Ragnar Lothbrok

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Emma Groeneveld
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
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Travis Fimmel as Ragnar Lothbrok (by HISTORY Channel, Copyright, fair use)
Travis Fimmel como Ragnar Lothbrok HISTORY Channel (Copyright, fair use)

Ragnar Lothbrok (em nórdico antigo Ragnarr Loðbrók, também anglicizado como Ragnar Lodbrok), cujo epíteto significa "Calças Peludas" ou "Calças Desgrenhadas", foi um lendário rei viking, com sagas nórdicas antigas, poesia e fontes latinas medievais narrando suas conquistas na Escandinávia, Frância e Inglaterra anglo-saxônica durante o século IX. Elementos comuns nessas histórias são seus casamentos com Thora e Aslaug, bem como o fato de ter sido pai de muitos filhos famosos, incluindo Ivar, o Desossado (em nórdico antigo, Ívarr hinnBeinlausi), Bjorn Braço de Ferro, Sigurd Olho de Serpente, Hvitserk e Ubba. Uma possível terceira esposa, Lagertha, aparece apenas na Gesta Danorum, do século XIII, uma obra sobre a história dinamarquesa, assim como uma quarta, Swanloga.

Talvez os trechos mais icônicos de sua lenda sejam a luta vitoriosa de Ragnar contra um dragão – para a qual ele criou suas icônicas calças peludas como proteção – e sua invasão um tanto arrogante da Inglaterra com apenas dois navios, que terminou com sua captura pelo Rei Aella da Nortúmbria (Ælla em inglês antigo; reinou ccerca de 866), que o matou jogando-o em um fosso de serpentes. Embora a historicidade do próprio Ragnar seja bastante contestada, acredita-se que alguns de seus supostos filhos tenham alguma base em figuras históricas reais.

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A FONTE MAIS CONHECIDA E PRINCIPAL QUE NARRA A VIDA E OS FEITOS HEROICOS DE RAGNAR É A SAGA ISLANDESA DO SÉCULO XIII, A SAGA DE RAGNAR LOTHBROK.

A Saga de Ragnar Lothbrok

A fonte mais conhecida e principal que narra a vida e os feitos heroicos de Ragnar é A Saga de Ragnar Lothbrok (em nórdico antigo: Ragnars saga loðbrókar), do século XIII, na Islândia. Ela faz parte do gênero fornaldarsögur – sagas lendárias cujas histórias se passaram antes da colonização da Islândia, a partir da década de 870 – e se encaixa perfeitamente na onda de escrita de sagas islandesas que tomou conta da ilha nessa época. Esses tipos de lendas heroicas tendiam a se ligar às origens míticas de famílias escandinavas históricas e frequentemente terminavam com a morte de seu campeão. A Saga de Ragnar Lothbrok mostra Ragnar como o ancestral de uma família islandesa e retrata governantes independentes de vários reinos interagindo entre si, além de, em consonância com o gênero, terminar com sua morte.

A história começa com a infância de Aslaug, que se tornaria a segunda esposa de Ragnar. Ela é filha de Sigurd e Brynhild (o lendário matador de dragões e a Valquíria da mitologia germânica, popularizada por Wagner), que morrem quando Aslaug tem apenas três anos. Ela cresce na Noruega, acolhida por uma família pobre que lhe dá o nome de Kráka ('corvo') e mantém sua linhagem em segredo.

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Enquanto isso, Ragnar, filho do rei Sigurd Ring da Dinamarca, cresce e se torna um homem bonito e habilidoso em artes marciais, "bom para seus homens e cruel para seus inimigos", e um guerreiro de elite que poucos conseguiam igualar (A Saga dos Volsungos com A Saga de Ragnar Lothbrok, 89). Seu primeiro feito é ajudar o jarl de Götaland, Herruð, com seu problema com um dragão – uma cobra que cresceu desproporcionalmente em sua cidade (jarl pode ser traduzido por Conde, embora jarl não era apenas um nobre, mas um chefe com autoridade militar e administrativa quase total sobre um território, abaixo apenas do rei). Com um novo traje de calças felpudas e capa fervida em piche, ele mata o dragão com uma lança enquanto suas roupas o protegem do sangue da criatura, recebendo como recompensa a mão de Thora, filha do jarl, em casamento. O casamento é feliz e resulta em dois filhos, Eirek e Agnar. Quando Thora adoece e morre, um Ragnar de coração partido parte para saquear em vez de governar, e em um verão ele navega para a Noruega e se depara com a fazenda onde Kráka mora. Desejando se casar com ela ao saber de sua beleza, ele lhe propõe um teste de sabedoria – basicamente um enigma para resolver – que ela supera com louvor.

Ragnar Lothbrok's Sons & King Ælla's Messengers
Os Filhos de Ragnar Lothbrok & os Mensageiros do Rei Ælla's August Malmström (Public Domain)

Seus filhos incluem o literalmente desossado Ivar, o Desossado – resultado de uma maldição lançada sobre Kráka caso seu marido fosse muito ansioso em sua noite de núpcias e, portanto, inteiramente culpa de Ragnar – bem como Bjorn Braço de Ferro, Hvitserk e Rognvald, que também vivem aventuras. Durante todo esse tempo, Ragnar pensa que Kráka é uma simples camponesa e acaba sendo convencido a se casar com a filha do rei sueco. No entanto, Aslaug já recuperou seu próprio nome e linhagem e conta a Ragnar sobre isso, provando seu ponto ao prever que seu próximo filho nascerá com olhos com cobras. Sigurd Olho-de-Cobra, consequentemente, salva o casamento deles.

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Os assuntos inacabados com o rei sueco, cujo noivado de sua filha havia terminado abruptamente, levam a uma série de eventos, incluindo Eirek e Agnar tentando lutar contra os suecos, mas encontrando uma vaca mágica que protege o exército sueco, e Aslaug mudando seu nome para Randalín e levando seus filhos para a batalha também. Eles conseguem virar o jogo. A saga termina com Ragnar fazendo um juramento arrogante de que invadirá a Inglaterra com apenas dois navios, o que acaba sendo uma tolice. Ele é capturado pelo rei Ælla da Nortúmbria e jogado em um fosso de serpentes, onde morre, mas é vingado por seus filhos, que levam seu poder para a Inglaterra. Segundo essa história, eles torturam Ælla até a morte, realizando nele o notório (e provavelmente não histórico) ritual da águia de sangue.

A História dos Filhos de Ragnar

Dando sequência direta à história acima, em algum momento entre o final do século XIII e o início do século XIV, novamente na Islândia, foi escrito o Conto dos Filhos de Ragnar (Ragnarssona þáttr). A obra foi concebida como um "aprimoramento" da Saga de Ragnar Lothbrok e retrata um império viking maior, estendendo-se à Noruega, Inglaterra e ao Mar Báltico. Isso fica evidente logo no início, quando Ragnar é apresentado como filho do Rei Hring, que possuía territórios na Suécia e na Dinamarca, os quais Ragnar governou após a morte do pai. Essa ideia se torna ainda mais clara nos parágrafos finais, que mostram seus filhos governando diversos reinos na Inglaterra, em partes da Dinamarca, Alemanha, no Mar Báltico, na Suécia e na Noruega. A obra inclui seus filhos Eirek e Agnar, com Thora, e Ivar, o Desossado, Bjorn Braço de Ferro, Hvitserk e Sigurd Olho-de-Cobra, com Aslaug.

NA HISTÓRIA DOS FILHOS DE RAGNAR, RAGNAR GOVERNA MÚLTIPLOS REINOS E É UM SOBERANO BOM E JUSTO SOBRE SEUS REIS TRIBUTÁRIOS.

A História dos Filhos de Ragnar preserva a maior parte dos elementos centrais da Saga de Ragnar Lothbrok, com algumas alterações em detalhes, resumos, omissões e a adição, após a morte de Ragnar, de uma longa extrapolação sobre os feitos de seus filhos. O próprio Ragnar é apresentado como governante de múltiplos reinos e como um senhor justo e benevolente para com seus reis tributários. Contudo, aqui, Ragnar é ancestral apenas dos reis dinamarqueses e das dinastias reais norueguesas; curiosamente, para uma obra escrita por um islandês, a Islândia é completamente omitida da narrativa.

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Ragnarsdrápa

Dentre essas obras do século XIII ou posteriores referentes a Ragnar, o poema escáldico nórdico antigo – ou poema cortesão – Ragnarsdrápa ("o poema sobre Ragnar") chama a atenção por sua atribuição ao poeta cortesão norueguês do século IX, Bragi Boddason. O poema descreve cenas mitológicas pintadas ou esculpidas em um escudo que teria sido presenteado a Bragi por um homem chamado Ragnar, identificado por outro poema nórdico antigo como Ragnar Lothbrok. Contudo, essa identificação é questionável, pois pode se referir a um Ragnar posterior, e a historicidade duvidosa de Ragnar Lothbrok não corrobora a hipótese de que ele tenha tido contato direto com o Bragi histórico.

Krákumál

O poema escáldico nórdico antigo do século XII, Krákumál (que significa "palavras do corvo", mais conhecido em inglês como The Death-Song of Ragnar Lothbrok), concentra-se em uma parte específica da lenda de Ragnar: sua morte (nota do tradutor: O termo escáldico refere-se a tudo o que é relativo aos escaldos, que eram os poetas e cantores da corte na Escandinávia medieval). O poema se relaciona com a história comumente contada da captura de Ragnar por Ælla da Nortúmbria, que o joga em um fosso de cobras para morrer, e se apresenta como a canção de morte de Ragnar, composta por ele enquanto esperava por sua morte lenta nas mãos (bem, presas) das criaturas. No entanto, é improvável que tenha sido escrito por Ragnar. Mesmo que ele tenha sido uma figura histórica, o que é duvidoso, a linguagem do poema é do século XII, não do século IX em que Ragnar teria vivido, e não apresenta as características dinamarquesas que se esperaria de um viking dinamarquês.

Como convém a um herói viking, Ragnar relembra todas as suas batalhas e os feitos audaciosos que realizou durante a vida, com todas as estrofes, exceto a última, começando com o marcante verso "Cortamos com uma espada". Sucumbindo gradualmente ao veneno, ele expressa a esperança de que seus filhos o vingarão. Após contabilizar os feitos de sua vida, ele percebe que não tem motivos para temer a morte, pois certamente será admitido no Salão de Odin, Valhalla, para festejar lá. Ragnar termina com um otimista "rindo, morrerei" (em nórdico antigo: læjandi skalk deyja).

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O poema apresenta uma versão ligeiramente diferente da lenda de Ragnar, pois menciona diversos locais e personagens que não estão presentes em obras posteriores, como A Saga de Ragnar Lothbrok, do século XIII, ou a Gesta Danorum.

Outras Fontes Nórdicas Antigas

Embora Ragnar seja claramente figura central em certas fontes, também existem menções mais indiretas em outras obras nórdicas antigas relacionadas à sua vida e lenda. Duas outras sagas nórdicas (fornaldarsögur) islandesas carregam sua marca. Em primeiro lugar, a Bósa saga ok Herrauðs, escrita por volta de 1300, apresenta o epônimo Herrauðr como pai da primeira esposa de Ragnar, Thora. Em segundo lugar, a Hálfdanar saga Eysteinssonar, do início do século XIV, retrata seu herói como o tetraneto de Sigurd Olho-de-Serpente, filho de Ragnar. Além disso, a Bárðar saga Snæfellsáss (possivelmente do século XIV) contém um personagem chamado Raknarr, que alguns estudiosos equiparam a Ragnar Lothbrok. Também podemos vislumbrar nosso herói no poema escáldico Háttalykill, composto por volta de 1300. Em 1142, um jarl das Órcades, Rögnvaldr kali Kolsson, e Hallr Þórarinsson, um islandês, compôs o poema. No entanto, apenas fragmentos da parte que faz referência a Ragnar foram preservados, e, além de mencionar uma pessoa sem ossos e insinuar o encontro de Ragnar com o Rei Ælla, pouco acrescenta à tradição.

Saxo's Gesta Danorum
A Gesta Danorum de Saxo Wikimedia Commons (Public Domain)

As Fontes Latinas

A lenda de Ragnar também se espalhou além da língua nórdica antiga, chegando às obras latinas da Dinamarca, Inglaterra e França medievais. A Gesta Normannorum ducum ("Ações dos Duques Normandos") escrita em meados do século II pelo monge normando Guilherme de Jumièges, mostra Ragnar sentado confortavelmente em casa em seu reino dinamarquês enquanto um filho seu causa estragos por toda a França. Diferindo da mesma forma da linha principal da lenda de Ragnar, cerca de 1140, Brevis historia regum Dacie, uma crônica dos reis dinamarqueses, retrata um dos filhos de Ragnar como conquistador e rei da Dinamarca. De Infantia Sancti Edmundi, de meados do século XII, escrito na Inglaterra, mostra Ragnar e seus três filhos liderando a invasão dinamarquesa da Inglaterra. Isso pode fazer referência ao histórico desembarque viking de um grande exército em East Anglia, em 865, com a intenção de conquistar todos os reinos anglo-saxões na Inglaterra. Uma figura tradicionalmente identificada como Ragnar Lothbrok, um chefe viking chamado Reginherus, é mencionada nos Anais Francos de São Bertin, do século IX, como tendo liderado a invasão de Paris, em 845, mas recebendo do governante franco Carlos, o Calvo (reinou 840–877) uma enorme soma para se retirar.

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Essa sequência é, na verdade, incorporada à série de TV Vikings, na qual Ragnar é interpretado por Travis Fimmel; o objetivo desta série é o entretenimento, não a precisão histórica, e esse evento também se encaixa nesse tema. Em vez da posição historicamente mais fraca do chefe que atacou Paris, o Ragnar da série está em uma posição forte durante todo o tempo, embora não possa tomar a cidade e seja pago para partir. Ele é mostrado sendo batizado pelos francos, fingindo-se de morto, tendo seu filho Bjorn Braço de Ferro solicitando que lhe seja dado um funeral cristão, e seu caixão é levado para a catedral de Paris. Ragnar então salta, faz um refém e abre o portão para Lagertha (veja abaixo), seu irmão Rollo (inspirado em Rollo da Normandia) e seu exército. Um momento tão marcante não destoa das lendas mais amplas de Ragnar e, portanto, a série de TV adiciona suas próprias notas ao seu legado colorido.

A principal fonte latina que dedica muitas páginas a Ragnar Lothbrok é a Gesta Danorum ("Feitos dos Dinamarqueses"), provavelmente escrita no início do século XIII, por Saxo Grammaticus. Começa com Ragnar incursionando pela Dinamarca e Noruega, onde encontra Lagertha (ou Lathgertha, provavelmente uma latinização do nórdico antigo Hlaðgerðr). Ela é descrita como

...uma amazona habilidosa que, embora virgem, tinha a coragem de um homem e lutava na linha de frente entre os mais bravos com os cabelos soltos sobre os ombros. Todos se maravilhavam com seus feitos incomparáveis, pois seus cabelos esvoaçando pelas costas revelavam que ela era uma mulher.

(IX).

Ragnar casa-se com ela, mas depois divorcia-se dela por falta de confiança, após o que a conhecida história de Thora e o dragão prossegue de forma embelezada, com Ragnar lutando não com uma, mas com duas serpentes enormes. Após a morte prematura dela, Ragnar parte em pilhagens por toda parte e acaba casando-se com Swanloga, com quem tem os filhos Ragnald, Hwitserk e Erik. Quando Swanloga também morre de uma doença, Ragnar desencadeia sua fúria sobre a Inglaterra, matando o Rei Hame, pai de Ælla, da Nortúmbria. Ælla então procura os cúmplices de Ragnar entre os irlandeses, punindo-os, após o que Ragnar reúne uma frota e o ataca, mas falha, e o conhecido fosso das serpentes e a subsequente vingança de seus filhos se seguem. Um elemento marcante da Gesta é outro filho, Ubba (ou Ubbe), que é fruto de Ragnar ter enganado uma camponesa e a engravidado. Ele também aparece nos Anais de São Luís Neotts (século XII) como irmão de Ivar, sendo ambos descritos como filhos de Lothbrok.

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Um Rei Histórico?

Deixando de lado dragões e outros elementos obviamente míticos, a questão de se o próprio Ragnar Lothbrok realmente existiu como figura histórica é difícil de responder definitivamente, especialmente quando se trata de fontes que estão longe de ser unânimes no que dizem sobre ele. Além disso, o período das lendas – o século IX – não é bem abordado em fontes históricas. As próprias lendas, embora surjam pelo menos já no século XII, também são posteriores ao seu tema por um bom tempo. Muitos nomes vikings também eram bastante comuns, tornando a identificação de indivíduos muito mais difícil.

Great Viking Army in England, 865-878 CE
O Grande Exército Viking na Inglaterra, 865-878 Hel-hama (CC BY-SA)

Certos eventos do século IX, como o cerco de Paris, em 845, são históricos, assim como certas pessoas, como o rei inglês Ælla da Nortúmbria, que reinou por volta de 866, quando uma invasão viking dos reinos anglo-saxões abalou as terras. Pelo que sabemos, fora das lendas de Ragnar, os motivos dessa invasão não têm nada a ver com alguém buscando vingança pela morte do pai. A Crônica Anglo-Saxônica menciona um 'Hingwar' e um 'Hubba' como chefes desse grande exército viking, bem como um certo 'Halfdene' (Crônica Anglo-Saxônica, de 870 e 871). Eles têm sido frequentemente associados aos filhos de Ragnar, Ivar, o Desossado, e Ubba – com 'Halfdene' ou Halfdan possivelmente representando o Hvitserk da antiga tradição nórdica – embora as crônicas contemporâneas sejam totalmente silenciosas sobre esse assunto. A morte histórica do rei Ælla também é registrada na Crônica Anglo-Saxônica: diz-se que ele foi morto em batalha contra as forças vikings em York, em 867, sem qualquer menção ao método de tortura com águia de sangue perpetuado pela lenda de Ragnar.

Quanto ao próprio Ragnar, até onde sabemos, não houve nenhuma pessoa histórica que corresponda aos seus supostos feitos (e filhos) em qualquer grau adequado. É mais provável que, nos séculos posteriores ao auge aventureiro dos ataques vikings no século IX, histórias tenham surgido para unificar vários eventos históricos e pessoas conhecidas sob um mesmo teto. Vários historiadores argumentaram que Ragnar Lothbrok pode ser uma amálgama de várias figuras históricas, unidas em um herói mítico que foi o flagelo do norte da Europa no século IX e pai de muitos filhos famosos. Talvez as figuras históricas que ficaram conhecidas como filhos de Ragnar fossem famosas o suficiente para receber uma ancestralidade tão prestigiosa.

Candidatos que podem ter sido suficientemente interessantes para serem imortalizados em histórias heroicas como Ragnar Lothbrok são o rei dinamarquês Horik I (reinou 827-854), que atacou ativamente as terras francas de Luís, o Piedoso, filho de Carlos Magno; o rei Reginfrid da Dinamarca († 814); o chefe nórdico Reginherus, que liderou o ataque viking a Paris em 845, mas que é misteriosamente desconhecido fora desse único evento; o Reghnall (ou Raghnall) que aparece nos Anais Irlandeses; ou o pai dos líderes vikings envolvidos na invasão dos reinos anglo-saxões em 865.

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Bibliografia

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Groeneveld, E. (2026, junho 23). Ragnar Lothbrok. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17301/ragnar-lothbrok/

Estilo Chicago

Groeneveld, Emma. "Ragnar Lothbrok." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, junho 23, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17301/ragnar-lothbrok/.

Estilo MLA

Groeneveld, Emma. "Ragnar Lothbrok." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 23 jun 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17301/ragnar-lothbrok/.

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