Luís XVI da França

Definição

Harrison W. Mark
por , traduzido por Ricardo Albuquerque
publicado em 05 Setembro 2022
Disponível noutras línguas: Inglês, francês, espanhol
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Portrait of Louis XVI of France (by Antoine-François Callet, Public Domain)
Retrato de Luís XVI da França
Antoine-François Callet (Public Domain)

Luís XVI (v. 1754-1793) foi o último rei da França (r. 1774-1792) antes da monarquia ser abolida durante a Revolução Francesa (1789-99). Um rei indeciso, suas tentativas de lidar com as crises da década de 1780 falharam, levando à Revolução, à destruição da monarquia e sua morte pela guilhotina em 21 de janeiro de 1793.

As várias tentativas de reconciliação com a Revolução em andamento fracassaram e todas as esperanças de que Luís XVI pudesse se tornar um obediente rei cidadão morreram após a Fuga para Varennes, em 1791. Governando a França inicialmente como um rei absolutista e depois, nominalmente, como um monarca constitucional, Luís acabou sendo forçado a assistir à fundação da Primeira República Francesa, quando recebeu o humilde nome de Cidadão Luís Capeto. Único rei francês executado, sua morte marca o fim de mil anos de monarquia francesa ininterrupta.

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Início da Vida

O futuro Luís XVI da França nasceu em 23 de agosto de 1754, como Luís-Augusto da França, no palácio de Versalhes. Era filho de Luís-Fernando, delfim da França, ele próprio o único filho sobrevivente do rei Luís XV da França (r. 1715-1774). O delfim havia se casado inicialmente com a infanta Maria-Teresa da Espanha, um matrimônio com muita afeição; sua morte no parto, com 20 anos, devastou o delfim, forçado a se casar novamente com rapidez para garantir a linhagem familiar. Em 1747, ele tomou Maria-Josefa da Saxônia como segunda esposa. Embora este casamento tenha sido relativamente indiferente, foi frutífero, produzindo sete crianças.

Alguns historiadores creditam a futura indecisão de Luís-Augusto como rei à tutelagem de Vauguyon.

Luís-Augusto, que recebeu o título de duque de Berry ao nascer, era o terceiro filho do delfim, mas nenhum de seus irmãos mais velhos sobreviveria à infância. A seu nascimento seguiram-se dois irmãos mais novos, Luís-Estanislau, conde de Provença, em 1755 (o futuro Luís XVIII da França) e Carlos-Filipe, conde de Artois, em 1757 (o futuro Carlos X da França). As duas crianças restantes a serem adicionadas à crescente família do delfim foram Maria-Clotilde, em 1759, e Elizabeth-Filipa, em 1764.

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Na infância, Luís-Augusto era forte e saudável. Gostava de esportes ao ar livre e com frequência saía para caçar com seu avô, Luís XV, e seus dois irmãos mais velhos. Também se mostrava bastante estudioso, destacando-se particularmente nos estudos de latim, geografia e história. Ainda assim, a despeito destas características, Luís-Augusto claramente não era talhado para ser rei. Recolhido, solitário e sem charme, o jovem duque de Berry com frequência acabava ofuscado pelo irmão mais velho, Luís-José, duque de Borgonha, que já mostrava os sinais de possuir a vitalidade e carisma necessários num bom líder. Porém, a morte dele, em 1761, com apenas nove anos, colocou Luís-Augusto em segundo lugar na linha de sucessão. Quatro anos depois, seu pai sucumbiu à tuberculose, a mesma doença que também levaria sua mãe antes do fim da década. Após a morte de seu pai, em 20 de dezembro de 1765, Luís Augusto, aos onze anos, herdou o título de delfim, tornando-se herdeiro do Reino da França.

The Duke of Berry and the Count of Provence as Children
O Duque de Berry e a Condessa da Provença quando Crianças
François-Hubert Drouais (Public Domain)

Com a ausência de uma figura paterna, a responsabilidade de criar o futuro rei recaiu sobre o duque de La Vauguyon. Tutor rígido e conservador, o currículo escolar de Vauguyon consistia principalmente em religião, moralidade e humanidades, embora ele tenha falhado em alterar as lições para serem mais adequadas a um herdeiro da França. De fato, alguns historiadores creditam a futura indecisão de Luís-Augusto como rei à tutelagem de Vauguyon, já que este ensinava que a timidez era uma virtude e que o futuro monarca jamais deveria revelar seus verdadeiros pensamentos ou opiniões aos demais. Luís-Augusto adotaria este último conselho ao pé da letra, o que levou a muitos debates sobre seu nível de inteligência e seus verdadeiros pensamentos sobre a Revolução.

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Casamento e Filhos

Em 1768, para fortalecer a nova aliança franco-austríaca, Luís XV arranjou o casamento de seu herdeiro com a arquiduquesa austríaca Maria Antônia, filha mais nova da imperatriz dos Habsburgo, Maria Teresa (r. 1740-1780). O matrimônio foi celebrado em Versalhes dois anos depois, em 16 de maio de 1770, quando Luís-Augusto estava com 15 anos e sua noiva com 14. A despeito de adotar a versão francesa de seu nome, Marie Antoinette [Maria Antonieta], os franceses não esqueceriam as origens estrangeiras da nova delfina e referiam-se a ela zombeteiramente como “a austríaca”. Ainda tímido e desajeitado, Luís-Augusto mostrou-se sem vontade ou capacidade de consumar seu casamento na noite de núpcias, um dever marital que não cumpriria pelos sete anos seguintes. Além disso, o jovem delfim com frequência agia friamente com sua esposa, preferindo cavalgar ou caçar à sua companhia. Isso causaria muito pesar e embaraço para o jovem casal, pois a ausência de filhos levaria à ridicularização de Luís-Augusto e aos rumores sobre a infidelidade e depravação sexual de Maria Antonieta.

A ausência de crianças de seu casamento tem sido objeto de muitos debates. Luís não era impotente, como originalmente se pensou, nem provavelmente sofria de fimose, uma condição física que impediria o ato sexual. Não era culpa de Maria Antonieta, que claramente queria filhos. Alguns historiadores postulam que o celibato autoimposto seria resultado de um problema psicológico; François Furet sugere que Luís XVI temia ser controlado ou manipulado pela esposa da mesma forma que acontecera com seu avô e suas várias amantes, mais recentemente pela madame Du Barry.

Marie Antoinette in 1775
Maria Antonieta em 1775
Jean-Baptiste André Gautier-Dagoty (Public Domain)

Seja qual for a razão, o casal somente consumou o casamento após o irmão de Maria Antonieta, José II, sacro imperador romano (r. 1765-1790), visitar Paris incógnito em 1777. Numa série de cartas, José descreveu Luís XVI como “fraco, mas não imbecil”, destacando que havia “algo apático tanto em seu corpo quanto na mente” (Fraser, 156). Descrevendo Luís e Maria Antonieta como “dois tolos completos”, José deu ao casal conselhos que aparentemente foram úteis, pois, no ano seguinte, Luís e Maria Antonieta escreveram ao imperador anunciando a gravidez da rainha e agradecendo-lhe por sua ajuda (Fraser, 157).

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A primeira filha do casal, Maria Teresa, nasceu em 1778. Seguiu-se o nascimento do delfim, Luís-José, em 1781, e outro menino, Luís-Charles, em 1785. Uma última filha, Sofia, nasceu em 1787, mas viveu apenas 11 meses. Luís e sua esposa dedicaram-se a estas crianças, cujos nascimentos trouxeram carinho e afeição a um casamento anteriormente distante. Ainda assim, o prejuízo em termos de reputação persistiu; Luís XVI transformou-se em tema de piadas, enquanto a rainha continuou a ser acusada de adultério, com alguns indo tão longe a ponto de afirmar que as crianças reais não seriam filhas do soberano. Acusava-se também Maria Antonieta de ser uma perdulária imprudente e espiã traiçoeira, mas Luís XVI continuou a defendê-la diante de grandes escândalos, tais como o caso do colar de diamantes, em 1786. O fato de que Luís XVI, visto como um rei ético, pudesse estar casado com uma mulher como Maria Antonieta gerou muita oposição, apressando sua queda.

Rei da França e Navarra

Em 10 de maio de 1774, Luís XV morreu aos 64 anos. Com apenas 19 anos, Luís-Augusto ascendeu ao trono como Luís XVI, rei da França e Navarra. Porém, junto com o reino de seu avô, ele também herdou uma enorme dívida pública e questões sociais que já corroíam a estrutura do Ancien Régime. A coroação oficial de Luís em Reims, em junho de 1775, foi precedida por uma enorme onda de tumultos por pão, conhecidos como a Guerra do Trigo, um notável presságio do que estava por vir.

Luís XVI chegou ao trono jovem e impressionável, carente de autoconfiança e habilidades sociais.

As questões que o país enfrentava eram calamitosas e a França necessitava da orientação de um líder forte e estável, exatamente o oposto de Luís XVI. Ele chegou ao trono jovem e impressionável, carente de autoconfiança e habilidades sociais. Já era um homem acima do peso, de movimentos lentos e míope, que apreciava comer e beber em excesso. Raramente deixava suas verdadeiras opiniões serem conhecidas, nem mesmo em seus diários particulares, que lembram mais livros contábeis do que qualquer outra coisa. Furet assinala como o diário de Luís XVI traz notáveis indicações de seu caráter, afirmando que “seu diário jamais trai o menor sinal de emoção, ou mesmo comentários pessoais: ele revela uma alma sem sentimentos fortes e uma mente indolente pela falta de exercício” (237).

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A avaliação de Furet pode ser um tanto severa, pois o rei certamente tinha sentimentos fortes a respeito de algumas coisas. Porém, em geral os temas pelos quais tinha opiniões mais fortes foram as que contribuíram para sua derrocada. Por exemplo, o período inicial de seu reinado pode ser caracterizado pelo forte desejo de ganhar o amor do povo. Com este propósito, ele reverteu a controversa decisão do chanceler de seu avô, René Maupeou, e restaurou o poder dos parlements, as 13 cortes judiciais francesas. Certamente, Luís XVI sabia que sua decisão era insensata, pois os parlements haviam sido um problema constante para Luís XV durante os anos finais do seu reinado, bloqueando quaisquer medidas que o velho monarca havia tentado efetivar. Ainda assim, parecia acreditar que a iniciativa valeria a pena para conquistar apoio popular. Ele pensou que seu dever era ouvi-los; a opinião pública, disse uma vez, "nunca está errada" (Andress, 13).

King Louis XVI of France in Grand Royal Costume, 1779
O rei Luís XVI da França com a Grande Vestimenta Real, 1779
Antoine-François Callet (Public Domain)

Luís XVI ouviu a opinião pública novamente em 1778, quando decidiu enviar ajuda às 13 colônias da América do Norte que se rebelavam contra a Grã-Bretanha. Instigado por um círculo de conselheiros belicosos, o rei convenceu-se de que o envolvimento francês na Revolução Americana deixaria os britânicos embaraçados e restauraria o prestígio francês, perdido após a derrota na Guerra dos Sete Anos. A guerra também era popular entre o povo, que romantizava a América e suas dificuldades. O governo de Luís declarou guerra oficialmente à Grã-Bretanha em março de 1778. Embora o empreendimento militar tenha sido bem-sucedido no final, aumentou enormemente a já gigantesca dívida pública, enquanto o sucesso dos americanos deixou muitos franceses desiludidos com a ideia da monarquia despótica.

Luís XVI patrocinou as ciências, particularmente as experiências aeronáuticas de Étienne Montgolfier, que maravilhou uma multidão ao enviar um balão de ar quente a 18 metros acima de Versalhes, carregando uma ovelha, um pato e um galo em sua cesta. Pilâtre de Rozier, mais tarde, decolou de Versalhes num balão e permaneceu no ar por 25 minutos. Em 1785, o interesse do rei sobre as questões náuticas levou-o a promover a circum-navegação da terra pelo explorador Jean-François de La Pérouse; a mesma obsessão marítima o levou a visitar o porto de Cherburgo em 1786, onde dispendiosas instalações portuárias estavam sendo construídas. Recepcionado com grande fanfarra e gritos de Vive le roi ("Viva o rei"), Luís descreveria mais tarde sua viagem a Cherburgo como um dos poucos momentos em que foi verdadeiramente feliz durante seu reinado. A despeito de seu devotado catolicismo, Luís XVI aprovou o Édito de Versalhes de 1788. Também conhecido como Édito de Tolerância, o documento restaurou os direitos civis dos protestantes franceses, 102 anos depois de terem sido retirados por Luís XIV e da Revogação do Édito de Nantes (a completa liberdade de religião não viria até a Revolução).

A Decadência da Monarquia

Na década de 1780, tornou-se impossível ignorar a crise financeira. Apresentando uma lista de reformas financeiras, os ministros de Luís viram-se bloqueados pelos parlements, que aproveitaram a oportunidade de recuperar parte de sua autoridade. A Revolta dos Parlements de 1788 contribuiu para entrelaçar as dificuldades financeiras da França com o crescente revolta social, à medida que toda a nação clamava pelos Estados-Gerais, a reunião dos três estados da França pré-revolucionária (clero, nobres e plebeus). Em agosto, Luís XVI não teve outra escolha senão concordar.

Em 5 de maio, os Estados-Gerais de 1789 se reuniram em Versalhes, com deputados de todos os três estados, sob a presidência de um ministro popular, Jacques Necker. Porém, a reunião imediatamente entrou em compasso de espera, pois o Terceiro Estado recusou-se a fazer a chamada até que fosse assegurado que os três estados não votariam separadamente, já que, nesse caso, os plebeus seriam sempre derrotados pelo clero e nobreza unidos. Com os estados paralisados, Luís XVI exigiu que chegassem a uma conclusão rápida. Porém, sua atenção foi desviada pela morte súbita de seu filho de sete anos e herdeiro, Luís-José, em 4 de junho. Enquanto Luís estava distraído, o Terceiro Estado declarou-se uma Assembleia Nacional e proclamou a ilegalidade de todos os impostos existentes. Após uma série de desentendimentos, os membros da Assembleia fizeram o Juramento do Jogo de Péla, jurando não se dissolver até que tivessem elaborado a nova constituição da França. A Revolução tinha começado.

The Opening of the Estates-General
A Abertura dos Estados-Gerais
Isidore-Stanislas Helman (Public Domain)

Sentindo o poder se esvair entre os dedos, Luís XVI decidiu agir. Ordenou que 30.000 soldados viessem para a região de Paris e demitiu os ministros reais que sentia serem simpáticos aos revolucionários. Um deles era Necker, cuja dispensa, em 11 de julho, provocou uma explosão popular. Em 14 de julho, os revoltosos invadiram a Bastilha, a fortaleza transformada em prisão que simbolizava o poder da monarquia francesa. Após a Queda da Bastilha, Luís recuou, renomeando Necker e ordenando que as tropas deixassem Paris antes de saudar o povo de um balcão para mostrar seu suposto compromisso com as metas dos revolucionários. Outros realistas ficaram mais perturbados com a queda da Bastilha; em 16 de julho, o irmão de Luís, o conde de Artois, fugiu da França com uma comitiva de apoiadores.

A Assembleia Nacional estava determinada a destruir o Ancien Régime e construir uma nova sociedade baseada em liberdade, igualdade e fraternidade. Na noite de 4 de agosto, rascunhou os Decretos de Agosto, que aboliram o feudalismo; semanas depois, aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que garantia a todos direitos naturais; em julho de 1790, aprovou a Constituição Civil do Clero, que sujeitava a Igreja Católica francesa à autoridade do estado. Luís XVI aceitou todos os três decretos, ainda que contra a vontade. Quando tentou recusar os dois primeiros, milhares de mulheres do mercado parisiense e Guardas Nacionais marcharam para o Palácio de Versalhes, obrigando o rei e sua família a se mudar para Paris, onde foram mantidos como prisioneiros não-oficiais no Palácio das Tulherias. Com a Revolução radicalizada e sua posição como governante absoluto vacilando, mesmo alguém tão indeciso quando Luís XVI percebia que algo precisava ser feito.

Inimigo da Revolução

Na madrugada de 20-21 de junho de 1791, Luís e sua família tentaram escapar das Tulherias. A Fuga para Varennes fracassou; embora disfarçado, Luís acabou reconhecido pelo seu retrato do assignat [nota emitida pelo governo revolucionário] de 50 livres e reconduzido de volta a Paris pela Guarda Nacional. Este foi um divisor de águas da Revolução; antes disso, o rei havia sido encarado por muitos como benevolente e enganado pelos seus ministros corruptos. Agora, estava claro que o próprio Luís XVI hostilizava a Revolução, pois ele deixara um manifesto condenando os revolucionários, suas metas e a nova Constituição. Não havia mais salvação: o povo pedia sua remoção e cresciam os apelos para a criação da república.

Arrest of Louis XVI and His Family in Varennes, 1791
Prisão de Luís XVI e sua Família em Varennes, 1791
Thomas Falcon Marshall (Public Domain)

Durante o outono e inverno de 1791, a situação de Luís se deteriorou. Em setembro, ele consentiu com a Constituição de 1791 e foi oficialmente reconhecido pelo título monarquista constitucional de “Rei dos Franceses”, em vez do anterior título absolutista de “Rei da França e Navarra”. Confinados nas Tulherias, ele e Maria Antonieta ainda esperavam a salvação do exterior, onde seus irmãos, os condes de Artois e Provença estavam reunindo um exército de emigrados, e o irmão da rainha, o imperador austríaco Leopoldo II (r. 1790-1792) tornava-se cada vez mais hostil à Revolução. Em abril de 1792, as tensões chegaram ao auge e a França declarou guerra preventiva contra a Áustria e a Prússia, deflagrando as Guerras Revolucionárias Francesas. Luís e Maria Antonieta esperavam que os austríacos pudessem prevalecer e restaurá-los no poder.

Esta esperança seria em vão. Em 10 de agosto de 1792, uma multidão de parisienses invadiu o Palácio das Tulherias, amedrontada pela ameaça de que exércitos estrangeiros destruíssem a cidade. Luís XVI foi preso oficialmente três dias depois e encarcerado com sua família no Templo, uma prisão fortificada onde passaria o resto da vida. Em 21 de setembro, a Assembleia declarou a França uma república e, dali por diante, Luís passaria a ser conhecido simplesmente como Cidadão Luís Capeto. Em seguida à descoberta de suas cartas particulares num baú de ferro, o Cidadão Capeto foi julgado em dezembro sob a acusação de traição e condenado em janeiro de 1793. A Assembleia decidiu que a execução seria imediata; o próprio primo de Luís estava entre os que votaram pela pena capital.

Luís disse adeus a sua esposa e filhos na noite de 20 de janeiro, prometendo a uma chorosa Maria Antonieta que iria visitá-los novamente na manhã seguinte. Foi uma promessa que não pôde cumprir. Na manhã de 21 de janeiro, o antigo rei recebeu a comunhão às 6 da manhã, pedindo a seu valete que desse seu anel de casamento à rainha e o sinete real para seu filho. Foi levado para o patíbulo na Praça da Revolução, onde tentou se dirigir às 20.000 pessoas presentes: “Morro inocente de todos os crimes pelos quais fui acusado. Perdoo aqueles que me levaram à morte e rezo para que o sangue vocês estão prestes a derramar nunca seja requerido da França...” (Schama, 669).

Execution of Louis XVI
Execução de Luís XVI
Isidore Stanislas Helman (Public Domain)

O repentino rufar de tambores abafou o restante de seu discurso. Luís foi então amarrado a uma tábua e empurrado para baixo da lâmina da guilhotina. Após a execução, o carrasco ergueu a cabeça decapitada para mostrá-la à multidão delirante, que mergulhou papel e fitas no sangue real como souvenires. O rei tinha 38 anos e sua morte representou um momento decisivo na Revolução e nas guerras que se seguiriam.

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Perguntas e respostas

Quem foi Luís XVI?

Luís XVI (1754-1793) foi o último rei da França antes da Revolução Francesa (1789-99), que aboliu a monarquia. Ele se opôs à maioria das reformas revolucionárias e foi decapitado sob a acusação de traição em 21 de janeiro de 1793.

O que fez Luís XVI durante seu reinado?

No início do reinado de Luís XVI, ele envolveu a França na Revolução Americana, restaurou os direitos civis dos protestantes franceses e financiou expedições de exploração. Nos dias atuais, ele é lembrado principalmente pela oposição à Revolução Francesa e subsequente execução.

Por que Luís XVI era impopular?

Luís XVI ficou alienado de seu povo devido à sua indecisão, inabilidade em lidar com as crises da França e pela defesa de Maria Antonieta. Ele constantemente lutava contra as políticas da Revolução Francesa e tentou escapar no país na Fuga para Varennes, um evento que o expôs como desleal e hostil à Revolução.

Por que Luís XVI foi executado?

Luís XVI foi julgado por alta traição em dezembro de 1792 pela Convenção Nacional Francesa. Condenado por conspirar com nações estrangeiras, acabou guilhotinado em 21 de janeiro de 1793.

Sobre o tradutor

Ricardo Albuquerque
Ricardo é um jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o autor

Harrison W. Mark
Harrison Mark é graduado pela SUNY Oswego, onde estudou história e ciência política.

Citar este trabalho

Estilo APA

Mark, H. W. (2022, Setembro 05). Luís XVI da França [Louis XVI of France]. (R. Albuquerque, Tradutor). World History Encyclopedia. Obtido de https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20340/luis-xvi-da-franca/

Estilo Chicago

Mark, Harrison W.. "Luís XVI da França." Traduzido por Ricardo Albuquerque. World History Encyclopedia. Última modificação Setembro 05, 2022. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20340/luis-xvi-da-franca/.

Estilo MLA

Mark, Harrison W.. "Luís XVI da França." Traduzido por Ricardo Albuquerque. World History Encyclopedia. World History Encyclopedia, 05 Set 2022. Web. 21 Jun 2024.