Colónia de Roanoke

A Colónia que Desapareceu
Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Map of Virginia by John White (by John White, CC BY-NC-SA)
Mapa da Virgínia por John White John White (CC BY-NC-SA)

A Colónia de Roanoke foi a primeira colónia inglesa na América do Norte, situada no que é hoje a Carolina do Norte, nos EUA. Fundada em 1585, abandonada e posteriormente repovoada em 1587, os colonos demonstraram pouca consideração pelo novo ambiente e entraram rapidamente em conflito com os povos que já habitavam a região. Condenado ao fracasso, este projeto colonial inicial carecia de planeamento adequado e de apoio logístico. Além disso, um ataque a uma aldeia indígena e o assassinato do seu chefe iriam deteriorar definitivamente as relações com os povos que se seguiram. O segundo grupo de colonos de Roanoke foi deixado à sua sorte e, quando as embarcações de reabastecimento — que se atrasaram irremediavelmente — finalmente chegaram, não se encontrou qualquer vestígio deles, exceto uma palavra gravada num tronco de árvore: «Croatoan». A explicação mais provável para o destino dos colonos é que tenham sido mortos pelos índios de Roanoke, ansiosos por libertar a ilha deste incómodo proveniente do Velho Mundo.

1584: Primeiro contacto

A Inglaterra tinha ficado um pouco para trás na corrida europeia para colonizar partes do mundo recém-descobertas. Enquanto os espanhóis se ocupavam a saquear as Américas e os portugueses já há muito comercializavam na África Ocidental, Isabel I de Inglaterra (reinou 1558-1603) contentava-se em financiar corsários que roubavam os navios do tesouro espanhol que traziam o saque das Américas. Em março de 1584, no entanto, ela acabou por concordar em tentar estabelecer uma colónia na região que Sir Walter Raleigh (cerca de 1552-1618) viria a batizar em sua honra: Virgínia. Esta região, a atual Carolina do Norte nos EUA, foi visitada por ingleses no verão de 1584, uma vez que Raleigh estava ansioso por exercer a patente de seis anos concedida por Isabel para estabelecer uma colónia no Novo Mundo, onde os colonos teriam direitos iguais aos de qualquer cidadão na Inglaterra.

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John White pintou a colónia, a vida selvagem e os povos da região, criando um registo pictórico inestimável que ainda hoje se conserva.

A expedição de 1584, frequentemente designada por Expedição Amadas-Barlowe em homenagem aos seus dois líderes, explorou a região e estabeleceu contacto com os índios, cujo principal povoado se situava na Ilha de Roanoke. As relações foram amigáveis e obtiveram-se carne e peixe em troca de tecido e vinho. O chefe local, um tal de Wingina, chegou mesmo a receber os europeus com um grande banquete. Dois índios de Roanoke ofereceram-se então para acompanhar os exploradores de regresso a Inglaterra: Manteo e Wanchese. De volta a casa, Barlowe descreveu a Virgínia como uma terra de abundância com nativos pacíficos e exibiu as peles e as pérolas que tinha adquirido através do comércio. Parecia que este era, de facto, um local que merecia uma investigação mais aprofundada e um bom candidato para a Inglaterra estabelecer a sua primeira colónia permanente.

1585: O Primeiro Assentamento

Mais uma vez, Raleigh foi o mentor por trás do projeto para extrair as riquezas que todos esperavam que a nova terra pudesse proporcionar. Infelizmente, com o otimismo típico da época, os europeus não tinham grande noção dos desafios envolvidos e muito pouca preocupação com os povos que já habitavam a região. Estes dois erros combinariam-se e levariam ao fracasso final do primeiro projeto de colonização da Inglaterra. Ao longo do caminho, houve aventura, dificuldades, morte e algum mistério.

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Arrival of the Roanoke Island Colonists
A Chegada dos Colonizadores na Ilha de Roanoke John White (Public Domain)

Em 1585, então, o aventureiro Richard Grenville (1542-1591) recebeu o comando de uma pequena frota que partiu para a América do Norte transportando um grupo de colonos. Isabel I não concedeu qualquer apoio financeiro, apesar da lisonja implícita na escolha do nome por parte de Raleigh, mas disponibilizou à expedição o galeão de guerra Tyger, de 160 toneladas. Grenville partiu de Plymouth a 9 de abril de 1585 com a sua frota de cinco barcas e pinaças, dos quais o Tyger era o maior. A tripulação incluía um jovem Thomas Cavendish (1560-1592), que mais tarde daria a volta ao mundo entre 1586 e 1588. Outro nome famoso era o de John White († 1593.), o célebre cartógrafo e artista que mapeou e captou as paisagens deste recanto do Novo Mundo e que já tinha acompanhado Martin Frobisher na sua busca pela Passagem do Noroeste na década de 1570. White viria a pintar a colónia, a vida selvagem e os povos da região, criando um registo pictórico inestimável que ainda hoje sobrevive. Na verdade, pode-se dizer que White foi o único sucesso de toda a expedição. Também a bordo estavam os nativos que regressavam, Manteo e Wanchese.

Inicialmente, houve algum comércio entre os colonos europeus e os índios de Roanoke.

As coisas não começaram bem quando uma tempestade, em meados de maio, separou a frota e o «Grenville», a bordo do Tyger, foi desviado da rota, acabando por chegar a Porto Rico. Alguns pequenos navios espanhóis e portos foram então saqueados nas Caraíbas — tal como sempre se pretendera —, a fim de ajudar a financiar a expedição. Depois de se reagruparem e reabastecerem em Hispaniola, três navios abriram caminho com cautela através dos difíceis baixios dos Carolina Banks. Em meados de julho, o galeão Tyger encalhou e a água do mar infiltrou-se nos porões do navio, estragando grande parte dos alimentos destinados aos colonos. Ao trio de navios juntaram-se então as duas embarcações restantes, que também se tinham perdido na tempestade.

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Os colonos, todos do sexo masculino, eram liderados por Ralph Lane († 1603) e, incapazes de chegar ao continente propriamente dito, foram deixados na Ilha de Wokokan. Lane e Grenville não se davam bem e os colonos mudaram-se para o extremo norte da vizinha Ilha de Roanoke quando o marinheiro regressou a Inglaterra em busca de mais provisões. Lane ficou com a embarcação mais pequena, a pinça, com a qual poderia explorar a região. Inicialmente, houve algum comércio entre os colonos e os índios de Roanoke, graças a Manteo e Wanchese, que atuaram como intermediários. Os índios também lhes falaram do que pareciam ser jazidas de ouro e cobre a norte. Utilizando a pinça, Lane liderou uma expedição de exploração até à Baía de Chesapeake.

North American Indian Warrior by John White
Guerreiro Indígena da América do Norte, por John Whit John White (CC BY-NC-SA)

De volta a Roanoke, quando a primavera chegou e os mantimentos dos colonos começaram a escassear desesperadamente, as relações com os nativos azedaram. Os colonos tinham chegado demasiado tarde na estação para cultivarem os seus próprios alimentos — embora, de qualquer forma, poucos deles tivessem experiência em agricultura — e a perda dos mantimentos quando o Tyger encalhou revelou-se agora decisiva. Os índios não estavam dispostos ou não podiam ceder nada dos seus próprios e escassos mantimentos, e as relações tornaram-se cada vez mais hostis. Por volta de meados de junho, Manteo informou Lane de que os índios planeavam atacar a colónia e, por isso, Lane atacou primeiro numa incursão que matou o chefe Wingina. Felizmente para os europeus, ajuda externa chegaria dentro de uma semana.

Entretanto, Grenville, tal como a maioria dos marinheiros isabelinos, nunca recusava a oportunidade de obter algum lucro, caso esta se apresentasse. Ao largo das Bermudas, capturou o galeão Santa Maria de San Vicente, de 300 toneladas, quando regressava a casa. A captura de açúcar, marfim e especiarias iria cobrir todos os custos da expedição. No verão seguinte, Grenville regressou à Virgínia com novos mantimentos para a colónia, mas, sem o marinheiro saber, o empobrecido Lane e os seus companheiros já tinham, a 19 de junho de 1586, partido e navegado de volta para Inglaterra com Sir Francis Drake, recém-chegado de um dos seus ataques contra os espanhóis nas Caraíbas. Grenville perdeu o grupo por apenas algumas semanas. Grenville deixou, de facto, 15 homens e provisões para dois anos, para que estes pudessem aguentar até à chegada de novos colonos, mas nunca mais se soube nada destes homens.

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1587: A «Colónia Perdida»

Apesar das provações e tribulações da primeira tentativa de colonização, o interesse foi despertado pelos colonos que regressaram e exibiram novidades como o tabaco e as batatas. Consequentemente, em 1587, foi organizada uma segunda expedição colonizadora a Roanoke, mais uma vez orquestrada por Raleigh. John White seria o governador da colónia, a presidir aos 117 colonos. Desta vez, o grupo incluía famílias, pelo que havia 89 homens, 17 mulheres e 11 crianças. Cada família ou homem receberia pelo menos 500 acres de terra concedidos pela Coroa (partia-se do princípio de que este território pertencia a Isabel, na ausência de qualquer outra presença europeia. Os direitos dos nativos não eram tidos em conta). O plano era escolher um novo local na zona da Baía de Chesapeake, mas como as tripulações dos navios da expedição estavam mais interessadas em praticar a pirataria no Caribe do que em navegar por vias navegáveis sem valor, os colonos foram deixados de volta na Ilha de Roanoke a 22 de julho de 1587. Naturalmente, os índios de Roanoke não tinham simplesmente perdoado e esquecido o ataque de Lane à sua aldeia e o assassinato do seu chefe, em 1585, pelo que não havia realmente qualquer esperança de estes novos colonos estabelecerem uma parceria comercial pacífica. Isto tornou-se dolorosamente óbvio quando um colono, George Howe, foi encontrado morto na praia a 28 de julho.

Secoton Village by John White
Vilarejo Seocoton por John White John White (CC BY-NC-SA)

Em agosto, os colonos solicitaram que White regressasse pessoalmente a Inglaterra para persuadir o governo a enviar suprimentos com urgência. White concordou, embora isso significasse deixar a sua família, incluindo a sua neta, Virginia Dare, a primeira colona inglesa a nascer nas Américas. White regressou à Inglaterra, acompanhado por um índio, em outubro de 1587, mas só em abril de 1588 é que conseguiu partir para Roanoke com dois navios de abastecimento. Infelizmente, os dois navios envolveram-se num confronto com uma embarcação espanhola e foram obrigados a regressar à Inglaterra. Depois, a Armada Espanhola atacou a Inglaterra e qualquer ideia de socorro para Roanoke foi adiada até 1590. Quando White finalmente regressou à colónia, a 16 de agosto de 1590, não havia qualquer vestígio dos colonos na paliçada abandonada, exceto uma palavra gravada num tronco de árvore: «Croatoan». Este era o nome de uma ilha situada a cerca de 80 quilómetros (50 milhas) de distância, o que sugere que os colonos tinham decidido mudar-se para lá, talvez em busca de maior segurança. White não conseguiu investigar essa ilha devido às tempestades e foi obrigado a regressar a Inglaterra. Só podemos imaginar a sua frustração por ter de abandonar a sua família. A colónia de Roanoke ficou então amplamente conhecida como a «Colónia Perdida». Nunca se descobriu o destino final dos colonos de Roanoke, mas a explicação mais provável é que tenham sido mortos, mais cedo ou mais tarde, pelos nativos americanos em vingança pela agressão de Lane em 1585.

Legado e rumores

Thomas Hariot (1560-1621), um dos colonos de 1585, escreveu um relato das suas experiências em A Brief and True Report of the New Found Land of Virginia (Um Relato Breve e Verdadeiro da Nova Terra Encontrada da Virgínia). Este relatório foi publicado em 1588 e, traduzido para francês, alemão e latim, contribuiu muito para convencer as autoridades de que a América do Norte poderia ser uma fonte de riqueza e não servir simplesmente como base para atacar navios espanhóis. O relatório incluía também 23 desenhos de John White, preservando assim para a posteridade esta visão inicial dos nativos americanos da região, além de fornecer cartas de navegação e registos da flora e fauna locais. Por fim, o fracasso da Colónia de Roanoke pode ter levado Walter Raleigh a tentar a exploração por conta própria. A primeira expedição do marinheiro em busca de El Dorado na América do Sul, em 1595, pode ter sido motivada pela necessidade de restaurar a sua posição na corte de Isabel I.

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Os colonos ingleses regressariam à América do Norte, evidentemente, primeiro com a fundação de Jamestown, na Virgínia, em 1607, e depois com os Peregrinos do Mayflower, que fundaram a Colónia de Plymouth, em Massachusetts, em 1620. Os colonos de Jamestown tentaram, de facto, descobrir o que tinha acontecido aos colonos de Roanoke em 1608, e havia rumores entre os índios de um grupo de pessoas de pele clara e cabelos louros que viviam a sul, mas nada de concreto veio a lume. Um colono de Jamestown, William Strachey, relatou na sua obra de 1612, History of Travel in Virginia Britannia (História das Viagens à Virgínia Britânica), que os colonos de Roanoke tinham tentado estabelecer um povoado no seu destino original, na área da Baía de Chesapeake, mas foram mortos pelos índios locais. Outro rumor contava que sete colonos sobreviveram a este massacre e passaram a viver com os índios mais a sul, mas, mais uma vez, nunca foram descobertas provas concretas, embora uma tribo local, os Lumbee, afirme na sua história ancestral que foi isso que aconteceu aos últimos membros da «Colónia Perdida». Por fim, a investigação realizada por arqueólogos na região, conduzida desde 2010 ao longo de um período de dez anos, revelou artefactos que sugerem que os colonos se integraram nas tribos indígenas locais.

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Cartwright, M. (2026, outubro 17). Colónia de Roanoke: A Colónia que Desapareceu. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19001/colonia-de-roanoke/

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Cartwright, Mark. "Colónia de Roanoke: A Colónia que Desapareceu." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, outubro 17, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19001/colonia-de-roanoke/.

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Cartwright, Mark. "Colónia de Roanoke: A Colónia que Desapareceu." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 17 out 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19001/colonia-de-roanoke/.

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