Brunilda da Austrásia

Celebre o Nosso Aniversário com Trivia!

Junte-se a nós no dia 23 de agosto para uma festa virtual gratuita de perguntas e respostas, com perguntas sobre civilizações antigas, história dos EUA, factos históricos curiosos, cultura pop e muito mais.

$561 / $5000
Andrew Eubanks
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
publicado em
Translations 3
bookmark_addbookmark_addedGuardar Artigo headphonesVersão Áudio printImprimir picture_as_pdfPDF
Brunhilda of Austrasia (by Unknown, Public Domain)
Brunilda da Austrasia Unknown (Public Domain)

Brunilda da Austrásia (cerca de 543-613) foi uma princesa visigoda que se uniu à dinastia merovíngia dos francos pelo casamento, tornando-se rainha consorte do reino oriental da Austrásia (correspondia à porção nordeste do reino franco, abrangendo territórios que hoje compreendem o leste da França, Luxemburgo, oeste da Alemanha, na região do Reno, e partes da Bélgica e Países Baixos). Após a morte brutal de sua irmã, vítima de uma conspiração da rainha Fredegunda na Nêustria, Brunilda usou a sua posição para articular planos e acumular poder, a fim de superar a sua rival. A rixa acabou se expandindo para conflitos indiretos por todo o território franco.

Casamento com Sigeberto

Brunilda era filha do rei Atanagildo (reinou 554-567), da Espanha visigoda, e é descrita pelo historiador medieval Gregório de Tours como uma "donzela de bela aparência" e "de bom comportamento" (IV. 27). Naquela época, o rei Sigeberto I da Austrásia (reinou 561-575) buscou sua mão em casamento, e ambos se uniram em 567. Por ocasião do matrimônio, Brunilda converteu-se do cristianismo ariano, sua fé original, ao catolicismo. Brunilda e Sigeberto pareciam ter um casamento feliz, a ponto de o meio-irmão de Sigeberto, Chilperico I da Nêustria (reinou 561-584), sentir inveja e conspirar para também obter uma esposa visigoda.

Remover Publicidades
Publicidade

Chilperico dispensou sua amante anterior, uma mulher de origem humilde chamada Fredegunda, para se casar com Galswinta, a irmã mais velha de Brunilda. No entanto, Galswinta e Chilperico não parecem ter encontrado a mesma felicidade que Brunilda e Sigeberto. Galswinta estava insatisfeita com a situação na corte neustriana e chegou a exigir que Chilperico se desfizesse de todas as suas concubinas e amantes. Insatisfeito com o casamento, Chilperico retomou o relacionamento com Fredegunda, e ambos decidiram eliminar Galswinta. Ela foi misteriosamente estrangulada até a morte em sua cama, enquanto Chilperico rapidamente tornava Fredegunda sua nova esposa.

Indignadas com a conspiração contra sua irmã, a Rainha Brunilda e a Rainha Fredegunda tornaram-se rivais ferozes

Indignadas com a conspiração contra sua irmã, a Rainha Brunilda e a Rainha Fredegunda tornaram-se rivais ferozes. Mesmo as intervenções do Rei Guntram I de Orleans (reinou 561 a 592) e do Bispo Germano de Paris conseguiram evitar as hostilidades apenas temporariamente. Enquanto a Nêustria e a Austrásia entravam em guerra e os homens francos combatiam no campo de batalha, a verdadeira guerra era travada nas sombras entre as duas rainhas.

Remover Publicidades
Publicidade

Na década de 570, a Austrásia estava vencendo a guerra contra a Nêustria, tendo ocupado a maior parte dos territórios neustrianos. Enquanto a população local da Nêustria jurava lealdade a Sigeberto, Chilperico escondia-se em Tournai. O Bispo Germano de Paris escreveu a Brunilda, suplicando-lhe que acalmasse a fúria de seu marido para que ele poupasse a vida de Chilperico; contudo, Brunilda, em sua busca por vingança, ignorou as cartas do bispo. No entanto, o rumo dos acontecimentos mudou quando Fredegunda enviou dois assassinos que mataram Sigeberto com adagas envenenadas durante o Cerco de Tournai.

Segundo Casamento

Sem o marido, Brunilda viu-se atuando ao lado de um príncipe merovíngio da Nêustria que havia sido deserdado, chamado Meroveu. Meroveu fora afastado por Fredegunda, pois a rainha neustriana desejava garantir o trono para seus próprios filhos, e Meroveu — fruto do primeiro casamento de Chilperico — não se encaixava nesse plano. Brunilda casou-se com Meroveu e ambos conspiraram contra Fredegunda por algum tempo, até que as forças neustrianas cercaram o casal na Igreja de São Martinho. Meroveu rendeu-se e foi submetido à tonsura como punição por sua revolta; ou seja, foi enviado para servir em um mosteiro e tornar-se sacerdote. Consequentemente, o casamento de Meroveu com Brunilda foi anulado. Meroveu acabaria escapando de seu cárcere religioso, mas, após o fracasso de uma tentativa de golpe, em 578, ordenou que seu servo o matasse, morrendo em desgraça.

Remover Publicidades
Publicidade

O Poder por Trás do Trono

Em 575, Childeberto II (reinou 575-596), filho de Brunilda e Sigeberto, ascendeu ao trono aos cinco anos de idade. Brunilda atuou como regente do jovem rei, tornando-se, na prática, o verdadeiro poder por trás do trono da Austrásia. Os nobres austrasianos insatisfeitos resistiram ao governo de Brunilda, mas ela convenceu o rei Guntram de Orleans a apoiá-la, garantindo à rainha a legitimidade de que precisava. Como líder competente e determinada, Brunilda empenhou-se em reparar antigas estradas da época romana, construir igrejas e fortalezas, reorganizar o orçamento do reino e reestruturar o exército austrasiano. Embora enfrentasse constante oposição da nobreza austrasiana, o fato de Guntram ter adotado Childeberto II como seu herdeiro apenas reforçou a legitimidade da autoridade dela.

Coin of Childebert II
Moeda de Childeberto II National Library of France (Public Domain)

Por volta de 584, Childeberto havia atingido a maioridade, mas Brunilda ainda mantinha certo poder nos bastidores. Três duques austrasianos opuseram-se à influência de Brunilda e decidiram assassinar Childeberto. A conspiração foi descoberta e um dos duques acabou morto. Os outros dois recuaram para uma fortaleza, apenas para serem derrotados pelas forças de Orleans. Após a insurreição, Orleans e a Austrásia assinaram o Pacto de Andelot, que estabelecia que, com a morte do rei Guntram, Childeberto ascenderia ao trono de Orleans e uniria o reino ao da Austrásia. Essa foi mais uma manobra estratégica de Brunilda, pois impediu efetivamente que o rei Clotário II da Nêustria (reinou 584-613) — filho e fantoche de Fredegunda — herdasse o trono de Orleans.

Guntram morreu em 592 e, conforme o Pacto de Andelot, Childeberto II tornou-se rei de Orleans (que estava sendo gradualmente conhecida como Borgonha, nome de um reino germânico que outrora existira na região). Naturalmente, eclodiu uma guerra entre a Austrásia-Borgonha, controlada nos bastidores por Brunilda, e a Nêustria, controlada por Fredegunda. Uma batalha notável desse conflito foi a Batalha de Droizy, em 593, na qual Fredegunda liderou pessoalmente as forças neustrianas rumo à vitória contra os soldados austrasiano-borgonheses de Brunilda.

Remover Publicidades
Publicidade

Regente da Austrásia-Borgonha

Em 596, aos 26 anos, o rei Childeberto II faleceu. Seus dois filhos, Teodeberto II (reinou 595–612) e Teodorico II (reinou 595–613), sucederam-no nos tronos da Austrásia e da Borgonha, respectivamente. Embora a Austrásia e a Borgonha fossem novamente reinos distintos, permaneciam unidas contra a Nêustria e continuavam a guerra contra Clotário II e Fredegunda. Da mesma forma, Brunilda mantinha sua influência sobre os netos. Mesmo após a morte de Fredegunda — rival de longa data de Brunilda — seu filho Clotário II prosseguiu com a guerra, nutrindo ambições semelhantes às de seu ancestral e homônimo Clotário I (reinou 511–558), que havia unificado a Frância meio século antes, tendo a Nêustria como sede daquele império. Infelizmente para o herdeiro de Fredegunda, ataques austrasianos e borgonheses ocorridos no ano 600 deixaram Clotário governando um território reduzido, que administrava apenas Beauvais, Amiens e Ruão.

Map of the Rise and Expansion of the Merovingians,  c. 639
Mapa da Ascensão e Expansão dos Merovíngios, cerca de 639 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

A partir desse momento, a facção oriental começou a se fragmentar internamente. Brunilda assumiu um amante chamado Protádio e buscou conceder-lhe mais poder, ordenando a morte de Bertoaldo, o Prefeito do Palácio da Borgonha. O cargo de Prefeito do Palácio era uma função especial ocupada por aqueles que administravam a casa real na Frância, conferindo certos privilégios e acesso ao poder. Em 604, Brunilda fez com que Teodorico da Borgonha enviasse Bertoaldo para uma propriedade rural às margens do rio Sena. Seguindo as ordens de Brunilda, Clotário II também enviou seu próprio prefeito do palácio, chamado Landrico, para encontrar Bertoaldo. Os neustrianos encontraram o prefeito borgonhês e o mataram, permitindo que Brunilda colocasse seu amante no lugar de Bertoaldo.

Buscando expandir o poder da Borgonha sobre a Austrásia, Brunilda e Protádio persuadiram Teodorico a entrar em guerra contra Teodeberto, alegando ao rei borgonhês que seu irmão era filho de um jardineiro. No entanto, guerreiros borgonheses que se recusaram a lutar em nome de Brunilda capturaram e mataram Protádio. Com o coração partido, Brunilda ordenou que o homem que matara seu amante fosse preso, torturado e executado.

Remover Publicidades
Publicidade
QUANDO A GUERRA ESTOUROU ENTRE A NEUSTRIA E A AUSTRÁSIA-BORGONHA, BRUNILDA LIDEROU A BATALHA CONTRA CLOTÁRIO II, FILHO DE SUA ANTIGA INIMIGA.

Em 611, a guerra entre a Borgonha e a Austrásia continuou, com Teodorico prometendo devolver o Ducado de Dentelin ao reduzido reino neustriano de Clotário em troca de sua neutralidade no conflito. Em 612, a Borgonha saiu vitoriosa da guerra contra a Austrásia; os borgonheses depuseram Teodeberto e mataram tanto ele quanto seu filho. A Austrásia e a Borgonha foram unidas novamente sob o governo do rei Teodorico II, até que este morreu pouco depois, vítima de disenteria. Teodorico tinha quatro filhos, mas, em vez de dividir o império novamente, a própria Brunilda decidiu que apenas Sigeberto II (reinou 613), filho de Teodorico, governaria o reino austrasiano-borgonhês. À medida que Brunilda eliminava aqueles que se opunham a ela, muitos aristocratas austrasianos e borgonheses fugiram para a Nêustria, buscando refúgio na corte de Clotário II e apoiando a Nêustria contra Brunilda. Warnachar, o Prefeito do Palácio da Austrásia, temia pelo jovem rei Sigeberto e receava que ele se tornasse — assim como os reis austrasianos que o antecederam — apenas mais um fantoche nas mãos de sua bisavó. Warnachar, juntamente com outros prefeitos como Rado, Pepino de Landen e Arnulfo de Metz, fugiu para a Nêustria para se aliar a ela contra a Austrásia.

Quando a guerra eclodiu entre a Nêustria e a Austrásia-Borgonha, Brunilda liderou o combate contra Clotário II — filho de sua antiga inimiga — na Batalha de Aisne, mas duques austrasianos e borgonheses traíram sua rainha, desertando para o lado da Nêustria durante a batalha. Essa reviravolta forçou Brunilda e Sigeberto II a fugirem do campo de batalha. Os monarcas refugiaram-se na cidade de Orbe, na atual Suíça, em busca de aliados germânicos, mas foram capturados pelas forças neustrianas. Todos os filhos de Brunilda, incluindo o rei Sigeberto II, foram mortos, com exceção do príncipe Meroveu que, tal como o Meroveu de outrora, conseguiu escapar de uma morte prematura ao custo de passar o resto da vida em um mosteiro medieval. Clotário assumiu o comando da Austrásia-Borgonha e, após 52 anos, o Reino Franco voltou a estar sob a coroa de um único governante, tornando-se Clotário II o terceiro rei de uma Frância unificada.

Execution of Brunhilda of Austrasia
Execução de Brunilda da Austrasia National Library of France (Public Domain)

Clotário acusou Brunilda pela morte de dez membros da família real franca e de eclesiásticos. Os soldados francos declararam que a morte seria o destino mais adequado para a impopular rainha. Como método de execução, os membros de Brunilda foram amarrados a cavalos selvagens que dispararam em direções opostas. Seus restos mortais foram incinerados para que não restasse nenhum vestígio dela.

Remover Publicidades
Publicidade

Relembrando a Rainha

O legado da Rainha Brunilda é controverso. Ela é elogiada por sua moralidade, virtude e inteligência, ao mesmo tempo em que é criticada por sua sede de poder e por uma determinação que beirava o excesso. Embora suas origens visigóticas tenham sido ponto de atrito com a população germânica da Frância, ela manteve influência na Austrásia mesmo após a morte; o Rei Clotário II viu-se obrigado a vilipendiar o legado dela e a atribuir à sua memória a culpa pelos problemas da Frância, numa tentativa de unificar o reino e combater as forças partidárias de Brunilda que resistiam ao seu governo. Ainda assim, Brunilda entra para a história como uma rainha de grande poder e influência, apesar de ter vivido numa época em que as mulheres não podiam ocupar o trono franco.

Remover Publicidades
Publicidade

Perguntas & Respostas

Quem foi Brunilda?

Brunilda da Austrásia (cerca de 543–613) foi uma princesa visigoda que se uniu à dinastia merovíngia dos francos pelo casamento, tornando-se rainha consorte e, posteriormente, regente da Austrásia.

Quem foi o marido de Brunilda?

O primeiro marido de Brunilda foi o rei Sigeberto I da Austrásia (reinou 561–575). Após a morte do marido, ela assumiu a regência em nome de seu filho, Childeberto II (reinou 575–596), e casou-se com um príncipe merovíngio da Nêustria que havia sido deserdado, chamado Meroveu. Após a morte de seu segundo marido, Brunilda teve um amante chamado Protádio.

Bibliografia

A World History Encyclopedia é uma Associada da Amazon e recebe uma contribuição na venda de livros elegíveis

Sobre o Tradutor

Sobre o Autor

Cite Este Artigo

Estilo APA

Eubanks, A. (2026, agosto 19). Brunilda da Austrásia. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20820/brunilda-da-austrasia/

Estilo Chicago

Eubanks, Andrew. "Brunilda da Austrásia." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, agosto 19, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20820/brunilda-da-austrasia/.

Estilo MLA

Eubanks, Andrew. "Brunilda da Austrásia." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 19 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20820/brunilda-da-austrasia/.

Remover Publicidades