Arqueológico de Córdoba), instalado no palácio nobre do século XVI de Jerónimo Páez, traça a rica história de Córdova, desde a época pré-romana até o período do domínio árabe. É particularmente rico em acervos romanos e árabes, exibidos em oito salas e três pátios, com descrições em espanhol e inglês. Na cave encontram-se os vestígios escavados do teatro romano da cidade, que foram descobertos em 1994 durante a construção de um anexo para o museu.

Uma série de requintados mosaicos dos séculos II e III está exposta no Salão dos Mosaicos do Alcázar de los Reyes Cristianos, um palácio e castelo medieval mourisco localizado no centro histórico de Córdova. Os mosaicos foram descobertos em 1959 durante trabalhos de escavação sob a Plaza de la Corredera, e pertenciam a uma rica mansão romana.

Oceanus Mosaic
Mosaico de Oceano Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Outros locais romanos no sul de Espanha que vale a pena visitar:

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Bibliografia

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Carole Raddato
Carole mantém o popular foto-blog de história antiga Following Hadrian, no qual ela viaja pelo mundo seguindo os passos do imperador Hadrian.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Raddato, C. (2025, dezembro 06). 5 Sítios Romanos no Sul de Espanha. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1741/5-sitios-romanos-no-sul-de-espanha/

Estilo Chicago

Raddato, Carole. "5 Sítios Romanos no Sul de Espanha." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, dezembro 06, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1741/5-sitios-romanos-no-sul-de-espanha/.

Estilo MLA

Raddato, Carole. "5 Sítios Romanos no Sul de Espanha." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 06 dez 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1741/5-sitios-romanos-no-sul-de-espanha/.

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