Miklós Horthy (1868-1957) foi um almirante e estadista húngaro que exerceu as funções de regente do Reino da Hungria desde 1920 até à sua abdicação forçada em 1944. Durante o período entre guerras e durante a maior parte da Segunda Guerra Mundial, Horthy desempenhou um papel crucial, mas controverso, tanto nos assuntos externos como nos assuntos internos da Hungria.
Tendo iniciado a carreira na Marinha Austro-Húngara em 1882, Horthy subiu na hierarquia até se tornar vice-almirante e, mais tarde, comandante-chefe em 1918. Na sequência da derrota da Áustria-Hungria na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Horthy liderou o Exército Nacional contra a República Soviética da Hungria e tornou-se regente do Reino da Hungria, restabelecido em 1920.
No final da década de 1930, o governo conservador de Horthy alinhou-se cada vez mais com a Alemanha nazi, assinando o Pacto Tripartido em novembro de 1940 e participando na invasão da União Soviética pelo Eixo, em 1941. Em 1944, Horthy foi derrubado por um golpe de Estado apoiado pelos nazis, após ter tentado assinar um armistício com os Aliados. Após a sua captura pelos Aliados, foi libertado em dezembro de 1945 e passou o resto da vida exilado em Portugal até à sua morte, a 9 de fevereiro de 1957.
Atualmente, o legado de Horthy continua a ser profundamente controverso devido ao seu regime autoritário, à aliança com os nazis e ao seu papel contestado no Holocausto.
O Início da carreira
Miklós Horthy de Nagybánya nasceu a 18 de junho de 1868 em Kenderes, na Áustria-Hungria, filho de István Horthy e Paula Halassy. Nobilitada desde 1635, a família Horthy possuía uma grande propriedade de 1 500 acres e tinha ligações à Câmara dos Magnatas húngara. Durante a sua infância, a riqueza da família de Horthy permitiu-lhe receber uma educação completa, incluindo estudos de literatura, clássicos antigos e proficiência linguística em alemão, francês, inglês e, mais tarde, italiano e croata. Aos 14 anos, Horthy ingressou na Academia Naval Imperial e Real em Fiume e serviu em várias missões no estrangeiro pelo Mediterrâneo antes de se tornar oficial. Após a sua formatura, em 1892, Horthy foi convidado a dar a volta ao mundo de navio e fez escalas na Índia, Austrália, Tailândia, Indonésia e outras ilhas do Pacífico.
Depois de ter trabalhado brevemente como tradutor numa revisão parlamentar conjunta em Viena, Horthy conheceu e casou-se com Magdolna Purgly de Jószáshely (1881-1959) em 1901, com quem tever quatro filhos: Magdolna (1902-1918), Paulette (1903-1940), István (1904-1942) e Miklós Jr. (1907-1993). Horthy sobreviveria a todos eles, com exceção de Miklós Jr.
Após a sua promoção a capitão do Taurus em 1908, Horthy foi enviado como parte de uma missão diplomática ao Império Otomano, onde testemunhou a Revolução dos Jovens Turcos. A quem se atribui ter ajudado a salvar a vida do embaixador austríaco, Horthy evacuou a missão diplomática e levou-a em segurança de volta à Áustria. Impressionado com as suas ações durante a crise, Horthy foi nomeado ajudante de campo naval do imperador austro-húngaro Francisco José em 1911. Nesta função, Horthy passou a admirar e respeitar profundamente o imperador. Tornou-se um importante conselheiro naval do monarca, supervisionava as rotinas diárias da corte e dedicou-se à pintura.
A Carreira Naval na Primeira Guerra Mundial
Na sequência do início da Primeira Guerra Mundial, a 28 de julho de 1914, foi transferido do seu cargo imperial em Viena para a base naval austro-húngara em Pula. Lá, assumiu o comando do pré-couraçado SMS Habsburg e do moderno cruzador ligeiro SMS Novara. Durante o seu comando do Novara, Horthy ganhou reputação pela sua bravura e ousadia, graças às suas numerosas missões bem-sucedidas no mar Adriático. Estas incluíram incursões na costa italiana, o afundamento de vários navios de guerra inimigos e a escolta de submarinos alemães, o que lhe valeu a Cruz de Ferro.
A conquista militar mais notável de Horthy, no entanto, foi a sua vitória na Batalha do Estreito de Otranto — o maior confronto naval da guerra no Mar Adriático. Enfrentando uma força combinada de navios britânicos, franceses e italianos, Horthy conduziu a sua frota austro-húngara, de menor dimensão, à vitória e afundou mais de uma dúzia de navios inimigos. Nos momentos finais da batalha, uma explosão feriu Horthy e obrigou-o a comandar a partir de uma maca até perder a consciência. Os ferimentos deixaram-no com problemas de audição para o resto da vida.
Em março de 1918, Miklós Horthy foi promovido a almirante e comandante-chefe da Marinha Imperial pelo novo soberano austro-húngaro, Carlos I (como Imperador da Áustria) e Carlos IV (como Rei da Hungria). Pouco depois da sua promoção, Horthy tentou romper o bloqueio da Entente à Áustria e atacar rotas marítimas vitais, organizando outro ataque ao Estreito de Otranto — desta vez com vários navios de guerra de maiores dimensões. No entanto, depois de um torpedo italiano ter afundado o navio de guerra SMS Szent István, Horthy cancelou a missão. Durante o resto da guerra, Horthy conseguiu manter grande parte da frota austríaca intacta até 31 de outubro de 1918, quando recebeu ordens para entregar a frota ao novo Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios, no âmbito da rendição da Áustria-Hungria na Primeira Guerra Mundial.
Período entre Guerras e Ascensão à Regência
Na sequência do colapso da Áustria-Hungria e da abdicação da monarquia dos Habsburgos no final da Primeira Guerra Mundial, a Hungria atravessou um período complexo de instabilidade política marcado por revoluções sucessivas, ocupação estrangeira e ambiguidade territorial. O recém-formado governo liberal liderado por Mihály Károlyi revelou-se incapaz de resistir ao avanço das forças checoslovacas, romenas e sérvias, nem de garantir condições favoráveis junto das potências da Entente. Em março de 1919, o governo de Károlyi ruiu e foi suplantado pela República Soviética Húngara comunista, liderada por Béla Kun. No entanto, após um rápido declínio na popularidade do governo, políticos anticomunistas organizaram uma contrarrevolução na qual Horthy aceitou o comando do Exército Nacional.
Em agosto de 1919, o governo comunista ruiu na sequência de uma invasão ofensiva pelas forças romenas, que ocuparam Budapeste. Sob pressão da Entente, as tropas romenas retiraram-se vários meses depois, permitindo que o governo contrarrevolucionário estabelecesse o controlo sobre a capital. Este período concluiu-se com a controversa assinatura do Tratado de Trianon, a 4 de junho de 1920, que reduziu significativamente o poder económico da Hungria, privou-a do acesso ao mar, abalou o prestígio nacional e reduziu o território e a população do país para cerca de um terço dos valores pré-guerra. É importante referir que, embora apenas cerca de um quarto da população perdida fosse húngara, a maioria das novas fronteiras não seguia limites étnicos, o que agravou consideravelmente as tensões étnicas. A Hungria perdeu também 80% da sua produção de madeira e minério de ferro, foi proibida de manter uma força aérea e viu o seu exército reduzido a um máximo de 35 000 soldados.
Durante a contrarrevolução, o Exército Nacional de Horthy foi responsável por uma onda de violência política conhecida como o «Terror Branco» (Fehér terror), durante a qual suspeitos de serem comunistas, socialistas e judeus foram sujeitos a execuções, tortura e intimidação. Embora os historiadores continuem a debater a extensão da responsabilidade de Horthy, a maioria concorda que ele estava ciente da violência, mas pouco fez para a conter até que esta começou a minar a legitimidade do emergente governo conservador. O Terror Branco foi-se acalmando gradualmente após a consolidação do novo regime em 1921.
Em vez de abolir a monarquia, a Hungria foi restabelecida como Reino da Hungria. Embora a maioria dos políticos conservadores rejeitasse o republicanismo, as potências da Entente opuseram-se firmemente à restauração da dinastia dos Habsburgos, temendo que isso desestabilizasse a Europa Central do pós-guerra. Como compromisso, o parlamento húngaro estabeleceu uma regência e elegeu Horthy como regente em março de 1920, por uma maioria esmagadora. Embora o antigo rei dos Habsburgos, Carlos IV, tenha tentado reclamar o trono por duas vezes em 1921, ambas as tentativas de restauração fracassaram devido à oposição tanto da Entente como do governo húngaro. Como a lista de potenciais monarcas era impopular e o próprio Horthy recusou assumir o trono — nem sequer contava com apoio para o fazer —, a regência tornou-se uma característica permanente do governo húngaro, permitindo que Horthy permanecesse no poder até à sua destituição em 1944.
Ao longo da década de 1920, Horthy exerceu as funções de chefe de Estado, enquanto o primeiro-ministro István Bethlen (1874-1946) supervisionava a consolidação do novo governo. Embora se tenha verificado crescimento económico e estabilização política, a Hungria transformou-se também num regime parlamentar autoritário que combinava nacionalismo conservador, anticomunismo e uma forte determinação em rever o Tratado de Trianon. O direito de voto foi restringido, as organizações comunistas foram proibidas e a oposição política foi rigorosamente controlada através de medidas administrativas e eleitorais. Embora Horthy raramente se envolvesse na administração quotidiana do governo, exerceu uma influência considerável sobre a nomeação dos primeiros-ministros, a política externa e as forças armadas, ajudando a moldar a orientação autoritário-democrática da Hungria do período entre guerras. Os historiadores contemporâneos referem frequentemente que a sua regência foi moderadamente popular.
O Prelúdio da Segunda Guerra Mundial
Ao longo da década de 1930, a política externa húngara permaneceu fixada na revisão do Tratado de Trianon. Na sequência da ascensão dos nazis em 1933, o fascismo ganhou maior destaque na Hungria, particularmente através do Partido da Vontade Nacional (Nemzet Akaratának Pártja) e do posterior Partido da Cruz Flechada (Nyilaskeresztes Párt). Isto deveu-se ao facto de muitos políticos conservadores considerarem o crescimento económico e o sucesso diplomático dos nazis — tais como a expansão do exército alemão e a remilitarização da Renânia — como um caminho potencial para a própria revisão do Tratado de Trianon pela Hungria. Embora o próprio Horthy não seja descrito pelos contemporâneos como um fascista, colaborou de forma ambivalente com políticos fascistas proeminentes, como o primeiro-ministro Gyula Gömbös.
Durante este período, Horthy também estabeleceu fortes laços diplomáticos com os líderes fascistas Adolf Hitler e Benito Mussolini, uma vez que os considerava as principais potências europeias dispostas a apoiar a revisão territorial húngara, bem como o rearmamento secreto. Horthy continuou, no entanto, a colaborar com nações da Entente, como a França, a Jugoslávia e a Roménia. No Acordo de Bled de 1938, o Tratado de Trianon foi revisto para revogar todas as restrições militares e permitir que a Hungria mobilizasse um exército e uma força aérea de maior dimensão. Este acordo marcou a primeira grande revisão internacional do acordo militar do pós-guerra.
Depois da Alemanha nazi ter anexado a região dos Sudetas em outubro de 1938, a Hungria recorreu à mediação alemã e italiana para garantir a Primeira Sentença de Viena. Sob o pretexto de corrigir as fronteiras étnicas, este tratado transferiu a Eslováquia do Sul — uma região com uma população étnica húngara substancial — da Checoslováquia para a Hungria. Embora Horthy se tenha recusado a participar na ocupação da Checoslováquia por Hitler em março de 1939, autorizou a ocupação e a anexação da vizinha Rússia dos Cárpatos. Depois de a Alemanha nazi ter decidido invadir a Polónia em 1939, Horthy e o recém-nomeado primeiro-ministro Pál Teleki (1879-1941) adotaram uma política de neutralidade formal, continuando ao mesmo tempo a procurar a revisão territorial por via diplomática.
Na sequência da derrota da França em 1940, a Hungria renovou as suas reivindicações contra a Roménia relativamente à Transilvânia. Através da arbitragem alemã e italiana, a Segunda Sentença de Viena transferiu a Transilvânia do Norte para a Hungria em agosto de 1940. Embora a região continuasse a ser etnicamente mista, contava com uma grande população húngara e era amplamente considerada na Hungria como uma das principais injustiças do Tratado de Trianon. Com o objetivo de preservar o apoio alemão para novas revisões territoriais, o governo de Horthy aderiu ao Pacto Tripartido em novembro de 1940, alinhando formalmente a Hungria com as potências do Eixo.
Apesar da aliança formal da Hungria com a Alemanha, Horthy e o governo conservador continuaram a seguir uma política de neutralidade limitada, procurando ao mesmo tempo preservar os ganhos territoriais da Hungria. Este equilíbrio tornou-se cada vez mais difícil à medida que a influência da Alemanha na Europa se expandia e a Hungria se tornava mais dependente do apoio político e económico alemão. Depois de um golpe pró-Aliados na Jugoslávia ter levado Hitler a ordenar uma invasão em abril de 1941, a Alemanha exigiu a participação húngara e, influenciado pela promessa de território e de um acesso renovado ao mar, Horthy autorizou o ataque.
Confrontado com a violação do Tratado de Amizade Eterna recentemente assinado pela Hungria com a Jugoslávia, Teleki suicidou-se a 3 de abril de 1941, acreditando que a Hungria tinha sacrificado a sua honra e independência. Foi sucedido por László Bárdossy e pelo seu campo pró-alemão, sob cujo governo a Hungria abandonou oficialmente a sua política de neutralidade. Na sequência da invasão alemã da União Soviética, com o nome de código «Operação Barbarossa», a 22 de junho, Horthy também apoiou uma declaração de guerra da Hungria contra os soviéticos. No entanto, só em dezembro de 1941 é que a guerra entre a Hungria e as outras nações aliadas, o Reino Unido e os EUA, foi formalmente declarada.
Durante a Segunda Guerra Mundial
Embora Horthy não tenha desempenhado um papel militar de destaque na Frente Oriental durante a Segunda Guerra Mundial, a sua influência política na Hungria continuava a ser extremamente poderosa. Declaradamente anti-semita, ao longo da sua regência foram aprovadas várias leis anti-semitas, particularmente entre 1938 e 1942, que restringiam as liberdades sociais, económicas e profissionais dos judeus húngaros. Embora Horthy tenha rejeitado as políticas genocidas de Hitler e as exigências anteriores para levar a cabo deportações em massa de judeus, o seu governo foi também responsabilizado por vários massacres e crimes de guerra em toda a Europa ocupada. Isto inclui o Massacre de Kamianets-Podilskyi, a 27 de agosto de 1941, e o ataque a Novi Sad, em janeiro de 1942.
Embora as fontes primárias revelem o entusiasmo inicial de Horthy pela guerra contra a União Soviética, no início de 1942, é evidente que Horthy já procurava distanciar a Hungria da Alemanha e da guerra. Substituiu o primeiro-ministro pró-alemão László Bárdossy pelo moderado Miklós Kállay a 9 de março de 1942 e estabeleceu contactos secretos com representantes dos Aliados. A 20 de agosto de 1942, o seu entusiasmo diminuiu ainda mais quando o seu filho István — piloto de caça e vice-regente — foi morto em combate.
Na sequência da derrota do Eixo na Batalha de Estalinegrado, em fevereiro de 1943, e da devastação do 2.º Exército Húngaro, Horthy recusou mais uma vez uma ordem de Hitler para dar início à deportação em massa e ao extermínio dos 800 000 judeus da Hungria. Além disso, autorizou também conversações secretas com negociadores aliados para procurar um armistício. Temendo que Horthy se rendesse aos soviéticos, a 19 de março de 1944, os nazis lançaram a Operação Margarethe, na qual Horthy foi atraído para uma conferência em Salzburgo enquanto as tropas alemãs ocupavam a Hungria. Apanhados de surpresa, nem o governo húngaro nem o exército ofereceram resistência.
Embora a Horthy tenha sido permitido permanecer como regente, os seus poderes foram fortemente restringidos, e os nazis substituíram as principais figuras políticas, bem como o primeiro-ministro, pelo pró-nazi Döme Sztójay. Na sequência da ocupação alemã, as autoridades nazis e da Cruz Flechada também deram início à deportação e ao extermínio em grande escala dos judeus húngaros. Antes da ocupação alemã em 1944, cerca de 63 000 judeus húngaros tinham perecido. No final da guerra, quase 560 000 tinham sido assassinados.
O Golpe de Estado e Exílio
Com o exército soviético a aproximar-se da Hungria, o colapso da Roménia em agosto de 1944 e os protestos de líderes mundiais contra o extermínio dos judeus húngaros, Horthy tentou consolidar novamente a sua posição política. A 29 de agosto de 1944, destituiu funcionários pró-nazis, como o primeiro-ministro Döme Sztójay, e colocou o conservador Géza Lakatos no poder. Horthy também suspendeu todas as deportações de judeus e reabriu as negociações de paz com os representantes dos Aliados. A 15 de outubro, Horthy anunciou que tinha sido alcançado um armistício com a União Soviética e ordenou ao exército húngaro que se rendesse.
Embora se mantivessem caladas na sequência da suspensão das deportações de judeus por parte de Horthy, as forças nazis tinham antecipado o armistício e lançaram imediatamente a Operação Panzerfaust, a 15 de outubro de 1944, para destituir Horthy do cargo. Raptaram o seu único filho ainda vivo, Miklós Horthy Jr., e levaram-no de avião para a Alemanha para o utilizarem como refém. Soldados alemães e da Cruz Flechada invadiram então a Colina do Castelo e obrigaram Horthy, sob a mira de armas, a abdicar em favor do líder da Cruz Flechada, Ferenc Szálasi. Os extermínios de judeus foram imediatamente retomados, enquanto Horthy e a sua família foram deportados para a Baviera e colocados em prisão domiciliária. Na sequência da rendição da Alemanha, a 7 de maio de 1945, Horthy foi libertado e, posteriormente, detido pelas forças americanas.
Embora os líderes comunistas jugoslavos e húngaros tivessem solicitado o julgamento de Horthy por crimes de guerra, os diplomatas americanos e Joseph Estaline recusaram-se a indiciar Horthy. Depois de testemunhar nos julgamentos de Nuremberga, Horthy e a sua família foram oficialmente libertados. Incapaz de regressar à Hungria devido ao governo comunista recém-formado, Horthy exilou-se no Estoril, em Portugal; vivendo principalmente de fundos provenientes de diplomatas americanos, judeus húngaros e exilados, e do Papa Pio XII, passou o resto da sua vida a escrever as suas memórias até à sua morte, a 9 de fevereiro de 1957.
O Legado Controverso
Hoje em dia, Miklós Horthy continua a ser uma figura controversa e polarizadora na história húngara. Por um lado, os seus apoiantes atribuem-lhe frequentemente o mérito de ter restaurado a estabilidade política após as sucessivas revoluções de 1918-1920 e de ter liderado os esforços da Hungria para rever o impopular Tratado de Trianon. Os seus apoiantes também lhe atribuem o mérito de ter mantido grande parte do Holocausto fora da Hungria antes de 1944, de ter adotado uma abordagem pragmática nas relações externas na Europa ocupada pelos nazis e de ter tentado retirar a Hungria do Eixo durante as fases finais e sangrentas da Segunda Guerra Mundial.
Os críticos, por outro lado, destacam o seu regime autoritário, a promulgação de legislação antijudaica pelo seu governo e a aliança da Hungria com a Alemanha nazi, bem como a sua própria colaboração. Os críticos também responsabilizam Horthy pela perseguição e deportação de centenas de milhares de judeus húngaros durante o Holocausto após 1944, bem como pelas ações de soldados húngaros em crimes de guerra em toda a Europa ocupada. Consequentemente, o legado de Horthy continua a ser objeto de debate histórico e político, tanto na Hungria como a nível internacional.
Após a queda do comunismo húngaro em 1989, os restos mortais de Horthy foram transferidos de Portugal pela sua família para serem enterrados novamente na sua cidade natal, Kenderes, em 1993. Embora mais de 10 000 pessoas tenham assistido à cerimónia, o dia foi também marcado por protestos em grande escala em Budapeste. Em novembro de 2013, foi erigida uma estátua de Horthy numa igreja calvinista no centro de Budapeste, o que suscitou reações mistas.

