Monte Saint-Michel

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James Blake Wiener
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
publicado em
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Mont-Saint-Michel (by Mark Cartwright, CC BY-NC-SA)
Monte Saint-Michel Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Monte Saint-Michel é o nome de uma ilha de maré localizada ao largo da costa da Normandia e da Bretanha, perto da foz do rio Couesnon e da cidade de Avranches, na França. Embora a ilha de Monte Saint-Michel tenha tido valor cultural, religioso e estratégico desde a época em que os merovíngios dominavam a região, hoje ela é universalmente reconhecida como o local de uma belíssima abadia beneditina em estilo gótico, construída entre os séculos XI e XVI e dedicada ao Arcanjo São Miguel. Apelidada de "Maravilha do Ocidente", Monte Saint-Michel e sua baía foram declarados Patrimônio Mundial da UNESCO, em 1979, e a abadia da ilha é um dos locais mais populares da França, recebendo mais de 3 milhões de visitantes por ano.

Geografia e História Antiga

A ilha do Monte Saint-Michel está situada a 1 km (0,6 milhas) da costa noroeste da França, a 66 km ao norte de Rennes e a 52 quilômetros a leste de St. Malo. Monte Saint-Michel tem uma área de apenas 7 hectares (17 acres) e sua circunferência é de cerca de 960 metros (3,150 pés), com seu ponto mais alto a 92 metros (302 pés) acima do nível do mar. Monte Saint-Michel é uma ilha de maré, o que significa que já foi ligada ao continente francês. As marés em Monte Saint-Michel e seus arredores estão entre as mais dramáticas da Europa, podendo variar em até 15 metros (49 pés), dependendo da época do ano e das condições climáticas. Na Idade Média, os peregrinos tinham que atravessar 7 quilômetros (4,3 milhas) de água para chegar à ilha, que fica 5 quilômetros mais adentro do Canal da Mancha do que hoje. A própria travessia podia ser uma empreitada mortal, pois era preciso esperar a maré baixa, e só então os peregrinos conseguiam atravessar a lama para chegar ao Monte Saint-Michel. (Em 1318, 30 peregrinos morreram tentando chegar ao Monte Saint-Michel, e nos tempos modernos, resgates organizados de turistas e peregrinos continuam sendo alarmantemente comuns).

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ALGUMAS TRADIÇÕES ATESTAM QUE, ANTES DE SANTO AUBERT, MONGES IRLANDESES OU GALESES ESTABELECERAM UM PEQUENO ERMITÉRIO NA ILHA POR VOLTA DO SÉCULO VI.

A história inicial da ilha está envolta em mistério, mas sabe-se que ela era conhecida como Mont Tombe (em latim: tumba). Na Idade Média, os fiéis acreditavam que Santo Aubert de Avranches (falecido em 720) foi o primeiro a erguer um santuário cristão no Mont Tombe e dedicá-lo a São Miguel Arcanjo. A lenda conta que Santo Aubert, então bispo de Avranches, teve uma visão na qual viu o Arcanjo Miguel. Nessa visão, o Arcanjo lhe disse para supervisionar a construção de um pequeno oratório em uma ilha próxima à foz do rio Couesnon. O Arcanjo continuou a aparecer para Santo Aubert até que ele prometeu construir o oratório. Outras tradições atestam que, antes de Santo Aubert, monges irlandeses ou galeses estabeleceram um pequeno ermitério (habitação isolada de pequeno grupo de eremitas) na ilha por volta do século VI.

No entanto, as evidências históricas do Monte Saint-Michel só se tornam aparentes a partir de meados do século IX. É mencionado em diversas obras hagiográficas como local popular entre peregrinos, e o relato de sua fundação encontra-se na "Revelatio ecclesiae sancti Michaelis". A data de fundação do Monte Saint-Michel – 708 – provém de uma crônica escrita no próprio Monte Saint-Michel no século XII, e não há nenhuma fonte confiável que confirme sua fundação por Santo Aubert. É provável que o Monte Saint-Michel tenha funcionado principalmente como um mosteiro bretão no início da Idade Média, até aproximadamente o século XI, quando passou para o controle dos normandos. Curiosamente, o Monte Saint-Michel só aparece em documentos normandos em 1009. Isso reforça a crença de que houve forte e duradoura influência do Ducado da Bretanha, vizinho do Monte Saint-Michel, sobre a comunidade religiosa do local.

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O domínio normando sobre o Monte Saint-Michel começou em 966, quando Lotário I da França (reinou 954-986) ordenou a emissão de uma carta régia sobre o Monte Saint-Michel, especificando os interesses e o domínio normandos no estabelecimento de uma comunidade beneditina na ilha. Os monges beneditinos, sob o olhar atento de Ricardo I (reinou 942-996), Duque da Normandia, administraram bem seu mosteiro, estimulando o crescimento do Monte Saint-Michel como importante centro de peregrinação e local de comércio. Os monges beneditinos produziram muitos manuscritos e livros na ilha, o que, por sua vez, deu ao Monte Saint-Michel o apelido de "Cidade dos Livros". Ao longo do século XI, os governantes normandos (e, após 1066, os reis da Inglaterra) começaram a ver o Monte Saint-Michel como local de fé, além de fortaleza estratégica, devido à crescente rivalidade com a França capetiana. O Monte Saint-Michel recebeu uma guarnição militar, que ficou à disposição tanto do seu abade quanto dos reis normandos e plantagenetas da Inglaterra.

O REI LUÍS IX (Reinou 1226-1270) VISITOU A ABADIA E A PATROCINOU AINDA MAIS COM PRESENTES REAIS E A ORDEM PARA A RENOVAÇÃO DE SUAS MURALHAS DEFENSIVAS E OUTRAS OBRAS MILITARES.

ESTRUTURAS PRINCIPAIS

A fama e a fortuna do Monte Saint-Michel cresceram constantemente entre os séculos XI e XV, à medida que os normandos estabeleceram uma igreja abacial românica no final do século XI e, posteriormente, expandiram essa igreja no século XII. Embora o Monte Saint-Michel tenha sofrido grandes danos em consequência de um cerco bem-sucedido liderado por Filipe II da França (reinou 1180-1222), em 1203, quando conquistou a Normandia da Inglaterra, seu generoso patrocínio ao monte facilitou a construção de um belo mosteiro conhecido como "A Maravilha" (em francês: "La Merveille"). Este edifício é talvez o mais belo do Monte Saint-Michel, pois é uma verdadeira obra-prima da engenharia e da arte normanda-gótica tardia. (Consiste em dois edifícios de três andares, um refeitório e um imenso claustro.) O rei Luís IX (reinou 1226-1270) visitou a Abadia e a patrocinou ainda mais com presentes reais e a ordem de renovação de suas muralhas defensivas e outras estruturas militares.

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História Posterior

Durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre a Inglaterra e a França, os ingleses sitiaram e bloquearam o Monte Saint-Michel três vezes. Os franceses haviam construído muralhas robustas no século XIII que permitiram que a abadia resistisse a um cerco de 30 anos imposto pelos ingleses. A Abadia resistiu às privações decorrentes dos cercos, e o Monte Saint-Michel foi a única parte do oeste e norte da França a evitar a ocupação inglesa durante a Guerra dos Cem Anos. Após a Guerra dos Cem Anos, os abades de Monte Saint-Michel tornaram-se abades comendatários em 1442, passando a deter a Abadia "em comenda", usufruindo dos recursos e rendimentos de Monte Saint-Michel, mas sem autoridade sobre os monges beneditinos em termos de regras e regulamentos. Monte Saint-Michel entrou, assim, num período de relativo declínio, que se prolongou durante as Guerras Religiosas Francesas (1562-1598). Gabriel, conde de Montgomery (1530-1574), sitiou Monte Saint-Michel, mas foi derrotado. A Abadia nunca caiu sob o controle dos huguenotes e, portanto, escapou aos estragos da iconoclastia protestante.

A situação de Monte Saint-Michel tornou-se cada vez mais precária no século XVIII; quando a abadia foi dissolvida durante a Revolução Francesa (1789-1799), havia apenas sete monges residentes. Napoleão I (reinou 1804-1815) ordenou que Monte Saint-Michel se tornasse uma prisão, e assim permaneceu até a década de 1860. Os trabalhos de restauração começaram a sério em 1874, e o culto católico retornou à ilha em 1922. A Abadia foi devolvida à Ordem Beneditina em 1966, para marcar os mil anos de sua fundação, e Monte Saint-Michel e sua baía foram declarados Patrimônio Mundial da UNESCO em 1979. Uma nova ponte substituiu uma antiga estrada elevada para melhor se adequar ao fluxo natural das marés e ao rio Couesnon.

Arquitetura da Abadia

A igreja da Abadia de Monte Saint-Michel engloba uma nave românica dos séculos XI e XII, bem como um coro construído em estilo gótico francês durante os séculos XV e XVI. Uma estátua de São Miguel Arcanjo repousa no topo da torre da Abadia, a cerca de 91 metros (300 pés) de altura, e a igreja da Abadia está situada sobre três criptas que datam das épocas merovíngia ou carolíngia. Graças aos esforços de Filipe II e Luís IX da França, as muralhas defensivas e exteriores do Monte Saint-Michel oferecem vistas deslumbrantes das vertentes sul e leste da montanha. Na ilha do Monte Saint-Michel encontram-se também o refeitório, o luxuoso claustro e as sinuosas ruas medievais.

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Wiener, J. B. (2026, junho 15). Monte Saint-Michel. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17318/monte-saint-michel/

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Wiener, James Blake. "Monte Saint-Michel." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, junho 15, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17318/monte-saint-michel/.

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Wiener, James Blake. "Monte Saint-Michel." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 15 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17318/monte-saint-michel/.

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