Richard Henry Lee

Harrison W. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Richard Henry Lee (by Charles Willson Peale, Public Domain)
Richard Henry Lee Charles Willson Peale (Public Domain)

Richard Henry Lee (1732-1794) foi um político norte-americano da Virgínia, que desempenhou um papel significativo na Revolução Americana (1765-1789), nomeadamente na luta pela independência. Membro da proeminente família Lee da Virgínia, integrou o Segundo Congresso Continental e, mais tarde, exerceu o cargo de senador dos Estados Unidos. É considerado um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos.

A Família e a Infância

Richard Henry Lee nasceu a 20 de janeiro de 1732 no condado de Westmoreland, na Virgínia, sendo o quarto filho sobrevivente do coronel Thomas Lee e de Hannah Ludwell Lee. A dinastia Lee era uma das famílias mais proeminentes da Virgínia colonial; tinha sido fundada em 1639 por Richard Lee, «O Imigrante», que chegara a Jamestown com a ambição de se tornar um plantador de tabaco. À data da sua morte, em 1664, o primeiro Richard Lee tinha estabelecido um lucrativo império do tabaco e deixado para trás uma vasta fortuna para os seus oito filhos. Ao longo das décadas seguintes, a família Lee continuou a crescer, com os seus membros a conquistarem cargos importantes na política colonial da Virgínia. Thomas Lee, por exemplo, foi eleito para a Câmara dos Burgesses em 1724, nomeado para o conselho do governador em 1733 e era governador interino da Virgínia na altura da sua morte. Utilizou os rendimentos gerados por esses cargos para ajudar a financiar a construção de Stratford Hall, uma nova residência para a extensa família Lee.

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Num único ciclo eleitoral, cinco membros da família Lee entraram na Câmara dos Burgesses e um no conselho do governador, criando um poderoso bloco de votos.

Richard Henry Lee nasceu em Stratford Hall, onde passou grande parte da sua infância. Foi educado por um tutor familiar nas atividades próprias de um cavalheiro, como equitação, dança e caça, e era frequentemente encarregado pelo pai de servir de mensageiro para trocar correspondência com as plantações vizinhas. Em fevereiro de 1748, aos 16 anos, Richard Henry foi enviado para a Wakefield Academy, em Yorkshire, Inglaterra, para concluir a sua educação. Aí, apaixonou-se pela filha mais nova de um comerciante proeminente, com quem logo ficou noivo, contudo o romance nascente foi ensombrado pela tragédia quando, em 1751, Richard Henry recebeu a notícia de que ambos os seus pais tinham falecido no ano anterior. O irmão mais velho, Philip Ludwell Lee, era agora o chefe da família e pediu que Richard Henry regressasse à Virgínia para ajudar a resolver os assuntos familiares. Apesar de estar devastado pela perda dos pais, Richard Henry recusou-se a deixar a Inglaterra, desejando, em vez disso, continuar o seu namoro. Philip, talvez acreditando que a rapariga não era um par adequado para o irmão, respondeu rompendo o noivado; Richard Henry, enfurecido, continuou a recusar-se a regressar a casa, decidindo desafiar a autoridade do irmão embarcando numa viagem de um ano pela Europa continental.

Quando finalmente regressou a Stratford Hall, em 1753, descobriu que os seus irmãos mais novos também se tinham fartado da autoridade autoritária de Philip. Pior ainda, Philip ainda não tinha dividido o património do pai de acordo com o testamento, alegando que queria primeiro saldar as dívidas do pai. Não dispostos a esperar, Richard Henry e os irmãos mais novos da família Lee intentaram uma ação judicial contra Philip em 1754; embora o processo tenha acabado por fracassar, os irmãos mais novos conseguiram transferir a sua tutela para um primo, Henry Lee, libertando-se assim da autoridade de Philip.

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Stratford Hall
Stratford Hall Westwoodking (CC BY-SA)

Na Câmara dos Burgueses

Em 1756, Richard Henry Lee entrou pela primeira vez na vida pública ao ser nomeado juiz de paz do condado de Westmoreland. No ano seguinte, foi eleito para a Câmara dos Burgueses, em representação de Westmoreland, onde logo se juntaram a ele dois irmãos, Thomas Ludwell Lee e Francis Lightfoot Lee, bem como dois primos; nesse mesmo ano, Philip Lee foi nomeado para o conselho do governador. Assim, num único ciclo eleitoral, cinco membros da família Lee entraram na Câmara dos Burgueses e um no conselho do governador, criando um poderoso bloco de votos que parecia prestes a dominar a política da Virgínia. Richard Henry reconciliou-se com Philip, tendo os dois irmãos posto de lado as suas divergências para promover os interesses da família. Em pouco tempo, conseguiram transformar o cais da família Lee em Stratford Landing num importante centro de comércio no rio Potomac. Richard Henry Lee desempenhou também um papel fundamental ao garantir que a milícia da Virgínia permanecesse bem abastecida durante a Guerra Franco-Indígena (1754-1763).

No entanto, não demorou muito para que o bloco dos Lee fizesse inimigos poderosos. John Robinson tinha exercido os cargos de presidente da Câmara dos Burgesses e de tesoureiro da colónia da Virgínia durante mais de duas décadas; por acaso, tinha também sido um dos principais adversários políticos do pai de Richard Henry Lee. Na esperança de rebaixar Robinson, Lee iniciou uma campanha para separar os cargos de presidente e tesoureiro, alegando que a combinação dos dois cargos conferia demasiado poder a Robinson. Quando esta tentativa falhou, Robinson e os seus aliados lançaram os seus próprios ataques políticos contra os Lee, dando início a uma rivalidade acirrada que dividiu a Câmara dos Burgesses. A rivalidade atingiu o seu auge no início da década de 1760, quando Lee acusou Robinson de desvio de fundos. Robinson continuou a negar as acusações até à sua morte, em 1766, altura em que novas provas revelaram que faltavam 100 000 libras do tesouro colonial. Lee, embora tenha sido absolvido, ganhou a inimizade duradoura dos aliados de Robinson, incluindo Edmund Pendleton e Benjamin Harrison.

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Chantilly-on-the-Potomac

À medida que a projeção política de Lee crescia, o mesmo acontecia com a sua família. A 3 de dezembro de 1757, casou-se com Anne Aylett, de 19 anos, com quem viria a ter dois filhos e duas filhas. Com o objetivo de construir um lar para a sua nova família, arrendou 500 acres de terra ao seu irmão Philip e, em 1763, concluiu a construção de Chantilly, uma casa georgiana de três andares situada junto ao rio Potomac. Lee adorava a sua nova casa, organizando jantares luxuosos para a alta sociedade da Virgínia. Mantinha um par de binóculos junto à janela para que os convidados pudessem contemplar o Potomac e ver os navios de tabaco da família Lee a passar. Durante estas festas ostentosas, Lee consumia grandes quantidades de álcool, o que contribuiu para os seus constantes problemas de saúde. Lutou contra a gota durante a maior parte da sua vida adulta, que por vezes se agravava tanto que não conseguia calçar os sapatos devido aos pés inchados pela gota.

Portrait of Richard Henry Lee
Retrato de Richard Henry Lee Alonzo Chappel (Public Domain)

Lee adorava aproveitar os riachos da propriedade para caçar aves selvagens. No início de 1768, encontrava-se numa dessas caçadas quando a sua espingarda explodiu nas suas mãos. Acabou por perder os quatro dedos da mão esquerda e, a partir daí, passou a usar uma luva de seda preta para esconder a lesão. Em dezembro desse mesmo ano, a sua esposa Anne faleceu na sequência de uma doença. Lee ainda se estava a recuperar da morte dela quando, em agosto de 1769, um furacão atingiu a Baía de Chesapeake e devastou Stratford Landing; Lee foi obrigado a afastar-se temporariamente da Câmara dos Burgueses para supervisionar as reparações e só regressou em 1771. Nessa altura, já tinha casado pela segunda vez, com Anne Gaskins Pinckard, com quem teria mais cinco filhos.

É também importante referir que Richard Henry Lee era proprietário de escravos. Tinha herdado 40 escravos do pai e, na altura da sua morte, em 1794, possuía 63. Segundo o biógrafo de Lee, J. Kent McGaughy, os escravos em Chantilly viviam provavelmente em pequenas habitações de um único cômodo e dispunham de pouco mais do que o necessário para a sobrevivência. Lee não tinha, claramente, quaisquer escrúpulos em possuir escravos, embora se manifestasse frequentemente contra o comércio de escravos. Não o fazia, contudo, por qualquer consideração ética, mas sim porque percebeu que a Virgínia se estava a desenvolver mais lentamente do que outras colónias que não dependiam tanto do trabalho escravo. Tal como muitos dos seus concidadãos brancos da Virgínia, vivia com medo constante de uma revolta de escravos e advertiu contra a importação de demasiados africanos, que poderiam rebelar-se contra os seus senhores.

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A Política Revolucionária

Na década de 1760, Lee começou a ficar desiludido com o governo britânico. A Proclamação Real de 1763, que restringia a colonização americana a oeste das Montanhas Alleghany, negava aos virginianos o acesso ao Vale do Rio Ohio. As terras ao longo do rio Ohio, há muito reivindicadas pela Virgínia, eram ricas e férteis, perfeitas para o cultivo de tabaco. Se os plantadores da Virgínia não pudessem aceder a essas terras, corriam o risco de perder o seu estatuto de líderes do comércio do tabaco. Para piorar a situação, o Parlamento aprovou a Lei da Moeda em 1764, que proibia o uso de papel-moeda para saldar dívidas privadas; isto também teve um impacto negativo nos negócios de Lee. A isto juntou-se o furacão de 1769, que destruiu campos inteiros de tabaco, deixando Lee a enfrentar dificuldades financeiras. Aliou-se a figuras radicais como Patrick Henry para se opor à Lei do Selo (1765) e às Leis de Townshend (1767-68) do Parlamento, juntando a sua voz ao coro que condenava os impostos parlamentares como inconstitucionais.

Richard Henry Lee assumiu uma postura intransigente contra o poder do Parlamento.

Então, em 1774, o Parlamento aprovou as chamadas Leis Intoleráveis. Destinadas principalmente a punir Massachusetts pelo «Boston Tea Party», as Leis Intoleráveis incluíam uma disposição conhecida como Lei de Quebec, que alargava as fronteiras da província britânica de Quebec (Canadá) até ao vale do rio Ohio. Isto enfureceu Lee; a perda de acesso ao vale do Ohio já tinha sido suficientemente grave, mas que a Virgínia perdesse completamente o território era insuportável. Em setembro de 1774, Lee participou no Primeiro Congresso Continental como um dos sete delegados da Virgínia. Assumiu uma postura intransigente contra o poder do Parlamento, na convicção de que, se a autoridade do Parlamento não fosse reduzida, a Lei de Quebec nunca seria revogada.

O fervor de Lee impressionou John Adams, que se referiu a ele como um «homem magistral» (McGaughy, pág. 109); a partir daí, Lee passou a reunir-se com John Adams, Samuel Adams e Patrick Henry, os radicais que procuravam uma redução da autoridade parlamentar. Lee trabalhou para criar a Associação Continental, um acordo para boicotar todos os produtos de fabrico britânico até que as Leis Intoleráveis fossem revogadas, e apresentou uma moção exigindo a retirada das tropas britânicas de Boston. O seu radicalismo inabalável granjeou-lhe a ira da facção moderada, que ainda procurava a reconciliação com o Parlamento e incluía os seus antigos rivais Pendleton e Harrison.

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First Continental Congress
Primeiro Congresso Continental Architect of the Capitol (Public Domain)

Em maio de 1775, após os primeiros tiros da Revolução Americana terem sido disparados nas Batalhas de Lexington e Concord (19 de abril), Lee regressou a Filadélfia para ocupar o seu lugar no Segundo Congresso Continental. Mais uma vez, aliou-se aos radicais, tornando-se um dos primeiros defensores da independência. A facção independentista, conhecida como o «grupo Adams-Lee», ganhou força à medida que a guerra se arrastava; a última tentativa desesperada do Congresso para alcançar a reconciliação, a Petição do Ramo de Oliveira, fracassou, e a subsequente Proclamação de Rebelião do rei deixou claro que a Grã-Bretanha não queria nada menos do que a subjugação total das colónias. A popularidade do panfleto seminal de Thomas Paine, Common Sense (Senso Comum), no início de 1776, ajudou a impulsionar a opinião pública na direção da independência, permitindo que a facção Adams-Lee se tornasse mais veemente quanto aos seus verdadeiros objetivos. A 7 de junho de 1776, Lee apresentou ao Congresso uma moção:

Estas Colónias Unidas são, e têm o direito de ser, Estados livres e independentes; estão isentas de toda a lealdade para com a Coroa Britânica; e toda a ligação política entre elas e o Estado da Grã-Bretanha está, e deve estar, totalmente dissolvida.

(Middlekauff, pág. 331)

A moção de Lee apelando à independência foi tão acirradamente debatida que o presidente do Congresso, John Hancock, ordenou que fosse adiada até 1 de julho. Quando chegou a hora da votação, a moção de Lee foi aprovada por esmagadora maioria e, a 4 de julho de 1776, o Congresso adotou a Declaração de Independência. Os Estados Unidos nasceram.

O Escândalo de Silas Deane

Apesar dos seus sucessos políticos, Lee continuava a ser profundamente odiado pelos seus inimigos, que começaram a conspirar para o destituir do Congresso. No início de 1777, os seus opositores espalharam rumores de que Lee estaria a conspirar para destituir George Washington do comando do Exército Continental. Isso não era verdade, mas colocou Lee numa situação delicada; se negasse os rumores, arriscava-se a contrariar os seus aliados da Nova Inglaterra, que se tinham cansado da forma como Washington conduzia a guerra, mas se não dissesse nada, arriscava-se a afastar o próprio Washington. Lee conseguiu habilmente safar-se da situação, acalmando as preocupações dos habitantes da Nova Inglaterra e, ao mesmo tempo, explicando-se a Washington.

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LEE era considerado pelos seus contemporâneos como um dos presidentes mais eficazes do Congresso.

Mas não demorou muito até Lee estar envolvido noutra controvérsia. Em 1777, o Congresso enviou três comissários à Europa para garantir apoio estrangeiro: entre eles estavam Benjamin Franklin, de Filadélfia, Silas Deane, de Connecticut, e Arthur Lee, o irmão mais novo de Richard Henry Lee. Arthur escreveu a Richard Henry, manifestando as suas suspeitas de que Silas Deane estivesse a usar a sua influência política para promover os seus próprios interesses comerciais. Deane tornou-se alvo de novas suspeitas quando um enxame de oficiais militares franceses chegou à América, alegando que Deane lhes tinha prometido nomeações no Exército Continental. Washington, que não tinha espaço para tantos oficiais estrangeiros, queixou-se ao Congresso, que, por sua vez, manifestou surpresa, alegando que nunca tinha dado a Deane autoridade para prometer nomeações a tantos oficiais. Deane foi chamado de volta e John Adams, aliado de Lee, foi enviado para França em seu lugar.

Isto causou indignação entre os inimigos de Lee, que alegaram que a aliança Adams-Lee tinha orquestrado a queda de Deane para enviar um dos seus para Paris. O próprio Deane, quando defendeu as suas ações perante o Congresso em agosto de 1778, atribuiu a culpa aos Lee. Isto levou a uma luta política que durou um ano e que quase perturbou os trabalhos do Congresso, com cada lado a acusar o outro de corrupção. A rivalidade atingiu o seu auge no final de 1778, quando a facção de Deane tentou desmantelar a reivindicação da Virgínia sobre o território de Ohio. Lee conseguiu frustrar esta tentativa, mas por muito pouco. Em maio de 1779, Lee já estava farto desta política suja e demitiu-se do Congresso, regressando a Chantilly.

Continuou a contribuir para a Revolução, financiando a milícia do condado de Westmoreland. Em 1781, durante o cerco de Yorktown, Lee organizou o abastecimento do Exército Continental e enviou 200 milicianos, sob o comando do seu filho, Ludwell Lee, para se juntarem ao exército de Washington; numa carta, explicou que teria ido ele próprio se não fosse pela sua gota debilitante. Washington expressou a sua gratidão e fez com que Ludwell se juntasse ao estado-maior de Gilbert du Motier, Marquês de Lafayette.

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A Política do Pós-guerra

Em setembro de 1783, o Tratado de Paris pôs fim à Guerra da Independência Americana. Em junho de 1784, a Câmara dos Delegados da Virgínia nomeou Lee para o Congresso e, no novembro seguinte, ele foi nomeado seu presidente. Como presidente do Congresso, Lee liderou a aprovação da Lei Fundiária de 1785, que estabeleceu um sistema que permitiria aos colonos adquirir terras agrícolas no oeste ainda não desenvolvido. A sua presidência também supervisionou as negociações entre John Jay, o secretário de Estado americano, e o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol sobre o direito dos americanos de aceder ao rio Mississippi. O seu mandato como presidente terminou a 4 de novembro de 1785, tendo regressado a Chantilly; foi considerado pelos contemporâneos como um dos presidentes mais eficazes do Congresso.

Mapa da Expansão dos Estados Unidos da América após o Tratado de Paris de 1783
A Expansão dos Estados Unidos após o Tratado de Paris de 1783 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Em 1787, a Convenção Constitucional dos EUA reuniu-se em Filadélfia para elaborar um substituto para os fracos Artigos da Confederação. Lee, que recusou participar devido à sua saúde debilitada, estava, no entanto, preocupado com o facto de a Constituição proposta não conter uma Declaração de Direitos; propôs uma lista de emendas baseadas na Declaração de Direitos da Virgínia de 1776, redigida pelo seu amigo George Mason, que incluía as liberdades de expressão e de imprensa, bem como o direito a julgamentos por júri. As críticas de Lee à Constituição e a sua preferência por um governo central mais fraco valeram-lhe a ira dos federalistas, defensores da Constituição. No entanto, após a ratificação da Constituição dos EUA pelos estados, Lee concordou em exercer funções no novo Senado dos EUA por um mandato de quatro anos. Manifestou a sua satisfação quando o seu amigo George Washington venceu as eleições presidenciais dos EUA de 1789; escreveu uma carta ao general afirmando que o seu maior receio era que Washington se recusasse a assumir o cargo.

Washington assumiu, de facto, a presidência, tendo como vice-presidente o antigo aliado de Lee, John Adams. Mas Adams, um federalista convicto e defensor de um governo central forte, entrou rapidamente em conflito com o seu velho amigo Lee, que continuava a defender um governo federal limitado. A sua amizade transformou-se rapidamente numa rivalidade amarga depois de Adams ter atacado a integridade e a honra pessoal de Lee no plenário do Senado. Posteriormente, Lee aproveitou todas as oportunidades para criticar a conduta de Adams, chegando mesmo, a certa altura, a tentar retirar ao vice-presidente o direito de emitir o voto de desempate no Senado. No âmbito da sua agenda antifederalista, Lee opôs-se à criação de tribunais federais, acreditando que estes retirariam poder aos tribunais estaduais existentes.

Lee também se opôs ao plano do Secretário do Tesouro, Alexander Hamilton, de o governo federal assumir as dívidas estaduais para criar uma linha de crédito nacional; a Virgínia já tinha pago as suas dívidas e Lee não via razão para que os virginianos fossem sobrecarregados com as dívidas de outros estados. Lee e outros legisladores da Virgínia acabaram por concordar em apoiar o plano de Hamilton, mas, em troca, exigiram que a capital nacional proposta fosse construída junto ao rio Potomac. Hamilton e os seus aliados aceitaram o compromisso e, em 1790, o presidente Washington assinou a Lei da Residência, que designou um local junto ao rio Potomac como sede da futura capital (que se tornou Washington, D.C.).

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A Reforma e a Morte

No final do seu mandato, em maio de 1792, Lee soube que a Câmara dos Delegados da Virgínia estava a considerar elegê-lo para um segundo mandato. Escreveu-lhes uma carta, pedindo que o seu nome fosse retirado da lista de candidatos; tinha, nas suas próprias palavras, «ficado grisalho ao serviço do meu país» e referiu que tinha «infirmidades que só podem ser aliviadas por uma reforma tranquila» (McGaughy, pág. 217). Regressou a Chantilly para viver essa reforma tranquila e passou os seus últimos meses a melhorar a propriedade que tanto amava. A sua saúde continuou a deteriorar-se até falecer em Chantilly, a 19 de junho de 1794, aos 62 anos.

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Perguntas & Respostas

Era Richard Henry Lee parente de Robert E. Lee?

O pai fundador dos Estados Unidos, Richard Henry Lee (1732-1794), e o general confederado Robert E. Lee (1807-1870) eram primos em segundo grau, ambos membros da influente família Lee da Virgínia.

O que aconteceu a Richard Henry Lee depois de ter assinado a Declaração de Independência?

Depois de ter assinado a Declaração de Independência, Richard Henry Lee continuou a exercer funções no Congresso até à sua demissão, em 1779. Regressou ao Congresso em 1784, tendo acabado por assumir o cargo de presidente da Câmara, antes de exercer o cargo de senador dos Estados Unidos pela Virgínia, entre 1789 e 1792.

Por que razão Richard Henry Lee apoiou a Revolução Americana?

Richard Henry Lee apoiou a Revolução Americana sobretudo devido à sua indignação face à Lei de Quebec aprovada pelo Parlamento; esta lei atribuía ao Canadá o Vale do Rio Ohio, que tinha sido reivindicado pela Virgínia, privando assim os plantadores de tabaco da Virgínia, como Lee, dos campos férteis de que necessitavam para o cultivo do tabaco.

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Mark, H. W. (2026, julho 03). Richard Henry Lee. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22718/richard-henry-lee/

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Mark, Harrison W.. "Richard Henry Lee." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 03, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22718/richard-henry-lee/.

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Mark, Harrison W.. "Richard Henry Lee." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 03 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22718/richard-henry-lee/.

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